novembro 01, 2006

Dúvidas

Para que não se interprete mal o que vou dizer quero avançar já com um ponto: tenho o maior respeito, um sincero respeito, pelo modo como cada um vive os seus lutos e as perdas que sofreu. Tive os meus desde muito nova, perdi pessoas que amava profundamente e ainda hoje sofro com isso. Portanto completamente longe de mim a mais pálida censura ao modo como se vive os rituais fúnebres. Nunca o faria porque sei que cada um sente isso à sua maneira.
Acontece que eu não tenho grande sensibilidade aos rituais tradicionais. Choro os meus mortos à minha maneira, e tenho-os bem guardados na minha memória, no meu coração, e não sinto necessidade de ir ao cemitério. Mais uma vez falo apenas por mim!
Hoje é um dia onde, por tradição, se fazem deslocações enormes aos cemitérios. Volto a repetir que não tenho nada com isso. Mas tenho de observar que me impressiona um pouco que tanta gente se pareça preocupar mais com os mortos do que com os vivos. Paradoxalmente parece que o ser humano só dá preocupação antes de nascer e depois de morrer. Enquanto por cá anda, pode sofrer horrores, pode sentir-se só, pode não ter que comer ou onde dormir, pode desesperar, pode enlouquecer de desgosto, de solidão, de tristeza, que isso parece ser considerado normal.
Tenho uma amiga que desde há uns tempos trouxe o seu pai de 80 e tal anos para a sua casa. Esta decisão foi muito difícil porque implicou um enorme aumento de trabalho do seu lado. Mas ela tem-se desdobrado, quase não dorme, levanta-se de madrugada e deita-se a altas horas, porque para além do seu trabalho, tem de cuidar do marido, dois filhos adultos e amimar o pai. Tem 4 irmãs, que têm lavado as mãos desta questão com a maior calma. Há meses que não visitam o pai, porque ao fim-de-semana têm que fazer, e durante a semana não podem… Hoje telefonaram dizendo que iam a 300 km, à campa da mãe que morreu há 10 anos, deixar-lhe flores. Foi um gesto bonito, sim senhor. A minha amiga ainda teve forças para dizer, sorrindo «Quando voltarem, podiam parar aqui e dar um beijo ao Pai que não vos vê há tantos meses…». Acredito que o senhor gostaria de voltar a ver as filhas enquanto está neste mundo. Ou terá de esperar passar para o outro para que se preocupem com ele?
Temos um Dia de Finados.
Talvez fosse de instituir um Dia dos Vivos.

Emiéle

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Distâncias

É uma espécie de lugar comum dizer-se que hoje em dia não há distâncias. Grande mentira! É evidente que a medida é diferente da que era antigamente. Hoje os transportes são outros e portanto podemos movermo-nos mais rapidamente. Mas é só isso… A distância está lá, firme, forte, intransponível.
Quando se está longe de uma amiga, quando temos meio mundo entre nós, um oceano, muitas horas de caminho mesmo num avião muito rápido, como dizer que não há distância…?! Quando a nossa vida está ensarilhada de modo a ser impossível largar tudo para acudir a alguém que amamos muito e gostaria de nos ver, mas está muito longe, como dizer que não há distâncias? Quando o preço do bilhete do famoso avião super-rápido é incomportável para aquilo que ganhamos, como dizer que não há distâncias?
Quando nos apetecia tanto segurar-lhe a mão, limpar-lhe a testa, aconchegar-lhe o lençol, e nos limitamos a enviar mensagens cheias de lágrimas que lhe vão ser transmitidas por outros numa outra língua que não a nossa, como negar a distância..?
Existe, sim! Existe distância quando não podemos estar perto de quem gostamos, quando a vida separa quem cresceu junto e fala ainda «a mesma língua», canta as mesmas canções, amou as mesmas obras de arte, vestiu as mesmas roupas, teve um fraquinho pelos mesmos rapazes. E odiou também as mesmas coisas, lutou pelas mesmas causas, entusiasmou-se, apaixonou-se pelos mesmos ideais.
Estamos distantes do passado e contudo ele está muito mais perto do que o presente que se passa agora noutro continente. E que me põe no peito esta bola, tão dura, tão dura, esta bola pesada que teima em não passar…

(pode aumentar)

Emiéle

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outubro 17, 2006

Sentir

Não, não vou falar de sentimentos, vou falar de sentidos. É muito curioso observar como nós ‘intelectualizamos’ tanta coisa. E muito espontaneamente, até é preciso fazer algum esforço para inversamente se ‘pensar simples’.
Contaram-me uma experiência. Um orador numa sessão quis demonstrar qualquer coisa, pediu a uma pessoa da assistência que colaborasse e alguém se ofereceu. Foi-lhe pedido que fechasse os olhos e estendesse uma mão dizendo depois o que sentia. Colocou-se-lhe uma chave na mão e ele de olhos fechados declarou: “uma chave”. Depois colocou-se-lhe um lenço e ele afirmou “um lenço”. O tal orador com uma expressão infeliz, afinal a experiência estava a correr mal, pediu outro voluntário. Repetiu-se a cena, olhos fechados, mão estendida, e iam saindo identificações certas: “uma moeda”, ou “um papel”.
Então o orador confessou: - “Desisto!” e, curiosamente, o público não entendia o que estaria mal. Ele então explicou “Meus caros, eu só lhes perguntei o que é que sentiam. Eles podiam sentir frio, sentir leve, sentir macio, sentir pesado. Mas não «sentiam moeda» nem podiam «sentir lenço» isso já são elaborações mentais de quem reconhece os objectos".
Já pensaram as vezes que nós fazemos isso? Perante questões muito simples, adiantamo-nos, damos o que consideramos um passo em frente do que nos é pedido. Mas será que é realmente um passo em frente…? Porque não deixar os nossos sentidos muito simplesmente serem aquilo que são – olfacto, vista, paladar, ouvido, tacto. Já é tanto! Viver com plenitude aquilo que o nosso corpo generosamente nos dá.

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Emiéle

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outubro 03, 2006

Diferentes

A Mar deixou dois posts em sequência no seu Ponto sem Nó, focando o tema difícil da velhice. Pelo relato que faz e pelas fotos, ainda bem que se vê que pelo menos aqueles conseguiram divertir-se, brincar, e sentirem-se bem em companhia de pessoas da sua idade e com problemas semelhantes os seus.
Eu, por motivos pessoais, tenho tido recentemente muito contacto com três senhoras, todas elas com um pouco mais de 90 anos. E, se são da mesma geração, e de meios sócio-económicos semelhantes, o certo é que a sua situação é muito diferente devido também ao diferente estado físico e mental.
A que está pior, fez há poucos dias uma fractura do colo do fémur, o que associado a sinais claros de Alzheimer, traça um quadro muito negro. Está, desde há cerca de um ano num lar de idosos, lar com condições invulgarmente boas onde a filha a muito custo a deixou, por lhe ser completamente impossível mantê-la em casa. Mas agora com esta fractura, tendo de ficar acamada, não pode ficar naquele local e a filha está aflitíssima. E quanto à velhinha, como o Alzheimer ainda é um mistério, não sabemos o que sente nem se sofre, mas é uma situação muito triste!
A outra, é aquela de quem aqui tenho falado várias vezes. Muito lúcida de cabeça, mas o corpo num estado desgraçado. Raramente se levanta da cama, está esquelética de magra, tem uma empregada que cuida dela mas sem grande paciência, e passa os dias sozinha, lendo porque ainda vê bem (está apenas "um pouco" surda) e suspirando sempre por uma visita para quebrar a monotonia dos dias. Uma vida bastante triste e solitária.
A terceira, também com 90 e poucos, parece muito bem. Vive numa casa que é dela e da filha com quem vive. A filha está reformada e mais doente do que a mãe! Esta senhora foi operada há poucos anos às cataratas e desde aí vê bastante bem, ouve bem, e se tem um feitio autoritário o certo é que toda a vida o teve, não é da idade. Sabe muito bem o que quer e faz-se obedecer. Todos os dias sai a dar um passeio pelo bairro, vai comprar o jornal que lê atentamente, desconfia de remédios e trata-se com chás e tisanas em que acredita muito mais. Tem um feitio bastante difícil, mas continua a governar a sua vida sem dificuldade.
Onde é que quero chegar…? Em que é completamente impossível generalizar o que é isso da «velhice». Mesmo nestes casos, onde podia haver muito em comum, são tão diferentes!!! A verdade é que se tem de olhar para cada caso de um modo particular e diferente. Tal como gostamos que façam connosco.

Emiéle

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setembro 30, 2006

Gestos

Pode ser excesso de sensibilidade da minha parte, mas há certos gestos não partilhados que me chocam. Felizmente não vejo muitas vezes, mas sempre vou vendo: um casal, ou pelo menos um par de pessoas mulher-homem a conversar na rua. E um deles, na conversa aproxima-se do outro, de um modo carinhoso, cada vez mais, até muitas vezes lhe passa o braço pela cintura, enquanto o outro vai fugindo com o corpo, afastando-se também cada vez mais, até fazer um arco de repulsa.
Faz-me imensa impressão e não consigo entender, se a mim que estou longe a mensagem chega com tal clareza e nitidez quase em letras garrafais – NÃO TE QUERO! – como é possível que o outro elemento do par não o largue instantaneamente, e se afaste uns passos? Impressiona-me os dois gestos, a repulsa tão acintosa e agressivamente demonstrada, e a insistência de perfeita cegueira de quem insiste na aproximação.

É tão bom um afecto partilhado, mas tão amargo um desencontro destes.

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Emiéle

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setembro 20, 2006

Cores

Li ontem um post no blog azul da Hipatia que foi muito sugestivo para a minha imaginação. Ela chamou-lhe “Cromoterapia” e eu concordo que as cores podem curar muita coisa! O meu mundo é bem colorido, e dificilmente direi que não gosto de uma cor qualquer. Posso não gostar de algumas tonalidades dessa cor ou, vendo a coisa ao contrário, mesmo em cores que não aprecio muito, há sempre tonalidades de que gosto.
Há as cores quentes, quem vêm à cabeça da marcha. Amarelos, vermelhos, laranjas, e as suas múltiplas variantes, mais escuro ou mais suave, mais pálido ou mais forte, um amarelo ouro, um amarelo alaranjado, um vermelho rosa, um vermelho tijolo, um vermelho lacre… Lindas. Quentes, fortes, contagiantes de alegria. Mas vêm os azuis, é já nem sei o que diga. Adoro o azul. Também em todos os seus tons, o azulão, o turquesa, o azul-marinho, perco-me pelos azuis. O verde é uma cor mais difícil, alguns tons não «me dizem nada», mas basta um passeio por uma mata, pelo campo no meio de uma sinfonia de mil verdes diferentes e todos lindíssimos, para voltar logo atrás nessa opinião. Estas cores, as tais frias, são também a cor da serenidade, da calma, da paz. E é tão bom estas pausas na exaltação das outras, das ‘quentes.!
E o preto? O negro bem negro, profundo, cor de relevo de veludo. Em muito pequenas doses, é certo, mas que falta faz! E tenho de terminar com o branco. Diz-se que é a soma de todas as cores e assim é para mim. É a cor da luz, a cor da vida. Talvez a minha cor preferida, a que uso com mais frequência e com mais segurança. A base da minha casa é branca, apesar do seu colorido todo. É a cor-mãe, a cor inicial. Olhar para uma folha de papel em branco é um convite claro a começar a escrever. Mas na folha branca vou escrever com tinta azul, de uma caneta vermelha, sobre o tampo amarelo de uma mesa, encostada a almofadas laranjas e verdes…Com várias tonalidades.

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Emiéle

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setembro 18, 2006

As certezas

Dizemos muitas vezes: «É ! Eu vi com os meus próprios olhos!» Pois...
No outro dia fui tomar um café com uns amigos à Gulbenkian.
No átrio junto à cafetaria, átrio que por vezes usam para expor alguns objectos, tinham montado uma casinha feita com livros. Livros verdadeiros, colocados como tijolos, e como as quatro paredes chegavam ao teto parecia um quartinho com duas entradas, uma em frente da outra. Entre uma ‘porta e a outra’ tinham montado uma passagem com umas duas tábuas. E porquê ? Porque quer o teto quer o chão dessa casinha, eram dois enormes espelhos, e quem se aventurasse ali tinha a perfeita sensação de que estava a atravessar um poço forrado de livros, do qual não se vislumbrava nem o fundo nem a parte de cima (pudera!) Com essas tábuas, atravessávamos fazendo equilíbrio.
O espantoso é que eu nem sou dada a vertigens. Vivi uns anos no 36º andar de um edifício e pendurava a roupa no estendal sem o menor problema. Mas aquilo…
Olhem, confesso que não atravessei! Dei uns passos, olhei para baixo e recuei.
É que o meu cérebro dizia-me que o chão estava ali mesmo, na continuação do chão do átrio. OK. Mas os meus olhos não acreditavam. A mensagem que enviavam era que aquilo era alto p’ra caraças!!!
Pronto. Perante os sorrisos dos meus amigos, recuei. Foi mais forte do que eu.
Era muito pior do que isto:

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Emiéle

Publicado por populo às 01:10 PM | Comentários (4)

setembro 14, 2006

O meu post número dois mil

Pois é. É este.
Este que estão agora a ler é o meu post 2.000 do Pópulo.
Há uns tempos, o Sharkinho, escreveu um post uma posta :D onde , de um modo simpatiquíssimo, chamava a atenção para a quantidade dos meus escritos. No boneco que acompanhava o post, tenho qualquer coisa de maluquinha… Eheheheh!!!
Admito que é verdade. Não sei explicar porque é, mas adoro isto. Quase tudo me sugere uma reflexão, ou uma piada, ou encontro por acaso uma imagem que gosto de partilhar convosco, ou oiço uma conversa sugestiva… Eu sei cá porque é que escrevo como escrevo…! Reconheço que sim.
É evidente que estes números redondos servem para «balanços». Na vida também é um pouco assim – muita gente quando chega aos 30, aos 40, aos 50, aos 60, olha para trás e avalia a sua vida. Nos anos ‘intermédios’ nem por isso…
E o balanço aqui é complicado.
Há pouco arranjei aquelas classificações para facilitar – as ‘opiniões’, o ‘era uma vez’, o ‘bola-de-sabão’, mas não chega! Quando abro o blog ao acaso numa data anterior qualquer, apanho logo um pouco... de uma grande confusão! Há muitas críticas, sem dúvida, aos nossos costumes, aos nossos governantes, à situação no mundo. Mas se fosse só isso, seria um blog muito azedo e amargo, eu não desejo nada que o seja e tenho a presunção de considerar que o não é. Porque também gosto muito de rir, e comovo-me com muitas coisas, se calhar coisas até piegas mas… sou mulher e numa mulher desculpa-se um pouco de pieguice, não é?
Bom. O tal 2.000 já cá está.
Depende de quem me lê eu ter incentivo para continuar em frente.
Há para aí pilhas duracell...???

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Emiéle

Publicado por populo às 09:40 PM | Comentários (21)

agosto 21, 2006

Remorsos

Tenho uma amiga muito velhinha. Muito, muito velhinha. Já aqui falei nela creio até que por mais de uma vez. É uma senhora muito inteligente, extremamente culta, que sempre viveu num meio intelectual – filha de escritor, viúva de pintor – e cultiva, interessada, quase todas as facetas da cultura. Tem um enorme humor que aplica por vezes cirurgicamente, apontando o ridículo de uma situação de um modo completamente desconcertante.
Vive numa casa enorme, enorme ainda mais para quem vive sozinha com uma empregada, casa que tem a vista sobre Lisboa mais espectacular que me foi dado ver. Mas não tem filhos, nem sobrinhos directos, e vive agora bastante sozinha, sobretudo para quem tem mais de noventa anos e pouca saúde. Eu, quando posso, faço-lhe uma ou outra visita, mas reconheço que são demasiado rápidas. A vida deixa-nos sempre com tanta ocupação pendurada que se vai deixando para mais tarde o que não nos parece tão prioritário. Contudo, até agora ia abafando um sentimento de culpa porque, de vez em quando, lá fazia um telefonema e ia conversando um pouquinho. Sei bem que não era o que devia fazer, isto era uma espécie de “aproximação” de lotaria, mas ia funcionando e atenuando esse sentimento de culpa.
Mas das últimas vezes que quis usar o esquema do telefone, para “fazer visita” a coisa correu mal. Infelizmente a idade está a roubar-lhe um sentido importante que é o ouvido. A minha amiga está a ouvir tão mal que os telefonemas são muito penosos. Ela a repetir, “quê???” e eu a gritar deste lado, absolutamente aos berros e mesmo assim quase sem resultar… Porque o sistema do berro serve para dar um recado, uma informação curta, mas não para travar uma conversa demorada que substitua uma visita.
Não. Sinto o coração muito pesado. Custe o que custar, a gente “arranja” sempre tempo quando o que queremos é muito importante.
Tenho de a ir visitar, e não passa desta semana !

Emiéle

Publicado por populo às 08:45 AM | Comentários (8)

agosto 03, 2006

A brincar com legos

Ontem fui ao IKEA. Comprei uns armarinhos, muito catitas, vinha tudo desarmado como já se sabe que eles fazem mas com instruções.
Mal desembarquei em casa, pus-me ao trabalho. O material todo em cima do tapete (não tenho nenhuma mesa assim tão grande) e tudo em ordem – parafusos numa tacinha, preguinhos noutra, a famosa ‘chave-ikea’ de apertar parafusos no meu bolso, o esquema que eu devia seguir, em pé encostado ao sofá.
Depois comecei a brincar.
Quando tinha 6 anos e fazia trabalhos manuais lá na escola, era assim!
Amigos, o que me diverti!!! E um quarto de hora depois, com a vitrine já em pé e as belas portas de vidro a correrem nas ranhuras, tudo impecável, senti-me inchada que nem um pavão.
Adoro aquilo.
E pude dizer como quando era pequenina: Fui eu que fiz!!!
A sério que fiquei satisfeitíssima, mais ainda por os ter montado eu do que os possuir. A bela sensação de auto-suficiência vale um dinheirão.
(quer-me parecer que vou passar a comprar lá mais coisas só para as poder montar; como os malucos por aeromodelismo…)

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Emiéle

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fevereiro 23, 2006

Recordações a preto e branco

Muitas vezes o passado aparece-nos como certos sonhos: a preto e branco. Isto sem desprimor nem para o passado nem para os sonhos. É assim, muito simplesmente. Tal como os filmes antigos, antes de ter surgido a cor. Como se a nostalgia fosse mais forte assim, sem a distracção das cores.
E hoje estou um pouco “nessa onda”. Talvez seja culpa deste "um dia com o Zeca, vêm-me à memória tanta recordação sem qualquer ordem cronológica, nem talvez ordem de importância, mas chegam assim mesmo numa invasão de afectos e recordações.
Muitos momentos fortes, de surpresa, de indignação, de raiva, de camaradagem, de alegria, de cumplicidade. Éramos muito jovens ( nas minhas recordações, é claro ) e a vida parecia ser eterna.
E em certa medida assim era. Cada momento é único. Cada momento é também eterno.

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Emiéle

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fevereiro 15, 2006

Um inferno pessoal revisitado

Ontem, contra o meu hábito, não dei nenhuma assistência aqui ao blog. A verdade é que isto é um hobby. Hobby especial, é certo, e que me tem sido importante. Por isso cá volto hoje.
Quando ontem, no final da tarde, me preparava para tratar de um entorse que fiz no tornozelo, que estava inchadíssimo e me doía imenso, tocou o telefone. Diziam-me de uma familiar que tinha seguido de ambulância para uma urgência hospitalar. Não era familiar muito próxima, mas não havia mais ninguém a quem recorrer. A primeira tentativa, dado ser-me difícil pôr o pé no chão, foi experimentar o telefone. Depois de muitas dificuldades lá consegui entrar em linha com as informações das urgências, mas a minha ideia não servia. Queriam-me lá. Ela estava num estado de grande confusão mental e precisava-se de alguém que prestasse informações. Tinha mesmo de ir ao Amadora/Sintra. Portanto o primeiro degrau do inferno: meter-me na IC19 em hora de ponta e numa missão de urgência! Sem palavras.
Ao chegar, vendo que havia uma cancela à entrada concluí que não poderia entrar de carro ( burra!), estacionei e, a coxear, lá procurei a urgência, que fica exactamente nas traseiras do hospital… Muito cansada e nervosa, subi o segundo degrau do inferno: estabelecer contacto e 'entrar' nos serviços de urgência. As conversas que fui tendo com os diversos seguranças que tinham ordens para não deixar entrar ninguém, eram surrealistas. Mas, com muita insistência, esclarecendo que tinha sido o próprio hospital que me tinha chamado, lá passei essa barreira.
Terceiro degrau: orientar-me “dentro” dos corredores dos serviços de urgência. E aí o inferno tomava um aspecto menos pessoal e mais grave. O que se pode ver, entre macas, cadeiras de rodas, gente a gemer, outros a chorar, expressões apavoradas, pessoas protestando, dava para me tirar o sono por muitas noites. E por esse “inferno” ainda errei durante bastante tempo porque ninguém me dava nenhuma informação que me orientasse.
Quarto degrau: lá ouvi chamar pelos microfones “familiares de fulana”. No gabinete onde fui recebida, as coisas pareceram bem melhores. Um jovem médico atencioso, recolheu as minhas informações que nem eram muitas porque, como disse, não se tratava de familiar próxima. Mas foi um oásis, uma pessoa que me recebeu bem e tentou entender a situação. Só que o caso implicava a observação de outros especialistas e mais exames, portanto eu devia esperar.
E pronto. Quatro horas de espera por mais uma informação, rodeada de macas, de dezenas de pessoas em sofrimento, de gente que parecia moribunda ( passou mesmo uma maca com um vulto tapado por um lençol o que leva a pensar que o doente tinha falecido ) e mais sangue, vómitos, gemidos, queixas, lágrimas, parecia que todo o sofrimento do mundo se tinha reunido ali.
Quando escrevi o título deste post, é porque o que senti ontem foi muito forte e duro, mas o mais difícil de tudo foi ter vindo trazer à superfície da minha memória, outras cenas passadas em sítios iguais aquele, mas com pessoas muito perto do meu coração. Esse sofrimento foi muito difícil de reviver, mas completamente inevitável. A nossa memória não se desliga como um interruptor. E afinal, nem nós gostaríamos…

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Emiéle

Publicado por populo às 09:15 AM | Comentários (13)

novembro 22, 2005

A História da Minha Ida ao Médico

Prometi aqui uma vez que um dia contaria a “minha ida ao médico” e cá está.
(ponto prévio: já aqui se falou em países do 1º mundo, onde a Saúde põe a tónica na “prevenção” e os cidadãos evitam chegar a estar doentes por vigiarem a sua saúde; claro que isso é lá no 1º mundo )
O costume, em Portugal, é que quando se é pequenino os pais, cuidadosos, levam regularmente o filho a um pediatra para confirmarem se está tudo bem, mas um adulto só vai ao médico quando está doente. Sei-o por mim, procuro um especialista quando me sinto menos bem, mas não tinha o tal “médico generalista” nem “médico de família”. Ouvi tantas censuras por isto, que decidi ir ao meu Centro de Saúde e arranjar um médico de família.
Uma tarde, passei por lá e pedi para marcar uma consulta.
– Qual é o seu médico?
– Não tenho. É mesmo por isso, que cá venho.
– Não teeeem? Como não têm?
– É verdade, este pedido é até para ficar com um.
– Qual é o seu número? Depois de o receber e consultar o computador, a menina explica-me
– Diz aqui que não tem porque não escolheu nenhum!!!
– É exactamente isso.
– Bem… só se for o Dr. XZW..!, responde-me com ar duvidoso.
O.K. O acordo feito, saí com um papelinho, onde estava registado o dia, a hora e o nome do médico.
Volto lá passadas as 3 semanas (não era nada de urgente) e vou ao balcão para informar que estava lá. Repete-se o filme com incompreensão de parte a parte, insistindo a menina – Para lhe marcar, só o Dr. XZW… Finalmente, entendeu que eu já tinha a marcação, seria nessa tarde, e com esse médico. Bom. Dispus-me a esperar. Afinal, esperei muito pouco e sou chamada a um gabinete. O médico olha-me, manda-me sentar e inquere:
– De que se queixa? Aí, engasguei-me, e disse timidamente que não me queixava de nada, ia aquela consulta para saber se estava tudo bem comigo, e ficar com um médico de família. Grande pausa, onde fui olhada de cima a baixo.
– Mas, afinal o que é que quer?
– O que disse. Ter uma ideia do meu estado geral, e poder prevenir qualquer coisa…
-Huuuum…, diz-me o clínico. E novo silêncio. Eu já me sentia envergonhadíssima.
– E o que quer que eu lhe faça? Já sem saber onde me meter, balbuciei:
– Não sei… Talvez umas análises…?
Na mouche! Aliviado, pediu-me o cartão, rapou da caneta, e vá de escrever – foram análises de sangue e urina, electrocardiograma, mamografia, a rotina enfim.
De resto, da minha história passada o Dr. XZW não procurou saber absolutamente nada. Tensão arterial, auscultação, um exame físico mesmo superficial, tudo isso ficou em branca nuvem. Entendi porque é que as meninas tinham dito «só se for o Dr. XZW», com aquele atendimento não devia ter lá muitos clientes. Vim-me embora com a noção de que o senhor achava que eu era louca varrida, não me queixar de nada e estar a fazer perder-lhe tempo! E, por mim, senti que se tivesse mandado outra pessoa em meu lugar, seria o mesmo porque eu, como pessoa, não estive ali. Fui a portadora de um cartão de utente, mais nada.
Medicina preventiva? Onde é que se viu um luxo desse?!
ML

Publicado por populo às 11:51 AM | Comentários (7)

novembro 13, 2005

Golegã revisited

Há um ano escrevi um post sobre um dia que passei na Golegã. Ontem estive de novo lá todo o dia, e quando voltei a reler o post achei que estava tão actualizado que só posso reproduzi-lo. É que tudo se voltou a repetir, tal e qual! Assim:
«Passei ontem um dia daqueles que se assinalam com uma pedrinha branca, para recordar em momentos mais sombrios.
Tenho uma amiga da Golegã. Há anos que insiste comigo para passar por lá na altura da Feira, que a casa de família tem as “portas abertas” mais de 24 horas. Nunca tinha aceite, nem sei bem porquê. Este ano o convite foi mais insistente e fiz-me à estrada. Para facilitar, um mapazinho com a casa assinalada, precioso porque a Golegã era um mar de gente este fim-de-semana.
Era verdade, podia confirmar-se, encontrei uma casa de portas bem abertas. Chegamos antes do almoço e parecia-me que tinha recuado muitos anos, para uma altura onde a família era matriarcal e os laços de vizinhança fortíssimos. Casa grande com jardim/quintal, e circulavam por ali quase 100 pessoas. Foi a minha estimativa mas a minha amiga negou :”Ná ! Aí umas 60...” E depois justificou “Sem as crianças”. Aquela multidão podia dividir-se em 3 faixas etárias: Um terço os mais velhos, (avós), outro terço os filhos destes, pais do terceiro terço, dezenas de criancinhas que surgiam dos locais mais improváveis.
Mas, o maravilhoso era a harmonia alegre com que tudo funcionava. Cada pessoa ajudava um bocadinho – trazia umas cadeiras, levava uns pratos – mas depois ficava, muito naturalmente, à conversa. Não se sentia aquele mau estar da casa onde uns-trabalham-muito-para-os-outros-não-fazerem-nada...
A comida era à moda da província –superabundante! As panelas e tachos, aí de metro e meio de diâmetro. Foram precisos 2 homens para tirar o tacho da feijoada de cima do fogão! O almoço foi caldo verde, feijoada e arroz doce, mas como parte dos convidados trazia também ‘qualquer coisa’ para acrescentar, não havia tampos de mesa que chegassem para tanta comida!!! E tudo no meio de risota, de montes de “lembras-te?...”, de comparações com outros anos, de uma barulheira enorme mas de grande bem-estar. Apesar de só conhecer 3 ou 4 pessoas, fui adoptada em poucos minutos, e num instante senti que já os conhecia há anos. Só havia o problema dos nomes, e foi sugerido que, para o ano que vem, se trouxesse uma etiqueta com o nome, como nos congressos. Na cozinha criou-se uma cadeia de montagem: alguém despejava os pratos, outra pessoa passava-lhes um pano para tirar bem os restos de comida e uma terceira arrumava na máquina de lavar. Havia sempre um voluntário a cirandar e a recolher pratos e copos sujos. Mas com naturalidade, quando se fartava ficava na paródia e tudo continuava harmonioso.
Entre o almoço e o jantar fomos ver os cavalos e espreitar a Feira, é claro. Uma loucura de multidão! Impressionante como os cavalos passavam no meio de ruas apinhadas, esperando para as pessoas se afastarem. Eu, francamente, não consigo levar muito a sério os homens e mulheres que se “fardam” a preceito para montar a cavalo. Mas se ficam felizes assim, é lá com eles. Com um olhar de orgulho à multidão, lá do alto do cavalo “Vejam que chic que eu estou...!” OK. Por mim, estejam à vontade.
Na volta, mais castanhas, mais água-pé, mais vinho do lavrador. E muita conversa, discussão, piadas, enlevo com os bebés. Vem o jantar. E mais canja, e mais lombo de porco, e mais um monte de doces. Creio que vou entrar em jejum total, comi o suficiente para um mês!
Era noite alta quando voltamos a Lisboa. Com a alma reconfortada de afecto e suave amizade. Sabe muito bem conviver com amigos destes.»
(se se perguntarem o que tem esta imagem a ver com o post, só posso dizer que a achei simbólica: muita cor, muitos cheiros, muita confusão e mas também uma ordem profunda; é uma imagem “calorosa”, afectiva, doce, tal como os afectos que senti)

ML


Publicado por populo às 09:42 AM | Comentários (6)

outubro 17, 2005

Cores e sentimentos

A Isabel escreveu no Troll um post com este tema :
Será que podemos atribuir cores aos sentimentos?
É uma ideia muito feliz, até porque tal como os sentimentos podem ser quase infinitos, as cores não são apenas as sete do arco-íris, se contarmos com todas as nuances são também quase infinitas. Nós temos aqueles afectos muito fortes e primários – amor, raiva, esperança, alegria, medo, …. - mas também os mais básicos não irão além de uma dúzia, só que depois temos todas as “combinações” que os fazem multiplicar. Ter medo ou susto não é o mesmo; estar impaciente ou nervoso, também não; sentir-se feliz ou em paz, muito menos. Tal como com as cores. Verde é uma coisa, turquesa outra, azul outra, e entre estes tons há centenas de outros. E o que me agradou mais na comparação da Isabel é que assim como os nossos sentimentos são íntimos, pessoalíssimos e mais ninguém sente como nós, também a nossa visão das cores é muito pessoal como ressalta do post e dos seus comentários. O verde, o azul, o turquesa, o lilás, o alfazema, têm um reflexo diferente em cada um de nós.
E se, para falar de sentimentos temos poetas, para falar de cores temos os pintores, a verdade é que nesta metáfora os peritos somos nós, só nós, e cada um de nós. Só eu sei qual é a MINHA cor da ternura, da solidão, do entusiasmo.
E ainda bem que é tão pessoal porque é muito mais humano.

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ML

Publicado por populo às 09:05 PM | Comentários (2)

outubro 04, 2005

Superstição ( ? )

Penso que é da natureza humana. Todos sabemos que não há bruxas, mas…
Creio que só muito pouca gente não terá a sua superstiçãozinha particular. Por vezes há coisas que nos parecem mágicas e de bom ou mau augúrio.
Eu ando, há cerca de um ano, para resolver um assunto particular que me estava a custar horrores, e por isso mesmo ia adiando, adiando, adiando. Sempre que me lembrava que teria de o fazer parecia que uma nuvem bem negra encobria o Sol. Então pensava noutra coisa, adiando mais uma vez… Nas últimas semanas a urgência de resolver esse problema aumentou e, simultaneamente, a minha angústia. Penso que até o deixei transparecer por aqui através dos meus posts. Mas era impossível adiar mais e comecei a tratar do assunto.
Ontem tive de dar o último passo que me faltava e era o que mais me custava. Saí de casa e decidi ir a pé apesar do caminho ser um pouco longo, para me dar tempo a mim própria.
Quando me aproximei da primeira passadeira, o sinal passou a verde. Pensei: “Calha bem!” e passei. Quando me aproximei da passadeira seguinte, vi que o sinal também estava verde. “Boa!” achei eu. Terceiro semáforo e terceiro sinal verde. “Mas que sorte!” Meus amigos querem acreditar que, até ao local onde me dirigia, passei por cerca de 10 passadeiras e todas com o sinal a passar a verde!!! Era como se tivesse um anjo da guarda, ou uma fada, a abrir-me o caminho. Não me lembro de uma coincidência como esta.
Concluindo, com estes “sinais mágicos” de que o caminho estava livre, cheguei lá já sorrindo e muito menos tensa. E, de facto, “o caminho estava aberto” e tudo se resolveu muitíssimo melhor do aquilo que eu esperava. Ufffffff….
Sinto-me mais leve hoje do que desde há muitos meses me sentia.

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ML

Publicado por populo às 05:10 PM | Comentários (3)

setembro 25, 2005

Illustração Portugueza

Passei o serão de ontem a admirar e saborear uma compra que tinha feito de manhã. Daquelas coisas inúteis (?), decerto, mas que dão muito gosto tê-las.
Foi assim:
Fui à Baixa antes de almoço. Vou subindo a R. Garrett e, no cruzamento com a R. Anchieta, reparo que já lá está de novo a mini Feira do Livro que costumava funcionar todos os sábados de manhã, mas durante uns tempos tinha desaparecido dali. Não resisti a meter o nariz, como sempre que vejo livros. Peguei num ou noutro, aprecei-os, fiquei a pensar melhor se os compraria ou não, e andando chego a uma outra banca onde um rapaz dos seus vinte e tal anos segurava um livro, com ar antigo, protestando com o vendedor – “Ná, isto não presta. Diz ilustrações mas só cá vejo fotografias velhas. Quero desenhos modernos, tá a ver?” e o vendedor com ar muito sereno respondia “Pois é. Isto é a Ilustração Portuguesa, é uma colecção de revistas antigas, não tem desenhos modernos”. Enquanto o rapaz, desinteressando-se, passava a outra banca eu fiquei de olhos arregalados! Peguei no calhamaço e era mesmo uma coisa preciosa. A segunda série, ano 1907, de todos os números da revista “Illustração Portugueza”. Via-se bem a idade, algumas folhas estavam quase a descolar-se, mas, valha-me Deus, aquilo tinha 100 anos! E era o preço de um banal best-seller actual.
Passei a noite, regalada, a apreciar o meu tesouro. Muitas fotos, sem dúvida, anúncios espantosos pela sua inocência, casamentos elegantes, notícias de viagens, um folhetim (a novela), moda, enfim a vida do dia-a-dia de 1907. Vou ter muito que ver nos tempos mais próximos e as coisas interessantes que for descobrindo prometo que vos venho contar. É interessantíssimo.
Que sorte que tive!

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ML

Publicado por populo às 11:17 AM | Comentários (9)

setembro 20, 2005

Souvenirs

Numa volta entre os blogs que mais aprecio, encontrei no 100nada um post que veio mexer nas minhas recordações. Como é sabido, não há como as recordações alheias para fazer vir ao de cima as nossas próprias…
A Catarina relembrou a moda da sua adolescência e a moda ainda é o que mais marca a nossa época - roupas, penteados, modo de namorar, músicas, filmes, até os programas de TV.
À boleia dela, fiz também uma viagem ao passado.
O meu passado, é claro. E, se me levantou muitas saudades, também ajudou a valorizar o meu presente.
É mesmo. Gosto do meu presente. Difícil, duro, complicado, de luta, mas é o resultado natural do tal “passado”, que amo profundamente, onde ficaram algumas das pessoas mais importantes da minha vida, e que me levou a ser a mulher que hoje sou. Com muitos defeitos, muitas dúvidas, mas acreditando ainda e sempre na felicidade no direito à felicidade.
ML

Publicado por populo às 08:14 PM | Comentários (4)