maio 01, 2006
Primeiro de Maio
Esta é uma festa especial.
Porque sendo Festa não é inteiramente de alegria, é de luta, e isso nem sempre é fácil de compreender.
Uma nota, ainda na continuação do que se passava em “24 de Abril”, para se entender o que foi este dia em 1974:
Nessa época o “1º de Maio” era uma data tabu. Não apenas não se festejava como qualquer alusão a ela era vista com muito maus olhos. Qualquer reunião ou ajuntamento que acontecesse, até por acaso, no dia 1º de Maio, ficava assinalada para a PIDE investigar quem é que se atrevia a reunir-se ou juntar-se nesse dia proibido. Tinha de ser um dia “mais vulgar” do que qualquer outro.
Assim, pode imaginar-se o que foi o 1º de Maio de 1974!
É que nesse dia já todos acreditavam que o 25 de Abril tinha sido bem sucedido. Tinham regressado centenas de exilados, e os mais emblemáticos Mário Soares e Álvaro Cunhal, desfilaram lado a lado e discursaram juntos.
Da Alameda ao Estádio da INATEL que se passou a chamar 1º de Maio, a multidão era tal que quase nem se podia avançar. Aí já se viam muitas crianças às cavalitas dos pais, enquanto no 25 de Abril ainda havia algum receio.
Foi a verdadeira Festa da Liberdade e da Esperança.
Com o decorrer dos anos as coisas mudaram lentamente. As Centrais Sindicais entraram em conflito, depois festejaram em locais separados, e esse espírito de alegria foi desaparecendo. Ficou o de luta, que esse será importante que não morra, que quem trabalha tenha um dia seu, onde se sinta unido com outros nas suas condições e juntos possam construir um futuro melhor.

Emiéle
Publicado por populo às 12:30 PM | Comentários (3)
abril 30, 2006
Guerra Colonial
Sobre este tema apetece-me pouco falar.
Ele é por demais conhecido.
Só lembrar que entre esta foto

e esta

estão 10 000 mortos e perto de 30 000 feridos.
Para quê?
Para quê? Para quê? Para quê?!!!!!!!!!!!!!!!!!
Emiéle
Publicado por populo às 09:50 AM | Comentários (7)
No 24 de Abril...
Guerra
É impossível falar do “24 de Abril” sem falar na Guerra. Guardei este ponto para o último dia talvez por ser tão grave que devia ter um lugar à parte.
A guerra colonial. Foi a gota de água, o tsunami que fez finalmente cair o fascismo. Hoje em dia, em que o serviço militar nem é obrigatório - e, mesmo quando ainda o era, tratava-se de uns meses aborrecidos em que se tinha de interromper os planos de vida para frequentar um quartel e fazer uns duros exercícios físicos - não se pode imaginar o que era a angústia das famílias portuguesas que viviam o terror de perderem um filho ou de o receberem mutilado para toda a vida. E tocava a todas as famílias. Havia alguns casos, em menor número, em que os rapazes decidiam não partir. Eram os refractários (se desapareciam antes de serem chamados) ou os desertores (se desapareciam já com o treino militar recebido). Contudo, nesse caso a angústia dos pais era outra: sabiam-nos longe das balas mas muito distantes de si, nem sempre recebiam notícias sabiam apenas que estavam num país estrangeiro, vivendo sabe-se lá como…
E ali não havia escapatória, mesmo quem tivesse dificuldades de saúde servia para a manutenção militar, para serviços menores, mas partia na mesma para África. Foi um terrível ceifar de vidas, sem uma saída à vista, porque Salazar dizia-se “orgulhosamente só”.
Emiéle
Publicado por populo às 09:45 AM | Comentários (6)
Uma imagem por dia
Guardei para a última imagem de Abril um cartaz que considero magnífico.
Por algum motivo foi concebido por um pintor - Vespeira.
Simples, muito directo, muito didáctico:
A Flor-cravo foi a Libertação.
Desta flor nasce um Fruto - a Democracia.
Do fruto da Democracia virá a Semente do Socialismo.
E o MFA foi a raiz desta esperança.

Emiéle
Publicado por populo às 09:30 AM | Comentários (3)
abril 29, 2006
No 24 de Abril...
Correspondência
Hoje escreve-se muito pouco por correio. Com o telefone, telemóvel ou e-mail, o certo é que escrever uma carta em papel e envia-la pelo correio, é pouco vulgar. Mas duas gerações atrás isso não era assim. Escrevia-se bastante e era sabido que, tal como hoje, a correspondência era devia ser inviolável. Isso era um princípio geral e aceite por todos. Uma carta fechada só pode ser aberta pelo próprio a quem é dirigida, tal como é hoje em dia.
Mas…
Havia uma excepção. Um marido podia, segundo o Código Civil, abrir legalmente a correspondência da sua mulher. Pois se era sua mulher…! É inútil dizer que a inversa não era verdadeira, a mulher nunca poderia abrir as cartas do marido.
Legalmente…
Emiéle
Publicado por populo às 10:06 AM | Comentários (4)
Uma imagem por dia
E aqui temos os tanques a disparem cravos em vez de balas...
Bonito, não é?
Imaginação infantil ou profundo desejo secreto afinal?

Emiéle
Publicado por populo às 09:50 AM | Comentários (2)
abril 28, 2006
No 24 de Abril...
O Livro Único
É claro que não se podem resumir todas as barbaridades que um professor esclarecido sofria, aqui num único post. Mas é bom lembrar a existência do Livro Único.
Com receio de que os professores não cumprissem integralmente as linhas do programa que deviam dar aos seus alunos e, sobretudo, para que não lhes passasse pela cabeça o atrevimento de ensinar matéria não aprovada, cada ano de escola – na primária – ou cada disciplina daí para a frente, tinha um único livro, aprovado pelo governo, onde os professores se baseavam para dar as aulas e por onde os alunos tinham de estudar. Dessa forma o ensino era completamente uniformizado e sem sair das balizas formatadas pelo Governo.
Tinha de se aceitar a doutrina oficial, pensar com os pensamentos que eram os “verdadeiros” e nada de fantasias. A escolha estava antecipadamente feita por quem sabia, e mais nada!
Emiéle
Publicado por populo às 07:15 AM | Comentários (7)
Uma imagem por dia
Um cartaz muito forte de indignação.
Muito "de época".

Emiéle
Publicado por populo às 07:05 AM | Comentários (5)
abril 27, 2006
Uma imagem por dia
Ainda continuamos em Abril!

Emiéle
Publicado por populo às 08:10 AM | Comentários (4)
No 24 de Abril...
Direitos do marido
Eram imensos. Sem falar no caso, já há muito fora de moda de que «a mulher, face ao Código Civil, podia ser repudiada pelo marido no caso de não ser virgem na altura do casamento», a verdade é que o ser considerado Chefe de Família era, como as palavras significam, “um chefe” com essa autoridade de chefia. Por exemplo, a mulher precisava de autorização do marido para exercer determinadas profissões. Para ser comerciante só se o marido concordasse, independentemente dos meios económicos de que ela dispusesse. As finanças do casal eram geridas por ele sem precisar de dar contas à mulher. Ele tinha o poder de decidir do futuro dos filhos. Aliás as crianças eram em grande medida ‘propriedade’ do pai.
Claro que falo do que se passava ‘legalmente’, evidentemente que no interior de cada família as coisas podiam ser, e eram na maioria dos casos, diferentes.
Mas o certo é que era legal e se um marido quisesse invocar esses direitos, a mulher teria de acatar.
Emiéle
Publicado por populo às 07:50 AM | Comentários (6)
abril 26, 2006
No 24 de Abril...
“Proibido a menores de…”
(Já devem ter reparado, eu tenho misturado nestas notas de factos gravíssimos a pequenos pormenores, porque gostaria de dar uma panorâmica de quase tudo o que se passava nesses anos; hoje é outra vez 'um pormenor')
Como todos sabemos os filmes que são exibidos nos cinemas têm uma indicação “para todos”, ou “para maiores de 12” ou para “maiores de 18”. E a verdade que quase não se dá importância a essa classificação a não ser pela negativa – um jovem espigadote sente-se inferiorizado se for ver um filme para miúdos.
Ora essa classificação no tempo do Salazar resultava uma completa proibição. Quando o filme era para “maiores de 12” ou sobretudo “maiores de 18” era muito importante levar-se o bilhete de identidade na carteira, porque mesmo acompanhado pelos pais se o porteiro do cinema tivesse dúvidas, não se entrava mesmo!
Havia histórias espantosas de raparigas casadas que, apesar disso, se o filme não era para a sua idade não entravam na sala! E se a pessoa tinha o azar de parecer mais nova do que era, o bilhete de identidade era esmiuçado com a maior atenção ainda assim não fosse falcatrua.
Emiéle
Publicado por populo às 08:06 AM | Comentários (5)
Uma imagem por dia
(Continuamos em Abril, não é?)
Um cartoon que traduzia o sentimento de muitos.
Era um novo Natal, e as prendas eram trazidas pelo MFA...

Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (4)
abril 25, 2006
E começa o futuro

Emiéle
Publicado por populo às 11:25 PM | Comentários (3)
O "REPÚBLICA" do 25 de Abril


(a "risca ao meio" é culpa do meu scanner; não cabia tudo de uma vez...)
Emiéle
Publicado por populo às 01:52 PM | Comentários (6)
Vitória

(gravado na altura)
Emiéle
Publicado por populo às 12:00 PM | Comentários (7)
25 de Abril de 1974
V
8 da noite
Chegaram a casa exaustos mas ainda debaixo de choque. Era possível? Teria mesmo acabado aquele longo pesadelo? O João e a Teresa, tinham começado a sua luta activa na “crise académica de 62”, há mais de 12 anos. Tinham os dois feito a greve de fome, tinham sido presos na cantina, tinham passado por Caxias. Sabiam bem como era uma cadeia por dentro…
Até então a vida tinha sido muito difícil porque a má informação que a Pide se apressava a fornecer quando se candidatavam a um emprego, apesar de serem licenciados tinha-lhes tapado as hipóteses de um trabalho de jeito. Aquele dia foi vivido como um sonho. Voltam a casa estoirados, cansadíssimos, e a porta ia ficando aberta para os muitos amigos que iam aparecendo.
Improvisa-se um jantar - há pão, há ovos, há queijo, chouriço, vinho e cerveja, não é preciso mais!
Cada qual que chega trás notícias, boatos, nem se sabe bem o que é a verdade e o que são os desejos…
- Eh malta!! Chui! !!!Vão dar as notícias na TV!!
De súbito aparecem as imagens da Junta de Salvação Nacional .
O quêêê??? As expressões risonhas apagam-se, um momento de susto. Spínola, Galvão de Melo, Pinheiro de Azevedo, Silvério Marques e Rosa Coutinho. Ali, até mesmo o Rosa Coutinho parecia ter má cara! Naquela sala tão animada sente-se passar uma aragem fria… Foi a primeira desilusão do dia, mas em breve ultrapassada. Alguém, optimista, declara que aquelas imagens são necessárias para tranquilizar as pessoas mais assustadiças. “Vamos animar que quem controla o Movimento não são ‘estes’!” e de novo o tom das conversas sobe, planos, sonhos, enchem de entusiasmo aquele grupo igual a muitos outros espalhados por todo o país. Ninguém tem sono, quem consegue dormir na noite de num dia assim?...
Emiéle
Publicado por populo às 09:30 AM | Comentários (13)
25 de Abril de 1974
IV
6 da tarde
Aparecem jornais que se esgotam num instante, fazem-se novas edições Há quem se ria por ver em letras enormes no República «este jornal não foi visado por nenhuma comissão de censura» .
Um grupo de adolescentes , que se conheciam muito bem da pró-associação do liceu, do cine-clube, do club de jazz ou de teatro, cheios de ideais anti-fascistas acha que o futuro já começou. Começou ali, naquele momento! Cantam. Gritam palavras de ordem. “O povo unido jamais será vencido!” que era a palavra de ordem do Chile anti-Pinochet. Inventam outras. Cantam todas as cantigas ‘proibidas’ com um entusiasmo contagiante. Sobem para os chaimites e abraçam soldados. A cidade está cheia de cravos vermelhos que parece multiplicarem-se. É uma enorme festa.
Alguns jovens juntam moedas para ir a uma cabine telefónica falar para os pais que estão em ânsias. Recusam-se ir para casa. «Oh mãe! Tenha dó! Já viu que caiu o fascismo?!» Um ou outro acaba por ser convencido a ir a casa, pelo menos jantar. Reconhecem que têm alguma fome, apesar do entusiasmo os 16 anos necessitam de alimento!
Mas combinam encontrar-se depois, não podem perder aquele momento. Vão ter de ‘dar a volta aos pais’. Há tantos planos para fazer, tanta coisa a saber, quem é o MFA, qual o seu programa, como podem eles colaborar..?
A sua vida está a começar verdadeiramente.
..........................
(continua)
Publicado por populo às 08:30 AM | Comentários (2)
25 de Abril de 1974
III
4 da tarde
A D. Maria das Dores tem 55 anos, é viúva de um legionário. Tem estado todo o dia a ouvir notícias, assustadíssima. Já foi falar com a sua vizinha de patamar, mas ficou na mesma. Telefonou a várias amigas que estão como ela, algumas completamente em pânico falam em fugir. Ai, valha-me Nossa Senhora de Fátima!!
Aparecem-lhe em casa o filho e a neta para lhe dar um beijo.
“ - Que é que fazes aqui!!! Vai já para casa! E ainda por cima com a menina, desgraçado! Olha que corre sangue nas ruas…”
“- Oh mãe, ponha-se calma! Quem é que lhe disse essa?!”
“ – É que vêm aí os comunistas e matam toda a gente!! É uma revolução”
“-Pois é, mas não morreu ninguém. Correu tudo muito bem”
A senhora não acredita. O filho sempre teve ideias esquisitas. Contudo a calma com que ele fala, dá-lhe alguma segurança. Se calhar as coisas não estarão assim tão mal como ela receia. Volta a ligar a televisão depois dele sair.
Mas ainda está muito nervosa e cheia de medo. Está tudo a passar-se ao contrário do que pensava.
..........................(continua)
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (2)
25 de Abril de 1974
II
10 da manhã
O Tiago tem 10 anos e está muito excitado. Na escola os professores falam uns com os outros e não dão aula. Passa-se qualquer coisa de muito importante. Ouve a palavra revolução, uns professores têm um ar radiante, outros um ar preocupado. De repente pelas 10 e tal aparecem os pais para o virem buscar. Também não parecem no seu estado normal. O Tiago nunca os viu assim! Metem-se todos no carro para visitarem os avós que vivem em Oeiras e não tinham telefone. Da estrada avista-se o forte de Caxias e o pai diz “Que se lixe, quero lá saber!” e buzina vigorosamente. Outros carros que passam por eles também começam a buzinar e um deles a rir manda uns toques especiais que os pais dizem que deve ser ‘morse’. Explicam-lhe que é um dia importantíssimo, que o fascismo está a cair.
Os avós, que têm mais de 60 anos, nem querem acreditar. O Tiago sabe que eles sempre foram de esquerda e combateram com todas as forças o salazarismo. O avô esteve preso muitas vezes. Conversam todos muito excitados, o Tiago entende que se está a viver um momento muito importante. O avô quer vir logo para Lisboa, ainda pensam deixar o neto com a avó mas ele protesta. Os pais têm ainda dúvidas, almoçam todos e nem se sabe o que estão a comer porque parece que estão nas nuvens. Cruzam-se nomes, Marcelo, Tomás, Spínola. Querem saber onde está o governo, o que é que faz, se o prendem, se o julgam. E a PIDE? Vão prender os Pides? Acabam por vir todos para Lisboa depois do almoço. No rádio do carro ouvem que o forte de Peniche foi libertado. Começam aos gritos de alegria! O Tiago arregala os olhos e também ri.
........................(continua)
Publicado por populo às 07:30 AM | Comentários (2)
25 de Abril de 1974
I
Às 5 da manhã
Ainda está muito escuro quando toca o telefone.
A Luísa e o Zé, 26 anos, casados há um ano, tinham-se deitado tarde a preparar as coisas para uma curta viagem que iam fazer nesse dia. Quando a Luísa ouviu a voz da sogra pensou “Que chata! Mania das despedidas, bem podia esperar que ainda é tão cedo…” mas afinal a mensagem era outra: “Liguem o rádio! E cuidado não saiam de casa que passa-se qualquer coisa de muito grave!”
Ligam imediatamente o rádio que transmitia um tipo de música pouco habitual e logo de seguida o comunicado do M.F.A.
Entreolharam-se. Que tipo de golpe seria aquele? O “das Caldas” tinha falhado não há muito tempo… Kaulza? Mas é claro que o pedido de ficar em casa, quer o da mãe quer o do comunicado teve o efeito oposto. Foram numa corrida lavar-se, comer qualquer coisa, vestir-se e sair de casa. Era ainda muito cedo, mas agora já havia muito sol, apesar de pouca gente nas ruas onde passavam. Uma volta de carro, e decidiram: Vamos à Baixa!
Rossio com tanques e o coração parece querer rebentar no peito. Sobem a rua Garrett , muita gente e não se consegue entrar no Carmo para onde todos querem ir. As pessoas riem e falam umas com as outras, de repente esquece-se a PIDE.
São já 9, 10 da manhã, há gente com cravos vermelhos que as vendedeiras de flores do Rossio oferecem. Parece que se vive um sonho, ou o acordar de um longo pesadelo!
....................(continua)
Publicado por populo às 07:00 AM | Comentários (2)
E foi assim que tudo começou

Escutem bem.
Foi assim que acordámos no dia 25 de Abril de 1974.
Emiéle
Publicado por populo às 05:50 AM | Comentários (4)
VINTE E CINCO DE ABRIL

Portugal Ressuscitado:
Publicado por populo às 12:15 AM | Comentários (7)
abril 24, 2006
Contagem decrescente

Olá!
Não sei explicar, mas para mim a véspera do dia 25 é uma espécie de véspera de Natal. Sinto uma excitação miudinha, espero ansiosa pela meia-noite, hoje para mim é um dia "especial".
É que o dia 25 não é o dia de “mais um feriado”. Tenho tentado este mês, nos posts a que chamei «24 de Abril...» chamar a atenção para esse facto. Tenhamos que opinião tivermos, a verdade é que as nossas vidas mudaram nesse célebre dia. Nada voltou a ser igual e, mesmo para quem anda desiludido e decerto com razão, só há desilusão porque houve ilusão e essa foi possível pelo que se passou faz amanhã 32 anos.
É muito tempo por um lado e muito pouco por outro. Já muitos nasceram depois, e esse dia “é História” mas ainda felizmente estão cá muitos que se lembram. E a memória como ando sempre a dizer, é importante. A pessoal e a dos povos.
É pela memória que se aprende e se progride.
Enfim, estou excitada, é o ‘day before’, têm de me desculpar.
Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (17)
No 24 de Abril...
Greves
Completamente proibido. É evidente que não se podia nunca fazer greve. Em nenhuma circunstância, sob que pretexto fosse. Isso era 'perigosamente subversivo' para as instituições da nação.
Mesmo os estudantes, que tinham uma tradição de diversas greves na 1ª república, não a podiam fazer. Quando se deu a crise académica de 1962, o protesto que consistiu na falta às aulas, chamou-se cuidadosamente “luto académico”.
A Academia estava de luto, pelas circunstâncias dos acontecimentos gravíssimos que se tinham passado e esse “luto” manifestava-se com a ausência às aulas, mas… não era uma greve…
Conseguem ver a diferença..? Pois é.
Emiéle
Publicado por populo às 07:26 AM | Comentários (4)
Uma imagem por dia
A liberdade nasce e cresce nas nossas mãos.

Emiéle
Publicado por populo às 07:22 AM | Comentários (5)
abril 23, 2006
Uma imagem por dia

Emiéle
Publicado por populo às 10:25 AM | Comentários (4)
abril 22, 2006
No 24 de Abril...
“Decoro” e “decência”
Como disse de início destes apontamentos, algumas destas pinturas que tenho traçado começaram a empalidecer no tempo do “marcelismo” mas em pleno salazarismo, os bons costumes eram para ser respeitados e pronto!
Vamos imaginar as normas para o vestuário. É daquelas coisas que hoje já custa a acreditar.
Um rapaz para passar pela porta da faculdade devia ir de gravata, a rapariga de saia. Caso contrário o porteiro não os deixava entrar. Mai nada!!!
Um biquini na praia ( oooohhhh!) só mesmo as descaradas das estrangeiras e depois no marcelismo. Havia um 'cabo do mar' para velar por esse decoro. Manifestações de carinho em público com limites – vá lá, um beijo e que não fosse muito ‘cinéfilo’ porque de resto as pessoas comportavam-se.
Era muiro mais do que o simples 'parecer mal', porque havia mesmo uma fiscalização, uma polícia de costumes.
Uma pessoa podia passar um mau bocado por ofensa aos bons ( ? ) costumes.
Emiéle
Publicado por populo às 10:01 AM | Comentários (8)
Uma imagem por dia
Adoro esta imagem!
Bem sei que todos a conhecem, mas tem tudo o que deve ter. Uma ponta de sonho sobre a realidade e o pingo de vermelho neste cinzento de neblina da história passada.
Nunca é demais olhar para ela.

Emiéle
Publicado por populo às 09:56 AM | Comentários (7)
abril 21, 2006
Uma imagem por dia
As 'paredes falavam', e estes murais do "educador da classe operária" gostássemos ou não dele, eram sempre muito bons. Não tenho registos dos melhores, fica apenas uma amostra.

Emiéle
Publicado por populo às 07:58 AM | Comentários (7)
No 24 de Abril...
Medidas de “Segurança”
E quando finalmente o preso ia a julgamento, (quando ia ) em Tribunal Plenário, as testemunhas de defesa tinham de ser muito corajosas para abonarem em seu favor! Porque se o achavam boa pessoa se calhar era porque também eram como ele, e pelo sim pelo não seriam investigadas. A sentença já era sabida antes do julgamento, porque nunca havia absolvição. E, requinte especial, para além da pena propriamente dita, existiam as “medidas de segurança” que a podiam prolongar indefinidamente, conforme apetecesse às autoridades. Chamavam “medidas de segurança” a um prolongamento da prisão sem limite de tempo e sem prestar contas a ninguém.
Era o reino do perfeito arbítrio
Emiéle
Publicado por populo às 07:58 AM | Comentários (6)
abril 20, 2006
Música em Abril
A canção que hoje aqui deixo não é tão consensual como as outras.
Pode haver quem não concorde com a opinião do Zé Mário mas para mim é dos testemunhos mais comoventes da trajectória que foi esse ano da Primavera ao Outono, dos sonhos ao acordar.
Gosto muito desta canção.
Quando o avião aqui chegou
quando o mês de Maio começou
eu olhei para ti
então entendi
foi um sonho mau que já passou
foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
uma flor vermelha n'outra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a fronteira me abraçou
foi esta bagagem que encontrou
Eu vim de longe
de muito longe
o que eu andei p'ra'qui chegar
Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar
E então olhei à minha volta
vi tanta esperança andar à solta
que não hesitei
e os hinos que cantei
foram frutos do meu coração
feitos de alegria e de paixão
Quando a nossa festa s'estragou
e o mês de Novembro se vingou
eu olhei p'ra ti
e então eu entendi
foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
coisas começadas noutra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a espingarda se virou
foi p'ra esta força que apontou
Publicado por populo às 08:24 AM | Comentários (8)
No 24 de Abril...
Prisão
A prisão para quem se opunha ao regime é hoje conhecida de todos. Mesmo os mais “distraídos” conhecem esse facto. Mas talvez não se avalie bem o que isso significava.
Uma pessoa podia ser presa, quase sempre com bastante aparato de madrugada para ser encontrado ainda meio ensonado e pouco lúcido, * e a sua casa vasculhada de uma ponta à outra para encontrar as provas desse ‘crime’ de discordância e de quem eram os cúmplices, quem partilharia essas opiniões. Era levada sem a família a poder contactar nem poder ter o apoio de um advogado. Quanto à violência desses interrogatórios, quer física quer psicologicamente já são conhecidos, creio eu. Não era só a pancada, a violência física, mas outras violências mais subtis que deixavam menos marcas. A tortura da “estátua” por exemplo. O preso em interrogatório ficava de pé, sem se poder mexer, o tempo que os polícias entendessem. Podiam ser horas, podiam ser dias. Ou a tortura do sono. Impedir-se a pessoa de dormir dias e noites seguidas.
E podia passar-se um tempo infinito até ao julgamento, quando o havia. O preso podia passar dias, semanas, meses, fechado numa cela, em isolamento, sem ver absolutamente ninguém, enlouquecendo aos poucos. Quando o seu crime era um delito de opinião.
*
«era de noite e levaram
quem nessa cama dormia
.............» quem não se lembra da canção?
Emiéle
Publicado por populo às 08:05 AM | Comentários (11)
Uma imagem por dia
Mais um cartaz.
Anos depois, mas o mesmo espírito.

Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (2)
Uma imagem por dia
Mais um cartaz.
Anos depois, mas o mesmo espírito.

Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (2)
abril 19, 2006
No 24 de Abril...
Expressão de opinião em público
Este ponto é o mais vistoso e aquele que toda a gente conhece, mas nunca é demais relembrar.
Quando hoje, com toda a naturalidade, na fila do autocarro, ou na caixa do supermercado, ou até apreciando um objecto numa montra, se tem um desabafo com um desconhecido qualquer “Isto está cada vez pior!”, ou “Nem sei onde vamos parar”, esquecemos até que ponto essa franqueza era inadmissível antes do 25 de Abril. Não só com um desconhecido como eu agora escrevi, mas até mesmo uma conversa entre dois amigos, uma troca de opinião pessoal e em voz baixa, podia ser ouvida e denunciada à polícia política. Todo o cuidado era pouco, porque por todo o lado estavam “os olhos e ouvidos do rei”. E algumas palavras ditas distraidamente, um desabafo descuidado e sem qualquer intenção, podia ser o início de um calvário que não se sabia qual o fim. A verdade é que mesmo que a pessoa não fizesse mais nada senão protestar, isso era já um delito.
Poderia muito bem, por exemplo, por isso mesmo perder o seu emprego.
Emiéle
Publicado por populo às 08:25 AM | Comentários (13)
Uma imagem por dia
Mais uma criança que nos mostra o que viu ou que imaginou, com uns toques de fantasia.
É tanto o pormenor que se nota o prazer com que o trabalho foi feito.

Emiéle
Publicado por populo às 08:20 AM | Comentários (5)
abril 18, 2006
Uma imagem por dia
Quando os artistas participaram.
Esta foi a conhecida colaboração artística de Bartolomeu Cid.
Uma linda gravura que na altura enfeitou muitas casas de quem a conseguiu comprar.
O nosso cravo.

Emiéle
Publicado por populo às 08:30 AM | Comentários (5)
No 24 de Abril...
A «declaração anti-comunista»
No tempo do “24 de Abril” para se entrar no funcionalismo público para além das habilitações próprias para o cargo a que concorria, atestado de saúde, prova de que não estava tuberculoso, era ainda necessário um documento. Atenção, não se esqueçam que antes de se pensar nesse contrato se tinha de consultar a informação da polícia política para saber se a pessoa que ia ser administrativo ou professor por exemplo, tinha já sido investigado pela PIDE. Antes do mais teria de ter esse aval.
Mesmo assim, mesmo que nada constasse, o candidato tinha de assinar um documento em como jurava pela sua honra que não processava nenhuma ideologia que fosse contra as normas do estado, o que em gíria se chamava a “declaração anti-comunista”. Claro que o valor de um documento obtido dessa forma era muito relativo não era nenhum, mas de qualquer modo ter de o assinar era vexatório.
Emiéle
Publicado por populo às 08:20 AM | Comentários (5)
abril 17, 2006
Canções de Abril
Todos conhecemos as canções que se cantaram baixinho e se começaram a cantar bem alto depois de Abril. Eram canções com "mensagens" um pouco em código, que rigorosamente eram 'inocentes' mas quem as cantava sabiam que tinham endereço.
Uma das mais belas e que foi muito cantada antes de Abril, chamava-se Pedra Filosofal. Foi um símbolo de uma época, uma letra belíssima de António Gedeão e cantada na voz de Manuel Freire.
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer...
Está aqui, para quem se lembra:
Emiéle
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos
que em verde e ouro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma. é fermento,
bichinho alacre e sedento.
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel.
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança.,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre a mãos de uma criança.
Publicado por populo às 09:08 AM | Comentários (11)
No 24 de Abril...
Filhos Ilegítimos
Como consequência da Lei da Concordata de que falei lá atrás acontecia que as pessoas se separavam e uniam-se com outros parceiros mas tinha de ser tudo na ilegalidade. Se no novo casal acontecesse nascer um bebé, a questão era gravíssima. Se era o pai que tinha tido um casamento anterior, a solução era a criança ser registada como filha de pai incógnito, ilegítima, mesmo que sempre vivesse com aquele seu pai verdadeiro e que bem gostaria de o assumir. Se era a mãe que vinha de outro casamento, o problema era ainda mais grave porque o bebé pertencia legalmente ao “marido” legal dessa senhora. Se o pai fosse solteiro, poderia registar-se com o nome do pai e filho de mãe incógnita ( extraordinário!) Se os dois tinham sido casados a questão era quase insolúvel.
De qualquer modo para uma criança era uma nódoa social, aparecer perante os seus colegas como de pai incógnito…
Emiéle
Publicado por populo às 08:50 AM | Comentários (9)
Uma imagem por dia
A coexistência dos tanques e da população que os apoiava.
As expressões ainda eram preocupadas, mas notem que o Condes exibia o ... "Esquadrão Indomável"!
E foi indomável, realmente.

Emiéle
Publicado por populo às 08:45 AM | Comentários (7)
abril 16, 2006
Uma imagem por dia
Quando em França os cartoonistas olhavam assim para nós:

Emiéle
Publicado por populo às 10:00 AM | Comentários (3)
abril 15, 2006
Uma imagem por dia
Num muro uma sigla já quase esquecida...

Emiéle
Publicado por populo às 10:20 AM | Comentários (3)
No 24 de Abril...
Subsídios de Férias ou Natal
Para quem nasceu já depois de Abril, se tem um emprego fixo, se tem um contracto, considera naturalmente que o seu ano tem 14 meses. Por alturas das férias e por altura do Natal, recebe um outro ordenado para ajudar às despesas extras que essas épocas costumam levantar.
Pois, mas... isso é agora.
Antigamente o salário de um trabalhador cobria os 12 meses do ano e já era um luxo descansar-se durante o mês de férias e receber o ordenado na mesma. A ideia de que na época de férias ou época de Natal o seu salário poderia ser duplicado era uma concepção completamente estranha. Isso do 13º ou 14º mês é uma conquista da actualidade.
Emiéle
Publicado por populo às 10:15 AM | Comentários (3)
abril 14, 2006
No 24 de Abril...
Direito de Associação
Existia, é claro. As pessoas podiam associar-se …aos organismos “abençoados” pelo Estado. Nalguns casos eram mesmo forçados a isso – à Mocidade Portuguesa, por exemplo, que era uma organização a que todos os jovens deviam pertencer. A Legião, também tinha as portas abertas a quem se lhe quisesse juntar. Mas já os Sindicatos, isso dependia… Havia umas Associações sindicais de “faz de conta”, que pretendiam manter os trabalhadores calminhos e obedientes. Um Sindicato a sério, que quisesse defender os direitos dos trabalhadores era um perigoso inimigo e tornava-se impossível constituir um. Também havia Associações culturais, sempre cuidadosamente vigiadas, se a Polícia Política desconfiasse que tinham ideias diferentes das oficiais eram rapidamente encerradas. Portanto, de facto pode dizer que não existia de modo nenhum o legítimo “direito de associação”. Havia o futebol, porque enquanto se pensasse na bola, não se pensava noutros temas que podiam ser perigosos.
Emiéle
Publicado por populo às 10:15 AM | Comentários (3)
Uma imagem por dia
Sem palavras, que não são precisas.

Emiéle
Publicado por populo às 10:12 AM | Comentários (3)
abril 13, 2006
Uma imagem por dia
As crianças também tinham a sua visão bem alegre do que se passava.

Emiéle
Publicado por populo às 07:50 AM | Comentários (4)
No 24 de Abril...
Censura IV - Canções
Como as outras manifestações artísticas de que já se falou, também as canções tinham os seus cantores malditos. Ainda antes das baladas e canções de Zeca Afonso e tantos outros ‘cantores da resistência’, as pessoas cantavam canções de Lopes Graça, por exemplo, quando se queriam sentir unidas e desabafar manifestando a sua revolta, mas em surdina e sentindo que estavam a cometer um acto ilícito e provocatório.
Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada
ao sol desta canção.
Assim nos diziam Lopes Graça e José Gomes Ferreira...
Emiéle
Publicado por populo às 07:45 AM | Comentários (6)
abril 12, 2006
No 24 de Abril...
Censura III - Livros
Para aclarar ideias – já se sabe que a imprensa era censurada diariamente, e a desculpa podia ser que como os jornais andavam em todas as mãos poderiam influenciar pessoas mal preparadas, mas…
Também o cinema e o teatro poderiam ser usados como um meio de “agitação das massas” e isso servir de justificação ( ? ) para os cortes que faziam.
Mas quanto aos livros? Já sabem certamente que não se podia comprar os livros que nos apetecesse ler. Os livreiros que se arriscavam a obter livros que vinham no índex do Estado Novo, passavam-nos por debaixo do balcão, às escondidas, já embrulhados e sob o maior segredo. Eles arriscavam-se e muito.
É que ler um livro maldito era também proibido, era um acto subversivo que ‘punha em causa a segurança do estado’.
E o Estado tinha de se sentir bem seguro!
Emiéle
Publicado por populo às 07:32 AM | Comentários (7)
Uma imagem por dia
Um cartaz belíssimo.
Já se tinha passado algum tempo mas este ainda era dia de pombas e cravos.

Emiéle
Publicado por populo às 07:20 AM | Comentários (3)
abril 11, 2006
No 24 de Abril...
A Censura II - O Cinema
Antes do 25 de Abril, quem tinha dinheiro e amava a cultura, muitas vezes ia “lá fora” para um banho de cultura. Uma das delícias era poder assistir a um filme do princípio ao fim sem ‘cortes’. Porque cá em Portugal, os filmes exibidos tinham de apresentar também o dístico “visado pela comissão de censura” para poderem ser exibidos nas salas de cinema.
E, atenção, não eram apenas as mensagens que se podiam considerar mais «políticas» que apanhavam com a tesoura dos senhores censores, ( aliás havia filmes inteiros que nunca cá entravam porque toda a história não era considerável de aceitar) eram também as imagens mais ousadas de conteúdo sexual. O recato era grande, um beijo ainda se admitia mas se fosse muito prolongado era “reduzido” em tamanho e os gestos mais eróticos eram pudicamente apagados.
Emiéle
Publicado por populo às 08:15 AM | Comentários (10)
Canções de Abril
Era uma grande lacuna.
Tenho andado desde o início do mês a colocar imagens, a contar histórias, mas o blog andava caladinho…
E Abril sem música não é bem Abril.
A dificuldade está mais na escolha, porque há tantas recordações, tantas canções de referência que nós nos perdemos nestas escolhas.
Mas hoje fica uma canção eterna, nas palavras da Natália Correia e a voz do Zé Mário Branco.
Quem a não conhece…?
Emiéle
Publicado por populo às 08:11 AM | Comentários (9)
Uma imagem por dia
Os muros também falavam.

Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (4)
abril 10, 2006
No 24 de Abril...
Censura I - Lápis Azul
Esta foi a primeira coisa a saltar. Logo, logo, mesmo no dia 25 de Abril! Toda a gente conhece isto:
Os jornais que os portugueses liam, antes de chegarem a ser impressos eram primeiro lidos por uns senhores que espiolhavam com atenção o que lá vinha escrito para ver se não incentivariam de algum modo à rebelião contra o governo! Ou mesmo exprimiam opiniões que não eram as aceites oficialmente. Aquilo com que não concordavam ou até nem entendiam bem, era riscado com um grosso lápis azul . Os editores tinham que recompor à pressa algumas páginas quando o corte era muito radical.
E depois lá aprecia a confirmação: “visado pela comissão de censura”.
Emiéle
Publicado por populo às 08:20 AM | Comentários (9)
Uma imagem por dia
Foi há 32 anos.
Ainda custava a acreditar...

Emiéle
Publicado por populo às 08:10 AM | Comentários (3)
abril 09, 2006
Uma imagem por dia
E cá chegaram os loucos dos anarcas!
O "Galo de Barcelos ao Poder" também se ouvia...

(a imagem é pequena mas não encontrei maior...)
Emiéle
Publicado por populo às 11:10 AM | Comentários (3)
abril 08, 2006
Uma imagem por dia
Romântico?
Será que uma flor pode ter tanta força como uma pedra?

Emiéle
Publicado por populo às 10:31 AM | Comentários (5)
No 24 de Abril...
As professoras e o casamento
Em pleno salazarismo as professoras primárias para se casarem tinham de pedir licença ao Ministro, autorização que lhes seria concedida no caso de o noivo demonstrar ter “meios de subsistência adequados ao vencimento de uma professora” : ) e ainda um “bom comportamento moral e civil”.
Aliás, lá em meados do século o Ministério da Educação chegava ao ponto de proibir as professoras de usar maquilhagem e indumentária (1) que não se adequasse à “majestade do ministério exercido”.
Não esquecer que, na época, a maquilhagem se resumia a pouco mais de pó de arroz e baton…
(1) «as saias tinham de ser por baixo do joelho e não se podia andar sem meias mesmo no pino do calor... Os sapatos tinham de ser fechados» uma ajuda da 'Saltapocinhas'
Emiéle
Publicado por populo às 10:05 AM | Comentários (11)
abril 07, 2006
Uma imagem por dia
Foi alegria, foi simpatia, foi espontaneidade!
Foi ABRIL!

Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (7)
No 24 de Abril...
Fósforos e isqueiros
Se, numa viagem no tempo, um jovem de hoje recuasse 50 anos e numa mesa de café depois de tomar a bica, puxasse de um maço de cigarros e de um isqueiro, podia ser abordado por um fiscal que lhe pedia para mostrar a licença.
Estranharia, com certeza. A licença? ? É verdade, para proteger a Fosforeira Nacional, quem quisesse utilizar um isqueiro tinha de ter uma licença de porte de isqueiro, como a licença de porte de arma… ; )
E pagava-se, é claro.
Porque o importante era que se gastassem fósforos para proteger a indústria da Fosforeira.
Emiéle
Publicado por populo às 07:56 AM | Comentários (8)
abril 06, 2006
No 24 de Abril...
Enfermeiras
A enfermagem, desde o tempo da Florence Nightingale, que era visto como uma profissão feminina.
Feminina e caridosa, com um toque romântico de dedicação exclusiva e conventual até.
Assim sendo, esperando-se de uma enfermeira que estivesse livre a qualquer hora, isso era naturalmente incompatível com uma vida familiar tradicional. Portanto, a solução: as enfermeiras não se podiam casar. Tinham de optar – ou esposas dedicadas ou excelsas enfermeiras, não podiam era acumular. É certo que não se podia evitar completamente que tivessem os seus namorados, mas casar é que não podiam.
Assim mesmo!
Emiéle
Publicado por populo às 08:15 AM | Comentários (10)
Uma imagem por dia
Um cartoon que se tornou poster.

Emiéle
Publicado por populo às 08:03 AM | Comentários (2)
abril 05, 2006
No 24 de Abril...
Fins-de-semana
Para os jovens de hoje, os dias úteis são 5: Segunda, Terça, Quarta, Quinta e Sexta. O resto é o Fim-de-Semana. Mas antigamente, como se sabe, segundo as normas religiosas o Domingo era o Dia-do-Senhor e era dia de repouso. Certo; isso significava que nos outros dias se trabalhava.
Entretanto começou a falar-se em “semana-inglesa” e a prolongar-se o descanso para a tarde de sábado. E isso, foi já grande uma conquista! Dia e meio de descanso numa semana!
Era assim que se passava há trinta e tal anos – Função Pública, empresas, escolas, tudo trabalhava normalmente ao sábado de manhã. O que hoje se olha com naturalidade, parecendo um direito normalíssimo ter um fim-de-semana de dois dias inteiros, só se obteve depois do 25 de Abril.
Emiéle
Publicado por populo às 08:35 AM | Comentários (8)
Uma imagem por dia
Outro cartaz, ao acaso, dos muitos que existiram.

Emiéle
Publicado por populo às 08:30 AM | Comentários (4)
abril 04, 2006
No 24 de Abril...
O casamento
Sabemos bem que os costumes de hoje aceitam que um casal viva junto e se case, ou não se case ou se case segundo os ritos que muito bem escolha. Quando os motivos que os levaram a unir-se desaparecem, divorciam-se e até podem voltar a casar.
Antes do 25 de Abril o casal que vivia junto sem se casar era mal visto pela sociedade, era “uma vergonha” para a família. E o casamento era religioso em grande parte dos casos, mas se digo em ‘grande parte’ era porque havia casais que apesar de serem católicos receavam esse compromisso. Como existia a “concordata” , uma vez casados nunca se poderiam divorciar nem, como é claro, voltar a casar. É fácil de imaginar que, apesar de os casamentos serem mais consistentes do que o são hoje, havia muita gente que se desentendia e deixava de viver junto. Mas ficavam condenados ao celibato para sempre. Mesmo que mais tarde encontrassem “o amor da sua vida” a lei não lhes permitia voltar a casar. As pessoas mais ricas iam “casar” a outros países mas era uma formalidade sem a menor legalidade entre nós.
Publicado por populo às 08:30 AM | Comentários (9)
Uma imagem por dia
As paredes queriam falar...
Parece-nos ingénuo hoje.

Emiéle
Publicado por populo às 08:03 AM | Comentários (5)
abril 03, 2006
Uma imagem por dia
Foi assim, em Abril.
Não esquecemos.

Emiéle
Publicado por populo às 08:20 AM | Comentários (8)
No 24 de Abril...
O Sufrágio
Este, como é natural, é um dos aspectos mais falados e conhecidos, mas não faz mal relembrar.
A lista dos eleitores, de quem de facto podia votar em altura de eleições, era minúscula antes de 74. Estavam dela excluídos, todos os que “não ofereciam garantias à segurança do estado” ou seja, grande parte da oposição. E, para além disso, a verdade é que para se poder ser eleitor, para além da idade – 21 anos – tinha de se saber ler e escrever, ser chefe de família, ou no caso de ser mulher ter um curso ou bens próprios.
Porque isto de se ir votar era um acto muito sério e grave e não seria qualquer ‘irresponsável analfabeto’ que o podia exercer. A não ser quando fossem acompanhados até ao local de voto por o senhor legionário ou o cacique local, que já lhes tinha explicado muito bem o que deviam fazer, e nesse caso “bem esclarecidos” e completamente industriados lá poderiam pôr a cruz onde lhe mandavam. Evidentemente que com essa selecção inicial os resultados eram esmagadores a favor do governo.
Emiéle
Publicado por populo às 08:15 AM | Comentários (9)
abril 02, 2006
No 24 de Abril...
Viagens
Imagina, minha amiga, que estavas a passar férias no Algarve e te apetece ir a Sevilha, ou que a tua empresa quer que vás tratar de uma questão a Paris. Se tiveres dinheiro para a gasolina ou para o bilhete de avião, é só fazer a mala e despedires-te da família. E ainda por cima, agora no espaço europeu nem é preciso passaporte.
Mas este filme é de agora. O.K.
Recua umas dezenas de anos e, se por acaso o teu marido não está acessível – também foi viajar, ou por qualquer modo não podes comunicar com ele, ou até tem mau feitio – adeus viagem. Sem um documento assinado por ele não tens licença para sair do país, e pronto! Quem manda é ele, e a polícia não te deixa sair sem a sua autorização.
Emiéle
Publicado por populo às 11:05 AM | Comentários (8)
Uma imagem por dia
Neste caso "o Salazar" era para esta menina um símbolo, porque o verdadeiro já "tinha ido abaixo" em 1974. O seu espírito é que ainda andava por cá.
Um desenho infantil também é uma boa homenagem.

Emiéle
Publicado por populo às 10:59 AM | Comentários (5)
Parabéns, Constituição!
Faz 30 anos.
Foi em 2 de Abril de 1976 que a nossa Constituição foi aprovada. Para a escrever tinha sido eleita uma Assembleia Constituinte. Os membros dessa Assembleia, que funcionou de 2 de Julho de 1975 a 2 de Abril de 1976, foram eleitos na primeira eleição democrática desde há 50 anos e essas eleições registaram a maior participação de sempre.
Fez-se um bom trabalho. Passaram-se 30 anos mas o certo é que se essa Lei, que é a mais importante de todas as que nos regem, fosse absolutamente cumprida a nossa vida seria bem diferente. Infelizmente o espírito com que ela foi concebida foi generoso e aberto, mas as contingências da História não têm permitido que ela passe à prática como seria desejável.
Mas que se mantenha nem que seja como um farol que ilumine o caminho, é o que podemos desejar.

Emiéle
Publicado por populo às 10:20 AM | Comentários (3)
abril 01, 2006
A nova rubrica de Abril
Neste mês de Abril, o Pópulo vai relembrar para quem já esteja esquecido, ou contar para quem nunca o soube, algumas das situações que eram correntes naquilo a que poderemos chamar o “24 de Abril”. Em conversa com algumas pessoas tenho notado que esse passado ainda tão próximo está um pouco envolto em brumas, que há tendência para tomar como adquirido hábitos que há umas dezenas de anos seriam estranhos ou escandalosos.
O título deste conjunto de posts vai ser “No 24 de Abril…” embora tenha de ressalvar que durante o “marcelismo” alguma coisa se descongelou, e por “24 de Abril” me refiro sobretudo ao salazarismo. E também decerto o que tem a ver com costumes, não se alterou por um golpe de mágica de um dia para o outro.
Creio contudo que esta rubrica pode dar algumas ideias da realidade que se viveu durante 50 anos
Emiéle
Publicado por populo às 09:41 AM | Comentários (7)
Uma imagem por dia
Este mês tem trinta dias. Para mim é um mês muito especial e para celebrar Abril, vou deixar no Pópulo em cada dia uma imagem diferente: cartazes, fotos, desenhos, murais. São imagens conhecidas todas elas, mas nunca é demais recordar. Para que a memória se mantenha viva.
Vão ser trinta dias e trinta imagens.
A primeira:

Emiéle
Publicado por populo às 09:38 AM | Comentários (6)
março 30, 2006
"Pela memória"
Em Outubro do ano passado deixei escritos no Pópulo dois posts. O primeiro chamava-se Memória apagada e o segundo pouco tempo depois Impotência e raiva . Ali dizia do meu desgosto e inicial incredulidade de pensar que se ia destruir o edifício onde funcionaram os serviços da sinistra PIDE. E supremo descaramento, para se fazer um condomínio de luxo.
O tempo passou, o projecto foi avante, a agora a empresa tem o desplante de ter um site onde se resume a História do edifício às festas dos séculos XV, XVI, XVII . Festas!
A Isabel escreveu este post no Troll e lançou o desafio: criar a corrente “Pela Memória” e enviarmos e.mails para pacododuque@temple.pt , o endereço da firma com o nosso protesto.
O texto proposto por ela é este:
Ao consultar a página na Internet deparei-me com algumas incorrecções que urge corrigir.
Na página dedicada à história do edifício, os senhores mencionam apenas os acontecimentos até 1640. Como sabem, estamos em 2006 e, entretanto, houve História naquele edifício. Como também sabem, o edifício foi sede da PIDE-DGS, polícia política do regime fascista. Até 1974 era para aquele edifício que eram levados os presos, para serem interrogados sob tortura. Como é público, os maus-tratos levavam, não raramente, à morte.
Omitir as mortes e as torturas é publicidade enganosa. Naquele lugar não houve apenas banquetes e festas de casamento. O fascismo existiu. A PIDE-DGS torturou e matou.
Não creio ser preciso dizer mais nada.
Emiéle
Publicado por populo às 08:31 PM | Comentários (11)
outubro 04, 2005
Memória apagada
Nunca julguei que o projecto fosse avante. Quando ouvi dizer que o edifício sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso ia ser transformado num hotel, considerei uma graça de mau gosto. Depois percebi que estavam a falar a sério.
Apesar disso, fui sempre acreditando que não se teria coragem.
Tiveram.
Afinal há coragem para tudo.
Aquelas paredes que viram tanto sofrimento, tanta coragem, tanto medo, em vez de um Museu, em lugar de um Memorial, vão ser vendidas. Para um hotel, creio eu, ou um condomínio de luxo.
Cada vez acredito mais que se perdeu a vergonha na nossa terra. Por mim, sinto aquela decisão como uma bofetada, como se troçassem do sofrimento alheio.
Amanhã, 5 de Outubro, às 2 da tarde, quem quiser prestar homenagem aos mortos pela PIDE, pode ir para frente daquela casa.
Encontramo-nos lá.

ML
Publicado por populo às 08:00 PM | Comentários (5)