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outubro 25, 2006
Viva a vida
A partir de hoje até ao dia do referendo o Pópulo vai apresentar aqui em cima à direita, um dístico. Diz ali que o Direito à Escolha também é Vida. Era isto que desejava que ficasse claro. Eu gosto muito de crianças. Amo-as e respeito-as. Tudo o que lhes interessa me apaixona. Gosto de pensar que trabalho um pouco para o seu bem-estar, para a sua felicidade, para o seu êxito na vida.
E também amo a vida. Muitíssimo. Considero que o ser humano pelo facto de ter nascido tem o direito a uma vida digna, a oportunidades de sucesso, à felicidade. Sei que isto não vem automaticamente, tem de se lutar, temos de trabalhar, temos de acreditar em ideais, temos de ser solidários, temos de respeitar os outros e as suas diferenças.
Infelizmente nem todas as gravidezes resultam de um acto voluntário. Cada vez mais as pessoas estão informadas e vão sabendo que existem formas de evitar que suceda uma gravidez involuntária, mas ainda existem muitos casos onde, apesar de tudo, tal não acontece. A interrupção de gravidez, mesmo muito no início, é sempre um acto muito duro e difícil. Nem precisa de penalização social para ser doloroso e sofrido psicologicamente. Ninguém o pratica levianamente. É dor. É sofrimento. É uma decisão que se vive com recato.
Não entendo como há quem possa imaginar que a actual proposta de despenalização possa em caso algum, aumentar os casos onde isso aconteça! O que irá fazer é tornar as mulheres portuguesas semelhantes às suas parceiras europeias. Irá permitir que tal se processe com bons cuidados de saúde e estudar o que falhou no método anti-concepcional utilizado de modo a não voltar a acontecer. De modo àquela mulher poder criar convenientemente os filhos que já tem, ou esperar o momento onde possa ter um, ou até mesmo escolher não ter nenhum. Dar-lhe condições para poder optar em liberdade o momento de ser mãe.
Exactamente porque amo muito a vida, porque sou mãe, é que acho que todas as crianças têm o direito à felicidade.

Emiéle
Publicado por populo às outubro 25, 2006 07:30 PM
Comentários
Subscrevo cada palavra. E cada ideia que aqui deixas. È por se gostar de viver, é por se achar que todos temos direito à felicidade, ao bem estar, à realização como seres humanos inteiros que votamos Sim. É por achar que para se poder ter um filho é necessário ter-se capacidade, desejo, disponibilidade para se ser Mãe, que votamos sim. É porque sabemos que a educação sexual não existe, que os nossos centros de saúde não têm meios contraceptivos para distribuir gratuitamente palas mulheres mais carenciadas de meios económicos e de conhecimentos e pelas jovens que iniciam a sua vida sexual, que votamos sim.
Gostei, Emiéle. Temos que ganhar a batalha de quem se julga detentor do apego á vida e nada faz para criar um mundo melhor , mais justo e mais solidário. E menos hipócrita.
Publicado por: isabel faria às outubro 25, 2006 08:26 PM
Ainda bem que ainda aqui voltei depois de jantar.
Bom post.
Claro e apaixonado.
Deixas muito nítida a tua posição e assim a gente entende-se: de facto o que se deseja é a vida afinal, sem as hipocrisias dos outros
Publicado por: Raphael às outubro 25, 2006 08:56 PM
Recebi o toque de que havia aqui outro post (para quem não sabe eu tenho um serviço que o Pópulo distribui de quando se publica uma coisa sou avisada!) e cá vim.
Repito a Isabel. Também te subscrevo. é isso mesmo que eu penso. Temos de ter coragem de dizer que tudo isto é grave, que ninguém aborta como se fosse um metodo contraceptivo!!! É muito doloroso em qualquer sentido.
Era bom que não o fosse também pela ameaça da prisão!
Publicado por: Joaninha às outubro 25, 2006 09:03 PM
Recebi o toque de que havia aqui outro post (para quem não sabe eu tenho um serviço que o Pópulo distribui de quando se publica uma coisa sou avisada!) e cá vim.
Repito a Isabel. Também te subscrevo. é isso mesmo que eu penso. Temos de ter coragem de dizer que tudo isto é grave, que ninguém aborta como se fosse um metodo contraceptivo!!! É muito doloroso em qualquer sentido.
Era bom que não o fosse também pela ameaça da prisão!
Publicado por: Joaninha às outubro 25, 2006 09:29 PM
Nenhuma mulher deve ser presa, ficar doente, ou morrer, por abortar.
Publicado por: zé às outubro 25, 2006 10:22 PM
Deixas aqui claro uma coisa que parece que há quem o esqueça: o ter de abortar já em si é um sofrimento. Quando se descobre que apesar dos cuidados houve qualquer coisa que falhou, é o coração que parece que deixa de bater. Um momento de pânico, o pensar "ai Meu Deus, e agora...?!!", o falar com amigas, o contar os tostões, o medo do sofrimento, e uma tenaz a apertar o coração. Temos já filhos, muito queridos, muito amados, que temos criado com todo o mimo e ternura do mundo. A nossa capacidade quer de dinheiro, quer de tempo, quer até de disponibilidade não dá para mais. E toma-se essa decisão, mas com que dificuldade. "Tem de ser!". E depois é tentar não pensar mais. Custa muito antes, depois olhamos para os que estão cá e temos a certeza de ter feito bem.
Publicado por: Gui às outubro 25, 2006 10:54 PM
Gostei de «Pelo Direito à Escolha»
É bom que se saiba que uma gravidez não é uma fatalidade. É uma opção que pode ser uma grande alegria. Porque quando não é algo de inevitável passa a ser essa alegria.
Publicado por: Tess às outubro 25, 2006 10:59 PM
Eu sou, sem dúvida nenhuma a favor do "sim", isto apesar de achar que não seria capaz de o fazer.
Mas o que me chateia nesta discussão é que as pessoas que são a favor do não agem como se, sendo a lei aprovada, sejam obrigadas a abortar.
O aborto é do foro íntimo de cada pessoa, ou casal e ninguém, nem a lei, deve interferir nessa (penosa, imagino) decisão!
Publicado por: SaltaPocinhas às outubro 25, 2006 11:04 PM
Já estou com sono e não estou capaz de responder um a um como vocês mereciam. A Isabel, já sabe que pensamos em muita coisa de um modo tão parecido que já está tudo dito.
A Gui deixou um comentário tocante. Tem um tom pessoal que nos impressiona. obrigado por o teres escrito assim...
Quanto ao Zé e Raphael, é bom ver que este referendo vai ser também importante para todos e o voto masculino é bem importante ( oxalá vão votar!)
Saltapocinhas, esse é um ponto fulcral. Ninguém quer mandar nas pessoas que preferem não abortar!!! É tanto lá com elas como o é das que escolhem o contrário. O que se passa é um mecanismo curioso que se calhar a psicologia pode explicar - como eles querem realmente mandar na opção das pessoas que engravidam mas não desejam essa gravidez, actuam como se a inversa fosse verdadeira, e se o Sim ganhasse, os outros mandassem na opção deles! É extraordinário!
É muito importante que sublinhes isso, quando o assunto for discutido.
Publicado por: Emiéle às outubro 26, 2006 12:13 AM
"Eu gosto muito de crianças. Amo-as e respeito-as." é essa a mensagem que é preciso passar. Eu também adoro crianças! Muito bom post Emiéle!
Publicado por: Farpas às outubro 26, 2006 12:47 AM
Também eu adoro crianças. Tenho filhos e netos muito queridos. Por isso voto SIM, claro!
A Saltapocinhas toca no ponto desta questão que mais me chateia, também:acredito que haja pessoas que sejam incapazes de fazer um aborto, então que não o façam! Não podem é interferir, fazer juízos de valor, condenar quem o queira fazer dentro dos limites da lei!
Publicado por: méri às outubro 26, 2006 01:37 PM
Esta resposta ao comentário escrevi-o de manhã quando dei s ouutras respostas, mas isto de repente fechou a porta. Deixei-o em copy, aqui no rato e agora que parece que abriu ( estão cá comentários da Joaninha, venho fazer o 'paste'
:)
«Obrigada Farpas. Dei agora conta que não referi que o dístico era teu! Mas como o 'ofereceste' á comunidade bloguística...
O que me preocupa é que tanta gente continua a assobiar para o lado. Um inquérito recentíssimo diz que continua a prever-se uma abstenção de mais de 50% e se assim for o referendo continua a não valer nada...»
Publicado por: Emiéle às outubro 26, 2006 01:37 PM
olga Méri o teu comentário entrou no mesmo minuto que o meu, e só agora o vi.
Concordo contigo, como já o disse na resposta à Saltapocinhas - esses senhores do «contra a escolha e a favor da penalização» parece que vêm os outros pelos seus olhos. Eles queriam mandar na decisão intima de cada um e lá acham que nós também iríamos mandar na deles.
Tem de entender que nunca seria isso. Nem a lei é uma balda, há critérios rigorosos!
Publicado por: Emiéle às outubro 26, 2006 06:15 PM
olha Méri o teu comentário entrou no mesmo minuto que o meu, e só agora o vi.
Concordo contigo, como já o disse na resposta à Saltapocinhas - esses senhores do «contra a escolha e a favor da penalização» parece que vêm os outros pelos seus olhos. Eles queriam mandar na decisão intima de cada um e lá acham que nós também iríamos mandar na deles.
Tem de entender que nunca seria isso. Nem a lei é uma balda, há critérios rigorosos!
Publicado por: Emiéle às outubro 26, 2006 07:30 PM
Emiéle, acho que faz eco ao teu post esses dois links de um blog brasileiro. E eu concordo tanto com o teu ponto de vista quanto com o dela.
Um abraço!
Publicado por: Lívia às outubro 26, 2006 08:39 PM
Lívia, o teu comentário ficou retido imenso tempo e peço desculpa porque não tinha dado por ele. E que quando se deixa links aqui a Weblog receia que sejam spams, e condiciona o comentário ao critério do dono do blog, portanto só depois de eu ter reparado que estava lá é que o 'libertei'
Publicado por: Emiéle às outubro 26, 2006 09:40 PM
E pronto, só agora acabei de ler, não apenas o post desse blog mas os comentários bem importantes. obrigada pelo link (dizes 2 mas só abri o Mme Mine... havia outro?)
Se em vez de link deixares o endereço à vista creio que o comentário entra sem mais nada.
Publicado por: Emiéle às outubro 26, 2006 09:50 PM
Olha Lívia o meu segundo comentário perdeu-se. Fui à Mne Mean e gostei muito do que lá li. É importante saber que a luta é a mesmo mesmo com um oceano a separar. Obrigada por teres deixado o link.
Publicado por: Emiéle às outubro 26, 2006 10:11 PM
Eu só tenho uma criança, mas poderia ter nascido mais de uma. Só eu sei o sofrimento e a angústia que passei (e todas vocês que viveram o mesmo). Não me arrependo; sou pela vida com dignidade, com esforço e trabalho mas sem sofrimento e sem dor. Sou pelas condições de vida dignas, pela possibilidade de crescer, estudar, ter saúde - sou pela vida.
O aborto deve ser um direito, nunca será um dever; os/as senhores/as que falam contra o direito de abortar em condições de segurança não são "pela vida": são pelo "direito à miséria", pelo "direito à falta de condições de vida", pelo "direito à infelicidade"... à doença... .
Mais palavras para quê? A Sodona Emiéle disse tudo o resto...
Publicado por: Vi às outubro 29, 2006 03:55 PM
Querida Vi, é isso mesmo. E no momento de hoje, rodeada de morte e de tristeza ainda queria gritar mais VIVA A VIDA! Porque este direito à decisão de quando pode nascer mais uma vida neste mundo é um direito forte, digno, grave e importante. De quem respeita a Vida.
Os outros, como tão bem disseste serão «pelo "direito à miséria", pelo "direito à falta de condições de vida", pelo "direito à infelicidade"... à doença».
Publicado por: Emiéle às outubro 29, 2006 09:33 PM