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outubro 03, 2006
Diferentes
A Mar deixou dois posts em sequência no seu Ponto sem Nó, focando o tema difícil da velhice. Pelo relato que faz e pelas fotos, ainda bem que se vê que pelo menos aqueles conseguiram divertir-se, brincar, e sentirem-se bem em companhia de pessoas da sua idade e com problemas semelhantes os seus.
Eu, por motivos pessoais, tenho tido recentemente muito contacto com três senhoras, todas elas com um pouco mais de 90 anos. E, se são da mesma geração, e de meios sócio-económicos semelhantes, o certo é que a sua situação é muito diferente devido também ao diferente estado físico e mental.
A que está pior, fez há poucos dias uma fractura do colo do fémur, o que associado a sinais claros de Alzheimer, traça um quadro muito negro. Está, desde há cerca de um ano num lar de idosos, lar com condições invulgarmente boas onde a filha a muito custo a deixou, por lhe ser completamente impossível mantê-la em casa. Mas agora com esta fractura, tendo de ficar acamada, não pode ficar naquele local e a filha está aflitíssima. E quanto à velhinha, como o Alzheimer ainda é um mistério, não sabemos o que sente nem se sofre, mas é uma situação muito triste!
A outra, é aquela de quem aqui tenho falado várias vezes. Muito lúcida de cabeça, mas o corpo num estado desgraçado. Raramente se levanta da cama, está esquelética de magra, tem uma empregada que cuida dela mas sem grande paciência, e passa os dias sozinha, lendo porque ainda vê bem (está apenas "um pouco" surda) e suspirando sempre por uma visita para quebrar a monotonia dos dias. Uma vida bastante triste e solitária.
A terceira, também com 90 e poucos, parece muito bem. Vive numa casa que é dela e da filha com quem vive. A filha está reformada e mais doente do que a mãe! Esta senhora foi operada há poucos anos às cataratas e desde aí vê bastante bem, ouve bem, e se tem um feitio autoritário o certo é que toda a vida o teve, não é da idade. Sabe muito bem o que quer e faz-se obedecer. Todos os dias sai a dar um passeio pelo bairro, vai comprar o jornal que lê atentamente, desconfia de remédios e trata-se com chás e tisanas em que acredita muito mais. Tem um feitio bastante difícil, mas continua a governar a sua vida sem dificuldade.
Onde é que quero chegar…? Em que é completamente impossível generalizar o que é isso da «velhice». Mesmo nestes casos, onde podia haver muito em comum, são tão diferentes!!! A verdade é que se tem de olhar para cada caso de um modo particular e diferente. Tal como gostamos que façam connosco.
Emiéle
Publicado por populo às outubro 3, 2006 01:00 PM
Comentários
Dispensa comentários.
Concordância TOTAL.
Essas experiências, multiplas, são deveras elucidativas.
Publicado por: josé palmeiro às outubro 3, 2006 01:04 PM
teste, bolas!
Publicado por: méri às outubro 3, 2006 02:00 PM
Meri, minha querida, estou desolada...
Falo a sério, manda-mo por email.
Um beijinho, e olha - a weblog não vencerá! Nós somos mais teimosos!
Publicado por: emiéle às outubro 3, 2006 02:16 PM
Ui! Desculpa, emiéle! Pensei que não entrava. Hoje já perdi uns quatro comentários! Logo eu que comento tão pouco. Só agora vi que entrou ... o desabafo!
Já não sei bem o que escrevi, mas concordo contigo não se pode generalizar. De qualquer forma continuo a pensar que a velhice tem muito a ver com o tipo de adultos que fomos, excluindo, claro, os que são atingidos pela degradação psiquíca, Alzheimer ou outra.
Alegria de viver, gosto pela Vida e por todos os bocadinhos que nos dá, sem recear morrer.
Publicado por: méri às outubro 3, 2006 03:12 PM
Um conselho, Méri (isto fala a experiência que também odeio perder comentários!) Antes de clicares aqui para entrar, seleciona o que escreveste e faz cipy com o lado direito do rato - Só depois manda 'submeter'. Se por qualquer motivo essa coisa fugir, de qualquer modo está guardado, é só fazer paste e colocar o mesmo texto tal e qual.
Já me tem acontecido, fugir tantas vezes, que abro uma janela em word e colo lá o raio do comentário!!! Dali não sai, eu 'vou passear' e quando passar a mosca aqui nos comentários copio de lá! São truques para não se perder a paciência...
Publicado por: emiéle às outubro 3, 2006 03:56 PM
Um conselho, Méri (isto fala a experiência que também odeio perder comentários!) Antes de clicares aqui para entrar, seleciona o que escreveste e faz cipy com o lado direito do rato - Só depois manda 'submeter'. Se por qualquer motivo essa coisa fugir, de qualquer modo está guardado, é só fazer paste e colocar o mesmo texto tal e qual.
Já me tem acontecido, fugir tantas vezes, que abro uma janela em word e colo lá o raio do comentário!!! Dali não sai, eu 'vou passear' e quando passar a mosca aqui nos comentários copio de lá! São truques para não se perder a paciência...
Publicado por: emiéle às outubro 3, 2006 03:59 PM
Tenho de reconhecer que esta coisa a esta hora anda ainda pior…
Claro que é verdade que cada um de nós é na velhice aquilo que era na idade adulta ou até mesmo em criança. Há traços de carácter que têm raízes fundas e sérias. E seria bom que fôssemos ‘planeando’ a nossa velhice enquanto o conseguimos fazer. E uma das coisas mais complicadas é a desocupação, que gera depressão e um terrível mau estar.
Publicado por: emiéle às outubro 3, 2006 04:21 PM
Mais uma voz de concordância! E eu acredito mesmo que não é só reflexo da idade adulta, é um reflexo de tudo o que fomos ao longo de toda a vida, toda a nossa educação e hábitos!
Publicado por: Farpas às outubro 3, 2006 10:19 PM
Claro que há feitios. Hoje fui ver a minha velhinha nº 1, a hospitalizada. Está muito mal. Mesmo muito mal, não sei se vai resistir. E à saída, falando com a filha tristíssima como se imagina, comparávamos com a minha velhinha nº 2 e a filha dizia que a sua mãe nunca tiha sabido como a outra aproveitar as suas vantagens, a família que a tinha rodeado quase até ao fim, tantos netos, tantos bisnetos, tanta gente que gostava dela. Andava sempre queixosa, muito amarga, sem olhar o lado bom da vida. Enquanto no outro caso é uma pessoa que não tem ninguém de família (era filha única, é viúva, não tem filhos) Apenas uma distante sobrinha por afinidade. E contudo tem uma outra atitude, muito humor, e amor à vida.
Tem muito a ver com a nossa personalidade.
Publicado por: emiéle às outubro 3, 2006 11:52 PM