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outubro 30, 2006
As «diferenças» e os mitos urbanos
A Isabel escreveu aqui um post onde aborda questões muito importantes. O tema em causa não é «esgotável», e muito menos num post de um blog, pelo que vou continuar com os pensamentos que iniciei lá num comentário.
Temos por um lado os mitos urbanos. É mais grave do que podemos pensar até pelo tom de graça que o nome tem. São de facto mentiras, umas tão tontas que logo se nota que é disparate, mas outras com uma origem mais ou menos correcta ( o tal fogo que criou o fumo) embora a construção posterior as torne tão disparatada como no caso das primeiras. Por mim não falo a sorrir nos «mitos urbanos», acho que são boatos sérios e graves, e que na maioria das vezes até se espalham por Internet levando ao pânico porque se acredita nas «provas» de tantos testemunhos. Quando digo que às vezes há fogo é porque não digo que não tenha acontecido UMA vez; essa vez inicial foi de facto verdade, mas daí para a frente a generalização é completamente absurda. E o certo é que a acreditar-se cegamente em todas as histórias que ouvimos, a vida numa cidade era um perigo constante quer dentro quer fora de casa!!! Tenham calma.
Vem depois a questão do «perigo amarelo». Apareceram por cá muitos chineses, que se dedicam ao comércio e vendem artigos muito baratos. Perigo, é claro! Sem se ver mais nada, sem se confirmar que já nas «lojas dos 300» os artigos eram muito baratos porque vinham baratos da origem, e naturalmente que o mesmo se passa aqui. Por outro lado, os chineses têm uma capacidade de trabalho invejável, não estão habituados a férias, nem a descansos, mantêm a porta da loja aberta sempre, com clientes ou sem eles… E naturalmente que isso atrai clientes, essa disponibilidade.
Quanto ao ponto referente à ‘integração’ destas comunidades, já não aceito sem discussão que a responsabilidade pelo seu claro isolamento seja exclusivamente dos países de acolhimento. Claro que se podia e devia fazer mais e melhor, mas a integração nunca seria impecável porque, tanto quanto sei e sei um bom bocado, estas comunidades são de facto extremamente fechadas. Na sua terra natal são um povo xenófobo, um estrangeiro na China não é bem acolhido, é gente muito orgulhosa e altiva. Como imigrante é natural que se isole e não deseje misturas. Um homo sapiens também não se iria misturar alegremente com macacos, mesmo que tenha de viver com eles, deve pensar o chinês-sapiens olhando aqui para a macacada...
Emiéle
Publicado por populo às outubro 30, 2006 11:55 AM
Comentários
Há cerca de um ano João Jardim já tinha dito que não queria chineses na Madeira. Há um movimento, principalmente de comerciantes descontentes, contra as lojas chinesas super-baratas. Nós, portugueses, lidamos mal com a competição.Quando nos sentimos mais apertados lá vai um pedido para subsídio.
Quanto à sua intregação também sou da opinião que não se pode obrigar a integrar quem não quer.
Publicado por: ilha_man às outubro 30, 2006 09:21 PM
Comentário escrito ontem à noite mas que depois de escrito ficou em «rascunho»!:
Que maravilha, ilha_man, conseguiste entrar ao fim de quase 12 horas de bloqueio!!!!
Tenho imensas mensagens de visitantes a pedirem que lhes coloque os seus comentários, só que eu própria não conseguia aqui entrar!!
Esta coisa da competição tem muito que se lhe diga...É certo que as lojas chinesas vendem barato, mas estão sempre abertas! Nós abrimos tarde, fechamos para o almoço, fechamos cedo, ao sábado á tarde, ao domingo, e depois a culpa é dos centros comerciais...Uma vez até escrevi um post, por ter ouvido um tipo de um quiosque por onde passei, a resmungar «vou fechar por hoje! já é quase meio dia e só vendi 2 maços de cigarros e uns jornais! vou mas é para casa descansar». Eu fiquei parva. Lá em casa a descansar é que não ia vender nadinha!
Publicado por: Emiéle às outubro 31, 2006 09:04 AM