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outubro 05, 2006
A diferença entre a nossa casa e a do vizinho
Não sei se todos vocês foram como eu, mas ontem desde o meio da tarde que passei o tempo a ligar a rádio ou a fazer zapping pelos canais da tv, tentando saber como acabaria o caso dos reféns presos numa dependência bancária em Setúbal.
O curioso é que ando farta de ler história dessas.
Passa-se por todo o mundo e imagino que algumas nem chegam a ser lidas em Portugal por se considerar falhas de interesse… Porque quando aquilo se passa lá no Peru, ou nas Ilhas Salomão, ou na Serra Leoa, ou no Azerbeijão, dizemos contristados “ai, coitados…” e voltamos a página. É certo que tem também havido famosos filmes de suspence com este tema, e aí já nos sentimos emocionados e próximos, graças ao cinema.
Mas desta vez passou-se aqui. A poucos quilómetros de onde eu moro! Num ápice coloquei-me na pele dos reféns e ‘senti’ o que estavam a passar. E, se estou a escrever agora estas palavras com tanta calma, é por saber que tudo acabou bem ou estaria ainda a roer as unhas.
Pronto a história passou, o ladrão falhado está preso, os reféns a recuperar do maior susto da sua vida, e os moradores daquela rua vão ter que contar até daqui a muito tempo. O que me deixou a pensar foi na minha reacção e que acredito ser semelhante à de muitos de vocês – o facto da proximidade de um acontecimento, mesmo que não nos diga directamente respeito mudar completamente a luz com que é encarado.
Assim é o ser humano!


Emiéle
Publicado por populo às outubro 5, 2006 09:20 AM
Comentários
Na verdade, é mesmo assim, não podemos dizer o contrário.
Cada vez se torna mais comum estes actos, sejam eles onde quer que sejam, o facto é que se dão, e, um dia, poderemos ser nós a estarmos envolvidos. O que faremos, como reagiremos, não vale a pena martirizarmo-nos, no momento, toda a nossa experiênciação, virá ao de cima e então actuaremos em conformidade, ou não. É a triste realidade deste monstro em que nos obrigam a viver, só que, como dizes, cada vez mais próximo.
Não duvido que é complicado.
Publicado por: josé palmeiro às outubro 5, 2006 10:43 AM
Não sei agora em que obra do Eça se conta essa gracinha de alguém a ler o jornal e desde um terramoto na Ásia, a uma inundação em África, ou um descarrilamento na Alemanha ia tendo esclamações cada vez mais surpreendidas quanto mais próximo era, até que leu que uma senhora sua conhecida tinha partido uma perna, e largou o jornal para correr a saber da sua saúde...(não juro que seja exactamente assim, mas é este o espírito dessa história)
Já há mais de cem anos assim era. É humano sim senhora! Eu ontem também fiquei nervosa.
Publicado por: Joaninha às outubro 5, 2006 11:15 AM
Houve um pormenor que me chocou um pouco. Dois dos reféns, clientes do banco, quando foram libertados vinham algemados por não terem levdo identificação... Isso justificava-se...?
Por acaso até acho que a polícia agiu bastante bem, guardaram as informações para si, não estimularam o alarme mis do que já estava, etc. E, reconheço que se havia pessoas não identificadas, era justo que se identificassem. Mas às 3 e meia da manhã, após quase 12 horas de estarem "presas" justificava-se as algemas...??!! Mesmo que fossem cúmplices - e estava na cara que não eram - o que é que podiam fazer no meio daquelas dezenas de polícias tão armados?
De qualquer modo, ufff...
Publicado por: Gui às outubro 5, 2006 03:44 PM
Hummm, eu não concordo Gui... apesar de achar que é uma situação chata, é sempre melhor prevenir que remediar, eu acho que eles fizeram o que devia ser feito... Mas é assim, não há nada que só aconteça aos outros (talvez tirando o euromilhões mas enfim....)
Publicado por: Farpas às outubro 5, 2006 09:18 PM
Tem fé, Farpas, o euromilhões tem saído tanto em Portugal. O próximo é teu! Ainda montas aqui uma plataforma melhor que a weblog para a gente brincar...
De resto, embora eu também concorde que " é melhor prevenir que remediar", acho que a Gui tem em parte razão, se já se sabia que eles não estavam armados e era apenas uma questão de identificação, parece-me um bocado excessivo as algemas. Deveria chegar ficarem detidos até alguém lhes levar a identificação.
Joaninha, também me lembro dessa cena, e é quase de certeza do Eça de Queiróz mas não me recordo onde se passa.
Zé Palmeiro, eu nem me imagino a viver um cenário destes! dava-me logo uma coisinha má, é certo e sabido.
Publicado por: emiéle às outubro 5, 2006 09:53 PM