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setembro 05, 2006

Ainda restos de segunda-feira

A minha primeira “crónica” não o chegou a ser porque não tinha tempo para escrever mais do que aquilo! Estávamos a preparar o jantar, e mal seria deixar a dona da casa na cozinha para me instalar ao pc...Mas mesmo no primeiro dia já estava cheia de coisas para contar!
Dizer que isto é “outro mundo” é uma banalidade. Tenho tido essa sensação de "outro mundo" diversas vezes – em África, no Oriente – mas aqui torna-se realidade o verso do Aleixo, este é “um Mundo Novo a sério”. A certeza de que é uma terra organizada a pensar nas pessoas, o que nunca tinha sentido com esta intensidade
A saída do aeroporto foi facílima. Directamente para um comboio que nos trouxe para mais perto de Copenhague, e desse comboio passámos directamente para a paragem do autocarro que nos trouxe a casa. Tudo com o mesmo bilhete, porque os bilhetes duram uma hora e nesse espaço de tempo podemos andar nos transportes que quisermos. Simples. Qual carro, qual táxi!
Aliás carros vêm-se relativamente poucos a circular. O que se vê em revoadas enormes são as bicicletas, que têm pistas especiais. E tudo anda de bicicleta, gente de todas as idades e muitas delas têm atrás umas cadeirinhas especiais para crianças pequeninas. Aliás muita coisa aqui é feita a pensar nas crianças, mas isso contarei depois.
Uma das coisas que para o meu feitio me agrada muito é a dimensão da cidade. Já tinha sentido isso na Holanda – é uma dimensão humana. O tamanho das casas – na zona onde estou quase todas aí do século XVIII ou XIX mas em perfeito estado – são dimensões humanas, não vi arranha-céus. Mas para compensar vejo imenso verde. Parques e lagos por todo o lado, para além da constante presença do mar porque isto é uma península e um conjunto de ilhas ligado por pontes. Dá-nos uma sensação de serenidade invulgar.Eu não gosto nada de fazer aquelas avaliações generalizadoras sobre os povos do tipo os brasileiros são assim, os espanhóis são assado. É sempre errado, como se sabe. E aqui seria de uma enorme petulância pois mal cheguei. Mas o que quem já cá vive há muito tempo me diz é que os dinamarqueses são olhados como “o sul do norte”, assim uma espécie dos italianos do norte. Mantendo as características destes ‘povos do norte’ têm uma pedrinha de sal que os faz menos impecáveis. Ainda ontem atravessámos umas ruas fóra da passadeira (como disse há muito poucos carros) coisa que na Suécia seria impensável pelo que me disseram.
Não aderiram ao euro, a moeda é a coroa, o que implica fazermos várias conversões de cabeça, mas deu para ver, numa ida ao supermercado, que pelos nossos padrões é tudo caríssimo! O melhor é nem fazer essas contas que afinal não vou viver cá!
Enfim, hoje vou avançar para conhecer melhor esta terra. Como eles se levantam cedo e acabam o trabalho cedo, e ontem “perdi a manhã” na viagem, não me deu para me integrar verdadeiramente no movimento da cidade. Será na terça, decerto.

Emiéle


Publicado por populo às setembro 5, 2006 05:45 AM

Comentários

Uau!!! Chama-se a isto cumprir uma promessa! Tinhas dito que escrevias mas com sinceridade nem pensei que fosse logo, nem que fosse tanto.
É um texto de tal tamanho que venho cá mais tarde, agora nem tenho tempo.
lol

Publicado por: Joaninha às setembro 5, 2006 09:22 AM

Uau!!! Chama-se a isto cumprir uma promessa! Tinhas dito que escrevias mas com sinceridade nem pensei que fosse logo, nem que fosse tanto.
É um texto de tal tamanho que venho cá mais tarde, agora nem tenho tempo.
lol

Publicado por: Joaninha às setembro 5, 2006 09:24 AM

Formidável!
Estou mesmo a imaginar que também aí estou. É fácil imaginar que estou contigo.
Falando a sério há coisas que imaginava assim (as bicicletas) outras que nem por isso.

Publicado por: gui às setembro 5, 2006 10:14 AM

Obrigado Emiéle. Fizeste-me recuar 17 anos. Espero por mais crónicas tuas dessas paragens. Preservaram muito do que já tinham no final da década de 80. Até os preços altos! ahahahah

Publicado por: Miguel às setembro 5, 2006 12:29 PM

Isto promete!
Acho excelente o inïcio e dá para quem só imagina, "imaginar melhor"! A verdade é que muita coisa é como eu tinha pensado, até os custos de vida superiores,é claro. E gostei dessa referência à tudo ser mais humano, de outro tamanho. Achei isso na Holanda, e pelos vistos é geral.
Estou espantado por teres tempo para escrever!

Publicado por: zorro às setembro 5, 2006 04:39 PM

No aeroporto de Lisboa também há autocarros que fazem a ligação ao centro da cidade.É preciso não esquecer que a Portela é o único aeroporto de uma capital europeia que fica no centro da cidade, logo há uma logística que se justifica noutras cidades e em Lisboa não.
Quanto aos parques é realmente uma grande diferença entre nós e eles. E nos dias que faz um raiozinho de sol é vê-los todos lá feitos lagartos.
Quanto ao tamanho das casas ser mais humano tenho uma explicação para elas serem assim na Holanda, não sei se será assim na Dinamarca também. Na Holanda os impostos pagos referentes às casas estão associados à largura da casa na zona frontal, daí elas serem pouco largas,mas altas e profundas.

Publicado por: ilha_man às setembro 9, 2006 02:35 PM

Olha ilha_man, eu sei que em Lisboa há umas carreiras para o centro da cidade, mas não tem comparação. Das capitais que conheço, esta foi onde a saída foi mais fácil. Estava assinalado o comboio, e não se esperou nada.
Quanto às casas, também me lembrei da Holanda pela sua pequena altura, mas creio que é mesmo um modo de pensar. Reparem vocês que mesmo o Palácio da Raínha são uns cinco pavilhões, muito harmoniosos, mas de primeiro andar... Ora os reis não devem fazer economias de dinheiro, decerto. E os Bancos também tirei algumas fotos e alinham pelo conjunto.
Joaninha e Gui - os vossos comentários eram de ocasião... Como não repondi na altura, agora já não dá. Mas obrigada pela simpatia.

Publicado por: emiéle às setembro 12, 2006 12:00 AM

Olha ilha_man, eu sei que em Lisboa há umas carreiras para o centro da cidade, mas não tem comparação. Das capitais que conheço, esta foi onde a saída foi mais fácil. Estava assinalado o comboio, e não se esperou nada.
Quanto às casas, também me lembrei da Holanda pela sua pequena altura, mas creio que é mesmo um modo de pensar. Reparem vocês que mesmo o Palácio da Raínha são uns cinco pavilhões, muito harmoniosos, mas de primeiro andar... Ora os reis não devem fazer economias de dinheiro, decerto. E os Bancos também tirei algumas fotos e alinham pelo conjunto.
Joaninha e Gui - os vossos comentários eram de ocasião... Como não repondi na altura, agora já não dá. Mas obrigada pela simpatia.

Publicado por: emiéle às setembro 12, 2006 12:00 AM

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