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setembro 08, 2006

Na terra dos Vickings (6ª feira)

(da enviada especial do Pópulo a København)
Como é de calcular não vim passear a um país destes para fazer compras. Dado os respectivos poderes de compra nosso e deles seria uma perfeita fantasia. Contudo também é difícil conhecer um sítio sem ter pelo menos a ideia de como é o seu comércio. Fui portanto meter o nariz:
Uma surpresa foram os horários. São muito mais apertados do que os nossos. Pelas cinco, seis horas as lojas fecham, e não estão abertas ao domingo. Há umas lojas de conveniência para quem está atrapalhado, e pronto. Por outro lado os saldos são a sério, quando fazem saldos os descontos são aí pelos 50% e podemos comprar as coisas por metade do preço, contudo não fazem saldos por tudo e por nada. Agora, como pelo contrário estavam a apresentar os inícios de colecção, era quase impossível encontrar uma coisa onde a minha bolsa chegasse. Como já calculava a apresentação dos produtos é uma beleza e o famoso design dinamarquês brilha em todo o seu esplendor. Não apenas em objectos de casa, com umas linhas lindas, mas noutras coisas como bijuteria ou joalharia moderna. Claro que me limitei a ver as montras ou, quando entrava, ia logo dizendo que “era só para ver”. É fácil o contacto porque todos falam um inglês fluente, mesmo a nível dos jardineiros que estão a cuidar dos jardins, mas é aconselhável não começar logo a pergunta e perguntar primeiro “do you speak english?”, apesar de sabermos que sim. Eles consideram isso mais polido. Entrei em duas livrarias que eram simultaneamente cafezinhos. Um conceito muito simpático e que gostaria de ver mais divugado aí em Portugal. Senti-me muito bem!
Não há muitos restaurantes, os que há são muito bons e caros, tirando os MacDonald’s ou Pizzas. O conceito de ‘tasquinha’ não é usado. Pela hora do almoço fazem uma refeição ligeira, muitas vezes levada de casa ou por vezes na cantina da empresa. Não costumam sair do trabalho para ir almoçar, portanto esses restaurantezinhos económicos que há noutros lugares, aqui são raros. Ontem fui à Universidade e mesmo na zona dos professores e investigadores, pairava de manhã um cheiro a café feito por eles, e vi diversos micro-ondas preparados para a hora do almoço.
A Universidade é no edifício de um antigo hospital, relativamente pequeno como tudo aqui, construção bastante antiga de tijolo escuro mas completamente modernizada e cheia de luz por dentro. Muito limpo, muito arrumado, com bons materiais mesmo a sala dos estudantes.
Depois um passeio no Jardim Botânico, lindíssimo. Como estava a chover não deu para aproveitar completamente, mas o traçado é maravilhoso cheio de pequeninos lagos, fontes, regatos, milhares de plantas, árvores, arbustos, estufas... Ficaria lá a manhã toda não fosse o caso de querer ver mais coisas e ... estar a chover!
Há uma zona ainda bastante grande da cidade, sem carros. Entram algumas pequenas camionetas de abastecimento, mas os habitantes deslocam-se a pé ou de bicicleta. Ontem assisti a uma cena inacreditável num país do sul: numa dessas ruas “sem carros”, tinha parado um carro! Estava de luzes acesas, pelo que devia ser uma paragem curta. Entretanto chegou uma dessas pequenas carrinhas que precisava passar. Como não o podia fazer, depois de esperar uns minutos deu um toque de buzina, quase inaudível! Como o condutor não apareceu logo, foi alguém que veio empurrar um expositor de rua para o lado para a carrinha passar. E ainda antes do terceiro ligeiríssimo toque de buzina, já o dono do carro se apressava a tirá-lo e, segundos depois, a rua estava de novo limpa!
Quando falo em limpeza, é uma realidade. Não se vê lixo e contudo só vi duas máquinas de limpar as ruas. Calculo que seja o civismo das pessoas que se traduz neste aspecto. Muitos poucos cães a serem passeados, nenhum à solta, e nunca, jamais, vi cocó de cão na rua!!!

Emiéle

Publicado por populo às setembro 8, 2006 05:30 PM

Comentários

Boa amiga, estou maravilhado com as tuas "crónicas".
Espeo que continues a disfrutar e a fazer, tão bem, essas descrições da "vida", por aí e das possibilidades que havia em importar, recreando, algumas delas para o nosso cantinho.
Quanto aos traumatismos físicos, há que tomar cuidado, mas se mais nada houver, servem para contar e aguentar.
Até à volta e aproveita.

Publicado por: josé palmeiro às setembro 8, 2006 06:28 PM

Boa amiga, estou maravilhado com as tuas "crónicas".
Espeo que continues a disfrutar e a fazer, tão bem, essas descrições da "vida", por aí e das possibilidades que havia em importar, recreando, algumas delas para o nosso cantinho.
Quanto aos traumatismos físicos, há que tomar cuidado, mas se mais nada houver, servem para contar e aguentar.
Até à volta e aproveita.

Publicado por: josé palmeiro às setembro 8, 2006 06:28 PM

Boa amiga, estou maravilhado com as tuas "crónicas".
Espeo que continues a disfrutar e a fazer, tão bem, essas descrições da "vida", por aí e das possibilidades que havia em importar, recreando, algumas delas para o nosso cantinho.
Quanto aos traumatismos físicos, há que tomar cuidado, mas se mais nada houver, servem para contar e aguentar.
Até à volta e aproveita.

Publicado por: josé palmeiro às setembro 8, 2006 06:28 PM

:) excelente descrição. Dá vontade de visitar também!

Publicado por: x2005 às setembro 8, 2006 06:30 PM

Ainda aqui vim muito à noite porque já reparei que os teus horários mudaram muito. Gosto mais dos antigos, porque ao fim da tarde e princípio da noite aqui em casa tenho muita concorrência... É difícil o acesso á net a estas horas, para mim.
Mas queria repetir o que disse o Palmeiro. Tem sido um regalo acompanhar-te nestas voltas e ver a coisa com os teus olhos. Parabéns!
Está com uma vivacidade que realmente apetece estar aí contigo.

Publicado por: zorro às setembro 8, 2006 11:13 PM

Bom, vá lá que o José Palmeiro (com eco e tudo ) e o Zorro disseram o que vinha dizer. Está bem divertido o modo como descreves o que se vai passando. Deves andar quilómetros, mas a verdade é que só assim se consegue ver uma terra: a pé!
Essa do não se buzinar, é uma delícia para mim. Se há coisa super-chata são os gajos que acham que o carro anda a poder de buzina!

Publicado por: Joaninha às setembro 9, 2006 05:34 PM

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