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setembro 10, 2006
Na terra dos Vickings (Domingo)
(da enviada especial do Pópulo a København)
E estou a chegar ao fim. Sniff… O dia de ontem foi excelente. Afinal ir a Helsingør é fácil e rápido, e o Castelo de Kronborg sempre é o tal sítio do Hamlet que parece que afinal existiu há muitíssimos séculos chamando-se Amleg,(não sei se com esta grafia). Era uma história antiga, Shakespeare aproveitou-a magistralmente mas não a criou do nada.
O castelo, como fortaleza, é antiquíssimo e isso confirma-se sobretudo nos subterrâneos, as camaratas dos soldados ou as prisões dos piratas. Que medo…Parece um labirinto, escavado no chão, sem luz nem ar, mas prolongadíssimo. Se não é de 1420 como eles dizem, deve andar por lá muito perto. E depois há o Palácio propriamente dito, quando em finais do século XVI foi reconstruído pelo rei da época num estilo renascentista. O pior é que uns anos depois houve um grande incêndio de que só escapou a capela, e apesar de ter sido reconstruído parece que não voltou a ter o esplendor por que tinha sido reconhecido. É contudo ainda impressionante, e tem graça avistar-se a Suécia mesmo ali à mão, mais perto do que Cacilhas de Lisboa… Aquilo, aliás, estava cheio de suecos que se vão ali abastecer de bebidas, porque lá na terra deles têm grandes restrições ao passo que na Dinamarca a venda é livre. Eu, para ser franca não os distingo bem, nem pelo aspecto nem pela língua, parece-me o mesmo povo mas os meus primos lá explicavam que a língua sueca é diferente – parece que mais fácil…
A visita ao Castelo/Palácio foi muito interessante, para além do charme de saber que houve mesmo um Hamlet a sério e que qualquer companhia que se preze, se representar essa peça deverá fazê-lo ali também, naquele pátio, da visita aos sinistros subterrâneos onde “reside” um antigo Rei – enorme estátua de pedra – que dorme, mas acorda sempre que a Dinamarca está em perigo, foi interessante assistir ao vivo a uma demonstração de uma luta de época, duelo com espadas e escudos, que deixava encantados ao miúdos que rodeavam os actores.
Mas o mais engraçado do dia, e que mostra como aquela gente se pode divertir muitíssimo com qualquer pretexto, foi um casamento. A sério. Comecei por ver uma limusina branca com fitinhas que indicava a existência de uns noivos. Mas na relva à volta no que reparava era numa espécie de Carnaval – pessoas vestidas à moda dos séculos XVII ou XVIII, saias de balão, cabeleiras postiças, os homens vestidos de cavaleiros e ainda imaginei que fosse um filme, ou uma mascarada a sério quando reparei nas máquinas fotográficas, nas carteiras modernas nas senhoras, coisas impossíveis se aquilo fosse mesmo a valer. Não era! Era realmente um casamento onde decidiram brincar e parte dos convidados ia mesmo mascarado! E gente de todas as idades, numa galhofa enorme, e com um verdadeiro sentido de festa. Adorei ver aquilo.
E também comi a minha primeira refeição de peixe à moda deles. Um restaurante giríssimo, ao ar livre (aliás quando faz mais frio, cada cadeira tem uma mantinha e a gente tapa-se!) e havia uma espécie de filete que se comia em cima de um pão preto, e uma tirinhas de arenque, muito temperado mas aparentemente cru. Não é mau!
Bem, amigos, estas “cartas da Dinamarca” vão ter de ficar por aqui que tenho de fazer o saco e vir-me embora. Mas há tanto que contar que se calhar de vez em quando ainda tenho “uma recaída” e conto mais umas coisinhas…

Emiéle
Publicado por populo às setembro 10, 2006 02:00 PM
Comentários
Realmente cumpriste a promessa! Escreveste mesmo até ao fim. Olha que não fazia a ideia de que a história do Hamlet tivesse existido. E chamar-se Amleg parece uma paródia, a quem pronuncia mal...
Imagino que tenhas dificuldade com as fotos, se ias com máquina não digital, mas olha que gostaria de ver. Essa do casamento deve ser bem divertida.
Publicado por: Joaninha às setembro 10, 2006 06:28 PM
Realmente cumpriste a promessa! Escreveste mesmo até ao fim. Olha que não fazia a ideia de que a história do Hamlet tivesse existido. E chamar-se Amleg parece uma paródia, a quem pronuncia mal...
Imagino que tenhas dificuldade com as fotos, se ias com máquina não digital, mas olha que gostaria de ver. Essa do casamento deve ser bem divertida.
Publicado por: Joaninha às setembro 10, 2006 06:30 PM
(pelo repetir do comentário da Joaninha estou mesmo a ver que isto está outra vez a ser difícil de entra o comentário)
Olha Emiéle, cá por mim, proponho que tenhas várias «recaídas» porque imagino que as histórias não acabem aqui... Mas devias contar enquanto estão frescas.
Essa do arenque semi-cru...
O Castelo parece um Castelo de conto de fadas. Assim ao longe que lindo que é.
Publicado por: Gui às setembro 10, 2006 06:54 PM
boa viagem de regresso e cá ficamos à espera de todos os pormenores...
(espero que tenhas reparado nas escolas ou que tenhas priminhos em idade escolar para me contares coisas!!)
Publicado por: SaltaPocinhas às setembro 10, 2006 06:59 PM
boa viagem de regresso e cá ficamos à espera de todos os pormenores...
(espero que tenhas reparado nas escolas ou que tenhas priminhos em idade escolar para me contares coisas!!)
Publicado por: SaltaPocinhas às setembro 10, 2006 06:59 PM
E não viste o fantasma? Isso é que é pena! Podias ter dito ao Hamelt-pai quem é que o tinha morto! Bom regresso!!
LOL Saltapocinhas, professora a tempo inteiro!!
Publicado por: Farpas às setembro 10, 2006 08:36 PM
E não viste o fantasma? Isso é que é pena! Podias ter dito ao Hamelt-pai quem é que o tinha morto! Bom regresso!!
LOL Saltapocinhas, professora a tempo inteiro!!
Publicado por: Farpas às setembro 10, 2006 08:37 PM
Olá pessoal! Cá estou de volta, mas nem pensem que hoje escrevo nada. É só dizer boa-noite e mais nada! Estou a ver que os comentários continuam dobrados, mas nem estou para ir apagar...! Vim só aqui ao blog dar beijinhos e abraços a quem me acompanhou neste passeio, mas vou descansar que estou que nem posso!!!!(amanhã respondo)
Publicado por: emiéle às setembro 10, 2006 09:17 PM
Ora bem, hoje mais repousada venho dizer ao farpas, que nada de fantasmas! Vi muitas fotografias das celebridades que ali representaram o Hamlet, e também os guarda-roupa correspondentes. Quer dele quer da Ofélia, havia fatiotas ao monte. Fantasma é que não.
E, quanto ao ensino, posso informar-me Saltapocinhas, mas só tenho dados do ensino superior. Fui à Universidade que é num antigo hospital, com vários pavilhões, e admirei a sala de estudantes com umas poltronas sensacionais e impecáveis quanto a conservação... e tenho alguns elementos quanto a esse ensino, mas para os mais pequeninos não sei nada. Mas prometo que vou saber e até posso escrever qualquer coisa sobre isso.
Publicado por: emiéle às setembro 11, 2006 01:48 PM
Também gostei dessa do "casamento mascarado". Olha que às vezes é mesmo cada mascarada!!!! Mas levam-se a sério, e estes pelos vistos não!
para ser franco imaginava que Elsingor e essa história toda tinha sido imaginado pelo Shakespeare. Julgava que o próprio castelo fazia parte da peça de teatro, e aprimeira vez que falaste nele fiquei muito admirado. Assim como se tivesses ido à casa dos anões da Branca de Neve...
Santa ignorância a minha!!!!
Publicado por: zorro às setembro 11, 2006 06:00 PM
Não te envergonhes, olha que eu era outra igual! Até me dizerem também julgava que tinha sido tudo imaginado pelo Shakespeare.
Mas enfim, estes passeios dão para uma pessoa se cultivar, né?!
Publicado por: emiéle às setembro 11, 2006 06:05 PM
Apreciei imensamente a leitura deste artigo, sou brasileira e English speaker desde criança, sempre gostei muito de Shakespeare e desta história, seu post foi muito importante!
Publicado por: Daisy às abril 24, 2008 09:10 PM