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setembro 06, 2006

Na terra dos Vickings (4ª feira)

(da enviada especial do Pópulo a København)
Cristiania

christiania flag.jpg
A bandeira de Christiania

Logo no primeiro dia que passei aqui na Dinamarca, chamou-me a atenção não só a quantidade de bicicletas como os requintes que elas tinhas: os cestinhos à frente ou atrás, as cadeirinhas de criança colocadas atrás do selim, e sobretudo umas que tinham o letreiro christianabikeonde havia um ‘atrelado’ - não se deve chamar assim é um ‘atrelado adiante’ – onde iam os bebés com tudo o que precisavam.
Ora o que é a Christiana? A Cidade Livre de Christiania situa-se aqui mesmo em Copenhague. Aí por volta de 1970, um grupo de hippies, decidiu ‘okupar’ uns armazéns militares vazios e aí se instalaram. E formaram uma ‘república’ hippy. Como o terreno era do governo criou-se um conflito político, umas forças de acordo e outras contra mas a verdade é que eles foram ficando... Uns anos depois o Estado decidiu ‘legalizar’ a coisa como uma experiência social, e assim se manteve mais 3 anos. Quando a polícia quis ‘limpar’ a área, já o protesto foi de 10.000 pessoas! A verdade é que o governo, diplomaticamente, pensou que seria preferível manter aquelas pessoas limitadas a uma área conhecida, do que vê-las espalhar-se por todo o lado. Portanto esta “colónia” foi reconhecida, desde que se cumprissem algumas normas – ninguém podia possuir armas, nada de drogas pesadas, e não se admitiam rixas alcoólicas. Eram regras que, para uma comunidade hippy, eram bem aceitáveis (cof..cof... quanto às drogas...)
Ora hoje, em Christiana, vivem 1.000 residentes alguns já de 3ª geração, só alguns recebem segurança social porque se organizam, são artistas, músicos, artesãos, trabalham com materiais abandonados e desperdícios, e uma organização muito própria.
Fui lá hoje. É o verdadeiro local anti-stress! Parece um pouco o Paraíso Perdido. Casinhas pequeninas espalhadas no meio de enorme vegetação, um lago lindíssimo e um ambiente de liberdade e calma maravilhosos.
As ruas (?) não têm nomes e as casas não têm números. Foram construídas com materiais abandonados, uma para cada família e não podem ser vendidas. De resto têm os seus restaurantes, um teatro, um circo, Jardim Infantil, criam animais vários e vivem em contacto íntimo com a natureza. De vez em quando fazem longas reuniões para decidirem problemas locais – dizem que as reuniões são caóticas e é de acreditar!
A coisa que lhes deu mais fama foi esta famosa bicicleta que recebeu o nome de Christiania em sua honra. É muito engenhosa, realmente, feita a pensar nas crianças e na comodidade de quem conduz.
Quem passa por lá, muitas vezes traz uns bolinhos simpáticos, caseiros, temperados com um condimento especial, que as nossas avozinhas não usavam: haxe.
Eu não, eu portei-me muito bem. :D

717-Mural-Near-Christiana-0.jpg


Emiéle

Publicado por populo às setembro 6, 2006 07:36 PM

Comentários

Hummmmmmm se forem como a da foto, menos mal. Se for como descreves é algo nórdico demais para o meu gosto. Mas que deve ser uma curiosidade, deve.

Publicado por: Miguel às setembro 6, 2006 11:19 PM

portaste-te bem...mal. Não comeste o tal bolo...tsss...ofendeste os pobrezinhos... Ó Emiele, nunca ouviste dizer em Roma sê romano? Pois em Christiania (bonito nome)...sê christianica! lolol

Publicado por: António Rufino às setembro 7, 2006 10:32 AM

Eu haxe bem. Estou como o António Rufino, de resto, provar, não faz mal, não é?

Publicado por: josé palmeiro às setembro 7, 2006 12:44 PM

Oh, Miguel, pelo que digo nunca poderiam ser nórdicos demais! Perfeitamente hippies, aí dos anos 70... Aproveitando lixo, e desorganizados....? Nórdicos de mais...?
Pois António e Zé Palmeiro, acreditem que nåo provei nada! A almocei lá, um almoco mais ou menos vegetariano até!!! Muita bom, mas completamente inocente!!!!

Publicado por: emiele às setembro 7, 2006 06:24 PM

Isto é que é uma chatice!!! Nåo tenho tepo para esperar que os meus comentários entrem!!! REspondi duas vezes e näo ficou nenhuma... Grrrr
Tinha dito ao Miguel que com lixo e confusäo nåo era nada de nórdicos. Eram puros hippies dos anos 70!!!
De resto, até almocei lá (António e José) mas um almoco vegetariano e tudo! Mais inocente era impossïvel!

Publicado por: emiele às setembro 7, 2006 06:33 PM

Sim, hippies mas também muito numa onda eco mais em voga por essas paragens do que nas nossas.

Publicado por: Miguel às setembro 7, 2006 07:07 PM

Acho que esse é o local onde eu gostria de ir morar quando me reformasse...já me estou a ver, uma simpática velhinha de longos cabelos brancos, apanhados num rabo de cavalo e saias até aos pés, cheia de colares coloridos, a confeccionar bolinhos de....é a minha cara.
Que dizes, Emiéle, alinhas?

Publicado por: Mar às setembro 8, 2006 11:39 AM

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