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setembro 26, 2006

Double bind?

Os senhores do governo parece, à primeira vista sofrerem de doença mental. É conhecida por double bind.
A verdade é que ontem os diversos noticiários foram-nos informando de um famoso relatório, que parecia decidido a acabar com o sector público em Portugal, retirando algumas das mais básicas garantias que este regime tem tinha. Parecia a quem ouvia, que era uma questão de ‘vale tudo’, mexia-se em tudo o que poderia tornar uma carreira neste regime atractiva e, levava-nos a pensar, depois disto que absoluta loucura poderia levar ainda alguém a optar por trabalhar para o Estado.
Mas, imagine-se que depois de o relatório apontar como « os dois sectores prioritários para proceder a cortes na função pública serem o pessoal administrativo e os auxiliares de acção médica e educativos» lemos agora, de boca aberta de espanto, que a senhora Ministra da Educação considera que o pessoal administrativo e auxiliar do sector "não tem razões para ficar preocupado" Como??? Estou curiosa por saber se por acaso o senhor Ministro da Saúde dirá o mesmo.
Quanto ao resto, se os sectores da Educação e Saúde são ‘os maiores’ isto parece-me normal porque tudo é relativo: não são estes que são grandes o resto é que tem sido reduzido drasticamente e são cada vez mais pequenos.
Bom, mas para equilibrar temos por outro lado um país com um Governo com muitos ministros, secretários de estado, assessores, conselheiros, toda uma corte respeitável. Ah, esperem, mas é que esses estão em trabalho precário, contrato por 4 anos. Quando o governo acabar também se lhes acaba o trabalho. Estou a ver.

Emiéle

Publicado por populo às setembro 26, 2006 07:40 AM

Comentários

Acredito que eles estão a gozar connosco. Se estamos praticamente falidos, com pouca produtividade e carecidos de gente com habilitações, como se explica que:
1) o Presidente da República, numa simples viagem a Espanha, se faça acompanhar de um séquito gigantesco, com o PM e quase todo o seu governo de ministros, secretários, assistentes médicos e cabeleireiros (vide AG no Causa Nossa);
2) haja 15 directores da EPUL, encaixados através de maroscas políticas, que produzem nada em cargos vitalícios e «custam ao erário público um milhão e duzentos mil euros» DN, 24 Set;
3) mais de 40 000 pessoas que em Portugal concluíram um curso superior, em que investiram o seu precioso tempo e o dinheiro dos pais, dando emprego a milhares de professores universitários e criando riqueza nas cidades em que estudaram, repito mais de 40 mil formados não têm, não irão ter trabalho condigno.
Primeiro a perplexidade e depois a raiva têm que nos invadir. Se não, não seremos humanos racionais.

Publicado por: Inês às setembro 26, 2006 10:25 AM

Eu ontem quando ouvi fiquei estarrecida. Tal como diz a Inês e tu no post, para suas excelências, tudo bem, mas a saúde e educação, que vão para o privado onde há para aí muitas escolas que precisam de meninos para terem mais lucro, e as seguradoras também precisam de clientes do ramo saúde, não é?
Mas será mesmo possível?!

Publicado por: Joaninha às setembro 26, 2006 10:42 AM

(Ontem nem cá consegui dizer nada... vamos ver hoje)
Eu quero acreditar que isto seja para meter medo. Como se está a ver muita indignação e revolta, fazem ests ameaças para a malta pensar que ainda podia ser pior.
Porque a verdade é que se não é incosntitucional para lá caminha. Então o direito à educação e saúde não vem na Constituição? Como é que se imagina manter esse direito com esta diminuição drática de trabalhadores?...

Publicado por: zorro às setembro 26, 2006 10:49 AM

Preparem-se para uma mudança constitucional...algo me diz que o acordo entre PSD/PS na justiça foi apenas um começo...há mais semelhanças entre eles do que diferenças.
Quanto ao double mind acho que já não novidade, faz paz parte do ser político.
Como disse Aldous Huxley: "os únicos seres consistentes são os mortos"

Publicado por: ilha_man às setembro 26, 2006 01:35 PM

O ilha_man tem razão, embora se vá pensando que Deus não o oiça, mas esse famoso acordo tem muito que premonitório ou coisa que o valha. E é mesmo verdade que existem mais semelhanças do que diferenças entre eles.

Publicado por: Gui às setembro 26, 2006 03:47 PM

Eu sei que há situações onde a "diplomacia" faz com que se dê umas interpretações assim enviosadas para se ficar de bem com Deus e com o Diabo. Mas aqui já é demais! Até parece que somos uns palhaços ou quê...?

Publicado por: emiéle às setembro 26, 2006 08:28 PM

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