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setembro 18, 2006

As certezas

Dizemos muitas vezes: «É ! Eu vi com os meus próprios olhos!» Pois...
No outro dia fui tomar um café com uns amigos à Gulbenkian.
No átrio junto à cafetaria, átrio que por vezes usam para expor alguns objectos, tinham montado uma casinha feita com livros. Livros verdadeiros, colocados como tijolos, e como as quatro paredes chegavam ao teto parecia um quartinho com duas entradas, uma em frente da outra. Entre uma ‘porta e a outra’ tinham montado uma passagem com umas duas tábuas. E porquê ? Porque quer o teto quer o chão dessa casinha, eram dois enormes espelhos, e quem se aventurasse ali tinha a perfeita sensação de que estava a atravessar um poço forrado de livros, do qual não se vislumbrava nem o fundo nem a parte de cima (pudera!) Com essas tábuas, atravessávamos fazendo equilíbrio.
O espantoso é que eu nem sou dada a vertigens. Vivi uns anos no 36º andar de um edifício e pendurava a roupa no estendal sem o menor problema. Mas aquilo…
Olhem, confesso que não atravessei! Dei uns passos, olhei para baixo e recuei.
É que o meu cérebro dizia-me que o chão estava ali mesmo, na continuação do chão do átrio. OK. Mas os meus olhos não acreditavam. A mensagem que enviavam era que aquilo era alto p’ra caraças!!!
Pronto. Perante os sorrisos dos meus amigos, recuei. Foi mais forte do que eu.
Era muito pior do que isto:

3Dpaint14.jpg

Emiéle

Publicado por populo às setembro 18, 2006 01:10 PM

Comentários

Tem piada, como as coisas funcionam de pessoa para pessoa. Eu, que passei a minha vida mergulhado em livros, e alguns daqueles passaram-me pelas mãos, achei uma ideia absolutamente irrepreênsível, gostei sinceramente de ver a ideia de conhecimento infinito que os livros comportam. Compreendo, porque vi, a hesitação de muitas pessoas a entrar e até espreitar tal coisa, meras impossibilidades, quiçá psicológicas, pois sabem, de ante mão que são espelhos.
Tenho uma fotografia da instalação que vou ver se consigo publicar na minha sesta.

Publicado por: josé palmeiro às setembro 18, 2006 02:53 PM

Eu creio que o post da Emiéle é mais metafórico do que uma análise de uma situação como o José Palmeiro o viu. De facto, Emiéle, nem tudo o que parece é. Às vezes «parece» mesmo, mesmo, mesmo!!! ...mas não é!

Publicado por: Tess às setembro 18, 2006 05:38 PM

Olha que se era pior do que a imagem que mostras não era a filha da minha mãe que se aventurava lá.
Livra!!!
A gente sabe que é a fingir, mas...

Publicado por: Joaninha às setembro 18, 2006 05:56 PM

José Palmeiro, a ideia é realmente giríssima. Eu não queria dizer o contrário, e se o entendeste assim, não me expliquei bem. Mas exactamente esse jogo de espelhos que provoca a sensação de poço sem fim, é tão real que mesmo sabendo que é uma ilusão, a gente tem medo de passar...
Como a Tess disse, eu quis afinal fazer uma metáfora. Mas a noção do 'poço do saber' é muito gira. Por acaso ainda andei a ver se tinham um postal ou qualquer coisa que eu pudesse por aqui para dar a ideia, como não encontrei deixei este boneco que é muito menos impressionante do que a outra situação. É a tal coisa, o cérebro diz-nos uma coisa mas os olhos outra.

Publicado por: emiéle às setembro 18, 2006 10:46 PM

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