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setembro 27, 2006
A sangria continua

Isto é um movimento assustador. Não há mês em que não se oiça falar no encerramento de uma empresa e sobretudo estas multinacionais, parecem como os vampiros que chupam todo o sangue enquanto está fresco e assim que descobrem outra vítima com mais sangue fresco viram-se para lá.
Desta vez é a Johnson Controls que quer fechar duas fábricas em Nelas e Portalegre. Serão mais quase 900 postos de trabalho a desaparecer. E o interior cada vez mais deserto.
O nosso governo afirma que “Vai iniciar-se um processo ao mais alto nível, no sentido de os aliciar a novos investimentos em Portugal, preferencialmente nos sítios onde estão a desinvestir agora”. Oxalá. Mas reconheço que digo isto com o maior dos cepticismos… Porque não é o primeiro caso. Nem o segundo. Nem o terceiro. Nem o....
Emiéle
Publicado por populo às setembro 27, 2006 10:40 AM
Comentários
Tinha-me admirado que não fizesses referência a mais este desastre. Globalismo, e tal. E afinal para onde é que eles querem ir...? Que 'terceiro mundo' é que está a dar?
Publicado por: Joaninha às setembro 27, 2006 12:13 PM
Portugal parece hoje atravessar uma espécie de limbo. Já não é o paraíso de mão-de-obra barato, como era há uns anos, facto esse que aliciou muitas destas empresas a investirem cá, nem é um país com alto grau de qualificação.
Aposta que se faz hoje na nossa qualificação só dará frutos daqui a uns anos. Só é pena que até lá se assistam a estes encerramentos que pôem no desemprego centenas de pessoas.
Publicado por: ilha_man às setembro 27, 2006 01:03 PM
LOL Consegui entrar sim! Hoje parece que é!
Se o ilha_man tem razão até certo ponto, já que dar a volta a isto. Mesmo os países mais qualificados ( e vemos isso nos nórdicos, Islandia, Finlandia, etc) como diria o sr. de la Palice, antes de o serem... não o eram! Temos de acelerar esse período de qualificação, talvez com umas indústrias de ponta, que arrastem consigo umas outras.
Mas há que haver uma visão aberta, que pelo que se v~e no teu outro post, não é isso que distingue os senhores gestores cá do burgo.
Publicado por: Raphael às setembro 27, 2006 02:18 PM
Pois é, Joaninha e ilha_man, quando se acabou essa mão de obra barata (ela não é cara, só que o 3º mundo vende ainda mais barato!) ficamos entalados - sem as qualificações necessárias estamos assim como que num intervalo, num "segundo mundo", não chegamos ao primeiro mas também não nos situamos no terceiro.
Publicado por: emiéle às setembro 27, 2006 09:35 PM
Hummm... é complicado. Por um lado o objectivo das empresas é ter lucro, quanto mais barato conseguirem produzir, respeitando os seus critérios de qualidade, melhor, por isso acho que é compreensível. Por outro lado cabe, neste caso, a Portugal conseguir arranjar argumentos que mantenham a empresa aqui, quais é que eu não sei, porque (ainda por outro lado!) também não se pode estar a dar benesses de qualquer maneira, senão as empresas começam todas a ameaçar fechar!! ... é muito complicado... principalmente para todos aqueles trabalhadores e familias... e é mais uma grande machadada numa região que já levou várias e está quase a partir!
Publicado por: Farpas às setembro 28, 2006 12:27 AM
(o teu comentário não aperecia aqui, apesar de estar na lista 'lá dentro'... coisas misteriosas)
Tens alguma razão, mas a verdade é que decerto há modos de se manter os lucros sem ser obrigatóriamente baixando os salários. E aqui algo parece estranho quando surge a hipótese destes mesmos trabalhadores irem para a república Checa...? Então faz sentido que um trabalhador português se deslocalize e vá para uma terra estranha se for ganhar menos do que cá? ou vai ganhar mais? e nesse caso então qual a vantagem da fábrica mudar? Não consigo entender nada.
(as notícias vêm na imprensa de hoje: http://jn.sapo.pt/2006/09/28/primeiro_plano/alguns_trabalhadores_admitem_emigrar.html )
Publicado por: emiéle às setembro 28, 2006 09:02 AM