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agosto 28, 2006
«Prké kels xrvm axim?»
Copiei quase na íntegra o título do artigo, porque parece muito claro.
É evidente que qualquer sociólogo dirá que existe um espírito de grupo na adolescência e que ele é fortíssimo. As “jovens crias” organizam-se contra o grupo dos mais velhos, e desafiam-nos com hábitos diferentes, nem melhores nem piores mas sempre diferentes para definirem melhor a sua identidade. Isso tem de ser entendido pelos tais ‘mais velhos’ porque certamente também o fizeram quando tiveram aquela idade.
É mais do que sabido que o vestuário e a linguagem são os símbolos preferidos desse desafio. Quem não se lembra de usar com os amigos uma linguagem codificada para os adultos não entenderem os seus segredos?!
O interessante hoje é que essa linguagem, para além de oral (que também estamos habituados a ouvir) passou a ter um código escrito. E, mais interessante ainda, um código que não é nada fácil ! Reparem no que diz “uma utilizadora”: «No início era complicado escrever assim, mas depois habituamo-nos» . Cá está! Até ela acha que ao princípio era complicado. A justificação de que se usa aquela escrita para poupar letras e escrever mais depressa, é uma justificação um pouco coxa… Os pais destes jovens, também usaram abreviaturas. Quem teve de tirar apontamentos muito
depressa, enquanto um professor falava, decerto que abreviava o que estava a escrever. Mas ficava só parte da palavra por exemplo, ou uma letra, e o resultado era semelhante. Qualquer pessoa deve concordar que escrever ‘q’ ou ‘k’ dá exactamente o mesmo trabalho. O que dá picante ao texto é tornar-se incompreensível para um estranho. Lembram-se da “língua dos pês”? Era uma confusão falar assim mas pensávamos que os nossos pais não entendiam… (erro, que eles também a tinham falado!) :D
Claro que a opinião de uma especialista é tão evidente que se torna quase uma verdade de “la palice”: «Para muitos pais é mais fácil deixar que os filhos passem horas no computador. Assim não os incomodam com perguntas, o que está errado. A tecnologia não é má, o que está errado é os pais privarem os filhos da interacção».
Pois é. Nós sabemos. Mas como se faz para inverter esta situação?
Emiéle
(Ah, a tradução é "Para que é que eles escrevem assim?" como todos entenderam! )
Publicado por populo às agosto 28, 2006 09:19 AM
Comentários
Olhem, eu contra tudo adoro esta escrita!!!
Estimula aqui o meu neurónio! É melhor do que palavras cruzadas, que o sandoku, que essas coisas todas.
olho para uma frase e ponho-me a pensar: «Deixa cá ver Tess, deixa cá ver... Ora lê isso assim depressa a ver o que dá!?» e muitas vezes descubro! Iupi!!!
Publicado por: Tess às agosto 28, 2006 10:50 AM
Por exemplo, aqui este título.
Não vou dizer que entendi á primeira, isso também não, mas na 3ª vez, quando li em voz alta, vi logo o que era! Nem era preciso traduzires lá em baixo. É muito giro, ou muita nice, como quiserem.
Publicado por: Tess às agosto 28, 2006 10:56 AM
Por mim os putos podem fazer o que bem entenderem. Nós já o fomos e, como dizes, também tínhamos os nossos códigos. O do meu grupo incluía o código integralmente escrito, com alfabeto próprio e palavras. De início consistia em símbolos apenas e depois evoluímos para o alfabeto convencional. É giro e dá gozo. O que já é perigoso, é esta mutação da língua mãe em agrupamentos de letras que nem calão são e as suas consequências quanto à ortografia desta malta. Que é fixe e bué da nice, ya, na boa, mas perigoso pá!
Publicado por: Miguel às agosto 28, 2006 12:35 PM
Buéda nice, pois então!
Tou como o Miguel, nada contra. Mas já acho um tanto tonto quando vejo um tipo já entradote a falar a mesma língua. Ou está no gozo, como nós agora, ou é mesmo para o parvo! Tal como ver uma dama também "entradota" vestida de teenager. Não dá! É claro que digo para mim que é lá com eles, não tenho nadíssima a ver com isso, mas posso dizer que acho ridículo, não posso?
Publicado por: zorro às agosto 28, 2006 12:46 PM
Pérem aí!!! Quando estava a falar em entradotes referia-me a quarenta e muitos, cinquentas. E, para ser franco também aí depende do "ar" da pessoa e do seu espírito. Conheço gente desses quarenta e muitos que parecem putos! Aí... à vontade!
Publicado por: zorro às agosto 28, 2006 12:49 PM
Ui!!!
Cheguei agora e estive a tentar apagar os comentários repetidos que tinham entrado buédas vezes (diz-se assim? não me parece...) Isto está lindo! E a pobre da Tess deve ter insistido porque eles entravam com muitos minutos de diferença.
Agora quanto ao tema em discussão: Pois é! Como é minha opinião, em quando tinha aquela idade também adorava ter sinais distintos dos velhos, e um deles é o modo de falar. Aqui o que pode vir a ser complicado é se esse calão juvenil, dito ou escrito, "apaga" o bom e correcto português. Não que passemos a escrever como o Padre António Vieira, mas há um mínimo que era conven iente não se perder. E uma das coisas de que não gosto é que o nosso vocabulário-base, anda a diminuir a olhos vistos!
Publicado por: Emiéle às agosto 28, 2006 12:58 PM
Não vou renovar as queixas que já sabes. Esta Weblog está uma ***** e prontos!
É que a gente tem mais que fazer do que estár aqu a insistir num comentário; às tantas desiste-se e pronto.
Quanto à linguagam aqui presente. Olha lá, eu fui ver o original e tu não copiaste tal e qual, fizeste umas melhorias. Donde, se pode concluir que dominas a técnica à maneira!!!!
Olha, Emiéle, "é assim". Quando a malta mais velha se irrita muito, está a dar-lhes o gozo que eles querem....Qual é o problema em que falem e escrevam como lhes dá na cabeça!??? Aqui o Miguel deixou um exemplo de um código bem mais trabalhoso. Contudo, devo reconhecer que me faz impressão que se troque a linguagem oral pela escrita. Quando eu era novita, saía de ao pé das minhas amigas e amigos, chegava a casa e agarrava-me ao telefone porque afinal tinha ainda mais umas coisas para contar. Havia berros no ar "Tu larga-me esse telefone!!!!" Hoje são as mensagens de telemóvel ou o messenger. estranho um pouco, porque por mais rápidos que eles sejam, falar é sempre mais rápido! E quando se fala há entoações, que por mais sinais convencionados que se imaginem nunca é igual. E estranho isso, porque me parece que aumenta a distância que era suposto encurtar.
Publicado por: Joaninha às agosto 28, 2006 02:38 PM