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agosto 22, 2006

O tempo e o modo

O DN de hoje traz vários artigos relacionados com o tema dos horários de trabalho em diversos países. Dá-nos muito que pensar, até porque o limite e a redução dos horários de trabalho tem sido uma bandeira das organizações de trabalhadores desde sempre. E agora de novo esse problema volta à ordem do dia.
Parece, por aquilo que se lê, que “se” trabalha pouco. É evidente que quem tem estas opiniões considera sempre que ele próprio trabalha muito! Quem trabalha pouco são sempre “os outros”.
Contudo lemos por aí números. Ficamos a saber que na Europa não se trabalha mais de 48 por semana enquanto noutras partes do Mundo essas horas aumentam muito. Nos EUA por exemplo o número de horas de trabalho é bem elevado, em contraste com a França ou Alemanha ou até Itália. Curiosamente, apesar do que se anda sempre a ouvir «Portugal é um dos países europeus em que uma pessoa, em média, trabalha mais horas por ano ». Mas então porque é que não produz?
Ora, noutros dos artigos, as coisas começam a apresentar umas cores diferentes. Por exemplo, viu-se que lá na América se está mais tempo a trabalhar, contudo «quando se mede a produtividade por hora trabalhada, os franceses já apresentam um valor superior ao dos norte-americanos, enquanto os alemães obtêm um registo praticamente igual». Então? E mais, «Portugal, com um horário por trabalhador bastante mais próximo do praticado nos Estados Unidos do que da média europeia, tem um problema diferente do dos seus parceiros comunitários, sendo o diferencial de rendimento explicado essencialmente pela baixa produtividade
Ora vamos raciocinar: Trabalha-se mais e produz-se menos? Então possivelmente o que deve ser avaliado não é o tempo que se está no local de trabalho e sim aquilo que se faz. Isto vem completamente ao encontro daquilo que sempre pensei. Há patrões e empresas que vivem obcecados pelas horas que os seus empregados cumprem, com relógios de ponto sofisticados, com um controlo quase policial. Para quê? Quando uma pessoa anda satisfeita com o que faz, com as suas condições de trabalho até “se esquece” do tempo. Se anda contrariada e a sentir-se presa, as horas arrastam-se e no final aquilo que fez reduz-se a nada. Na minha opinião a tónica deveria pôr-se na qualidade e não na quantidade. E acredito que assim a produção melhorasse.

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Emiéle


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Publicado por populo às agosto 22, 2006 08:06 AM

Comentários

Já tens defendido essa tese por aqui e, para uma leiga, faz todo o sentido. Aliás isso aplica-se a tudo! Quando há motivação e interesse a produção melhora logo ( o caso do ensino é outro dos tais) e, inversamente, pode estar-se horas num local a trabalhar-em-passo-de-caracol!
Este post pode ligar-se ao que deixaste ali, ontem, sobre aquela senhora que tem uma loja onde dá gosto ir (como li tudo de enfiada tenho isso fresco!) É um caso onde, pelo que se vê, ela é patroa, mas apesar de não dizeres, imagino que lá tenha empregadas que lhe sigam o modelo. É um trabalho feito com prazer e isso vê-se logo!

Publicado por: Gui às agosto 22, 2006 10:01 AM

É sem dúvida a tese que perfilho e defendo. Nós, especialmente, não toleramos fazer as coisas só por fazer, só tiramos o máximo rendimento quando nos encontramos devidamente entrosados naquilo que fazemos e porque o fazemos. Só assimpoderemos alguma vez ter esse prazer de fazer, bem.
Mas eles sabem isso, só que não querem porque não lhes basta mandar, é preciso subjugar.

Publicado por: josé palmeiro às agosto 22, 2006 10:48 AM

Não sei José Palmeiro... desta vez acho-te muito radical! Eu acredito que nas empresas modernas, já se tenha chegado a essa simples conclusão e procurem dar boas condições de trabalho, não por puro altruísmo mas porque assim o rendimento aumenta! Como por exemplo o distribuir uma parte dos lucros. Muitas vezes essa parte recebida é quase só um "faz-de-conta" tão pequenina é, mas sempre faz com que os empregados se motivem mais.
Contudo, penso que grande parte dos patrões e afinal o próprio Estado, andam obcecados com horários e relógios de ponto sem verem mais adiante.

Publicado por: Joaninha às agosto 22, 2006 12:53 PM

Tens razão Joaninha. É evidente que, para se obter o maior rendimento, muitos patrões são suficientemente inteligentes para fazerem essa jogada. E ainda bem.

Publicado por: Emiéle às agosto 22, 2006 01:57 PM

Estou a voltar aqui, porque me apelidaram de radical, olá Joaninha!
Sabes amiga, esta coisa do mercado de trabalho, tem muito que se lhe diga e depois também tem muitas outras coisas, como os sindicatos e a patronato.
Não escamoteio, que incentivos como os prémios de produtividade e a distribuição de mais valias pelos trabalhadores, podem trazer um acréscimo de motivação, que se reflita na produtividade.
Mas a mim, parece-me, melhor, tenho algumas certezas pois falo por experiência própria, que essas motivações, só acontecem, porque não se paga o JUSTO, e então, vá de distribuir migalhas. No meu tempo, de trabalhador, a tempo inteiro, era costume, em algumas instituições/empresas, dar-se umas benesses a que se dava o nome de "Surdas", que era, segundo eles, a forma de distinguir os melhores trabalhadores. No entanto, quem aferia essa qualidade eram os parões e/ou os chefes, que muitas das vezes distinguiam, não aqueles efectivamente melhores e mais produtivos, mas os que melhor interagiam com as suas vontades. Todo esse passado, leva-me a ter posições que poderão parecer radicais, mas que eu assumo e defendo.

Publicado por: josé palmeiro às agosto 22, 2006 06:50 PM

Estou a voltar aqui, porque me apelidaram de radical, olá Joaninha!
Sabes amiga, esta coisa do mercado de trabalho, tem muito que se lhe diga e depois também tem muitas outras coisas, como os sindicatos e a patronato.
Não escamoteio, que incentivos como os prémios de produtividade e a distribuição de mais valias pelos trabalhadores, podem trazer um acréscimo de motivação, que se reflita na produtividade.
Mas a mim, parece-me, melhor, tenho algumas certezas pois falo por experiência própria, que essas motivações, só acontecem, porque não se paga o JUSTO, e então, vá de distribuir migalhas. No meu tempo, de trabalhador, a tempo inteiro, era costume, em algumas instituições/empresas, dar-se umas benesses a que se dava o nome de "Surdas", que era, segundo eles, a forma de distinguir os melhores trabalhadores. No entanto, quem aferia essa qualidade eram os patrões e/ou os chefes, que muitas das vezes distinguiam, não aqueles efectivamente melhores e mais produtivos, mas os que melhor interagiam com as suas vontades. Todo esse passado, leva-me a ter posições que poderão parecer radicais, mas que eu assumo e defendo.

NOTA: A "surda", como o próprio nome indica, era atribuida secretamente, quer quanto ao montante como ao destinatário.

Publicado por: josé palmeiro às agosto 22, 2006 07:01 PM

São experiências diferentes, e imagino bem que o 'radical' da Joaninha estaria entre aspas, apesar de não poder falar por ela...
É claro que essas acções mais "elegantes" pretendem levar a água ao seu moínho, é evidente. Mas também é certo que, a curto prazo, são mais agradáveis para o trabalhador do que as do patrão "clássico" do posso, quero e mando!

Publicado por: Emiéle às agosto 22, 2006 08:28 PM

Oh, Zé Pombeiro!!!! Então não se via logo que era uma força de expressão?! Evidentemente que estava entre aspas ou asterísticos ou lá o que se quiser chamar... Pois eu ainda num outro post disse que até parecia que andava a copiar os teus comentários!
Era, como a Emiéle disse, parecer-me (mas realmente as experiências para estas coisas contam muito) que estavas a exagerar um pouco, e havia casos de boa-fé, ou pelo menos onde os interesses dos patrões não iriam contra os interesses dos trabalhadores.
Mas tudo bem. Não tive a tua experiência e portanto disse o que disse. Mas, pelo contrário, até te considero uma pessoa de grande tolerância. Basta ler o teu blog.

Publicado por: Joaninha às agosto 22, 2006 10:11 PM

Mais uma vez, sem prejuízo de referir e aclarar no "estounasesta", este toma lá dá cá, com a Joaninha, devo dizer que nunca fiquei agastado ou sequer beliscado com o que ela escreveu e como escreveu, até porque me habituei a considerá-la. Retorqui, porque achei que era necessário, até para lembrar diferênças e métodos. Por outro lado, estes exercícios, são uma prova de vitalidade e a demonstração de que estamos TODOS, muito atentos ao que nos rodeia, o que me não podia deixar mais feliz.

Publicado por: José Palmeiro às agosto 23, 2006 09:39 AM

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