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agosto 25, 2006
O sequestro
É, aparentemente, uma história com um final feliz. História que pode dar ânimo e esperança aos pais cujos filhos desaparecerem um dia misteriosamente. Mas sendo como aparentemente parece ser, e tudo o indica, o caso de uma menina desaparecida que aparece 8 anos depois viva e com saúde física, não deixa de ser uma história terrível.
Alguém a quem “roubam” 8 anos de vida , sofre um dado irremediável. Mas, se esses anos são os que abrangem toda a sua adolescência, dos 10 anos aos 18, isso então parece-me de uma gravidade sem nome. Esta menina Natascha perdeu quase o núcleo central da sua vida. Se está pálida não é apenas por a sua pele não ter apanhado sol, creio que toda a sua personalidade deve estar alterada após ter passado os anos que mais marcam o seu maior desenvolvimento vendo e conversando com uma única pessoa.
Sabemos que há casos assim. Antigamente, crianças com doenças mentais eram muitas vezes fechadas em casa pelos seus familiares, muitas vezes até sem maldade, apenas com ignorância, na intenção de as proteger “do mundo”. Se já tinham alguma deficiência o que acontecia era que isso se agravava, devido à falta de contacto exactamente com esse “mundo”.
Porque o ser humano é um ser social. A vida, a partilha com os outros, é um elemento básico no nosso desenvolvimento. A Natasha apareceu viva e de saúde. Mas será preciso muito trabalho psicológico para vir a ser uma pessoa, semelhante às que a rodeiam.
De qualquer modo será o final mais feliz possível...
Emiéle
Publicado por populo às agosto 25, 2006 07:59 AM
Comentários
Terrível. Simplesmente terrível.
Publicado por: Miguel às agosto 25, 2006 09:10 AM
Outra vez!!??? Miguel, desta vez é que vai seguir mesmo o cafezinho on line! Mereces!!! (só vim aqui displicentemente ver como ia a navegação, sem esperar que ninguém me tivesse vindo visitar)
Quanto ao tema, é impressionante, não é? porque os anos que vão dos 10 aos 18 - e sabemos por nós - são fulcrais na nossa vida! Como é que esta rapariga os vai "apanhar"? Já passaram...
De resto, jurídicamente podem ter todas as cautela e falar no tipo como "provável" raptor, etc, mas o suicídio fala por ele. Se isso não é uma confissão, não sei o que seja.
Publicado por: Emiéle às agosto 25, 2006 09:31 AM
Eu, pai e avô, fiquei estarrecido com a atitude do pai, quando lhe perguntam:"e se for a Natacha?"
Quanto à Natacha, criança, hoje mulher, é mesmo como dizes, vai ser um trabalho complicadíssimo para a restituir à sociedade.
Não consigo, ter mais palavras!
Publicado por: José Palmeiro às agosto 25, 2006 09:48 AM
Isto deve ter tido uma grande cobertura no telejornal, mas eu não o vi. Também só li estas notícias. Por acaso, também estranhei a resposta do pai, mas pode ser uma pessoa que já teve tanta esperança que agora está cheio de cautela para não apanhar uma desilusão.
Mas é um caso que dá para reflectir bem. Choques para todos. E que doente mental que devia ser o raptor!!! O que é que ele pretendeu, afinal??!!!
Publicado por: Joaninha às agosto 25, 2006 10:19 AM
Não se sabe, Joaninha. Pelo que entendemos tirando o facto de a manter prisioneira (!!!!!!) não lhe fazia pior. Ela via TV e lia jornais, ele servia-lhe de professor e não a maltratava, parece. Porque é que fez aquilo é estranhíssimo. O sentimento de Poder? Dominar uma pessoa?
Publicado por: Emiéle às agosto 25, 2006 12:36 PM
Essa história me chamou muita atenção ...
é dificil uma para uma pessoa conviver com uma so pessoal,ela nem sabe viver,vai ser muito difícil ela conviver com o mundo,e com outras pessoas também?
Publicado por: luciany às agosto 27, 2006 07:45 PM
E se fosse só isso, Luciany...Não é só a ausência de convívio propriamente dito, é o total isolamento. E, para mim, o que impressiona ainda mais é a idade em que isto aconteceu. Uma idade que marca toda a vida.
Publicado por: Emiéle às agosto 27, 2006 11:07 PM
E se fosse só isso, Luciany...Não é só a ausência de convívio propriamente dito, é o total isolamento. E, para mim, o que impressiona ainda mais é a idade em que isto aconteceu. Uma idade que marca toda a vida.
Publicado por: Emiéle às agosto 27, 2006 11:08 PM
Meu deus!!Como esta menina resisteu a este isolamento?Devera ser futuramente uma pessoa frustada e ter receio de pessoas!!
Publicado por: Tania Carvalho às setembro 9, 2006 12:32 PM
Estou estudando pra fazer um seminario sobre esse assunto.
De fato, essse assunto causa muita polemica...
O pai dela esta ate cobrando para dar entrevistas...
Esta facil ficar rico recebendo caches de entrevistas...
Parece ate que ele nao tem um pingo de amor por ela...
Publicado por: Larissa às setembro 12, 2006 10:02 PM
Já passou pela cabeça de todos que talvez o que a Natasha tenha vivido fora uma "história de amor"? ela não se encontrava definitivamente presa, até saia pra tomar sorvetes... teve muitas chances de escapar, e porque não fez antes? não podemos avaliar somente sob um aspecto, hoje, em entrevista ela diz de uma intimidade com o "sequestrador", que sente a morte dele tanto quanto a própria mãe do rapaz. é caso muito contundente eu diria...
Publicado por: Elyxsandra às setembro 28, 2006 01:32 AM
Elyxsandra, é claro que «já passou pela cabeça de todos», foi mesmo a primeira coisa em que se pensou. Aconselho-a a ler o que é o Sindrome de Estocolmo. É coisa muito antiga.
Publicado por: emiéle às setembro 28, 2006 08:53 AM
Emiéle, parece que categorizar o caso cessa qqr tipo de questionamentos que possam ser levantados.. Não acredito que tudo o que já temos de categorias e características são suficientes para que "encaixemos" as situações ocorridas hj no mundo, neste que, sofre tantas mudanças e de tantas complexidades se serve,onde o homem encontra-se perdido e em busca de algo que qdo se pensa que achou, já está em outro lugar, ou seja, o próprio desejo. Leia um pouco sobre Psicanálise Lacaniana, mais especificamente Forbes-Jorge. É bem atual.
Publicado por: Elyxsandra às outubro 5, 2006 10:55 PM