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agosto 25, 2006
O poder de compra
Temos um salário mínimo nacional baixito.
Sabemos isso. Mas a verdade é que é tudo relativo. Todos temos a experiência de que, com o mesmo dinheiro, se pode obter mais ou menos produtos. Basta viajar-se um pouco para se ter essa certeza. Com uma determinada quantia podemos ir passar férias a um país pequeno de 3º mundo e viver-se muito bem, ou ir-se a um país “rico” e quase nem dar para dois ou três dias…
Ora bem, nós temos o pior nível da Europa quanto a esse aspecto. «O poder de compra dos trabalhadores portugueses que recebem o salário mínimo nacional é o mais baixo, comparando com todos os países da Europa a Quinze» dizem. Parece que mesmo Malta e a Eslovénia vivem com mais facilidade do que nós! Quer na Espanha (isso calculava-se) quer na Grécia, um trabalhador que receba uma SMN pode viver melhor do que cá.
Contudo…
Dado a naturalidade com que se encara por cá a fuga ao fisco como uma actividade natural e até louvável, será que muitos destes salários que são citados oficialmente como “mínimos” o serão realmente? Isto é uma questão de “amiga da onça” mas que tem a sua razão de ser. Em questões de transparência, nisso é que andamos muito longe daquilo que deveríamos andar.
Emiéle
Publicado por populo às agosto 25, 2006 08:27 AM
Comentários
Bom dia Emiéle. Colocas uma questão fulcral quanto ao que se passa em Portugal. É certo e sabido que muitas empresas, para fugirem às suas obrigações, nomeadamente sociais, fazem com que as pessoas recebam os seus salários em duas partes. Já quanto a Malta, não é de admirar. Estive lá há uns anos atrás e o nível de vida era puxado.
Publicado por: Miguel às agosto 25, 2006 09:22 AM
É evidente que a minha "amostra" é reduzida ao mundo que conheço, mas mesmo sendo tão pequena, sei directamente de vários casos onde "oficialmente" recebem o salário mínimo, mas isso não tem nada a ver com o que de facto ganham. Vários casos.
Publicado por: Emiéle às agosto 25, 2006 09:34 AM
Emiéle, para mim acho que este post se ralaciona bem, com o outro onde dizes que nós (portugueses) não sabemos bem equacionar prioridades. É tudo o mesmo. Sem discutir porque isso nem tem discussão, que o SMN é o que é e o desemprego também anda como se sabe, o certo é que há muita gente que ainda sente que tomar o pequeno almoço em casa é uma infelicidade. Vão à pastelaria da esquina, gastar 2,5 € e perder ainda mais tempo, quando o podiam fazer por um décimo do preço em casa...
(isto é um exemplo insignificante, mas serve de modelo a outras atitudes) Tenho de apoiar que muitos dos nossos compatriotas andam á deriva em muita coisa.
Publicado por: Joaninha às agosto 25, 2006 10:16 AM
Não vejo qual a relação do salário minimo com a fuga ao fisco.será porque alguns com profissões liberais fojem aos impostos e declaram o dito?
o salário minimo quando instituido, foi com finalidade diferente daquela que hoje é aplicada.
ou seja, o salário de alguem que não tinha qualificações ou trabalhos ditos eventuais.se a Emiele der uma volta por aí, vê trabalhadores que em inumeras profissões e actividades e com muitos anos de actividade ainda recebem o S.M.N.
Viver com o S.M.N? só experimentando.eu infelismente já experimentei essa situação e depois de auferir 4 vezes mais.Tive que adaptar a vida e os hábitos, como abater o carro passar a andar a pé contando todos os dias 2, 3 ou 4 vezes as 1400 travessa do caminho de ferro que me serve de atalho e sentido a revolta daqueles que nem isso recebem.
Por vezes é necessário viver as situações para ajuizarmos sobre os mesmos.Falar de dificuldades e sacrificios de barriga cheia, não passa de um digestivo.
Publicado por: fernando nogueira gonçalves às agosto 25, 2006 10:23 AM
Peço desculpa pelos erros. É a pressa.
Publicado por: fernando nogueira gonçalves às agosto 25, 2006 10:29 AM
Fernando, ainda aqui voltei e como fui eu que falei no assunto e como conheço os casos venho esclarecer:
É claro que o que queria falar era sobre a fuga aos impostos. Quer pelos patrões quer também pelos trabalhadores. E Fernando, talvez aconteça não conhecer nenhum caso e se lembrar tristemente do seu, mas a verdade é que aqui por Lisboa isso é vulgar. Conheço uma cabeleireira que oficialmente ganha o SMN. É sobre isso que paga o IRS e a patroa sobre isso que faz os seus descontos. A verdade é que ganha 3 vezes mais, para além das gorjetas. Comprou agora um belo carro, e só está preocupada com a compra da casa porque o crédito é concedido com base na folha do IRS... O mecânico da oficina onde levo o meu carro. É um caso rigorosamente igual ao que acabo de contar. A mulher-a-dias da minha mãe, nem quer oficializar o seu trabalho lá em casa porque depois ultrapassava o valor do SMN, e tinha mais descontos. E podia continuar com a lista...
Publicado por: Joaninha às agosto 25, 2006 11:39 AM
Fernando Nogueira Gonçalves, o nosso inventor preferido, oiça porque se calhar eu não me espliquei bem. É claro que o nosso SMN é muito pequenino. Aliás a notícia era sobre isso, e isso é um facto que nem tem contestação - factos são factos. Eu escrevi o post lamentando isso. Que o nosso seja o pior na Europa dos 15 é um mau indicador.
Mas dei também uma 'na ferradura' porque tenho conhecimento da falta de transparência no mundo do trabalho. Quanto ao caso das profissões liberais de que fala, isso é um escândalo público! Todos sabem o que se passa e é uma vergonha. mas, infelizmente o que eu referia era o caso de trabalhadores por conta de outrém que alinham nesse esquema. Por um lado, para fazer a vontade ao patrão, como é evidente, mas também porque eles próprios não têm grande consciência cívica. Aqui em Lisboa também conheço muitos e muitos casos como os que a Joaninha contou.
Publicado por: Emiéle às agosto 25, 2006 12:21 PM
E ainda cá volto para acrescentar um pormenor - se virem a imagem que escolhi para ilustrar o post, entende-se o meu ponto de vista que não é de criticar os trabalhadores... o que considero é que há coisas mal contadas e prioridades mal definidas. Só isso. O que não altera o problema do desemprego, por exemplo, eo de salários muito baixos, mesmo quando ultrapassam este famoso SMN.
Publicado por: Emiéle às agosto 25, 2006 12:26 PM
Eu entendo o v.ponto de vista.
As fugas estão aí por todos os lados. Ainda me recordo do sujeito que dizia:"fugir ao fisco é um dever patriótico". Quem não se lembra de Mário Soares quando 1º ministro dizer "a situação está má mas os portugueses sabem-se safar",dando desculpa à economia paralela está claro.
Vamos a metade das pastelarias e cafés e já nem se dão ao trabalho de abrir a registadora. Colocam as moedas em cima do balcão ou dentro de uma caixa.
Acabar com a fuga é a coisa mais simples da vida. Nem é preciso ser economista. Permitam as deduções em i.r.s das despesas familiares e afins.
Mas também muito importante: MORALIZEM E RESPONSABILIZEM OS QUE GEREM OS DINHEIROS PÚBLICOS E MUITO IMPORTANTE: COBREM IMPOSTOS MAS NÃO ROUBEM.
Publicado por: fernando nogueira gonçalves às agosto 25, 2006 02:19 PM