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julho 31, 2006
Ser feliz
Ainda debaixo da estranheza que motivou o post anterior, tenho de «vender o meu peixe» quanto à ‘Felicidade’.
Para mim é óbvio que, como sentimento que é, só pode ser individual e daí o absurdo de se falar na ‘felicidade de países’ porque os sentimentos são humanos.
E este é não apenas humano mas tem variações de pessoa para pessoa conforme o seu temperamento. Há quem seja um optimista que veja tudo pelo seu melhor ângulo, ou com muito humor, e que perante o que o rodeia ou nas situações
mais difíceis tenha uma visão construtiva e positiva das coisas – tem mais capacidade para se sentir feliz. E há, naturalmente o inverso: quem perante uma vida aparentemente ‘boa’, veja tudo sob as piores cores e se sinta bem desgraçado. O velho conselho “se a vida te der limões faz limonada” só pode fazer sentido para os primeiros.
E depois temos o antigo problema do “ser “ e do “estar”.
A língua portuguesa favorece-nos nesse aspecto. Como o ser tem uma qualidade intrínseca, profunda, estrutural, não é nada natural que uma pessoa seja feliz a não ser como desejo ou voto de quem está de fora. Cada um de nós durante a vida tem naturalmente épocas onde se sente feliz, onde está feliz, mas naturalmente que é passageiro.
“E viveram felizes para sempre…” era como acabavam os contos de fadas. Era por isso que eram contos de fadas.
Mas acho excelente que existam apenas “momentos de felicidade”. No meu ponto de vista é até isso que os valoriza mais, o saber-se que é efémero dá uma maior atracção, provoca o desejo de os aproveitar bem, de os prolongar. Como sabemos que passa, esse é o sentimento mais valioso do mundo.
E depende tanto de nós! Sobretudo a capacidade de saber saborear cada pedacinho da vida que temos, uma manta de retalhos de coisas boas – o olhar carinhoso de quem nos ame, uma música que nos emocione, uma paisagem bela, um trabalho bem realizado e reconhecido, um cheiro de terra fresca e húmida ou de pão acabado de cozer, as boas gargalhadas entre amigos, o saber-se útil naquilo que se está a fazer, o…
E o que sei eu daquilo que faz cada um feliz?! Há alturas onde se conjugam vários factores e a sensação prolonga-se parece realmente uma felicidade eterna.
Mas é muito mais rara do que a pedra filosofal. Essa só servia para fazer ouro, e aqui tratava-se de ‘prolongar a felicidade’, essa pedra não só não está descoberta como duvido da sua vantagem.
Vamos vivendo a nossa felicidade como nos vai aparecendo e procurando uma melhor perspectiva para tudo. E é talvez esse um dos segredos de a fazer durar um pouco mais. Mas, repito, o que sei eu da felicidade dos outros…?

Emiéle
Publicado por populo às julho 31, 2006 07:40 AM
Comentários
Bem, vou ler antes " o post anterior..." e já cá volto!
Publicado por: Joaninha às julho 31, 2006 12:32 PM
Aqui o Charlie Brown é um bom exemplo!
Sabemos todos que ele não é nada feliz, e afinal porquê? Tem a ver com a tal imagem que temos em nós do que seja a felicidade. Este é um pessimista-modelo. Está sempre à espera do pior, e o fantástico é que "o pior " acontece-lhe mesmo. Ele atrai-o!!!
Claro que é irritante o tipo de pessoas "contentinhas da silva" que estão sempre a rir, sempre bem dispostas, aquilo é falso, é uma máscara na minha opinião.
Mas a verdade é que nos "sentimos felizes" como tu dizes e não "somos felizes" porque isso indica um estado infinito. Está bem visto.
Publicado por: Joaninha às julho 31, 2006 12:45 PM
Estou quase a ir de férias mais ainda venho matar o vício de uma espreitadela ao Pópulo.
Realmente como disse a joaninha é um tema apetitoso. E dá para filosofar: o que é que faz uma pessoa feliz?
Pensa-se logo no amor, não é?
E quanto a amor há em todos oa lados, em todos os países em todas as épocas!!!
Felizmente.
A verdade é que quando me apaixono vejo tudo com cores tão bonitas que não há mal que me chegue!
UAU!!!
Nessa altura fico mesmo feliz, e nem distingo se é para sempre se só para aquela ocasião.
Publicado por: Raphael às julho 31, 2006 01:33 PM
Como já se sabe, sou "muito plástica" e fico sempre presa aos bonecos. Gostei do Charlie Brown e a Joaninha tem razão, é a desgraça em pessoa. Melhor que o Calimero, para mim. mas também achei muito gira a maneira como simbolizaste as diversas felicidades de cada um, com as carinhas de muitos tamanhos e de muitos sorrisos, no fundo azul.
Boa!
Quanto ao resto, é como dizes. Acho que o mal é se calhar terem 'traduzido' mal a palavra. Como era o original do estudo? Não acredito que fossem «medir» o grau de felicidade, não existe nenhum felicidómetro!
Publicado por: Gui às julho 31, 2006 01:40 PM
Olá amigos!
Pois é! Hoje estou bem disposta, aqui um terreno propício a sentir-me mesmo feliz. E a verdade é que o mundo à minha volta anda muito mal, mas decidi fazer uma pausa.
Gozar o bom tempo, o facto de Lisboa estar muito mais calminha, o prédio em frente do meu estar pintadinho de novo num tom pastel, assim “rosa-salmão”, bem bonito, afinal não ter caído nenhum trabalhador como cheguei a recear outro dia, e este mês recebe-se o dobro do ordenado o que nos faz pensar como seria a vida se este fosse um mês vulgar…
Publicado por: Emiéle às julho 31, 2006 01:53 PM
Olha, olha, Gui, quem é "muito plástica" sou eu!!! (salvo seja, que lembra logo as famosas 'plásticas' à Lili Caneças!!!!)
Mas está bem visto os sorrisos diferentes para significar as diferentes "felicidades". Giro.
Publicado por: Tess às julho 31, 2006 07:26 PM
Claro que o conceito de felicidade depende de pessoa para pessoa, e mesmo assim cada pessoa tem conceitos de felicidade diferentes ao longo da sua vida, como é que essas coisas se medem? Bahhh.... mais uma estatistica de encher chouriços!
Ai ai! E eu que não me dou bem com as filosofias...
Publicado por: Farpas às julho 31, 2006 08:45 PM
Olha que ninguém dirá, Farpas. Cá por mim acho que filosofas muito bem!!!
Mas tal como dizes, é mais uma das "estatísticas de encher chouriços". Têm de fazer umas tantas e lá se inventa um tema seja ele sensato ou não.
Publicado por: Emiéle às julho 31, 2006 09:39 PM