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junho 29, 2006

Uma canção de Brel

O Filipe Moura anda a passear-se pela Holanda, falando-nos da sua perspectiva e, num dos posts, falava no Porto de Amesterdão.
Evocou-me de imediato a canção de Brel, disse-o num comentário, e ele com imensa simpatia descobriu um vídeo com o cantor a cantar exactamente o Port d’Amesterdam.
Tiive o descaramento de o copiar todo para o Pópulo, está aqui:

Eu adorei! É certo que tenho uma cultura muito francófona, e estas palavras não dirão o mesmo a todos vocês. Mas não poderão negar, pelo menos, a força deste Homem.
Oiçam bem, e deixem-se levar…
E já agora vão olhando para aqui:

(clicar)

Emiéle

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui chantent
Les rêves qui les hantent
Au large d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui dorment
Comme des oriflammes
Le long des berges mornes
Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui meurent
Pleins de bière et de drames
Aux premières lueurs
Mais dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui naissent
Dans la chaleur épaisse
Des langueurs océanes

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui mangent
Sur des nappes trop blanches
Des poissons ruisselants
Ils vous montrent des dents
A croquer la fortune
A décroisser la lune
A bouffer des haubans
Et ça sent la morue
Jusque dans le cœur des frites
Que leurs grosses mains invitent
A revenir en plus
Puis se lèvent en riant
Dans un bruit de tempête
Referment leur braguette
Et sortent en rotant

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui dansent
En se frottant la panse
Sur la panse des femmes
Et ils tournent et ils dansent
Comme des soleils crachés
Dans le son déchiré
D'un accordéon rance
Ils se tordent le cou
Pour mieux s'entendre rire
Jusqu'à ce que tout à coup
L'accordéon expire
Alors le geste grave
Alors le regard fier
Ils ramènent leur batave
Jusqu'en pleine lumière

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui boivent
Et qui boivent et reboivent
Et qui reboivent encore
Ils boivent à la santé
Des putains d'Amsterdam
De Hambourg ou d'ailleurs
Enfin ils boivent aux dames
Qui leur donnent leur joli corps
Qui leur donnent leur vertu
Pour une pièce en or
Et quand ils ont bien bu
Se plantent le nez au ciel
Se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure
Sur les femmes infidèles
Dans le port d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam.

Publicado por populo às junho 29, 2006 10:30 AM

Comentários

Ora assim é que é!
Começar cedinho (passei por aqui às 9 e já havia "coisas") e com esta qualidade!
Que excelente ideia Emiéle! Pronto, a ideia terá sido do Filipe Moura, mas como aqui é que eu venho, é a ti que gabo.
(de qualquer forma como deixaste o link fui lá ver; mas aquele tipo de blog não faz muito o meu género, embora lhe reconheça o mérito)

Publicado por: Joaninha às junho 29, 2006 11:25 AM

Já cá tinha estado, depois fui ver as modas, e eis-me de volta.
Deparo-me com este imenso "escrito", exactamente da geração francofona, era uma outra Europa, e pronto, a "lagriminha ao canto do olho".
Depois disto, só a "Sesta", me reconforta.

Publicado por: josé palmeiro às junho 29, 2006 11:41 AM

Eu já não sou dessa geração... São os meus pais e nota-se bem. Mas a canção é espectacular mesmo para quem domine mal o francês. Porque o Brel tem realmente uma força a cantar que nos arrasta com ele.
Por outro lado tiveste a delicadeza de deixar a letra na ‘entrada alargada’ para os anglófonos como eu! Assim não custa nada ir seguindo a canção.

Publicado por: Raphael às junho 29, 2006 12:34 PM

Não é descaramento nenhum! E já agora habitua-te ao YouTube. É viciante mas encontras lá muita coisa.

Publicado por: Filipe Moura às junho 29, 2006 12:53 PM

José Palmeiro e Joaninha, tenho de "confessar" uma coisa. É que eu deixei isto prontinho para entrar aí a meio da manhã, mas foi uma 'entrada posterior', não passo a manhã aqui em frente do PC... Tenho a ideia que se deixar muitos posts logo a abrir alguns passam desapercebidos, de modo que vou doseando... Ainda bem que gostaram, e o Raphael 'apanhou' a minha ideia - deixei a letra para quem tivesse mais dificuldade :D
Filipe - foste mesmo uma simpatia, mas a verdade é que a descoberta foi tua!
Quanto ao you tube, até tenho lá a entrada e password e deixei um ou dois vídeos, simplesmente tenho ido lá deixar uns que encontrava por aí, ou me enviavam e eu queria deixar no blog. Só agora é que consciencializei bem, que aquilo tem um arquivo formidável com muita coisa já pronta. Escuso de estar a mandar para lá e depois ir recuperar.

Publicado por: Emiéle às junho 29, 2006 01:04 PM

Ah, mas que bem e que esperto que fui em ter começado debaixo para cima! (eu sei que é assim que se deve ler um blog, mas a verdade é que vai contra a ordem natural de quem lê...)
Porque tive a magnífica surpresa de terminar com esta maravilha!
Excelente, Emiéle!
Foi assim como que uma espécie de presente aos leitores: a canção cheia de carisma e a gravura lindíssima. Estive a ouvi-la olhando para a imagem, e estou completamente consolado!
Aaaaaah!!

Publicado por: zorro às junho 29, 2006 02:37 PM

Sabe sempre bem vir ao Pópulo!
Não tenho podido fazer o meu comentário, que a minha visita continua a ser quase diária, e hoje tenho esta prenda!
Que belíssima ideia, Emiéle.
Aquele tipo era... olha, nem sei bem como o classificar! mas qualquer coisa de excepcional.

Publicado por: Gui às junho 29, 2006 04:31 PM

Só uma nota, não tenho podido fazer os comentários pelo tempo que muitas vezes isto demora. Acabo por não esperar, não é que eu não queira, heim...?

Publicado por: Gui às junho 29, 2006 04:32 PM

Eu confesso que tenho uma ligeira comichão pelo som da língua francesa... não me perguntes porquê... mas tenho, no entanto não partilhando esse gosto francofono sempre gostei de música francesa... mesmo da actual (o último cd da Carla Bruni por exemplo)! Agora o que ele foi fazer ao Port d’Amesterdam é que eu já não sei ;P

Publicado por: Farpas às junho 29, 2006 07:36 PM

Ora, ora, Farpas, atão não se vê/lê/ouve...? Foi ver e descrever os seus marinheiros! O Brel sendo belga não apreciava muito os flamengos e aliás também criticava a burguesia belga em geral, mas esta visão dos marinheiros de um porto da importância desta cidade, é magnífica. Quase cheiramos a cerveja, nesta canção.
(já sabia da tua "fobia" pelo francês... é das poucas coisas onde não coincidimos, mas como o Raphael notou eu lá deixei o texto!)
:D

Publicado por: Emiéle às junho 29, 2006 08:09 PM

Devo andar mesmo mal...eu que adoro o Brel, agora venho aqui e só me lembro do cheiro des "moules" dos gajos... (eu que detesto tudo o que tenha conchas...)ké keu faço????

Publicado por: isabel faria às junho 29, 2006 08:52 PM

Tás mesmo malzinho, realmente...
Lá que cheire a peixe ( ele fala nos 'poissons ruisselants' e na 'morue' realmente ) e sobretudo que cheira a muita cerveja, isso até a mim me cheira nesta canção, agora essa do marisco, enfim... Souvenirs?!
(por acaso essa das conchas, se não gostas também é mais uma onde somos parecidas; essa tinha-me escapado!)

Publicado por: Emiéle às junho 29, 2006 10:28 PM

Obrigado Emiéle, nem imaginas o bem que fizeste. É todo um mundo revivido que está presente em alguns de nós. Eu sou mais velho, e talvez por isso me tenha tocado tanto. Mas penso que os mais jovens como tu, e os mais jovens do que tu, são capazes de valorar a cultura urbana de diferentes épocas.Só assim poderão perceber o que hoje estão a viver e que tem seguramente uma carga simbólica que a "canção" actual também transporta. E é preciso que saibam isso. ANC

Publicado por: ANC às junho 29, 2006 10:52 PM

Ena, A.N.C.! Um comentário!!! E tinha de ser sobre música, tá visto!
:)
Muito obrigada, um abraço!

(isto era piada particular, que este meu amigo é um grande melómano, por um lado, mas raramente aqui deixa o seu rasto, por outro)

Publicado por: Emiéle às junho 29, 2006 11:31 PM

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