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junho 30, 2006

Manda quem pode

Pois bem, o nosso governo concluiu que "não valia a pena" haver mais reuniões com os sindicatos.
Eu tenho criticado muitas vezes certas actuações dos sindicatos, e considerado que acontece estarem desligados do dia-a-dia dos seus representados. Contudo são os legítimos representantes dos trabalhadores. Que um patrão, vire as costas ao diálogo afirmando que “não vale a pena”, é pelo menos chocante.
Não sei se é certo que «os dirigentes vão poder mandar quem quiserem para o quadro de supranumerários, "pela cor dos olhos" » nem se a «administração pública vai "viver num mundo sem rei nem roque, onde tudo pode acontecer"» mas se é certo, e tudo o indica, que há 125.000 trabalhadores em risco de serem dispensados como o elo mais fraco isso é gravíssimo.
O que sempre me choca em muitos economistas é falarem de seres humanos como de números, tipo “cabeças de gado”. Num tom superior e distante da plebe. É claro que um trabalhador também é um número tal como o senhor economista, a sua mulher e o seu filho são números. Mas esses números representam pessoas, com vidas próprias, sonhos, fracassos, aspirações, desalento. E que merecem respeito, o que cada vez sinto menos. Varre-se o que é importuno para um canto como algo que incomoda. E quando o canto começa a ter demasiada acumulação de ‘lixo’?
Talvez nessa altura entupa o aspirador.

Emiéle

Publicado por populo às junho 30, 2006 08:47 AM

Comentários

A imagem do lixo, é forte, mas receio que verdadeira.
Sabes que mais? O que me lixa mesmo é que também não acredito muito nos sindicatos (tal como estão) e parece aquelas cenas dos romances de capa e espada, onde dois tipos faziam duelos por uma dama, mas sem perguntarem à dama a sua opinião...

Publicado por: Tess às junho 30, 2006 10:57 AM

Não li o artigo ainda, mas nem sei dizer se será grave. À primeira vista parece, mas os sindicatos se calhar estão menos preocupados com os trabalhadores que o governo, a não ser que seja o emprego deles.
Agora não sei como as coisas se passam, (penso que estão na mesma) e sendo assim um funcionário de uma escola que esteja em excesso não pode ser mudado para outra escola a não ser que queira! Isso aconteceu há uns anos em Aveiro, em 2 escolas encostadas: os funcionários da escola onde estavam a mais não se mudadaram para a escola ao lado!! Entretanto os professores de aveiro eram mandados para o alentejo!!
É um assunto melindroso, mas dentro de certos limites acho muito bem qua haja mobilidade. É preciso é negociar bem os limites e não dizer à partida "não"!

Publicado por: SaltaPocinhas às junho 30, 2006 02:26 PM

Olha, Saltapocinhas, entendo bem o que tu dizes. Eu, muitas vezes penso que vivo simultâneamente em dois países diferentes. Enquanto há pessoas que se preocupam verdadeiramente com a situação indiscutivelmente difícil em que se vive, outros parece que se sentem o Nero a tocar lira enquanto Roma ardia... Esse caso das tuas funcionárias é de bradar aos ceus, e eu conheço cenas parecidas. Já nem é egoísmo é verdadeira inconsciência! E o grave é quando se paga o justo pelo pecador.
receio que haja muitos justos que vão pagar por certos pecadores!

Publicado por: Emiéle às junho 30, 2006 02:42 PM

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