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junho 03, 2006

E se fosse "sopa", já entendia?

Diz-nos o senhor ministro das Finanças e da Administração Pública que lhe parece que os sindicatos "estão contra a mudança na administração pública" porque criticam as propostas do Governo. E a sua frase é interessante:
"Dizem que são a favor das carreiras, mas estão contra a proposta do Governo. Dizem que são a favor de uma avaliação na função pública, mas são contra a proposta do executivo”
Acontece que eu critico até bastante muitas tomadas de posição dos sindicatos. Há certas posições de força mal avaliadas ou escolha de formas de luta que muitas vezes não parece levarem em conta nem a adesão dos seus representados nem o impacto no geral da população. Só que este exemplo do senhor ministro é bem infeliz e nem é preciso ir mais longe do que lá está nas suas palavras.
Para ser mais fácil vou mudar a palavra “proposta”, por “sopa”.
Imagine-se este cenário: umas pessoas dizem que a sopa é um bom alimento, lhes anda a fazer falta e desejam muito um belo prato de sopa. Então, levam-nas a uma cantina e põem-lhes à frente uma terrina “Ora cá vem a sopa! Toca a comer!”. Destapada a terrina, o cheiro é enjoativo, repugnante, uns ficam com náuseas, outros tapam o nariz.
- “Ná, ná, não quero esta sopa! Não pode ser feita com outros ingredientes? A gente até veste um avental e vai para a cozinha…”
Aí a resposta será:
- “Seus mentirosos! Não querem é sopa! Trouxemos-lhes esta, e afinal não a comem!”
Assim, em forma de parábola, já entende senhor ministro?

Emiéle

Publicado por populo às junho 3, 2006 09:40 AM

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Comentários

Não, Emiéle, não entendia.
Meteram na cabeça que eles é que sabem e a ideia de que se pode estar em perfeito desacordo não lhes entra. Se não se concorda é porque afinal não se quer a mudança e mais nada. Aquela sopa é a única possível, estamos cansados de ouvir!
Este tema irrita-me em especial, porque aos anos, mas há mesmo muitos anos, que toda a gente diz que é necessário uma reforma a sério. Ninguém inventou a polvora! Os trabalhadores querem a mudança, senhor ministro!!!! Oh se querem! Basta passar uns tempos ali na base do seu ministério e já sabia o que eles pensam.

Publicado por: Joaninha às junho 3, 2006 07:02 PM

Também acho que não entendia, mas porque não está de boa fé, Joaninha. Bastava tentar por-se no lugar dos outros um curto período de tempo... Como dizes, ninguém está contra as avaliações, por exemplo. Mas, com franqueza, desta forma...?! Com quotas, de modo que cada serviço só pode ter um X de bons, outro X de razoáveis, outro X de muito bons...?!!! E as carreiras? Não seria boa ideia ter ouvido as pessoas antes de ter decidido?

Publicado por: Emiéle às junho 3, 2006 11:02 PM

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