« Ser professor | Entrada | Séries antigas: Major Alvega »
maio 26, 2006
Timor

Tenho-me mantido muito calada durante esta crise de Timor.
Não por falta de interesse, exactamente por demasiado interesse. Nunca lá estive mas tenho uma enorme amiga (minha comadre…) vivendo naquela terra. Ela e a família incluindo uma “coisinha” encantadora de 2 anos. Isto para vos dizer que leio sofregamente tudo o que se escreve, custa-me a falta de informação e sinto de momento uma enorme ansiedade.
Claro que, como amiga, vejo as coisas pelos seus olhos. E se ela admira profundamente o Xanana , se tem o maior dos respeitos por aquele homem, isso leva-me naturalmente a pensar o mesmo. Um homem doente, com um grande problema de coluna que o mantem imobilizado de corpo, mas informado e lúcido de pensamento. Que é aliás a pessoa com mais carisma naquela terra, isso parece consensual.
Quanto às afirmações da sua mulher, para uns ouvidos europeus são estranhíssimas, é um facto. Mas poderemos medir o que se passa e se vive lá, pelo modelo das democracias cheias de normas “politicamente correctas”, como são as nossas? Não sei. Digo-o sinceramente.
Mas o certo é que sinto muita admiração pelos portugueses que lá estão e continuam a pé firme sem quererem voltar para casa, tal como esta minha amiga. É de uma coragem tão grande que só podemos respeitar.
Gente de fibra. Gente de valor. Gente que acredita.

Emiéle
Publicado por populo às maio 26, 2006 03:46 PM
Comentários
Também ando apreensivo e sem saber o que pensar. O que dá ideia é que há para ali muitos interesses, e gente que vai para a cabeça do touro mas tipo marionettes, porque os "outros" não se expôem.
Publicado por: zorro às maio 26, 2006 05:22 PM
Também não posso dizer que saiba muito. Contudo tenho contactos por lá, e ao contrário da Emiéle, já lá estive. A ideia que tenho, compartilhada por muita gente é que o Mari Alkatiri foi um tipo de esquerda e que se empenhou, mas nesta altura está a jogar com os seus interesses pessoais (nomeadamente económicos) e a fazer o frete aos indonésios...
O ter sido em tempos um bom lutador não quer dizer que com os tempos não vire. Olhem por cá o que não se tem visto!
Quanto ao Xanana, pelo contrário, nunca houvi nenhuma censura e muitíssimo menos nesse aspecto. O Palácio das Cinzas chama-se assim porque ele não o quis reconstruir enquanto o povo também não tivesse habitações decentes. É um tipo muito digno.
Publicado por: king às maio 26, 2006 05:29 PM
...mas casou com uma australiana...
Publicado por: Gui às maio 26, 2006 05:29 PM
Então e depois?!
É algum crime???
Uma pessoa não pode viver ou casar com quem quiser, Gui?
Publicado por: king às maio 26, 2006 05:32 PM
Emiéle, são essas pessoas que contam.
Quanto ao que lá se passa apenas um comentário profundamente subjectivo. Mari Alkatiri viveu o seu exílio em Moçambique. Isso e o facto do país se chamar República Democrática de Timor-Leste querem dizer muito, na minha opinião. Ou isso, ou o Major revoltoso treinado pelos que agora entraram é passado dos carretos...
Publicado por: Miguel às maio 26, 2006 06:13 PM
Aconteceu primeiro com o dia da espiga, e agora com o caso Timor.
Também me custou pegar no assunto, até que rencontrei, um texto que me levou à certa, está lá, na sesta.
Gostei das interrogações que pões.
Timor sempre constituíu um enorme enigma para todos nós, mas não duvido que haja por ali mãozinha manhosa a manobrar tudo aquilo.
Os actores principais, andam escondidos, só temos tido notícia dos secundários
Publicado por: José Palmeiro às maio 26, 2006 11:31 PM
Olhem amigos, em primeiríssima mão (ela disse-me que era uma 'cacha') acabo há meia hora de falar com a minha amiga que está a fazer as malas mas contrariadíssima. Como ela trabalha para as Nações Unidas deram-lhes ordem de retirada, sem discussão. Mas o que ela diz é que está tudo muito empolado e exagarado, que se tem feito um show-off com coisas que não são tão más como as pintam, e ela vai muito chateada porque não queria sair
Publicado por: Emiéle às maio 27, 2006 09:01 AM