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maio 01, 2006

Primeiro de Maio

Esta é uma festa especial.
Porque sendo Festa não é inteiramente de alegria, é de luta, e isso nem sempre é fácil de compreender.
Uma nota, ainda na continuação do que se passava em “24 de Abril”, para se entender o que foi este dia em 1974:
Nessa época o “1º de Maio” era uma data tabu. Não apenas não se festejava como qualquer alusão a ela era vista com muito maus olhos. Qualquer reunião ou ajuntamento que acontecesse, até por acaso, no dia 1º de Maio, ficava assinalada para a PIDE investigar quem é que se atrevia a reunir-se ou juntar-se nesse dia proibido. Tinha de ser um dia “mais vulgar” do que qualquer outro.
Assim, pode imaginar-se o que foi o 1º de Maio de 1974!
É que nesse dia já todos acreditavam que o 25 de Abril tinha sido bem sucedido. Tinham regressado centenas de exilados, e os mais emblemáticos Mário Soares e Álvaro Cunhal, desfilaram lado a lado e discursaram juntos.
Da Alameda ao Estádio da INATEL que se passou a chamar 1º de Maio, a multidão era tal que quase nem se podia avançar. Aí já se viam muitas crianças às cavalitas dos pais, enquanto no 25 de Abril ainda havia algum receio.
Foi a verdadeira Festa da Liberdade e da Esperança.
Com o decorrer dos anos as coisas mudaram lentamente. As Centrais Sindicais entraram em conflito, depois festejaram em locais separados, e esse espírito de alegria foi desaparecendo. Ficou o de luta, que esse será importante que não morra, que quem trabalha tenha um dia seu, onde se sinta unido com outros nas suas condições e juntos possam construir um futuro melhor.

1 maio.jpg

Emiéle

Publicado por populo às maio 1, 2006 12:30 PM

Comentários

Eu não vivi esse 1º de Maio, mas todos são unânimes em me dizer que foi um dia inesquecível!
Hoje se calhar luta-se por outros problemas, um dos mais sérios é a precaridade.

Publicado por: Tess às maio 1, 2006 03:04 PM

Comecei a desiludir-me um pouco quando nasceram as divisões, as duas centrais e essa coinversa toda da "unidade" e "unicidade".
Apetecia comemorar à margem dos sindicatos.

Publicado por: Gui às maio 1, 2006 03:16 PM

Olhem amigas, se falei nisso não quero dizer que não se deva manter a luta perante as dificuldades que hoje enfrentamos e são bem sérias. Foi só lembrar o que foi o sonho há 32 anos, que se calhar só era mesmo possível nequelas condições.

Publicado por: Emiéle às maio 1, 2006 11:33 PM

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