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maio 25, 2006
Dia da Espiga

Quando eu era pequenina, passeava muito com o meu avô. Era muito “única” – filha, neta, sobrinha única! – portanto tinha centrados em mim todos os mimos da família. Mais tarde apareceram alguns primos para me tirarem as peneiras, mas em pequenininha era realmente uma princesa. E, uma das regalias, era esses enormes passeios com o meu avô.
Ele gostava imenso de passear, e a verdade é que andávamos muitíssimo. Hoje, olhando os caminhos que fazíamos fico um bocado parva como é que as perninhas de uma criança de 3 ou 4 anos conseguiam calcorrear distâncias daquelas! Mas eu raramente me queixava, e a verdade é que ainda tenho ideia de que quando estava mesmo cansada, me sentava numa pedra ou num muro até recuperar as forças.
Um dos belos passeios que recordo, por haver sempre bom tempo e ser todos os anos pela mesma altura, era o de Quinta-feira de Ascensão, ou o de Quinta-feira da Espiga. Muitas vezes dávamos uma volta tão grande que trazíamos farnel e tudo. Porque íamos por esses campos fóra em busca dos “ingredientes” necessários para um raminho como-devia-ser. Um ramo desses, como-deve-ser, tem de levar para além da espiga de trigo (pão), um raminho de oliveira (azeite e paz), uns mal-me-queres (prata e ouro=dinheiro), papoilas (alegria), alecrim (saúde). Havia quem lhe juntasse umas parras (vinho e alegria também) mas no “meu” isso não era indispensável. Íamos com umas guitas no bolso para depois amarrar os raminhos, porque fazíamos vários – para casa dos avós, para a minha, para os meus tios. Voltávamos cheios de pó, bolhas no pé, sujíssimos, muito cansados, mas felicíssimos com a nossa obra. Era sempre uma tarde em cheio!
Hoje saí de casa e vi uns vendedores que traziam nuns baldes de plástico uns raminhos já prontos a consumir. OK. É a civilização. Os meninos estão nos infantários, os avós trabalham e, mesmo quando assim não é, não há tanta paciência para estes longos passeios. Mas senti-me muito nostálgica, isso confesso. Que boa infância eu tive, com pó e suor mas aqueles ramitos eram lindos!!!
Publicado por populo às maio 25, 2006 03:40 PM
Comentários
:(
"Penso" que tenho pena de não ter dessas recordações...
Publicado por: Raphael às maio 25, 2006 05:55 PM
Deves ter outras, Raphael. Eu é que sou uma cota!!!!
Publicado por: Emiéle às maio 25, 2006 07:29 PM
Lindo escrito, Emiéle.
Efectivamente, só nos, OS COTAS temos na memória do que descreves. Eu também dediquei um escrito ao Dia da Espiga e tentei dar uma visão do motivo porque o Raphael e todos os mais novos, não têm a nossa recordação.
É bom ser COTA, assim!
Publicado por: José Palmeiro às maio 25, 2006 09:27 PM
Já te fui responder na «sesta»!
Depois ainda deixei um comentário noutro post, mas esqueci-me daquela coisa dos números e apagou-se tudo...!
A verdade é que há recordações muito boas. É certo que também tenho "das outras", mas tenho a felicidade de me lembrar com mais facilidade das boas recordações. Sorte a minha, heim...?!
Publicado por: Emiéle às maio 25, 2006 09:51 PM
Belo post!
Também me lembro da ramada de romã na espiga, por aqui era o simbolo das moedas!
Publicado por: Inês às maio 25, 2006 11:48 PM
Já li, e essas coisas das recordações, boas ou das menos boas, são assim mesmo, com o passar dos Invernos, vamos somando experiências que nos moldam e que contribuem para o que hoje somos.
Ainda ligado ao campo e à Primavera,recordo uma vez, era um grupo de dez rapazes e um, que não digo quem foi, tinha comprado um "Três-Vintes". Resolvemos então dar umpasseio até à ribeira para darmos as nossas fumadas. Dois cigarros a cada um, já nesse tempo tinhamos aprendido a dividir, uns pelos outros, e depois, na ribeira havia o célebre "Hortelã da Ribeira", que tirava o cheiro do tabaco...
Publicado por: josé palmeiro às maio 25, 2006 11:53 PM
Hoje fui com os meus golfinhos apanhar o ramo! Lá para amanhã ao finzinho da tarde já podes passar por lá e ler as nossas aventuras...Vou trazê-los aqui ao teu blog para eles copiarem a simbologia das plantas (eu não sabia tantas!!)
Publicado por: SaltaPocinhas às maio 26, 2006 01:43 AM
Essa da romã não conhecia, mas faz sentido. Aquilo "muito arrumadinho", parecem rubis, podiam ser moedas sim senhora!
Senhora Dona Saltapocinhas, a senhora é a excepção no panorama geral... É excelente essa ideia de ir com as crianças recuperar uma tradição ( um pouco pagã, não é?) e não ficar a ver os vendedores ambulantes com uns ramitos mixurucas.
Publicado por: Emiéle às maio 26, 2006 09:25 AM
:) É curiosa essa tradição! Não me lembrava dela e a ideia era muito gira. Tens um pequenino erro. Em vez de "nostrálgica" devia estar "nostálgica".
Publicado por: johnny às maio 26, 2006 01:00 PM
Certo Johnny, obrigada! Já emendei.
Não te escapa nada!!!!
:D
Mas fazes bem em dizer que muitas vezes escreve-se a correr e até olhando para as palavras não se encontra o erro. Acontece muito.
'Brigadinha!
Publicado por: Emiéle às maio 26, 2006 01:53 PM