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abril 27, 2006

Uma questão de 60 cm

Não sou do Porto e não conheço minimamente o caso, pelo que a minha opinião terá pouco valor. Mas li que existe lá um prédio onde irão tapar janelas e demolir varandas, porque «invadem o "espaço aéreo" da garagem colectiva contígua». Este prédio foi construído há mais de 10 anos. Está habitado. E a “invasão” consta de 60 cm…
Com franqueza custa-me entender esta história.
Possivelmente houve aproveitamento do empreiteiro que construiu o prédio, se o homem pagou uma caução na eventualidade de uma demolição futura, é porque a coisa tinha pés de barro. Ou seja, legalmente acredito que se tenha “invadido o espaço aéreo”, os tais 60 cm, que devem fazer uma falta terrível à zona das garagens. Mas que não se tenha podido chegar a um acordo é que me custa a entender. Parece uma birra de crianças, com cada um a não querer perder a face. Visto de longe, não compreendo que a tal zona das garagens seja assim tão prejudicada com aqueles 4 palmos de espaço aéreo sobre o seu domínio; mas parece que quanto aos inquilinos também talvez pudessem indemnizar esses prejuízos de modo a poderem manter as suas janelas. Como é possível não se chegar a um acordo? É só orgulho, ou a velha e triste noção de “ele não se vai ficar a rir de mim”?
São histórias insignificantes mas porque mostram o ser humano nas suas facetas mais feias.

Emiéle

Publicado por populo às abril 27, 2006 12:15 PM

Comentários

olá! vim aqui ter pelo título do post. quando o li no sumário da weblog imaginei outra coisa, mas 60 cm era muita centímetro!!!! e vim cá ver o que era. afinal gostei muito do blog, apesar de menos (muito menos ) malandro do que tinha pensado. isto é variadíssimo e dizes coisas muito interessantes. vou adicioná-lo aos meus favoritos.
Paulo H.

Publicado por: Paulo H. às abril 27, 2006 02:57 PM

"... o coração parece querer rebentar no peito."
Curiosamente uma sensação sentida ao ler os capitulos de 25 e de 24 de Abril de 1974, por "culpa" da escrita e das imagens que são oferecidas, mesmo que a recordação tenha sido gravada apenas aos 13 anos.

Esta invasão de espaço aéreo, é sempre oportuna. Mais ainda quando se temem actos hostis...? Essa agora !? Hostis ?!
Que a coisa teria pés de barro é fácil de perceber. Que os 60 cms não "tapam" as garagens, pois não tapam. Ocorre-me uma ideia : e se o(s) proprietário(s) da garagem decidem erguer um edifício à mesma altura ? Quantos centimetros não terão que recuar/afastar do referido prédio ? Pelo facto de existirem janelas e varandas, senão poderiam fazer paredes contíguas. Será assim/isso ?

As imagens - "Uma por dia" se continuarem a ser representadas por desenhos de pequenada, são bom sinal. Alguém lhes lembra e motiva a olhar a história.

Ainda os prédios em Lisboa. Não sei não ! Esperar anos a fio, deitar fora o aproveitamento do momento... bem por esse andar não sei para quem ficarão as jóias...!

Notícia democrática . Os (senegaleses) Nepaleses consegu8iram antingir a sua democracia. Mais uma ditadura terminada.

E para terminar, um desejo tipo : 1 X 2, ou qualquer coisa como uma "cruzinha".
Excelente método de avaliação ! Até podiam poupar nas esferograficas e a malta molhava o dedo em saliva e colocava o indicador na resposta certa.
Ficava validada e tudo !!

Bem a cruxinha fica mesmo na primeira casa : Uma continuação de boa semana. Continua o prazer de ler e ver o que por aqui é oferecido.

Um grande abraço

Publicado por: Luis Manuel às abril 27, 2006 05:02 PM

Estes comentários do Luis são sempre muito bons!!

Quanto ao post em si é caso para dizer que afinal o tamanho sempre importa, LOL o Paulo até aqui parou por engano e tudo ... malandreco! Resta saber se alguém nesta história agiu de má fé, porque o facto é que o prédio está construído 60cm no terreno de outro, por isso a questão até pode ser bastante complicada, imaginemos que os donos do terreno onde estão as garagens decidem deitar as garagens a baixo e construir um prédio, ficariam as varandas dentro da sala de alguém? Hummm... cá para mim houve aqui um bom aproveitamento da parte do construtor... só vejo como hipótese mais aceitavel a venda de 60cm de terreno aos moradores do prédio, com o compromisso de que as garagens poderiam estar nesses 60cm... É complicado... é complicado!

Publicado por: Farpas às abril 27, 2006 08:12 PM

Luis Manuel, os teus comentários são um luxo para o Pópulo! Agora já não fico surpreendida, fico só contente. Ser tão bem, tão poéticamente "compreendida", é muito agradável.
Pois Farpas, realmente, às vezes o tamanho conta...Neste caso, parece ter ganho um leitor meso que tivesse vindo para rir. Quanto ao caso, o que quis chamar a atenção foi para alguma intolerância que parece existir de parte a parte. A 1ªleitura parece ser a de que o empreiteiro se tentou aproveitar, mas a Câmara aprovou o projecto! Pela foto, dá ideia de que o prédio deveria ter aquela parede de cá completamente "cega", lisa. Mas a verdade é que quem decide isso é a Câmara. E as garagens devem pertencer a outro prédio, não devem ter tamanho suficiente para se poder, naquele espaço, construir uma torre como a outra, ou era uma torre muito magrinha...
A proposta do Farpas até parece sensata. Só que, como comecei por dizer, tinha de haver cedências de parte a parte, e parecem todos de birra.

Publicado por: Emiéle às abril 27, 2006 09:33 PM