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abril 30, 2006
Mulheres...! (ou Homens...!?)
(Antes de mais nada os meus agradecimentos à Saltapocinhas que me mandou este exemplar e ao Farpas que pela milionésima vez me ajudou)
Perante a amostra abaixo pode haver duas reacções: as mulheres são umas chaaaaatas!, ou os homens são uns safados de uns batoteiros. Cada um pode escolher.
(Atenção, é indispensável o som!)
Emiéle
Publicado por populo às 07:40 PM | Comentários (6)
Coitadito

Eu sei. Tenho um coração de manteiga.
Não há nada a fazer. Sei que sou assim e não me consigo endurecer. Quando vejo uma situação onde alguém está em desvantagem, não resisto a sentir logo de seguida muita pena, em todos quase todos os casos.
Isso aliás é motivo de chacota quer cá em casa quer entre os meus amigos. Por exemplo, no futebol. Se no resultado de um jogo há uma desigualdade muito grande, tenho sempre pena do que perdeu. Credo, também não era preciso tanto!, penso sempre. Dois, três golos de diferença chegam e sobram. Quando se perde aí por 6 a 0 ou 7 a 0, apetece-me ir consolar a desgraçada que sofreu uma tal derrota. Para não falar nos golos na própria baliza, que deve ser de quem os mete bater com a cabeça repetidamente lá na trave!!!
Ora, mantendo ainda o tema do futebol, nesta 6ª feira como quem sabe um pouquinho do futebol nacional deve ter ideia, houve eleições no Sporting. Isso a mim já não me incomodou muito, apesar dos homens da minha família terem marchado lá para o estádio “cumprir o seu dever clubístico”, por mim essas altas decisões não me afectaram nada. Mas tinha tido de ouvir uns dias antes um dos candidatos a falar e o homem não era grande coisa. Para ser sincera achei-o até uma lástima. Via-se logo que aquilo não ia longe.
Só que o meu coração mole, não resistiu. O pobrezinho, que insistiu em ir até à votação final, conseguiu ao todo que 54 sócios votassem nele. Isso comparado com os milhares de votos que os outros dois candidatos “a sério” obtiveram, faz-me desejar fazer-lhe umas festinhas no cocuruto da cabeça. É que 54, parece-me que só os elementos da lista dele, juntamente com as mulheres e filhos, ultrapassavam esse número! Até dá ideia que algum membro da sua própria lista o atraiçoou e foi votar num rival.
Eleitores!? Isso não se faz. Que grande maldade, coitadinho…
Emiéle
Publicado por populo às 07:20 PM | Comentários (0)
Até já…
Este meu fim-de-semana, foi tão grande, tão grande, que não cabia num só e o desdobrei em 2. É assim: 6ª à noite, sábado e manhã de domingo, 1ª parte. Agora, tarde e noite de domingo, e segunda-feira, 2ª parte.
Portanto, caríssimos, meto agora uma pausa, um separador com um lago e patinhos a nadar mais uma música suave, e só mais logo para a tarde apareço aqui pelo Pópulo.
Mas apareço sim.
De mim não se livram com facilidade!
(este é o 'saparador'; querem mesmo a música? Tá bem...)

Já volto, depois deste breve intervalo.
Emiéle
Publicado por populo às 11:01 AM | Comentários (5)
Guerra Colonial
Sobre este tema apetece-me pouco falar.
Ele é por demais conhecido.
Só lembrar que entre esta foto

e esta

estão 10 000 mortos e perto de 30 000 feridos.
Para quê?
Para quê? Para quê? Para quê?!!!!!!!!!!!!!!!!!
Emiéle
Publicado por populo às 09:50 AM | Comentários (7)
No 24 de Abril...
Guerra
É impossível falar do “24 de Abril” sem falar na Guerra. Guardei este ponto para o último dia talvez por ser tão grave que devia ter um lugar à parte.
A guerra colonial. Foi a gota de água, o tsunami que fez finalmente cair o fascismo. Hoje em dia, em que o serviço militar nem é obrigatório - e, mesmo quando ainda o era, tratava-se de uns meses aborrecidos em que se tinha de interromper os planos de vida para frequentar um quartel e fazer uns duros exercícios físicos - não se pode imaginar o que era a angústia das famílias portuguesas que viviam o terror de perderem um filho ou de o receberem mutilado para toda a vida. E tocava a todas as famílias. Havia alguns casos, em menor número, em que os rapazes decidiam não partir. Eram os refractários (se desapareciam antes de serem chamados) ou os desertores (se desapareciam já com o treino militar recebido). Contudo, nesse caso a angústia dos pais era outra: sabiam-nos longe das balas mas muito distantes de si, nem sempre recebiam notícias sabiam apenas que estavam num país estrangeiro, vivendo sabe-se lá como…
E ali não havia escapatória, mesmo quem tivesse dificuldades de saúde servia para a manutenção militar, para serviços menores, mas partia na mesma para África. Foi um terrível ceifar de vidas, sem uma saída à vista, porque Salazar dizia-se “orgulhosamente só”.
Emiéle
Publicado por populo às 09:45 AM | Comentários (6)
Uma imagem por dia
Guardei para a última imagem de Abril um cartaz que considero magnífico.
Por algum motivo foi concebido por um pintor - Vespeira.
Simples, muito directo, muito didáctico:
A Flor-cravo foi a Libertação.
Desta flor nasce um Fruto - a Democracia.
Do fruto da Democracia virá a Semente do Socialismo.
E o MFA foi a raiz desta esperança.

Emiéle
Publicado por populo às 09:30 AM | Comentários (3)
abril 29, 2006
I’m the king of the world
E não é que é mesmo?
Pelo menos o “world” do futebol, o que é já muita gente…
E o que mais gosto é, como nos diz o Farpas que andou por lá, que «os ingleses que não gostam do Mourinho não o fazem apenas devido à sua arrogância... na minha passagem por aquelas bandas pude constatar que o que lhes custava mesmo é que um português, "proveniente de um futebol de segunda, dum país quase de 3º Mundo", pudesse chegar a Inglaterra e entrar a matar conquistando títulos»
B O A !!!!

Emiéle
Publicado por populo às 03:55 PM | Comentários (9)
E o que se passa na GNR?
É muito fumo para não haver algum fogo.
Primeiro:
Parece que um senhor, que é presidente do Conselho de Administração da Escola Prática da GNR, é suspeito de ter feito vários negócios ilícitos no exercício das suas funções segundo as palavras do Expresso. Uns negócios bastantes escuros e se pensarmos que esta Escola tem um orçamento de 5 milhões de euros, mais de espantar se torna.
Segundo:
Quando uma pessoa faz uma denúncia (seja do que for) e depois, logo de seguida, existe uma acção contra ela é difícil não se pensar em represálias. Até pode nem o ser, mas é a imagem que aparece.
O caso do comandante da GNR de Braga é muito estranho, para dizer pouco. Então o homem “desertou”??? Por ter dado umas quantas faltas injustificadas? Parece que o senhor pediu «a passagem à reserva e a destituição de funções» depois disso
foi-lhe marcada uma junta médica a que não compareceu. Foi essa a “deserção”?!
A verdade é que tudo o que envolva dinheiros e futebol não cheira lá muito bem.
Creio bem que nem nos devemos aproximar sem levar um lenço no nariz, pelo sim pelo não.
Emiéle
Publicado por populo às 10:52 AM | Comentários (5)
No 24 de Abril...
Correspondência
Hoje escreve-se muito pouco por correio. Com o telefone, telemóvel ou e-mail, o certo é que escrever uma carta em papel e envia-la pelo correio, é pouco vulgar. Mas duas gerações atrás isso não era assim. Escrevia-se bastante e era sabido que, tal como hoje, a correspondência era devia ser inviolável. Isso era um princípio geral e aceite por todos. Uma carta fechada só pode ser aberta pelo próprio a quem é dirigida, tal como é hoje em dia.
Mas…
Havia uma excepção. Um marido podia, segundo o Código Civil, abrir legalmente a correspondência da sua mulher. Pois se era sua mulher…! É inútil dizer que a inversa não era verdadeira, a mulher nunca poderia abrir as cartas do marido.
Legalmente…
Emiéle
Publicado por populo às 10:06 AM | Comentários (4)
Afinal há mais quem o pense
É claro que se pode considerar que “eles não têm nada com isso”. O país não é deles, o Banco não é deles, e não deve ser o seu dinheiro que está lá guardado. Certo. Mas a opinião é livre e o certo é que "The Wall Street Journal" faz algumas declarações provocantes sobre o BCP.
Isso mesmo, o BCP, o “nosso” ( ? ) banco mereceu a sua atenção. E não foi por muito bons motivos:
"Os banqueiros têm jeito para enriquecerem. Mas poucos o fazem com tanto atrevimento quanto os gestores do BCP, o maior banco cotado português."
Olha, olha…
Dizem estes senhores que os “salários” dos seus nove gestores podem ir até 10 % dos lucros. Bem bom. É assim que se motiva a haver lucros, com a participação nos ditos. E 10% para 9 pessoas até nem é conta certa. Falta um, não me querem a mim?
Emiéle
Publicado por populo às 10:00 AM | Comentários (6)
Uma imagem por dia
E aqui temos os tanques a disparem cravos em vez de balas...
Bonito, não é?
Imaginação infantil ou profundo desejo secreto afinal?

Emiéle
Publicado por populo às 09:50 AM | Comentários (2)
abril 28, 2006
Um, dois, três, fim-de-semana outra vez!
Meus senhores e minhas senhoras, aproveitem que isto não acontece muitas vezes!
Cá estamos de novo no fim-de-semana!
Uau!

Emiéle
Publicado por populo às 06:45 PM | Comentários (4)
A vida - ao natural ou 'retocada'
Por motivos da minha vida privada, recebi há poucos dias dois ramos de flores. Muito lindos. E, há minutos, antes de me sentar nesta cadeira estive a descansar, sem pensar em nada, simplesmente olhando para elas. Que curioso...
Porque nos dois casos tratam-se de rosas. Um era ramo de florista, com as rosas todas iguais e muito certinhas, uma “composição” muito artística e, sem a menor dúvida, francamente bonita. O outro era um ramo natural, meio “despenteado”, com umas rosas já todas abertas, umas ainda em botão e outras quase a abrir, umas altas e outras com o pé mais pequeno, com muita folhagem, e sobretudo com um perfume espantoso. Ao contrário, as de florista quase não tinham perfume.
É verdade, o primeiro dos ramos era lindo mas, se só pudesse ficar com um, creio bem que ficaria com o tal das flores apanhadas no jardim, desiguais, com muita folhagem, flores abertas ou em botão, e com aquele perfume.
A vida ao natural.


Emiéle
Publicado por populo às 06:35 PM | Comentários (8)
Todos diferentes…
Vejam bem, minha gente.
Se por acaso foram à China, faz favor de se comportarem e nada de se empoleirarem em cima da sanita.
Isso não se faz!
Portem-se bem, OK?

Emiéle
Publicado por populo às 08:05 AM | Comentários (11)
Ora cá está uma boa notícia

Quando de manhã ao pequeno-almoço oiço ou leio as notícias do dia, gosto de partilhar aqui o que me pareceu mais interessante mas, para falar verdade, a maior parte das vezes são coisas que não dão lá grande motivo para festejar. A vida muito complicada, as pessoas com comportamentos... enfim… cof, cof…, ou decisões de quem manda nem sempre muito acertadas, pronto vocês sabem.
Hoje dei com uma excepção. Uma notícia que me parece muito boa.
Parabéns Serpa!
Em Janeiro de 2007, vai lá ser construído o maior projecto de energia solar fotovoltaica do Mundo.
Viva o Sol!
Emiéle
Publicado por populo às 07:21 AM | Comentários (11)
No 24 de Abril...
O Livro Único
É claro que não se podem resumir todas as barbaridades que um professor esclarecido sofria, aqui num único post. Mas é bom lembrar a existência do Livro Único.
Com receio de que os professores não cumprissem integralmente as linhas do programa que deviam dar aos seus alunos e, sobretudo, para que não lhes passasse pela cabeça o atrevimento de ensinar matéria não aprovada, cada ano de escola – na primária – ou cada disciplina daí para a frente, tinha um único livro, aprovado pelo governo, onde os professores se baseavam para dar as aulas e por onde os alunos tinham de estudar. Dessa forma o ensino era completamente uniformizado e sem sair das balizas formatadas pelo Governo.
Tinha de se aceitar a doutrina oficial, pensar com os pensamentos que eram os “verdadeiros” e nada de fantasias. A escolha estava antecipadamente feita por quem sabia, e mais nada!
Emiéle
Publicado por populo às 07:15 AM | Comentários (7)
«Desespero» de vida
Quem criou a expressão “esperança de vida” estava inspirado e tinha a veiazinha poética a funcionar. Só que as coisas dão muitas voltas. E o que era um lindo conceito ( ‘esperança’ era o limite máximo a que a média podia subir, até quando a média das pessoas viveria) acaba por tomar um tom opressivo e oposto.
Quando ontem ouvi o senhor nosso primeiro-ministro, aliás como noutras partes desta Europa, culpar a elevada ‘esperança de vida’ pela pior qualidade dessa mesma vida senti um nó, aqui na boca do estômago. É que afinal torna-se uma pouca sorte vivermos mais uns anos…
Um amigo telefonou-me pouco depois a perguntar: Ouviste? O que é que achas que um bom contribuinte deverá fazer – suicidar-se cinco anos depois da reforma ou pode esperar uns dez anos…? Aliás, continuava ele, os mais dedicados à pátria deviam fazê-lo aí logo uns dois anos depois, para compensar os que não tinham essa coragem e insistiam em viver 15 anos e até mais…Mas apesar da ironia dele, é um pouco essa mensagem que nos fica. Um reformado é um estorvo porque insiste em viver mais do que os seus pais. Claro que há muitos que desaparecem com doenças graves, ou por acidentes, ou que nem chegam mesmo a viver a sua reforma, mas esses devem ser os tais “bons contribuintes” como dizia o meu amigo.
Que vida mais triste, esta.

Emiéle
Publicado por populo às 07:10 AM | Comentários (5)
A Corrupção atravessa o mundo
Anda muito bem espalhada.
Este vírus espalha-se bem melhor que a ‘gripe das aves’ porque abrange todo o mundo. Do Brasil, como infelizmente tem sido bem conhecido, à Coreia, passando, como todos sabemos, pela Europa e África a verdade é que a imagem dos dirigentes políticos sai bem chamuscada.
Emiéle
Publicado por populo às 07:08 AM | Comentários (3)
Uma imagem por dia
Um cartaz muito forte de indignação.
Muito "de época".

Emiéle
Publicado por populo às 07:05 AM | Comentários (5)
abril 27, 2006
Uma questão de 60 cm
Não sou do Porto e não conheço minimamente o caso, pelo que a minha opinião terá pouco valor. Mas li que existe lá um prédio onde irão tapar janelas e demolir varandas, porque «invadem o "espaço aéreo" da garagem colectiva contígua». Este prédio foi construído há mais de 10 anos. Está habitado. E a “invasão” consta de 60 cm…
Com franqueza custa-me entender esta história.
Possivelmente houve aproveitamento do empreiteiro que construiu o prédio, se o homem pagou uma caução na eventualidade de uma demolição futura, é porque a coisa tinha pés de barro. Ou seja, legalmente acredito que se tenha “invadido o espaço aéreo”, os tais 60 cm, que devem fazer uma falta terrível à zona das garagens. Mas que não se tenha podido chegar a um acordo é que me custa a entender. Parece uma birra de crianças, com cada um a não querer perder a face. Visto de longe, não compreendo que a tal zona das garagens seja assim tão prejudicada com aqueles 4 palmos de espaço aéreo sobre o seu domínio; mas parece que quanto aos inquilinos também talvez pudessem indemnizar esses prejuízos de modo a poderem manter as suas janelas. Como é possível não se chegar a um acordo? É só orgulho, ou a velha e triste noção de “ele não se vai ficar a rir de mim”?
São histórias insignificantes mas porque mostram o ser humano nas suas facetas mais feias.
Emiéle
Publicado por populo às 12:15 PM | Comentários (4)
Seria humor negro?
É claro que há enganos. Mas há enganos esquisitos. Neste caso é muito esquisito. Parece que a TVCabo enviou quatro facturas dos seus serviços, incluindo SportTV, para a capela de uma casa mortuária. Eram facturas de meses não seguidos e ainda era bastante dinheiro pelos vistos - 154,43 euros.
Estava tudo certo, a morada estava certa e o número de contribuinte também.
Só que naquele local não havia televisão. Aqui ainda não há agências como a dos "sete palmos de terra", é tudo muito mais inocente e artesanal.
Mas o erro dos inocentes “caloteiros” que-o-não-eram, foi terem imaginado que a própria TVCabo daria pelo engano. Olha quem!?! Não deu, é evidente, e ainda receberam uma ameaça de o caso ir para tribunal… Não hão-de os tribunais andarem entupidos! Se por uma dívida de 30 contos se arrisca um processo.
Emiéle
Publicado por populo às 08:19 AM | Comentários (3)
Uma imagem por dia
Ainda continuamos em Abril!

Emiéle
Publicado por populo às 08:10 AM | Comentários (4)
No 24 de Abril...
Direitos do marido
Eram imensos. Sem falar no caso, já há muito fora de moda de que «a mulher, face ao Código Civil, podia ser repudiada pelo marido no caso de não ser virgem na altura do casamento», a verdade é que o ser considerado Chefe de Família era, como as palavras significam, “um chefe” com essa autoridade de chefia. Por exemplo, a mulher precisava de autorização do marido para exercer determinadas profissões. Para ser comerciante só se o marido concordasse, independentemente dos meios económicos de que ela dispusesse. As finanças do casal eram geridas por ele sem precisar de dar contas à mulher. Ele tinha o poder de decidir do futuro dos filhos. Aliás as crianças eram em grande medida ‘propriedade’ do pai.
Claro que falo do que se passava ‘legalmente’, evidentemente que no interior de cada família as coisas podiam ser, e eram na maioria dos casos, diferentes.
Mas o certo é que era legal e se um marido quisesse invocar esses direitos, a mulher teria de acatar.
Emiéle
Publicado por populo às 07:50 AM | Comentários (6)
Caixas negras nos automóveis
Um dos temas de 1ª página hoje, é o estudo sobre os acidentes de condução onde se conclui que em 91% por cento dos casos a culpa é dos condutores.
Fala-se em falha humana, ou seja a culpa não é nem do carro, nem da estrada. Depois enumera-se as variadas causas: excesso de velocidade, infracções diversas muitas por excesso de álcool, distracções. Eu podia acrescentar por minha conta, e segundo as “minhas pequeníssimas sondagens”, outra causa que é o cansaço e sobretudo o sono. Não se dá conta, são fracções de segundo, mas o suficiente para haver um azar.
Ora muito bem mal. Se isso for certo parece-me da maior vantagem a implementação da, já falada em tempos, caixa negra para os automóveis. Conseguir-se determinar o que se passou realmente nos carros acidentados e até enviar o pedido de socorro num tempo muito mais curto parece que se devia impor do ponto de vista humano.
Emiéle
Publicado por populo às 07:17 AM | Comentários (5)
abril 26, 2006
Duas visões de um mesmo facto
Uma boa história, que recebi por email
« Certa vez um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes.
Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse seu sonho.
- Que desgraça, senhor!" - exclamou o sábio.
- Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade!
- Mas que insolente! ", gritou o sultão. Como se atreve a dizer tal coisa?!
O sultão chamou os guardas e mandou que lhe dessem cem chicotadas. Ordenou, em seguida, que chamassem outro sábio, para interpretar o mesmo sonho. O outro sábio disse:
- Senhor, uma grande felicidade vos está reservada !!! O sonho indica que irá viver mais que todos os vossos parentes! A fisionomia do sultão iluminou-se e ele mandou dar cem moedas ao sábio. Quando este saía do palácio, um cortesão perguntou:
- Como é possível? A interpretação que você fez foi a mesma do seu colega e, no entanto, ele levou chicotadas e você moedas de ouro!
- Lembre-se sempre, amigo - respondeu o sábio - que tudo depende da maneira de dizer as coisas. E esse é um dos grandes desafios da humanidade! É daí que vem a felicidade ou a desgraça; a paz ou a guerra.
A verdade sempre deve ser dita, não resta a menor dúvida, mas a forma como ela é dita é que faz toda a diferença.»


Emiéle
Publicado por populo às 08:20 AM | Comentários (9)
No 24 de Abril...
“Proibido a menores de…”
(Já devem ter reparado, eu tenho misturado nestas notas de factos gravíssimos a pequenos pormenores, porque gostaria de dar uma panorâmica de quase tudo o que se passava nesses anos; hoje é outra vez 'um pormenor')
Como todos sabemos os filmes que são exibidos nos cinemas têm uma indicação “para todos”, ou “para maiores de 12” ou para “maiores de 18”. E a verdade que quase não se dá importância a essa classificação a não ser pela negativa – um jovem espigadote sente-se inferiorizado se for ver um filme para miúdos.
Ora essa classificação no tempo do Salazar resultava uma completa proibição. Quando o filme era para “maiores de 12” ou sobretudo “maiores de 18” era muito importante levar-se o bilhete de identidade na carteira, porque mesmo acompanhado pelos pais se o porteiro do cinema tivesse dúvidas, não se entrava mesmo!
Havia histórias espantosas de raparigas casadas que, apesar disso, se o filme não era para a sua idade não entravam na sala! E se a pessoa tinha o azar de parecer mais nova do que era, o bilhete de identidade era esmiuçado com a maior atenção ainda assim não fosse falcatrua.
Emiéle
Publicado por populo às 08:06 AM | Comentários (5)
Uma imagem por dia
(Continuamos em Abril, não é?)
Um cartoon que traduzia o sentimento de muitos.
Era um novo Natal, e as prendas eram trazidas pelo MFA...

Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (4)
Lisboa e a habitação
Uma notícia(zinha) sem grande importância, menos que um fait-divers, vem contudo chamar a atenção para uma situação que existe muito aqui na nossa capital: a grande quantidade de prédios desabitados.
Só quem andar muito distraído é que não repara em tantos e tantos prédios, muitos deles com as janelas e portas muradas, para que ninguém se introduza lá dentro, por onde passamos todos os dias. Muitos deles assim à vista até nem parecem muito mal, outros têm muito mau aspecto, mas o que choca é no meio de uma fiada de habitações normal, surgir um desses fantasmas que não se entende a permanência.
É que alguma coisa se passa para que um edifício se mantenha desabitado, anos e anos e anos, mesmo no coração de Lisboa. Ou está tão degradado que não pode já ser reparado e então deveria ser demolido e construir-se ali outra habitação ou, com algum investimento poderia voltar a utilizar-se esse edifício. Assim é que não serve absolutamente para nada e são mais umas tantas famílias que poderiam estar a viver no centro de Lisboa e são atiradas para a periferia. Se eu quizer ser má língua posso imaginar que os donos desses prédios os tenham “guardados” na caixinha das jóias à espera que os preços dos terrenos subam ainda mais para então os venderem com o lucro máximo. Pode não ser, mas é estranho encontrarmos tantos nessas condições.
O que nos diz a Câmara?

Emiéle
Publicado por populo às 07:43 AM | Comentários (5)
E, entretanto no Nepal…
Ontem, aqui no Pópulo, vivemos centrados na nossa terra e ainda por cima há uns anos atrás. Mas foi um intervalinho apenas, porque o Mundo é grande e nós fazemos parte dele. Nada de “orgulhosamente sós”.
O Nepal tinha sido há pouco motivo de um post por um motivo tonto: um título infeliz. Agora merece outra vez ser falado por um bom motivo. A democracia vai voltar ao Nepal em definitivo, a ditadura não foi apenas interrompida, terminou.
Levou quase 20 dias de manifestações, mas o rei cedeu e sexta-feira haverá uma nova sessão no parlamento para a legalidade voltar. O “Congresso Senagalês” * como maior partido da oposição vai designar o primeiro ministro
É um país muito distante e que povoou muito tempo o imaginário ocidental.
Esperemos agora que tudo volte à ordem e os senegaleses possam escolher livremente o regime em que preferem viver.
(errata: Claro que era «Congresso Nepalês» que eu queria escrever. Completamente distraída saiu-me aquele disparate que só notei porque o Manuel mo fez notar. Shame of me...)

Emiéle
Publicado por populo às 07:21 AM | Comentários (7)
abril 25, 2006
E começa o futuro

Emiéle
Publicado por populo às 11:25 PM | Comentários (3)
O "REPÚBLICA" do 25 de Abril


(a "risca ao meio" é culpa do meu scanner; não cabia tudo de uma vez...)
Emiéle
Publicado por populo às 01:52 PM | Comentários (6)
Vitória

(gravado na altura)
Emiéle
Publicado por populo às 12:00 PM | Comentários (7)
25 de Abril de 1974
V
8 da noite
Chegaram a casa exaustos mas ainda debaixo de choque. Era possível? Teria mesmo acabado aquele longo pesadelo? O João e a Teresa, tinham começado a sua luta activa na “crise académica de 62”, há mais de 12 anos. Tinham os dois feito a greve de fome, tinham sido presos na cantina, tinham passado por Caxias. Sabiam bem como era uma cadeia por dentro…
Até então a vida tinha sido muito difícil porque a má informação que a Pide se apressava a fornecer quando se candidatavam a um emprego, apesar de serem licenciados tinha-lhes tapado as hipóteses de um trabalho de jeito. Aquele dia foi vivido como um sonho. Voltam a casa estoirados, cansadíssimos, e a porta ia ficando aberta para os muitos amigos que iam aparecendo.
Improvisa-se um jantar - há pão, há ovos, há queijo, chouriço, vinho e cerveja, não é preciso mais!
Cada qual que chega trás notícias, boatos, nem se sabe bem o que é a verdade e o que são os desejos…
- Eh malta!! Chui! !!!Vão dar as notícias na TV!!
De súbito aparecem as imagens da Junta de Salvação Nacional .
O quêêê??? As expressões risonhas apagam-se, um momento de susto. Spínola, Galvão de Melo, Pinheiro de Azevedo, Silvério Marques e Rosa Coutinho. Ali, até mesmo o Rosa Coutinho parecia ter má cara! Naquela sala tão animada sente-se passar uma aragem fria… Foi a primeira desilusão do dia, mas em breve ultrapassada. Alguém, optimista, declara que aquelas imagens são necessárias para tranquilizar as pessoas mais assustadiças. “Vamos animar que quem controla o Movimento não são ‘estes’!” e de novo o tom das conversas sobe, planos, sonhos, enchem de entusiasmo aquele grupo igual a muitos outros espalhados por todo o país. Ninguém tem sono, quem consegue dormir na noite de num dia assim?...
Emiéle
Publicado por populo às 09:30 AM | Comentários (13)
25 de Abril de 1974
IV
6 da tarde
Aparecem jornais que se esgotam num instante, fazem-se novas edições Há quem se ria por ver em letras enormes no República «este jornal não foi visado por nenhuma comissão de censura» .
Um grupo de adolescentes , que se conheciam muito bem da pró-associação do liceu, do cine-clube, do club de jazz ou de teatro, cheios de ideais anti-fascistas acha que o futuro já começou. Começou ali, naquele momento! Cantam. Gritam palavras de ordem. “O povo unido jamais será vencido!” que era a palavra de ordem do Chile anti-Pinochet. Inventam outras. Cantam todas as cantigas ‘proibidas’ com um entusiasmo contagiante. Sobem para os chaimites e abraçam soldados. A cidade está cheia de cravos vermelhos que parece multiplicarem-se. É uma enorme festa.
Alguns jovens juntam moedas para ir a uma cabine telefónica falar para os pais que estão em ânsias. Recusam-se ir para casa. «Oh mãe! Tenha dó! Já viu que caiu o fascismo?!» Um ou outro acaba por ser convencido a ir a casa, pelo menos jantar. Reconhecem que têm alguma fome, apesar do entusiasmo os 16 anos necessitam de alimento!
Mas combinam encontrar-se depois, não podem perder aquele momento. Vão ter de ‘dar a volta aos pais’. Há tantos planos para fazer, tanta coisa a saber, quem é o MFA, qual o seu programa, como podem eles colaborar..?
A sua vida está a começar verdadeiramente.
..........................
(continua)
Publicado por populo às 08:30 AM | Comentários (2)
25 de Abril de 1974
III
4 da tarde
A D. Maria das Dores tem 55 anos, é viúva de um legionário. Tem estado todo o dia a ouvir notícias, assustadíssima. Já foi falar com a sua vizinha de patamar, mas ficou na mesma. Telefonou a várias amigas que estão como ela, algumas completamente em pânico falam em fugir. Ai, valha-me Nossa Senhora de Fátima!!
Aparecem-lhe em casa o filho e a neta para lhe dar um beijo.
“ - Que é que fazes aqui!!! Vai já para casa! E ainda por cima com a menina, desgraçado! Olha que corre sangue nas ruas…”
“- Oh mãe, ponha-se calma! Quem é que lhe disse essa?!”
“ – É que vêm aí os comunistas e matam toda a gente!! É uma revolução”
“-Pois é, mas não morreu ninguém. Correu tudo muito bem”
A senhora não acredita. O filho sempre teve ideias esquisitas. Contudo a calma com que ele fala, dá-lhe alguma segurança. Se calhar as coisas não estarão assim tão mal como ela receia. Volta a ligar a televisão depois dele sair.
Mas ainda está muito nervosa e cheia de medo. Está tudo a passar-se ao contrário do que pensava.
..........................(continua)
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (2)
25 de Abril de 1974
II
10 da manhã
O Tiago tem 10 anos e está muito excitado. Na escola os professores falam uns com os outros e não dão aula. Passa-se qualquer coisa de muito importante. Ouve a palavra revolução, uns professores têm um ar radiante, outros um ar preocupado. De repente pelas 10 e tal aparecem os pais para o virem buscar. Também não parecem no seu estado normal. O Tiago nunca os viu assim! Metem-se todos no carro para visitarem os avós que vivem em Oeiras e não tinham telefone. Da estrada avista-se o forte de Caxias e o pai diz “Que se lixe, quero lá saber!” e buzina vigorosamente. Outros carros que passam por eles também começam a buzinar e um deles a rir manda uns toques especiais que os pais dizem que deve ser ‘morse’. Explicam-lhe que é um dia importantíssimo, que o fascismo está a cair.
Os avós, que têm mais de 60 anos, nem querem acreditar. O Tiago sabe que eles sempre foram de esquerda e combateram com todas as forças o salazarismo. O avô esteve preso muitas vezes. Conversam todos muito excitados, o Tiago entende que se está a viver um momento muito importante. O avô quer vir logo para Lisboa, ainda pensam deixar o neto com a avó mas ele protesta. Os pais têm ainda dúvidas, almoçam todos e nem se sabe o que estão a comer porque parece que estão nas nuvens. Cruzam-se nomes, Marcelo, Tomás, Spínola. Querem saber onde está o governo, o que é que faz, se o prendem, se o julgam. E a PIDE? Vão prender os Pides? Acabam por vir todos para Lisboa depois do almoço. No rádio do carro ouvem que o forte de Peniche foi libertado. Começam aos gritos de alegria! O Tiago arregala os olhos e também ri.
........................(continua)
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25 de Abril de 1974
I
Às 5 da manhã
Ainda está muito escuro quando toca o telefone.
A Luísa e o Zé, 26 anos, casados há um ano, tinham-se deitado tarde a preparar as coisas para uma curta viagem que iam fazer nesse dia. Quando a Luísa ouviu a voz da sogra pensou “Que chata! Mania das despedidas, bem podia esperar que ainda é tão cedo…” mas afinal a mensagem era outra: “Liguem o rádio! E cuidado não saiam de casa que passa-se qualquer coisa de muito grave!”
Ligam imediatamente o rádio que transmitia um tipo de música pouco habitual e logo de seguida o comunicado do M.F.A.
Entreolharam-se. Que tipo de golpe seria aquele? O “das Caldas” tinha falhado não há muito tempo… Kaulza? Mas é claro que o pedido de ficar em casa, quer o da mãe quer o do comunicado teve o efeito oposto. Foram numa corrida lavar-se, comer qualquer coisa, vestir-se e sair de casa. Era ainda muito cedo, mas agora já havia muito sol, apesar de pouca gente nas ruas onde passavam. Uma volta de carro, e decidiram: Vamos à Baixa!
Rossio com tanques e o coração parece querer rebentar no peito. Sobem a rua Garrett , muita gente e não se consegue entrar no Carmo para onde todos querem ir. As pessoas riem e falam umas com as outras, de repente esquece-se a PIDE.
São já 9, 10 da manhã, há gente com cravos vermelhos que as vendedeiras de flores do Rossio oferecem. Parece que se vive um sonho, ou o acordar de um longo pesadelo!
....................(continua)
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E foi assim que tudo começou

Escutem bem.
Foi assim que acordámos no dia 25 de Abril de 1974.
Emiéle
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VINTE E CINCO DE ABRIL

Portugal Ressuscitado:
Publicado por populo às 12:15 AM | Comentários (7)
abril 24, 2006
Contagem decrescente

Olá!
Não sei explicar, mas para mim a véspera do dia 25 é uma espécie de véspera de Natal. Sinto uma excitação miudinha, espero ansiosa pela meia-noite, hoje para mim é um dia "especial".
É que o dia 25 não é o dia de “mais um feriado”. Tenho tentado este mês, nos posts a que chamei «24 de Abril...» chamar a atenção para esse facto. Tenhamos que opinião tivermos, a verdade é que as nossas vidas mudaram nesse célebre dia. Nada voltou a ser igual e, mesmo para quem anda desiludido e decerto com razão, só há desilusão porque houve ilusão e essa foi possível pelo que se passou faz amanhã 32 anos.
É muito tempo por um lado e muito pouco por outro. Já muitos nasceram depois, e esse dia “é História” mas ainda felizmente estão cá muitos que se lembram. E a memória como ando sempre a dizer, é importante. A pessoal e a dos povos.
É pela memória que se aprende e se progride.
Enfim, estou excitada, é o ‘day before’, têm de me desculpar.
Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (17)
A Festa da Música
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Tal como o ano passado, este fim-de-semana no CCB sucedeu uma enorme Festa. A já famosa Festa da Música.
E a verdade é que os Concertos das Bandas que se dão nos Estádios ou os Grandes Festivais que todos ao anos pelo Verão chamam milhares e milhares de ouvintes e participantes são aceites com naturalidade, ainda achamos surpreendente como um Festival de Música erudita como este, consegue mover uma tal multidão.
Os números dizem que foram vendidos quase 52.000 bilhetes, e se assistiu a 115 concertos.
É muita música! Ainda bem.
Emiéle
Publicado por populo às 07:38 AM | Comentários (4)
No 24 de Abril...
Greves
Completamente proibido. É evidente que não se podia nunca fazer greve. Em nenhuma circunstância, sob que pretexto fosse. Isso era 'perigosamente subversivo' para as instituições da nação.
Mesmo os estudantes, que tinham uma tradição de diversas greves na 1ª república, não a podiam fazer. Quando se deu a crise académica de 1962, o protesto que consistiu na falta às aulas, chamou-se cuidadosamente “luto académico”.
A Academia estava de luto, pelas circunstâncias dos acontecimentos gravíssimos que se tinham passado e esse “luto” manifestava-se com a ausência às aulas, mas… não era uma greve…
Conseguem ver a diferença..? Pois é.
Emiéle
Publicado por populo às 07:26 AM | Comentários (4)
Uma imagem por dia
A liberdade nasce e cresce nas nossas mãos.

Emiéle
Publicado por populo às 07:22 AM | Comentários (3)
A disciplina de português
Ando um pouco alheada destas coisas e só agora me apercebi.
Pelo que vejo, há para aí polémica sobre como que vai ser a prova de Português do 12º. E o meu grande espanto é que uma das hipóteses com muitos defensores é que esse exame seja por resposta múltipla, resposta “por cruzinha”.
Como se diz, “a minha alma está parva” !!!
É que se trata de uma prova do 12º ano, não se está a falar do 6º ano de escolaridade. Com o 12º ano está-se apto a entrar num curso superior. E há quem defenda que «o que se pretende é avaliar a competência de compreensão, e não apenas de escrita» e portanto…o melhor será não escrever! Se «redigir textos é mais difícil» então ensine-se a redigi-los. Só isso.
Se calhar eu sou suspeita porque nunca simpatizei com esse tipo de método modelo “quem quer ser milionário”. Considero que se há exame deve haver uma pergunta e uma resposta, a pergunta deve ser clara, sem armadilhas, e a resposta também deverá ser clara e é isso que é avaliado. Parece-me tão absurdo ‘resposta múltipla’ em português do 12º como seria em matemática. Imaginam perguntar-se «356+679 é quanto: 1026, 1036, 1035 ou 1046?» num teste que fizessem a uma criança de 8 anos? Para mim é idêntico.

Emiéle
Publicado por populo às 07:00 AM | Comentários (5)
abril 23, 2006
Hora de Poesia
Lua Adversa
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
de Cecília Meireles

Emiéle
Publicado por populo às 10:30 PM | Comentários (1)
Dia do Livro
Dia 23 de Abril, é Dia do Livro.
Ainda não se inventou nada mais prático.
A máquina perfeita.
É pequeno, leva-se para todo o lado, não precisa de energia, faz sonhar ou pensar ou informa, arruma-se bem, não se estraga facilmente, pode passar de geração para geração , muitas vezes quando envelhece ainda tem mais valor, podemos parar em qualquer ponto e depois recomeçar quando quisermos, podemos partilhá-lo com amigos, e se não é muito barato também não será das coisas mais caras.
É o LIVRO.
Viva o Livro!!!!

Emiéle
Publicado por populo às 03:43 PM | Comentários (6)
Ai é violação?

Há histórias do outro mundo!
Com franqueza, há assuntos com que não se deve brincar, e um dos que mais me impressiona e sobre o qual não brincaria porque respeito muito, é o que tem a ver com estupro, com a violação sexual.
Mas há limites. O Portugal Diário tem uma secção de casos inacreditáveis, e este é um deles.
Uma dama australiana, acusa um cavalheiro de violação, porque teve relações com ela ao engano. A história mete duas mulheres e um homem. Pelo que eu entendi aquilo devia estar tudo bêbado. O homem foi convidado por uma das senhoras para ir para a cama com ela, o que ele fez. A meio da noite, foi à casa de banho e na volta enganou-se na porta. Caiu noutra cama, e lá completou o serviço com a pessoa que ele imaginava que era a sua companheira. Por seu lado a outra imaginou que era o seu namorado… Já tenho visto cenas destas em filmes cómicos. O que não passa pela cabeça é que daqui nasça uma acusação de violação! Mas então ela não consentiu….? Pois se até imaginava que era o namorado…! Onde é que está a violência que caracteriza uma violação?! O que dá a ideia é um desejo de protagonismo e aproveitamento da dita senhora. Ora comporte-se, mas é!!!
Emiéle
Publicado por populo às 03:14 PM | Comentários (2)
Dinheiro mal gasto
Já tinha ouvido falar no caso, da forma como o Tribunal de Contas pretende ampliar os seus poderes de fiscalização mas hoje encontrei uma notícia onde vem melhor explicado:
1º - Trata-se de todas as entidades que administram dinheiros públicos (empresas públicas, associações, fundações e os serviços da Administração Pública)
2º - Quando se provar infracções financeiras graves, poderá até recomendar-se a reposição dos valores gastos indevidamente, do próprio bolso do gestor
Isto vai ser uma “pequena revolução”. Estou a lembrar-me de um certo automóvel de luxo, que foi utilizado por poucos meses e que nem sequer conseguiu ser vendido tão elevado era o seu valor… E se sublinhei empresas, fundações, associações, foi porque sei que muita vez há algum cuidado com os dinheiros gastos na FP, mas depois 'o truque' é criar-se uma fundação, ou associação, e aí já se está à vontade com a ideia de que aquilo não é Estado e não tem vigilância.
Mas por outro lado também receio os efeitos “assustadores” desta norma sobre quem vê ‘pequenino’ e pode imaginar que aquisições fundamentais para o andamento do serviço possam passar por ‘dinheiro mal gasto. Na minha imaginação vejo nalguns casos certas acções poderem paralisar pelo receio de que o T.C. mais tarde considere esse dinheiro mal gasto. Aqui, como em tudo em bem necessário transparência e verdadeiros BONS CHEFES!
Emiéle
Publicado por populo às 10:50 AM | Comentários (3)
No 24 de Abril...
Um caderno de capa castanha IV
Olha uma coisa, tu falaste-me do teu Jardim-Escola (pelo que percebi uma decisão dos teus pais ‘avançada’ para a época) mas como foi a escola?
«Também há bastante que dizer. Os meus pais eram uns anti-fascistas convictos e cresci no meio de fortes críticas ao regime. Contam-me, disso não me lembro, que quando era pequenina e brincava com bonecas, ralhava-lhes dizendo “és má! És pior que o Salazar” o que dá ideia que para mim seria um símbolo do mal. E assim, a escola foi um problema por causa da Mocidade Portuguesa, os pais desejavam que eu fosse iniciada ‘nessa coisa’ o mais tarde possível! Assim sendo, estive até ao exame da 3ª classe numa escola privada, onde só havia actividades da Mocidade ao sábado de manhã e, sempre que era possível, conseguíamos escapar. Não me recordo de grande coisa a não ser uns exercícios físicos e bastante catecismo o que era novidade para mim. Mas esse colégio era caro para as possibilidades dos meus pais e entretanto descobriram uma Escola Oficial onde a directora também era de esquerda e, a pedido dos pais, conseguia que algumas alunas escapassem à Mocidade. Fui lá fazer a 4ª
classe. Não faço a menor ideia de como me conseguiram matricular, porque a escola era bem longe da minha casa… Todas as manhãs ia apanhar o eléctrico longe levando ainda mais meia hora para chegar à escola. E ia sozinha, com 8 anos. Havia maior sentimento de segurança e, por outro lado, creio que os pais desejavam que me tornasse tão autónoma quanto possível. Lá isso…! Comecei a ser autónoma muito novinha.
Essa Escola foi muito importante, pelo que aprendi nas aulas é certo, mas mais ainda pelas lições de vida. Repara que, nessa época, uma menina com a minha origem social não costumava frequentar uma escola pública. Eu era a única lá com pais licenciados - a minha colega de carteira era filha de uma peixeira. Convidei-a para os meus anos e ela ficou deslumbrada, nunca tinha visto uma casa como a minha, coisa que me chocou muito. Quando terminou o ano percebi, cheia de surpresa, que mais de dois terços das minhas colegas não continuavam a estudar, ficavam apenas com a 4ª classe que era o indispensável. Foi um grande abalo, eu sabia perfeitamente que tinha ali colegas muito inteligentes e pareceu-me uma terrível injustiça eu ir para o liceu, algumas para a escola comercial mas a maioria voltar para casa. Mas porquê??? Os meus pais aproveitaram esse choque e explicaram-me o seu ponto de vista sobre a sociedade. Comecei então a ‘ser de esquerda’...
Também é certo me revoltou ver os castigos físicos, que na outra escola não existiam. Por cada erro de ortografia era uma reguada na palma da mão, e com muita força que via as lágrimas e o medo de quem estendia a mão para apanhar. Eu escapei sempre, creio que o estatuto dos meus pais incutia algum respeito à senhora professora e por outro lado era boa aluna, tinha muito boas condições de estudo em casa.
Claro que os sexos eram rigorosamente separados, as meninas numa escola os rapazes noutra, nem lhes passaria pela cabeça a pouca-vergonha de uma escola mista! E também se usava sempre uma bata branca que tapava a nossa roupa pessoal, o que não era mau porque evitava comparações mas por outro lado ajudava a esconder as situações de maior pobreza, porque “olhos que não vêm coração que não sente”! Era ‘uma igualdade’ um tanto fictícia. Quanto às matérias de estudo, fica para outra conversa que há muito a dizer e esta, hoje, já vai longa» Clara
Emiéle
Publicado por populo às 10:30 AM | Comentários (5)
Uma imagem por dia

Emiéle
Publicado por populo às 10:25 AM | Comentários (4)
abril 22, 2006
O Desenvolvimento de um país e a Função Pública
Quando estamos cansados de ouvir que todos os males que nos afligem nascem de em Portugal existirem muitos funcionários públicos, dando até um pouco a ideia que se por magia se conseguisse exterminá-los todos entraríamos numa Idade de Ouro, é interessante dar uma olhadela a estes outros números:
O peso dos FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS NA POPULAÇÃO ACTIVA*
*(Dados de 2004)*
Suécia ----------33,3 % *
Dinamarca ---------- 30,4 % *
Bélgica ----------28,8 % *
Reino Unido ----------27,4 % *
Finlândia ----------26,4 % *
Holanda ----------25,9 % *
França ----------24,6 % *
Alemanha ----------24 % *
Hungria .----------22 % *
Eslováquia .---------- 21,4 % *
Áustria ---------- 20,9 % *
Grécia ----------20,6 % *
Irlanda ----------20,6 % *
Polónia ----------19,8 % *
Itália ----------19,2 % *
República Checa ----------19,2 % *
*PORTUGAL ----------17,9 % **
Espanha ----------17,2 % *
Luxemburgo ----------16 % *
Isto é esquisito, não é? Mas… afinal… então como é que pode ser? Como é que esses países conseguem ser desenvolvidos com esse peso tão grande? Se calhar a gestão é que não grande coisa cá por casa.
Emiéle
Publicado por populo às 04:21 PM | Comentários (12)
A memória
É um dos nossos bens mais preciosos.
Sem memória quase nada existia porque não podia haver aprendizagem. Nós aprendemos porque fixamos e depois podemos repetir. E é sabido que a memória se treina, que existem exercícios para isso e que por outro lado se “gasta”. O facto de recordarmos muito melhor as coisas que aprendemos em crianças do que aquilo que se aprende já com alguma idade é porque ela começou a ficar gasta. E o caso conhecido de que um idoso se lembra muito bem da sua festa dos 8 anos mas não do que comeu na véspera, é exactamente porque aos 8 anos a memória tinha outra qualidade e os factos que lá ficaram impressos já não se apagam. E a partir de uma certa idade todos começamos a brincar (mas com alguma amargura) quando não nos lembramos de algumas coisas. Falamos do “primo alemão” mas com um apertozinho no coração – será que estamos a ficar velhos? Aparece-nos agora um estudo interessante.
Essa perda de memória não é uma fatalidade que implique resignação. Podemos lutar contra ela. Mas… conhecem os chamados “lares de 3ª idade”? Já visitaram aquelas salas de velhinhos com uma manta nos joelhos , enfileirados a olhar para a televisão? O que o estudo nos diz, e faz o maior dos sentidos, é que «quando determinadas capacidades não são exercitadas, vão ser inevitavelmente perdidas». O facto é que nesses “lares” (palavra detestável porque falsa, qual lar qual carapuça!) mesmo os mais cuidadosos, seguem os conselhos médicos que insistem na alimentação, sono e até exercício físico – isso já muuuuito mais difícil – e, nos melhores casos, alguma ‘diversão’. Mas onde se faz essa “ginástica mental” para manter a memória em melhor estado?! Nem nesses lares nem em casa, apesar de quando a pessoa ainda está inserida na comunidade continua a ser estimulada a fazer uso das suas competências. De qualquer modo isso não lhe é “receitado”. Paradoxalmente pedem-se “medicamentos” para a memória mas não existe ainda a noção que o melhor medicamento é o seu treino, é a sua prática. Era muito importante que essa imagem passasse, sem ‘culpabilizar’ quem se sente sem memória, mas sem facilitar. Insistindo no esforço, e aplaudindo quando o resultado é bom.
Porque, voltando à minha primeira frase, ela é um dos nossos bens mais preciosos.

Emiéle
Publicado por populo às 04:00 PM | Comentários (7)
Outro título idiota
Ainda um dia crio aqui uma secção de “Títulos Incríveis”.
É que a nossa imprensa parece apostada num campeonato do disparate.
Vejam só:
Rei Gyanendra do Nepal interrompe ditadura
Interrompe!
Mas tenham calma que “pedimos desculpa por esta interrupção, mas o programa prossegue dentro de momentos”. Imagina-se que uma ditadura se interrompe? Deve dar um grande alívio, porque sabem que depois deste periodozinho ‘democrático’ virá aí de novo a mesma ditadura interrompida.
Tenham dó!!!
Mas não há um curso de jornalismo? E estes textos não costumam ser revistos por um chefe que os pode corrigir? Porque ainda por cima não é no corpo do texto, nem no lead da notícia, é exactamente UM TÍTULO. E ninguém ficou chocado…

Emiéle
Publicado por populo às 10:16 AM | Comentários (6)
Polícias zangados
Realizou-se ontem "um desfile” de polícias entre a Voz do Operário e a Praça do Comércio. É lá que se situa o Ministério da Administração Interna que os tutela. Foi também lá que se deu o triste espectáculo há uns anos (17?), de colegas com fardas diferentes para se distinguirem, a tentarem dispersar uma outra manifestação daquilo que ainda não era um sindicato…
Por grande coincidência, tive uma reunião profissional na Voz do Operário um pouco antes, não sabia da manifestação, mas à saída pude assitir ao vivo como se iniciou. Ontem tudo se passou com calma, um dirigente afirmou, "os polícias só exigem o direito à greve porque o Governo não respeita a lei sindical nem se abre à negociação com os sindicatos” e que “continuamos a exigir, como há 17 anos, melhores condições de trabalho, mais meio e equipamentos e mais democracia no seio da PSP"
Se calhar um pouco de diálogo não faria mal nenhum a ninguém.
Diz-se que a falar é que a gente se entende...
Emiéle
Publicado por populo às 10:11 AM | Comentários (7)
No 24 de Abril...
“Decoro” e “decência”
Como disse de início destes apontamentos, algumas destas pinturas que tenho traçado começaram a empalidecer no tempo do “marcelismo” mas em pleno salazarismo, os bons costumes eram para ser respeitados e pronto!
Vamos imaginar as normas para o vestuário. É daquelas coisas que hoje já custa a acreditar.
Um rapaz para passar pela porta da faculdade devia ir de gravata, a rapariga de saia. Caso contrário o porteiro não os deixava entrar. Mai nada!!!
Um biquini na praia ( oooohhhh!) só mesmo as descaradas das estrangeiras e depois no marcelismo. Havia um 'cabo do mar' para velar por esse decoro. Manifestações de carinho em público com limites – vá lá, um beijo e que não fosse muito ‘cinéfilo’ porque de resto as pessoas comportavam-se.
Era muiro mais do que o simples 'parecer mal', porque havia mesmo uma fiscalização, uma polícia de costumes.
Uma pessoa podia passar um mau bocado por ofensa aos bons ( ? ) costumes.
Emiéle
Publicado por populo às 10:01 AM | Comentários (8)
Uma imagem por dia
Adoro esta imagem!
Bem sei que todos a conhecem, mas tem tudo o que deve ter. Uma ponta de sonho sobre a realidade e o pingo de vermelho neste cinzento de neblina da história passada.
Nunca é demais olhar para ela.

Emiéle
Publicado por populo às 09:56 AM | Comentários (7)
Outra vez Felgueiras
A senhora com o nome da sua autarquia (deve ser por isso que estava fadada para sempre lhe ganhar as eleições) volta a ser notícia.
O que seria de imprensa sem estas notícias(zinhas) – eram tudo coisas pesadas! Estes senhores existem para aligeirar as notícias.
Ora bem, a dita senhora com nome de terra, tinha escapado uma vez porque como tinha dupla nacionalidade usara o seu segundo passaporte – o brasileiro. Desta a vez, a juíza, senhora precavida, pediu-lhe que entregasse esse famoso passaporte.
Azar! Parece que tinha ficado mo bolso do casaco, lá nos Brasis. Com a pressa de regressar nem fez as malas como devia.
Mas a juíza, chata, insiste: ou lhes dá o passaporte ou o caso está mal parado! Ai, ai!
E então, a senhora deve lembrar-se que há “correio azul” ou coisa que o valha e cá está: Chegou o passaporte desaparecido!
Uff!!! Já não vai responder por 24 crimes, assim ficam só os tais 23. Não chega a duas dúzias…
Emiéle
Publicado por populo às 09:38 AM | Comentários (5)
abril 21, 2006
Seria tão fácil…
De vez em quando dá-se um acontecimento que vem pôr em foco as capacidades de generalização que todos nós temos em maior ou menor grau, mas que naturalmente distorce a realidade. Eu não estou isenta desse pecado, como é natural, também digo quando calha “os homens” são assim, ou “os polícias” são assado, enfiando no mesmo cesto toda a gente!
E a verdade é que todo o ser humano cabe sempre numa categoria qualquer. Há as grandes categorias, os Homens, as Mulheres, os Brancos, Pretos, Amarelos, há as médias, os Adolescentes, os Homossexuais, os Trabalhadores, e há as pequeninas, os Médicos, os Alentejanos, os Divorciados… E quando generalizamos arrumamos facilmente essa pessoa numa caixa já toda catalogada com virtudes e defeitos coladinhos para sempre. É prático. Mas é falso.
A propósito deste último crime mediático, tenho ouvido hoje todo o dia a frase “os negros são assim”. Como nasce logo discussão há quem contraponha que não senhor” os negros” até são assado. Tem-me feito uma grande impressão, as conversas que vou ouvindo, porque os actos não se podem explicar pela cor da pessoa, pelo sexo, pela profissão, pela vida familiar, pela educação. É claro que há factores que podem agravar as atitudes que se tomam, mas sozinhos não servem para nada. O ser humano é muito mais complexo do que uma simples soma de factores. Conhecemos irmãos que optaram por vidas opostas, gente pobre ou rica com capacidades e modos de agir bem diferentes dos seus pares, e quanto à profissão, isso então, em todas elas há gente excelente e verdadeiras nódoas.
Mas a prevenção seria bem mais fácil se assim não fosse. Metiam-se todos os dados em computador e de vez em quando ele começava a apitar e acender luzinhas vermelhas assinalando que o ser humano X ia disparatar. Só que a margem de erro era incomensurável, porque realmente o tal ser humano não cabe nos limites desta fria estatística.
Felizmente! Abençoado livre arbítrio.
Emiéle
Publicado por populo às 04:50 PM | Comentários (9)
Uma notícia chocante e a informação

Remeto-vos para o post do Troll chamado «um Filme de Terror».
Ontem de manhã passou-se uma cena de sangue que realmente costumamos ver no cinema e não entre pessoas que se conhecem. A Isabel estava ontem em estado de choque, e seria de estranhar que assim não fosse.
O que acho um pouco estranho são os pormenores que se lêem na imprensa e que não coincidem com as informações que a Isabel mesmo em cima do acontecimento e falando directamente com quem estava a par de tudo recebeu. O agressor iria simplesmente ser chamado à atenção pelo modo mal-educado e grosseiro como se dirigiu à funcionária da Junta; não estava em causa um despedimento como algumas notícias afirmam. Mesmo que o fosse é óbvio que a reacção, tão premeditada, é muito chocante. Só imagino tratar-se de um caso de doença mental, de alguém com um profundo desequilíbrio. Mas o certo é estarem agora duas pessoas às portas da morte e outras duas feridas por alguém que decerto deveria estar em tratamento psiquiátrico o não estava.
Emiéle
Publicado por populo às 08:27 AM | Comentários (5)
Uma imagem por dia
As 'paredes falavam', e estes murais do "educador da classe operária" gostássemos ou não dele, eram sempre muito bons. Não tenho registos dos melhores, fica apenas uma amostra.

Emiéle
Publicado por populo às 07:58 AM | Comentários (7)
No 24 de Abril...
Medidas de “Segurança”
E quando finalmente o preso ia a julgamento, (quando ia ) em Tribunal Plenário, as testemunhas de defesa tinham de ser muito corajosas para abonarem em seu favor! Porque se o achavam boa pessoa se calhar era porque também eram como ele, e pelo sim pelo não seriam investigadas. A sentença já era sabida antes do julgamento, porque nunca havia absolvição. E, requinte especial, para além da pena propriamente dita, existiam as “medidas de segurança” que a podiam prolongar indefinidamente, conforme apetecesse às autoridades. Chamavam “medidas de segurança” a um prolongamento da prisão sem limite de tempo e sem prestar contas a ninguém.
Era o reino do perfeito arbítrio
Emiéle
Publicado por populo às 07:58 AM | Comentários (6)
Bagunça no Hemiciclo

Não quero discutir aqui a Lei em questão, mas mais uma vez a triste imagem que nos dá a Assembleia da República.
Ontem foi à votação na Assembleia uma lei sobre a Paridade. Não sei se estará certo, se é necessário esta medida de força para que uma coisa tão natural aconteça. Tenho ouvido argumentos de um lado e de outro, sei que alguns dos países onde essa paridade é mais praticada também foi iniciada com uma medida semelhante, mas… não simpatizo nada com ela.
O que é chocante é ver-se ( e a TV mostrou-o ) a votação e o modo como os deputados reagiram. O voto passou a ser electrónico, recentemente. Não faço a menor ideia de como é mas há um cartão que cada deputado possui e deve introduzir lá no mecanismo. E ontem, que a luta era decidida por um voto a favor ou contra, na primeira contagem o resultado parecia errado - apareciam menos votos do que votantes e várias pessoas se queixaram de que não tinham conseguido votar. Tentou-se várias soluções para resolver o problema, porque o regimento não permitia simplesmente repetir-se tudo. Mas o estranho foi ver que a ala a quem convinha aquele resultado, insistir que mesmo com provas de que havia votos não contados, aquele é que era o válido e mais nada! A prova de que o resultado não transmitia a verdade, é que depois de todos contados a situação inverteu-se. E lemos que um dos partidos que a não queria afirma que «tentará impugnar a lei por todas as vias» e pediu ao P.R. que a mande ao Lei para o Tribunal Constitucional.
É o chamado “mau perder”.
Emiéle
Publicado por populo às 07:14 AM | Comentários (5)
abril 20, 2006
Afinal isto não é uma cadeia!
A Isabel convocou-me para o que pensei ser mais uma espécie de cadeia. Resmunguei porque achei que já tinha dado para muitos destes peditórios. Afinal o Fernando vem dizer que não preciso de passar o testemunho a ninguém.
Uff!
E então “é assim”:
«A partir do poema de Brecht, "Lista de preferências", cada um faz o seu próprio poema. É condição que rime e que não repita o original.»
O que me saiu foi isto. Serve, Isabel e Fernando?
Alegrias, do meu tempo
Dores, de crescimento
Casos, não os lamento
Conselhos, leva-os o vento
Meninas, de grande riso
Mulheres, sem nenhum siso
Orgasmos, no paraíso
Ódios, são para esquecer
Domicílios, para crescer
Adeuses, com a saudade
Artes, com a liberdade
Professores, para a verdade
Prazeres, de sensibilidade
Projectos, de felicidade
Inimigos, não tem história
Amigos, grande memória
Cor, é a luz da vida
Meses, passam de fugida
Elementos, são as portas
das Divindades, já mortas
Acho que cumpri. Não os repeti e …enfim, rima.
Emiéle
Publicado por populo às 02:19 PM | Comentários (6)
Música em Abril
A canção que hoje aqui deixo não é tão consensual como as outras.
Pode haver quem não concorde com a opinião do Zé Mário mas para mim é dos testemunhos mais comoventes da trajectória que foi esse ano da Primavera ao Outono, dos sonhos ao acordar.
Gosto muito desta canção.
Quando o avião aqui chegou
quando o mês de Maio começou
eu olhei para ti
então entendi
foi um sonho mau que já passou
foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
uma flor vermelha n'outra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a fronteira me abraçou
foi esta bagagem que encontrou
Eu vim de longe
de muito longe
o que eu andei p'ra'qui chegar
Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar
E então olhei à minha volta
vi tanta esperança andar à solta
que não hesitei
e os hinos que cantei
foram frutos do meu coração
feitos de alegria e de paixão
Quando a nossa festa s'estragou
e o mês de Novembro se vingou
eu olhei p'ra ti
e então eu entendi
foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
coisas começadas noutra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a espingarda se virou
foi p'ra esta força que apontou
Publicado por populo às 08:24 AM | Comentários (8)
No 24 de Abril...
Prisão
A prisão para quem se opunha ao regime é hoje conhecida de todos. Mesmo os mais “distraídos” conhecem esse facto. Mas talvez não se avalie bem o que isso significava.
Uma pessoa podia ser presa, quase sempre com bastante aparato de madrugada para ser encontrado ainda meio ensonado e pouco lúcido, * e a sua casa vasculhada de uma ponta à outra para encontrar as provas desse ‘crime’ de discordância e de quem eram os cúmplices, quem partilharia essas opiniões. Era levada sem a família a poder contactar nem poder ter o apoio de um advogado. Quanto à violência desses interrogatórios, quer física quer psicologicamente já são conhecidos, creio eu. Não era só a pancada, a violência física, mas outras violências mais subtis que deixavam menos marcas. A tortura da “estátua” por exemplo. O preso em interrogatório ficava de pé, sem se poder mexer, o tempo que os polícias entendessem. Podiam ser horas, podiam ser dias. Ou a tortura do sono. Impedir-se a pessoa de dormir dias e noites seguidas.
E podia passar-se um tempo infinito até ao julgamento, quando o havia. O preso podia passar dias, semanas, meses, fechado numa cela, em isolamento, sem ver absolutamente ninguém, enlouquecendo aos poucos. Quando o seu crime era um delito de opinião.
*
«era de noite e levaram
quem nessa cama dormia
.............» quem não se lembra da canção?
Emiéle
Publicado por populo às 08:05 AM | Comentários (11)
Uma imagem por dia
Mais um cartaz.
Anos depois, mas o mesmo espírito.

Emiéle
Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários (2)
Manigâncias do fisco
Quando comecei a ler a notícia imaginei outra coisa. O título era “Penhora de créditos sobre terceiros apanha contribuintes sem dívidas” e imaginei que a ideia era apanhar alguns grandes devedores que se acautelaram e passaram os seus bens todos para o nome de familiares, assim por exemplo um sobrinho que vivesse na Suiça, e quando as Finanças lhes exigissem o pagamento de dívidas não o pudessem fazer por não terem nenhum bem. Sabemos que isso acontece e pensei que seria uma complicada jogada de xadrez que fosse nesse sentido.
Mas não. A coisa é muito mais complicada, e para quem está de longe parece um pouco perversa. A ideia é mesmo investigar e penhorar bens de pessoas que têm tudo em ordem mas que têm relações comerciais com o devedor. O exemplo que dão faz pensar:
Imaginou-se um pintor que tenha dívidas ao fisco. Efectuou um trabalho e seria pago por ele, mas o fisco apodera-se do dinheiro desse pagamento como forma de saldar essa dívida. Até aí… Mas a pessoa que deve pagar ao pintor ainda não o fez – terá 10 dias para o fazer ou tem os seus bens penhorados. Contudo se já o fez e não apresentar prova desse pagamento a DGCI assume que o mesmo não foi feito e, como tal, efectua a penhora ao contribuinte.
Será que isto vai funcionar para todos? Bancos? Estado?
Ia ter graça o Estado ter 10 dias para pagar o que deve a muita gente, que está meses e meses à espera de tantos pagamentos!
Emiéle
Publicado por populo às 07:19 AM | Comentários (4)
A exclusividade

A imagem “dos políticos” não é famosa. Aliás esse fenómeno infelizmente nem é exclusivo de Portugal ( antes o fosse !). E não gosto nada de deitar mais achas para a fogueira, é bom ter-se na cabeça que é sempre muito mau as generalizações. Como em todas e quaisquer profissões há bons e maus profissionais - apesar de nesta área muitos não quererem assumir que são “profissionais”. Mas se o não são deviam sê-lo!
Ora é evidente que quando se quer um trabalho bem feito, devemos dedicar-nos a ele de alma e coração que é como quem diz, não pensar noutra coisa. Quando se fazem biscates, esse trabalho não passa disso, de biscates.
Um deputado é bem pago. Não me venham dizer coisas e acenar com os ordenados de outros países, nós vivemos em Portugal e a função pública tem um leque salarial onde o deputado ocupa uma das pontas. Além disso ninguém é obrigado a aceitar um lugar numa lista – se considera que a sua carreira é mais importante, faz a sua opção. Muito firmemente diz que NÃO, e continua a profissão que escolheu e de que gosta mais.
Mas quando aceita, aceita.
Se realmente for verdade que um terço dos nossos deputados não o é em exclusividade alguma coisa anda mal.
Isto de se ter dois amores, era o Marco Paulo e era lá com ele.
A verdade é que me chocou o número ser tão elevado. Não é um caso ou outro esporádico, o que se vê é que em cada 3 deputados um deles acumula as funções com outra actividade remunerada.
Tá mal. Mesmo muito mal! Assim nunca mais vão conseguir “limpar” a imagem que dão. E era bom que isso os preocupasse.
Emiéle
Publicado por populo às 07:03 AM | Comentários (5)
Leque salarial mais aberto
Nada de espantar.
Quando tenho dito por aqui que vivemos em dois Portugais, e que se há muita gente a viver mal e com pior poder de compra do que tinham, outros não têm grande razão de queixa. Isso não é um ‘palpite’, isso confirma-se.
Não só as mulheres continuam a ser mais mal pagas do que os homens, como nos últimos 10 anos o leque salarial abriu-se mais.
As diferenças entre os que ganham mais e os que ganham menos são cada vez maiores. E isso foi mais acentuado nos últimos 5 anos!
Sem querer tirar já grandes conclusões, é pensarmos quem tem gerido este país desde 2001 e reflectir se as políticas seguidas têm sido salutares para todos os portugueses.
Para alguns foram-no decerto.
Emiéle
Publicado por populo às 06:23 AM | Comentários (3)
abril 19, 2006
Pormenor de almanaque
…mas engraçado:
«Na quarta-feira, de hoje a quinze dias, dia 4 de Maio de 2006, quando forem 2 minutos e 3 segundos depois da 1 hora da manhã, as horas e o dia serão assim:
Isto nunca mais vai acontecer na tua vida.»
Emiéle
Publicado por populo às 02:40 PM | Comentários (5)
Amanhã vou ao casino gastar um cêntimo
Até aí ainda chego.
Hoje parece que é para VIPs e gente assim.
Mas amanhã, ou lá para o fim-de-semana vou ao Casino, ali no Parque das Nações e vai ser uma grande festarola. Posso ir de metro, que tenho passe social. E depois vou até a uma slot-machine e meto-lhe um cêntimo. Parece que chega… Afinal é questão de sorte não é? Alguém pode garantir que não me saem logo aqueles limões todos alinhadinhos?!
Não é isso que é um jack-pot?
Esta da aposta a cêntimo é das cenouras mais tenrinhas que tenho visto pendurar à frente do focinho de qualquer burro.
Emiéle
Publicado por populo às 02:10 PM | Comentários (5)
Balde higiénico?
Pelo que se lê, esta do «balde higiénico» é um belo de um eufemismo.
Trata-se de um penico colectivo numa cela de uma prisão. E pelo que se vê, ainda o ano passado se viu que existia em 1878 celas «aquele dispositivo de apoio às necessidade mais básicas».
Parece que o Ministério da Justiça encaixou a necessidade de extinguir este objecto na letra B ( de balde ) porque fez um glossário, de A a Z, enumerando as necessidades do sector.
Esta “necessidade” deixa-nos de queixo caído. Que no ano 2006 ainda numa grande percentagem das nossas cadeias os presos façam as suas necessidades num balde, dá bem a ideia da falta de higiene e as condições em que se vive.
Será por isso que querem privatizar as cadeias? Para acabar com os penicos, porque aí quem os vai fornecer será a empresa que vai gerir a prisão.
Ele há cada uma…
Emiéle
Publicado por populo às 01:47 PM | Comentários (3)
No 24 de Abril...
Expressão de opinião em público
Este ponto é o mais vistoso e aquele que toda a gente conhece, mas nunca é demais relembrar.
Quando hoje, com toda a naturalidade, na fila do autocarro, ou na caixa do supermercado, ou até apreciando um objecto numa montra, se tem um desabafo com um desconhecido qualquer “Isto está cada vez pior!”, ou “Nem sei onde vamos parar”, esquecemos até que ponto essa franqueza era inadmissível antes do 25 de Abril. Não só com um desconhecido como eu agora escrevi, mas até mesmo uma conversa entre dois amigos, uma troca de opinião pessoal e em voz baixa, podia ser ouvida e denunciada à polícia política. Todo o cuidado era pouco, porque por todo o lado estavam “os olhos e ouvidos do rei”. E algumas palavras ditas distraidamente, um desabafo descuidado e sem qualquer intenção, podia ser o início de um calvário que não se sabia qual o fim. A verdade é que mesmo que a pessoa não fizesse mais nada senão protestar, isso era já um delito.
Poderia muito bem, por exemplo, por isso mesmo perder o seu emprego.
Emiéle
Publicado por populo às 08:25 AM | Comentários (13)
Uma imagem por dia
Mais uma criança que nos mostra o que viu ou que imaginou, com uns toques de fantasia.
É tanto o pormenor que se nota o prazer com que o trabalho foi feito.

Emiéle
Publicado por populo às 08:20 AM | Comentários (5)
A recuperação pela tinta

A notícia é engraçada.
Parece que há uns prédios na Baixa em muito mau estado. Pois é, quem é que o não sabe?
E então temos uma empresa que vai doar uns milhares de litros de tinta para pintar os prédios da Baixa de Lisboa.
Bom, é melhor do que nada. Ficam mais bonitos com certeza, mas por detrás da tinta…? Não posso deixar de achar um bocadito caricato, tal como uma senhora muito idosa que em vez de tratar as mazelas, põe pó-de-arroz, blush, e rimel.
Enfim…são coisas...
Emiéle
Publicado por populo às 07:57 AM | Comentários (5)
Falta uma às 333

Afinal o Simplex tem de ser aperfeiçoado.
Será admissível que a um empresário que vai a um Centro de Emprego oferecer 2 empregos lhe seja exigido cópia do registo comercial da empresa, cópia da declaração do início de actividade, declarações, "sob compromisso de honra", da inexistência de dívidas à Segurança Social, de dívidas às Finanças e de salários em atraso ?
Mas de que é que se tem medo? Que a empresa não exista e afinal não dê trabalho aos 2 desempregados?
É bem mais fácil pôr um anúncio num jornal. E os desempregados lêem-nos decerto!
Há coisas estranhas.
Emiéle
Publicado por populo às 07:41 AM | Comentários (5)
Cadeias privadas
Sou tão ingénua que sempre achei que era uma espécie de graça.
Quando se falava em privatizar a Saúde, ou a Educação, ou os apoios sociais, veio na também onda que, já agora, as Cadeias também se podiam privatizar. E ouvi isso como uma piada.
Com um enorme espanto reconheço que me enganei e se estava a falar a sério.
Bom, não é exactamente as cadeias que se privatiza por enquanto é a segurança das cadeias. Parece que a ideia que toma corpo é em lugar de existirem guardas prisionais se entregar a função a empresas de segurança.
Mas qual a ideia? Poupar-se dinheiro?
Aliás entregar-se a cadeia a empresas de segurança privadas é realmente “privatizar-se a cadeia”. Afinal o que é que é nosso? O edifício. Se quem manda lá dentro, se os responsáveis são privados é toda a noção de prisão que é atingida.
Ainda não acredito bem.
Emiéle
Publicado por populo às 07:34 AM | Comentários (7)
abril 18, 2006
Quatro mil velas
Há quinhentos anos, nos dias 19, 20 e 21 de Abril, deu-se na cidade de Lisboa uma das maiores matanças de judeus que há memória na nossa terra.
Conta-se que tudo começou quando na Igreja de São Domingos alguém clamou por milagre acreditando ter visto o rosto de uma imagem de Cristo aparentemente iluminar-se, e um dos presentes, cristão-novo esclareceu que era apenas um reflexo de um raio de sol que entrando por uma fresta provocava esse efeito.
Foi o que bastou para que uma multidão enlouquecida o matasse a ele e ao irmão à pancada e depois percorresse as ruas da Judiaria matando todo o ser vivo que encontrasse à frente. 4.000 desgraçados morreram em 3 dias!
Perante um horror tamanho, faço aqui eco da ideia do Nuno Guerreiro da Rua da Judiaria para que nestes dias de Abril, vamos ao Rossio acender uma vela pelas vítimas de tal massacre.
Pede-se 4.000 velas, uma por cada vítima.
Porque esquecer é pactuar.

Emiéle
Publicado por populo às 03:30 PM | Comentários (4)
Uma imagem por dia
Quando os artistas participaram.
Esta foi a conhecida colaboração artística de Bartolomeu Cid.
Uma linda gravura que na altura enfeitou muitas casas de quem a conseguiu comprar.
O nosso cravo.

Emiéle
Publicado por populo às 08:30 AM | Comentários (5)
No 24 de Abril...
A «declaração anti-comunista»
No tempo do “24 de Abril” para se entrar no funcionalismo público para além das habilitações próprias para o cargo a que concorria, atestado de saúde, prova de que não estava tuberculoso, era ainda necessário um documento. Atenção, não se esqueçam que antes de se pensar nesse contrato se tinha de consultar a informação da polícia política para saber se a pessoa que ia ser administrativo ou professor por exemplo, tinha já sido investigado pela PIDE. Antes do mais teria de ter esse aval.
Mesmo assim, mesmo que nada constasse, o candidato tinha de assinar um documento em como jurava pela sua honra que não processava nenhuma ideologia que fosse contra as normas do estado, o que em gíria se chamava a “declaração anti-comunista”. Claro que o valor de um documento obtido dessa forma era muito relativo não era nenhum, mas de qualquer modo ter de o assinar era vexatório.
Emiéle
Publicado por populo às 08:20 AM | Comentários (5)
Títulos
Bem sei que o termo está entre aspas. De qualquer modo o que se lê é:
Uma mulher "normal" na chefia da Polícia o que nos alegra, porque a ideia de uma mulher com duas cabeças seria de assustar qualquer criminoso mas possivelmente também os seus colaboradores.
Afinal o que a senhora disse foi muito simplesmente uma frase inocente: "sou uma pessoa simples, com uma vida normal como mulher, mas familiarmente diferente". Uff….
Título à parte, o facto de uma mulher assumir o comando de uma polícia distrital é um facto notável. Pensar que ainda há poucos anos ( o 25 de Abril foi ontem ) seria completamente impensável sequer uma mulher pertencer a esta corporação…

Emiéle
Publicado por populo às 08:01 AM | Comentários (6)
A solução para as maternidades que desaparecem

Afinal não é difícil.
Está à vista, se se equipar um pouco melhor as ambulâncias, as parturientes poderão começar a dar à luz aí, na ambulância, seguir até a um hospital para confirmar que está tudo bem e regressar a casa.
Note-se que nestes casos referidos até seriam partos complicados: um era um bebé de 7 meses e noutro estaria prevista uma cesariana porque o bebé não tinha dado a volta! Mas, pronto, na ambulância tudo se resolveu.
Mais barato é difícil.
Haja Deus!
Emiéle
Publicado por populo às 07:41 AM | Comentários (4)
Confusão na Pêjota
A Judiciária fez greve.
O que se passa na realidade, neste organismo? Para além do evidente braço-de-ferro com a tutela e dos conflitos que isso desencadeou entre ministros, muita coisa se passa naquela casa a precisar de clarificação.
A falta de dinheiro é daquelas coisas evidentes. Aliás não é apenas lá, mas ali é tão óbvio que se torna chocante. Naquele caso a falta de dinheiro para se poder trabalhar é tão ridícula que tem como “símbolo” ao caso de não haver dinheiro para pagar as portagens nas auto-estradas e ‘queimar-se’ voluntariamente a Via Verde para se passar. Isto num serviço que deve velar pelo cumprimento da lei, parece uma anedota!
E depois alguém explica ao público o que é essa coisa da dispersão de tesourarias [….] e que apenas 23% das verbas disponíveis estão a ser usadas .
Como é??? Mas porque raio é que há várias tesourarias? Ouvi para aí falar num Simplex… Decerto que essa seria uma medida natural, juntar diversas tesourarias para utilizar correctamente as verbas.

Emiéle
Publicado por populo às 06:37 AM | Comentários (3)
Posso, quero e mando
Muitas das decisões do governo pecam, primeiro de tudo, por um pecado dos mais antipáticos – o não dar explicações porque é que são tomadas. Para além de poderem estar certas ou erradas, o que mais revolta é a arrogância de tratar as pessoas como autómatos, declarando “agora passa a ser assim” e mais nada! Quem quer vai, quem não quer vai na mesma.
E se há classe profissional que tem estado particularmente na berlinda são os professores. Desta vez, a meio de um ano lectivo, professores que, por motivo fundamentados foram declarados incapacitados para a docência e estão a exercer outras funções, estando a trabalhar longe da sua escola de origem, receberam bruscamente ordem para se apresentar lá .
Qual a ideia? Se não vão exercer a docência…? Ou vão? E em que é que isso beneficia o ensino? Imagino o que seja receber a meio de o ano lectivo professores com que não se estava a contar para integrar projectos que já estão em funcionamento.
Tudo isto através de mail, quer para os professores cujas vidas terão de mudar de um dia para o outro, quer para as escolas que terão de os integrar sabe-se lá como.
E sem uma explicação.
Emiéle
Publicado por populo às 06:34 AM | Comentários (3)
abril 17, 2006
Acidentes
Alguns acidentes, quando se trata de figuras conhecidas e mediáticas, têm um impacto especial.
Eu devo ser das poucas portuguesas que não vê os famosos Morangos com Açúcar, e desconheço quem lá entra. Mas sei perfeitamente que é uma série vista por todos os jovens, mesmo ainda muito jovenzinhos, e bastantes adultos. Portanto os seus actores tornam-se figuras “públicas” e populares.
Infelizmente um jovem actor dessa série morreu esta madrugada, num acidente de viação. Pelo que se percebe do relato do acidente a responsabilidade terá sido apenas do próprio uma vez que foi embater de encontro a uma árvore. Excesso de velocidade? Sendo o acidente de madrugada, estaria cansado? Teria bebido demais? O que penso é que desta história tão triste algo de positivo talvez se consiga tirar: sensibilizar sobretudo os mais jovens para os perigos da condução. Muitas vezes uma situação destas faz mais como chamada de atenção do que uma campanha completa de prevenção rodoviária.
Emiéle
Publicado por populo às 09:26 AM | Comentários (11)
Canções de Abril
Todos conhecemos as canções que se cantaram baixinho e se começaram a cantar bem alto depois de Abril. Eram canções com "mensagens" um pouco em código, que rigorosamente eram 'inocentes' mas quem as cantava sabiam que tinham endereço.
Uma das mais belas e que foi muito cantada antes de Abril, chamava-se Pedra Filosofal. Foi um símbolo de uma época, uma letra belíssima de António Gedeão e cantada na voz de Manuel Freire.
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer...
Está aqui, para quem se lembra:
Emiéle
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos
que em verde e ouro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma. é fermento,
bichinho alacre e sedento.
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel.
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança.,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre a mãos de uma criança.
Publicado por populo às 09:08 AM | Comentários (10)
No 24 de Abril...
Filhos Ilegítimos
Como consequência da Lei da Concordata de que falei lá atrás acontecia que as pessoas se separavam e uniam-se com outros parceiros mas tinha de ser tudo na ilegalidade. Se no novo casal acontecesse nascer um bebé, a questão era gravíssima. Se era o pai que tinha tido um casamento anterior, a solução era a criança ser registada como filha de pai incógnito, ilegítima, mesmo que sempre vivesse com aquele seu pai verdadeiro e que bem gostaria de o assumir. Se era a mãe que vinha de outro casamento, o problema era ainda mais grave porque o bebé pertencia legalmente ao “marido” legal dessa senhora. Se o pai fosse solteiro, poderia registar-se com o nome do pai e filho de mãe incógnita ( extraordinário!) Se os dois tinham sido casados a questão era quase insolúvel.
De qualquer modo para uma criança era uma nódoa social, aparecer perante os seus colegas como de pai incógnito…
Emiéle
Publicado por populo às 08:50 AM | Comentários (8)
Uma imagem por dia
A coexistência dos tanques e da população que os apoiava.
As expressões ainda eram preocupadas, mas notem que o Condes exibia o ... "Esquadrão Indomável"!
E foi indomável, realmente.

Emiéle
Publicado por populo às 08:45 AM | Comentários (7)
Teledependência

Volto a afirmar que não tenho nada contra os telemóveis, muito pelo contrário… As vezes que tenho aqui falado no assunto até parece uma dessas mini-causas ou coisa parecida. O que não gosto é de dependências, sejam elas do que forem.
E vi agora um estudo, discutível é claro, que integra o uso do telemóvel – por um lado como pressão social ( “o facto de toda a gente ter um telemóvel, faz com que as pessoas se sintam excluídas e pressionadas a adquirir um” ) por outro como necessidade de estar em contacto permanente com as pessoas de quem se gosta.
Ora é esta faceta que me impressiona um pouco.
Eu até sou uma pessoa bastante afectiva. Gosto de muitas pessoas, e de algumas delas gosto muitíssimo. Mas estar em contacto permanente?... Que sufoco!
Acredito que seja realmente esse um factor, que faz com que se veja tanta gente que se passeia de telemóvel na mão sem o largar um instante que seja. Ouvimos na rua muita gente a ligar e a perguntar “onde estás?”. Quando mo perguntam a mim costumo responder cortesmente “podes falar, sim” mas sem dizer onde estou, era o que mais faltava!
É como tudo. Em doses normais é uma vantagem, em overdose é uma dependência de que fujo como o Diabo da cruz.
Emiéle