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abril 22, 2006
A memória
É um dos nossos bens mais preciosos.
Sem memória quase nada existia porque não podia haver aprendizagem. Nós aprendemos porque fixamos e depois podemos repetir. E é sabido que a memória se treina, que existem exercícios para isso e que por outro lado se “gasta”. O facto de recordarmos muito melhor as coisas que aprendemos em crianças do que aquilo que se aprende já com alguma idade é porque ela começou a ficar gasta. E o caso conhecido de que um idoso se lembra muito bem da sua festa dos 8 anos mas não do que comeu na véspera, é exactamente porque aos 8 anos a memória tinha outra qualidade e os factos que lá ficaram impressos já não se apagam. E a partir de uma certa idade todos começamos a brincar (mas com alguma amargura) quando não nos lembramos de algumas coisas. Falamos do “primo alemão” mas com um apertozinho no coração – será que estamos a ficar velhos? Aparece-nos agora um estudo interessante.
Essa perda de memória não é uma fatalidade que implique resignação. Podemos lutar contra ela. Mas… conhecem os chamados “lares de 3ª idade”? Já visitaram aquelas salas de velhinhos com uma manta nos joelhos , enfileirados a olhar para a televisão? O que o estudo nos diz, e faz o maior dos sentidos, é que «quando determinadas capacidades não são exercitadas, vão ser inevitavelmente perdidas». O facto é que nesses “lares” (palavra detestável porque falsa, qual lar qual carapuça!) mesmo os mais cuidadosos, seguem os conselhos médicos que insistem na alimentação, sono e até exercício físico – isso já muuuuito mais difícil – e, nos melhores casos, alguma ‘diversão’. Mas onde se faz essa “ginástica mental” para manter a memória em melhor estado?! Nem nesses lares nem em casa, apesar de quando a pessoa ainda está inserida na comunidade continua a ser estimulada a fazer uso das suas competências. De qualquer modo isso não lhe é “receitado”. Paradoxalmente pedem-se “medicamentos” para a memória mas não existe ainda a noção que o melhor medicamento é o seu treino, é a sua prática. Era muito importante que essa imagem passasse, sem ‘culpabilizar’ quem se sente sem memória, mas sem facilitar. Insistindo no esforço, e aplaudindo quando o resultado é bom.
Porque, voltando à minha primeira frase, ela é um dos nossos bens mais preciosos.

Emiéle
Publicado por populo às abril 22, 2006 04:00 PM
Comentários
Clap, clap, clap!!!! Que bom post Emiéle! Faz-nos pensar em tanta coisa importante. Temos aqui a nossa blogger do Pópulo no seu melhor.
Excelente.
Publicado por: zorro às abril 22, 2006 06:39 PM
Que belíssima gravura que encontraste para ilustar o post. Fui procurar no google e chama-se mesmo «Vibrazioni della memoria» e é o efeito que faz... (foi lá que a descobriste, não foi...?)
É extremamente importante o que aqui dizes. A verdade é que quem já a perdeu ( as velhinhas da foto, se calhar...) se calhar não o pode evitar, mas para quem ainda vai a tempo, é muito importante termos a ideia de que não 'inevitável'.
Publicado por: Tess às abril 22, 2006 07:15 PM
Ei, juro que não combinei com o Zorro dizer o mesmo que ele diz (até porque nem sei quem ele seja) mas a verdade é que "faço minhas as palavras dele". Que magnífico post. Faz-nos pensar muito - ainda por cima pensar faz bem, não é? :)
Publicado por: Gui às abril 22, 2006 07:33 PM
Um dia destes estava a conversar com uma amigo sobre isto da memória, e concordamos que seria uma das piores coisas que nos poderia acontecer (que o diabo seja surdo, cego, mudo e não tenha internet), e uma coisa horrivel de acontecer a quem lida com este tipo de situações... estar com uma pessoa com quem se passou tantos momentos memoráveis e essa pessoa nem se lembrar quem está à sua frente...
Também partilho a tua opinião sobre a maior parte dos "lares"... que sítios tristes!
Publicado por: Farpas às abril 22, 2006 10:22 PM
Ena, ena, fico aqui a precisar de babete... :)
O que falas Farpas, já é mesmo a DOENÇA. Por mim não ia tão longe apesar de por brincadeira falar no "primo alemão"; mas mesmo uma pessoa normalíssima, pode sentir a memória a desgastar-se. Não como dizes «estar com uma pessoa com quem se passou tantos momentos memoráveis e essa pessoa nem se lembrar quem está à sua frente...» porque isso será já Alzheimer, mas muito simplesmente não saber já bem o que foi o filme que viu há 15 dias, ou ter dúvidas se deu os parabéns à sua amiga que fez anos ou se esqueceu.
Publicado por: Emiéle às abril 22, 2006 11:36 PM
Pois eu sei... eu não quis ir muito por aí porque eu não sou um exemplo de grande memória... Ui ui, claro que nada que se compare com isso mas...
Publicado por: Farpas às abril 23, 2006 12:00 AM
Olha que eu também! Mas vou-me defendendo a poder de post-it, e listazinhas de coisas...
Mas agora vou ver se começo a fazer "ginástica de memória". Não queres abrir um ginásio a meias?
Publicado por: Emiéle às abril 23, 2006 11:35 AM