« Uma imagem por dia | Entrada | Um rally em Lisboa antiga »

abril 04, 2006

cravo2.jpg No 24 de Abril...

O casamento
Sabemos bem que os costumes de hoje aceitam que um casal viva junto e se case, ou não se case ou se case segundo os ritos que muito bem escolha. Quando os motivos que os levaram a unir-se desaparecem, divorciam-se e até podem voltar a casar.
Antes do 25 de Abril o casal que vivia junto sem se casar era mal visto pela sociedade, era “uma vergonha” para a família. E o casamento era religioso em grande parte dos casos, mas se digo em ‘grande parte’ era porque havia casais que apesar de serem católicos receavam esse compromisso. Como existia a “concordata” , uma vez casados nunca se poderiam divorciar nem, como é claro, voltar a casar. É fácil de imaginar que, apesar de os casamentos serem mais consistentes do que o são hoje, havia muita gente que se desentendia e deixava de viver junto. Mas ficavam condenados ao celibato para sempre. Mesmo que mais tarde encontrassem “o amor da sua vida” a lei não lhes permitia voltar a casar. As pessoas mais ricas iam “casar” a outros países mas era uma formalidade sem a menor legalidade entre nós.

Publicado por populo às abril 4, 2006 08:30 AM

Trackback pings

TrackBack URL para esta entrada:
http://populo.weblog.com.pt/privado/tztracke.cgi/127110

Comentários

Não costumo comentar-te tão cedo, mas receio depois com o trabalho não ter tempo.
Olha Emiéle, acho esta tua ideia magnífica. O lembrar coisas que já estão meio apagadas...
E este gravíssimo problema dos 'casamentos' que nunca podiam vir a ser legalizados, hoje nem se imagina os tormnentos a que isso levava.

Publicado por: zorro às abril 4, 2006 08:54 AM

Este é de facto um bom exemplo do estado de atraso e de ignorância em que estàvamos. Impensàvel hoje, e foi hà tão pouco tempo! Era um pais muito triste e negro, era era...Agora estamos melhor, sem duvida, apesar da festa ter acabado.

Publicado por: dacar às abril 4, 2006 09:10 AM

E ainda faltam os que tinham que pedir autorização para casar...o casamento tinha que ser entre elementos da mesma classe.

Publicado por: Pina às abril 4, 2006 10:00 AM

Aqui está um tema que é de facto pouco recordado.
Os "costumes" deram uma volta enoooorme, e hoje mal se acredita numa lei tão repressora.
Mas se formos ler as reportagens e histórias da época isso vê-se por todo o lado.

Publicado por: king às abril 4, 2006 11:04 AM

A condenação ao "celibato" seria o mal menor! O pior era, mesmo separados, a dependência da autorização do marido, para tudo o que exigisse documentação oficial (vender, comprar, sair do país,etc) enquanto que o marido não precisava de autorização da mulher - ao menos que fosse recíproco!

Publicado por: méri às abril 4, 2006 12:19 PM

Méri, quando falei aqui no "celibato" era para abrir a porta a outro aspecto de que quero falar mais à frente e são os filhos.
:) Nestes posts, como estou a fazer um por dia, não conto tudo ao mesmo tempo... Vou subdividindo as coisas, até porque de facto cada um destes factos são interessantes.
De resto tens toda a razão; um dos aspectos mais revoltantes é que os 'direitos' não eram de forma alguma iguais. Já se viu que a mulher precisava de autorização para sair do país e a inversa não se verificava. E noutros domínios de que irei falando isso era visível!
Pina - também vou abordar esse ponto, mas queria que isto fosse aos bocadinhos...

Publicado por: Emiéle às abril 4, 2006 12:32 PM

Também vinha lançada para dar "umas bocas" mas realmente tens razão em fazer render os posts. Se dizes tudo logo no início depois não te chega para o mês todo. :)
E este caso é de bradar aos céus. É certo que quem não se quisesse sujeitar-se era não casar pela igreja, mas a pressão social era grande. Muito difícil a escolha!

Publicado por: joaninha às abril 4, 2006 02:02 PM

Muito interessante, Emiéle. Realmente não é "do meu tempo" e há tendência a não se valorizar coisas como esta que afinal tinham uma importância do caraças.

Publicado por: Raphael às abril 4, 2006 08:31 PM

Pois é, Joaninha, estou a economizar algumas coisas pela piada de tentar dizer uma coisa pelo menos cada dia útil... Vamos ver se arranjo umas duas dúzias pelo menos.

Publicado por: Emiéle às abril 4, 2006 09:09 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)