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abril 28, 2006

cravo2.jpg No 24 de Abril...

O Livro Único
É claro que não se podem resumir todas as barbaridades que um professor esclarecido sofria, aqui num único post. Mas é bom lembrar a existência do Livro Único.
Com receio de que os professores não cumprissem integralmente as linhas do programa que deviam dar aos seus alunos e, sobretudo, para que não lhes passasse pela cabeça o atrevimento de ensinar matéria não aprovada, cada ano de escola – na primária – ou cada disciplina daí para a frente, tinha um único livro, aprovado pelo governo, onde os professores se baseavam para dar as aulas e por onde os alunos tinham de estudar. Dessa forma o ensino era completamente uniformizado e sem sair das balizas formatadas pelo Governo.
Tinha de se aceitar a doutrina oficial, pensar com os pensamentos que eram os “verdadeiros” e nada de fantasias. A escolha estava antecipadamente feita por quem sabia, e mais nada!

Emiéle

Publicado por populo às abril 28, 2006 07:15 AM

Comentários

Eu tenho os meus guardados! E às vezes ainda utilizo a história da santa Joana (de Aveiro) que vem publicada no do 3.º ano!!
Mas sabes que agora não há livro único mas é quase como se houvesse, pois são quase todos iguais... Claro que a filosofia do livro único estava errada mas não é por aí que o gato vai às filhoses!!

Publicado por: saltapocinhas às abril 28, 2006 12:00 PM

Eu imaginei que isso deva depender também das matérias que se dão. O meu avô que era de Histórico-Filosóficas (era assim que se chamava) sempre o ouvi refilar muito com essa coisa de ter uma versão oficial, que era a que tinha de transmitir. Até achei graça quando vi que focavas esse tema, estava à espera dele, por cá em casa haver tantas queixas. Mas se virmos bem são matérias onde haver uma «opinião oficial» deva irritar quem está a ensinar.

Publicado por: Raphael às abril 28, 2006 04:49 PM

Compreendo muito bem a Saltapocinhas, porque a confusão de agora não leva a lado nenhum e acaba por ser o império das editoras. A multiplicação dos livros parece mais profunda do que a a dos pães!
Mas, por outro dado, o haver obrigatoriamente UM único livro, escolhido pelo Ministério era uma violência para com os professores. Também tenho familiares que estiveram no ensino e tenho ouvido o que isso significava. Acabava por ser uma mordaça para as ideias próprias.

Publicado por: Joaninha às abril 28, 2006 05:31 PM

Mas, Saltapocinhas, é exactamente sobre "a filosofia do livro único" que eu queria falar...
Repara, que se dizes que agora "é quase como se houvesse", isso é afinal uma crítica, não é?
Tal como o Rafael o meu pai era professor de Filosofia, e ouvi das boas lá da sua boca, sobre o Matoso ou lá o que era...

Publicado por: Emiéle às abril 28, 2006 05:36 PM

Pois, imagino que para ciências desse tipo (filosofia) seja mmmuuuiiitttooo complicado! Aliás deixa de ter sentido!

Claro que agora os livros andam muito à volta do mesmo, mas tem de ser assim, existe uma linha de condução, um programa que é necessário dar para que todos tenham uma educação escolar "parecida" que lhes permita competir no futuro, mas a grande diferença é o espaço que pode rodear esses conteúdos programáticos, coisa que na altura não deveria haver! Felizmente agora, apesar de os livros serem quase "únicos", existe sempre um espaço livre para contornar as coisas à maneira de cada um.

Publicado por: Farpas às abril 28, 2006 05:57 PM

E o importante é que os professores são livres para ensinar, como diz o Farpas, à maneira de cada um. Devem dar a matéria que vem no programa, mas só o que vem definido é a matéria que deve ser dada, não ver-se só numa direcção como os burros com antolhos.

Publicado por: Raphael às abril 28, 2006 06:22 PM

Olha! deu alguma polémica um coisa que pensei ser tão consensual...
Para mim, acho que têm todos razão. A Saltapocinhas como está agora "com a mão na massa" pode ter mais razão nalgumas coisas. E longe de mim a ideia de dizer que tudo o que vinha nesses famosos livros era mau! Claro que havia muita coisa boa. Poesias, por exemplo, que se aprenderam na altura e nunca mais esquecemos...

Publicado por: Emiéle às abril 28, 2006 07:17 PM

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