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abril 22, 2006
No 24 de Abril...
“Decoro” e “decência”
Como disse de início destes apontamentos, algumas destas pinturas que tenho traçado começaram a empalidecer no tempo do “marcelismo” mas em pleno salazarismo, os bons costumes eram para ser respeitados e pronto!
Vamos imaginar as normas para o vestuário. É daquelas coisas que hoje já custa a acreditar.
Um rapaz para passar pela porta da faculdade devia ir de gravata, a rapariga de saia. Caso contrário o porteiro não os deixava entrar. Mai nada!!!
Um biquini na praia ( oooohhhh!) só mesmo as descaradas das estrangeiras e depois no marcelismo. Havia um 'cabo do mar' para velar por esse decoro. Manifestações de carinho em público com limites – vá lá, um beijo e que não fosse muito ‘cinéfilo’ porque de resto as pessoas comportavam-se.
Era muiro mais do que o simples 'parecer mal', porque havia mesmo uma fiscalização, uma polícia de costumes.
Uma pessoa podia passar um mau bocado por ofensa aos bons ( ? ) costumes.
Emiéle
Publicado por populo às abril 22, 2006 10:01 AM
Comentários
:D
Creio que se um desses senhores ressuscitasse e desse um passeio pelas nossas ruas hoje tinha uma coisinha má!
Publicado por: joaninha às abril 22, 2006 02:41 PM
Deviam imaginar que tinham ido para ao Inferno com tanta pouca vergonha! Então os homossexuais dantes eram presos e agora têm o arrojo de quererem casar?????
Publicado por: Emiéle às abril 22, 2006 04:15 PM
É que esse aspecto do vestuário era a côdea do miolo conservador e reaccionário. e como lembras bem, manifestações de ternura tinha que ter conta peso e medida; o resto era uma "pouca vergonha". Aquele pudor farisaico e sonso que dá uma raiva...! Porque depois havia os ballets rose e essas coisas todas. Mas à porta fechada
Publicado por: zorro às abril 22, 2006 06:45 PM
Ainda no outro dia a minha mãe dizia que se lembrava de uma vez que tinha visto um casal a beijar-se em público. E era numa despedida, mas diz ela que nunca se via um beijo na boca. Claro que se davam, mas em lugares escondidos, não era à vista de todos.
Publicado por: Tess às abril 22, 2006 07:17 PM
A primeira palavra que me vem à cabeça é hipocrisia!
Publicado por: Farpas às abril 22, 2006 10:29 PM
Mas é, mas é. As aparências acima de tudo. E o rigor das aparências num aspecto onde se verificava de um modo quase caricato era nas normas do vestuário permitido.
Publicado por: Emiéle às abril 22, 2006 11:50 PM
Nos anos 50 eu andava no Liceu de Faro. Subia-se uma Avenida, de um lado só rapazes, do outro só raparigas. As raparigas de bata branca, meias obrigatoriamente até ao joelho mesmo no Verão. Se 'namorar' já era proibido, imaginem um beijo. Só mesmo às escondidas...
Publicado por: Inês às abril 23, 2006 12:16 AM
Repara, Inês, minha amiga, que tenho ouvido alguns jovens dizerem num tom enfastiado "E depois? Que é que isso tem?" e é difícil explicares-lhes bem, que tem realmente importância. Porque é todo um modelo de comportamento, um aceitar do que "parece mal", a invasão abusiva de uma vida privada e particular. As meias até ao joelho ou a gravata dos rapazes, não era uma grande violência, era uma "pequena violència", a semente da outra. Era afinal o Poder superior a mandar em nós. Era a não-hipótese de escolha.
Publicado por: Emiéle às abril 23, 2006 11:32 AM