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abril 20, 2006

cravo2.jpg No 24 de Abril...

Prisão
A prisão para quem se opunha ao regime é hoje conhecida de todos. Mesmo os mais “distraídos” conhecem esse facto. Mas talvez não se avalie bem o que isso significava.
Uma pessoa podia ser presa, quase sempre com bastante aparato de madrugada para ser encontrado ainda meio ensonado e pouco lúcido, * e a sua casa vasculhada de uma ponta à outra para encontrar as provas desse ‘crime’ de discordância e de quem eram os cúmplices, quem partilharia essas opiniões. Era levada sem a família a poder contactar nem poder ter o apoio de um advogado. Quanto à violência desses interrogatórios, quer física quer psicologicamente já são conhecidos, creio eu. Não era só a pancada, a violência física, mas outras violências mais subtis que deixavam menos marcas. A tortura da “estátua” por exemplo. O preso em interrogatório ficava de pé, sem se poder mexer, o tempo que os polícias entendessem. Podiam ser horas, podiam ser dias. Ou a tortura do sono. Impedir-se a pessoa de dormir dias e noites seguidas.
E podia passar-se um tempo infinito até ao julgamento, quando o havia. O preso podia passar dias, semanas, meses, fechado numa cela, em isolamento, sem ver absolutamente ninguém, enlouquecendo aos poucos. Quando o seu crime era um delito de opinião.

*
«era de noite e levaram
quem nessa cama dormia
.............»
quem não se lembra da canção?

Emiéle

Publicado por populo às abril 20, 2006 08:05 AM

Comentários

"E podia passar-se um tempo infinito até ao julgamento"...mas isto já não acontece, é? Tenho as minhas dúvidas...acho que ainda temos uma justiça Kafkiana.
Infelizmente, e isto foi-me contado pelos meus pais, houve muitos presos não políticos postos em liberdade no 25 de Abril...nas cadeias não estavam só os presos por delito de opinião.

Publicado por: ilha_man às abril 20, 2006 12:34 PM

Deixa ver se te entendo, ilha_man: imaginaste, ou alguém imaginou, que durante quase 50 anos em Portugal não de particaram delitos? Delitos daqueles que merecem cadeia em toda a parte do mundo. Quando dizes, um pouco irónicamente, «nas cadeias não estavam só os presos por delito de opinião» até parece que é o que queres dizer. A criminalidade era idêntica a qualquer outra. E se, na confusão da saída de Caxias ou outra cadeia onde estavam os presos políticos, também sairam uns carteiristas isso será de admirar?
De resto, é óbvio que a Justiça em Portugal está mal. É título de jornal semana sim, semana não, ninguém o pode ignorar. A Emiéle não disse isso, contou, e até de um modo bastante calmo, como e porquê se podia ser preso no tempo de Salazar.
Se achas que é tudo a mesma coisa, ela não se explicou bem. Contudo, para mim a explicação dela até foi muito clara.

Publicado por: joaninha às abril 20, 2006 01:00 PM

Primeiro, como já disse,não vivi o antes para saber as diferenças, apenas quis dizer que hoje em dia a justiça em Portugal é tão lenta que há pessoas em prisão preventiva há ano e meio ou mais sem terem ido a julgamento.
Segundo,quis dizer que na altura da revolução, não só os presos por delito de opinião foram postos em liberdade, e pelo que os meus pais contaram-me não foram apenas os carteiristas que saíram com eles, mas sim assassínos, violadores, etc.
Quando disse há pouco que "nas cadeias não estavam só os presos por delito de opinião" foi para reafirmar o que tinha dito, que no 25 de Abril misturou-se o trigo com o joio, assassínos com presos políticos. Naõ quis dizer nem mais, nem menos do que isto.

Publicado por: ilha_man às abril 20, 2006 01:25 PM

Cada um tem as suas informações. As minhas vão no sentido do post da Emiéle, sempre ouvi que depois se tinha branqueado muita coisa, e o facto é que os pides nunca chegaram a ser julgados. Nem sequer os que mataram o Delgado.

Publicado por: Tess às abril 20, 2006 02:28 PM

É pena não teres conseguido a canção mesmo... É lindíssima também.
O homem da ilha é muito novo. Mas fazia bem em acreditar no que lhe contas para além do que os pais lhe dizem. Falou-se muito, nessa conversa dos criminosos à solta, e quando se perguntavam nomes não aparecia nenhum. Os boatos que corriam eram mais que muitos o que não é nada de estranhar.

Publicado por: zorro às abril 20, 2006 02:47 PM

Em Caxias não estavam presos assassinos, violadores ou carteiristas. Eram PRESOS POLÍTICOS, foram esses que foram libertados no 26 de Abril - essa libertação está filmada.

Publicado por: méri às abril 20, 2006 03:50 PM

Ilha_man, posso estar enganada mas o que dá a ideia é que vens com uma ideia preconcebida quando lês estes posts. Diz-se que o pior cego é o que não quer ver, e o que parece é que tu não queres e ponto final.
Eu chamei a este post da série "Prisão" mas era claro que não estava a falar das condições das cadeias e nos presos de delito comum que lá estavam. Esses são iguais aos que hoje por lá andam - e também não são assim tantos assassinos e violadores, olha lá!. O que aqui falava era das condições em que se era preso por discordar do que fazia o governo de então e, desculpa, mas para mim existe uma profunda diferença do que hoje sucede.

Publicado por: Emiéle às abril 20, 2006 10:38 PM

Tess, tens toda a razão. E mais, o Rosa Casaco (um dos assassinos do Gen. H. Delgado) anda aí a publicar livros, com todos os direitos e mordomias...

Homem da ilha, as prisões abertas a 26 de Abril de 1974 foram a de Caxias e Peniche onde só estavam presos políticos. Esta repetição é só no caso de não teres lido bem a Méri.

Quanto às condições, havia também o tamanho das celas: nalgumas o prisioneiro nunca se podia endireitar. Ou estava sentado e esticava as costas, ou estava em pé, esticava as pernas, mas tinha que dobrar as costas.
As visitas tinham que passar por revistas humilhantes, de alto abaixo, enquanto iam ouvindo toda a espécie de impropérios e horrores. Visitar um preso era também ser torturado.

Publicado por: Helena Romao às abril 21, 2006 12:54 AM

Exactamente, Helena. A gente se começasse aqui a contar tudo como deve ser não chegaria este blog... A violência psicológica não tem medida. Eu contei lá para baixo, no dia 13 de Fevereiro (está lá o post) um casamento que conheço, efectuado nas condições mais complicadas por essa violência continuada. Mas há quem se esqueça ou não queira mesmo saber!

Publicado por: Emiéle às abril 21, 2006 09:11 AM

Sim, eu li bem, no dia 26 de Abril de 1974 só os presos políticos foram libertados.
Não ponho em causa o post, acredito que tenha havido tortura, prisões arbitrárias e sem razão. No entanto, e reafirmo o que disse, hoje em dia há quem passe muito tempo na prisão sem ir a julgamento.
Quanto aos assassínos de H.Delagado não terem ido a julgamento também acho ser uma vergonha, mas também lembro-me que os operacionais terroristas das FPS25 foram todos inocentados sendo alguns consirados heróis de Abril. E ainda há o caso da MUD e do Padre Max. Enfim...

Publicado por: ilha_man às abril 21, 2006 12:08 PM

Da MDLP e não da MUD...

Publicado por: ilha_man às abril 23, 2006 11:53 PM

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