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abril 18, 2006
No 24 de Abril...
A «declaração anti-comunista»
No tempo do “24 de Abril” para se entrar no funcionalismo público para além das habilitações próprias para o cargo a que concorria, atestado de saúde, prova de que não estava tuberculoso, era ainda necessário um documento. Atenção, não se esqueçam que antes de se pensar nesse contrato se tinha de consultar a informação da polícia política para saber se a pessoa que ia ser administrativo ou professor por exemplo, tinha já sido investigado pela PIDE. Antes do mais teria de ter esse aval.
Mesmo assim, mesmo que nada constasse, o candidato tinha de assinar um documento em como jurava pela sua honra que não processava nenhuma ideologia que fosse contra as normas do estado, o que em gíria se chamava a “declaração anti-comunista”. Claro que o valor de um documento obtido dessa forma era muito relativo não era nenhum, mas de qualquer modo ter de o assinar era vexatório.
Emiéle
Publicado por populo às abril 18, 2006 08:20 AM
Comentários
É uma coisa que se calhar "a malta" post "25 de Abril" não dará grande valor. Mas tenho falado com muita gente que sentia esse aparente pormenor como uma pressão sufocante! Porque afinal ia-se jurar uma coisa falsa, sob pena de se ficar desempregado!
Publicado por: joaninha às abril 18, 2006 12:38 PM
Não se chamava assim, fui perguntar a gente da época, mas tens razão, familiarmente dizia-se dessa maneira. Custa a acreditar! depois de se saber tudo sobre a pessoa ainda se tinha de assinar essa conversata toda!
Publicado por: Tess às abril 18, 2006 04:36 PM
Era incrível sim. mas não nos esqueçamos ( há quem se esqueça...) que aquilo era mesmo uma ditadura.
Eu tenho escrito esta série de posts para o lembrar.
Publicado por: Emiéle às abril 18, 2006 08:20 PM
Este 'pormenor' era nojento. Hoje talvez pareça mais uma fantasia burocrática. Naquela altura garanto que custava uma humilhação. Era das coisas mais estúpidas, por sem sentido, que o regime impunha aos funcionários. Era uma ditadura estúpida!
Publicado por: Inês às abril 18, 2006 11:58 PM
Mas sabes Inês, para quem o viveu esta "medida" é tal como o dizes uma humilhação. Mas quando o digo agora, há quem encolha os ombros e diga que também não é "nada do outro mundo". Do outro mundo não é, foi bem deste!!!
Publicado por: Emiéle às abril 19, 2006 08:34 AM