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abril 17, 2006

cravo2.jpg No 24 de Abril...

Filhos Ilegítimos
Como consequência da Lei da Concordata de que falei lá atrás acontecia que as pessoas se separavam e uniam-se com outros parceiros mas tinha de ser tudo na ilegalidade. Se no novo casal acontecesse nascer um bebé, a questão era gravíssima. Se era o pai que tinha tido um casamento anterior, a solução era a criança ser registada como filha de pai incógnito, ilegítima, mesmo que sempre vivesse com aquele seu pai verdadeiro e que bem gostaria de o assumir. Se era a mãe que vinha de outro casamento, o problema era ainda mais grave porque o bebé pertencia legalmente ao “marido” legal dessa senhora. Se o pai fosse solteiro, poderia registar-se com o nome do pai e filho de mãe incógnita ( extraordinário!) Se os dois tinham sido casados a questão era quase insolúvel.
De qualquer modo para uma criança era uma nódoa social, aparecer perante os seus colegas como de pai incógnito

Emiéle

Publicado por populo às abril 17, 2006 08:50 AM

Comentários

Era horrível essa submissão à lei canónica. Até o nome é chocante "ilegítimo". Porquê?

Publicado por: joaninha às abril 17, 2006 09:48 AM

Sabes, Emiéle, que são estas pequenas-grandes violências que são mais esquecidas. Eu pessoalmente conheço passoas que só foram "legitimadas" depois do 25 de Abril. Só porque os pais tinham tido um primeiro casamento infeliz, pela igreja.

Publicado por: zorro às abril 17, 2006 12:58 PM

São mesmo "grandes violências" Zorro. São violências psicológicas, morais, mas são grandes. Para os pais e muito para as crianças que se sentiam vexadas e envergonhadas por algo de que não tinham a menor culpa.

Publicado por: Emiéle às abril 17, 2006 01:51 PM

E verdade Joaninha... e "Pai Incognito"??!! SO faltava terem de ir festejar o dia do Pai junto a estatua do soldado desconhecido... :S

Publicado por: Farpas na Bifelandia (por isso sem acentos!) às abril 17, 2006 03:41 PM

Oh Farpas, ainda acho mais complicado essa da "mãe incógnita"...?????!!!! Com algum esforço uma pessoa pode acreditar (não naquele caso!) que uma mãe, enfim, tenha dúvidas sobre quem é o pai... Agora isso de dúvidas sobre quem é a mãe?! Só não tem graça por ser tão triste! Grandecíssimos filhos de "pai incógnito"!!!!!!!!

Publicado por: Tess às abril 17, 2006 06:28 PM

Por acaso este facto é mesmo revoltante e significativo da hipocrisia de uma sociedade. Pobres putos. Imagino, nessa época onde se ligava tanto às aparências, terem de dizer isso na escola, por exemplo. Deviam ficar cá com um nó na garganta. Que culpa tinham as crianças...?

Publicado por: king às abril 17, 2006 06:31 PM

É isso mesmo. Já parece incrível os adultos sofrerem por uma opção religiosa que tomaram, mas que as crianças nascidas dessa relação nem pudessem ser registadas como deve ser, era terrível.

Publicado por: Emiéle às abril 17, 2006 09:08 PM

Como é que é possível aceitar-se essa situação de haver crianças que não fossem reconhecidas pelos seus próprios pais e também concordo com o King.

Publicado por: Johnny às abril 17, 2006 10:19 PM

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