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abril 25, 2006
25 de Abril de 1974
III
4 da tarde
A D. Maria das Dores tem 55 anos, é viúva de um legionário. Tem estado todo o dia a ouvir notícias, assustadíssima. Já foi falar com a sua vizinha de patamar, mas ficou na mesma. Telefonou a várias amigas que estão como ela, algumas completamente em pânico falam em fugir. Ai, valha-me Nossa Senhora de Fátima!!
Aparecem-lhe em casa o filho e a neta para lhe dar um beijo.
“ - Que é que fazes aqui!!! Vai já para casa! E ainda por cima com a menina, desgraçado! Olha que corre sangue nas ruas…”
“- Oh mãe, ponha-se calma! Quem é que lhe disse essa?!”
“ – É que vêm aí os comunistas e matam toda a gente!! É uma revolução”
“-Pois é, mas não morreu ninguém. Correu tudo muito bem”
A senhora não acredita. O filho sempre teve ideias esquisitas. Contudo a calma com que ele fala, dá-lhe alguma segurança. Se calhar as coisas não estarão assim tão mal como ela receia. Volta a ligar a televisão depois dele sair.
Mas ainda está muito nervosa e cheia de medo. Está tudo a passar-se ao contrário do que pensava.
..........................(continua)
Publicado por populo às abril 25, 2006 08:00 AM
Comentários
Também gosto muito deste pedacinho. Porque seria errado fingir que todos ficaram contentes. Claro que não! Todos os que fugiram para o Brasil com o Tomaz e o Marcelo, por exemplo não estavam nada satisfeitos. E a 'pintura' que fazes dessa senhora é mesmo assim. O tal receio "do sangue a correr nas ruas" e que os comunistas iam matar toda a gente, era verdadeiro. Muita gente estava fechada em casa muito assustada.
Publicado por: zorro às abril 25, 2006 06:44 PM
Baseei-me na imagem de uma senhora que conheci que dizia exactamente isto. Não era viúva de legionário mas podia bem ser. Era boa pessoa, coitadinha, mas via as coisas como lhe contavam e não procurava passar para além da "verdade oficial"
Publicado por: Emiéle às abril 25, 2006 11:43 PM