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abril 25, 2006

25 de Abril de 1974 cravo.jpg II

10 da manhã
O Tiago tem 10 anos e está muito excitado. Na escola os professores falam uns com os outros e não dão aula. Passa-se qualquer coisa de muito importante. Ouve a palavra revolução, uns professores têm um ar radiante, outros um ar preocupado. De repente pelas 10 e tal aparecem os pais para o virem buscar. Também não parecem no seu estado normal. O Tiago nunca os viu assim! Metem-se todos no carro para visitarem os avós que vivem em Oeiras e não tinham telefone. Da estrada avista-se o forte de Caxias e o pai diz “Que se lixe, quero lá saber!” e buzina vigorosamente. Outros carros que passam por eles também começam a buzinar e um deles a rir manda uns toques especiais que os pais dizem que deve ser ‘morse’. Explicam-lhe que é um dia importantíssimo, que o fascismo está a cair.
Os avós, que têm mais de 60 anos, nem querem acreditar. O Tiago sabe que eles sempre foram de esquerda e combateram com todas as forças o salazarismo. O avô esteve preso muitas vezes. Conversam todos muito excitados, o Tiago entende que se está a viver um momento muito importante. O avô quer vir logo para Lisboa, ainda pensam deixar o neto com a avó mas ele protesta. Os pais têm ainda dúvidas, almoçam todos e nem se sabe o que estão a comer porque parece que estão nas nuvens. Cruzam-se nomes, Marcelo, Tomás, Spínola. Querem saber onde está o governo, o que é que faz, se o prendem, se o julgam. E a PIDE? Vão prender os Pides? Acabam por vir todos para Lisboa depois do almoço. No rádio do carro ouvem que o forte de Peniche foi libertado. Começam aos gritos de alegria! O Tiago arregala os olhos e também ri.
........................(continua)

Publicado por populo às abril 25, 2006 07:30 AM

Comentários

Também acho excelente este pedacinho. Por um lado focas os dois extremos: os mais novinhos e os mais velhos. Eu não era uma coisa nem outra, mas mas conheço-os. Os mais velhos, esses acima dos 65, que se lembravam no início do Estado Novo eram os mais nervosos e comovidos por outro lado. E tal como dizes, a meio da tarde já se considerava que "estava ganho" apesar do Marcelo ainda continuar no Carmo. mas o importante era as tropas do outro lado não avançarem, o Marcelo ali não tinha importância!

Publicado por: zorro às abril 25, 2006 06:39 PM

Exactamente, Zorro, foi o que tentei passar. Dois extremos (relativamente )da escala de idades, apanhando uma parte importante do dia.

Publicado por: Emiéle às abril 25, 2006 11:45 PM

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