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março 18, 2006
Puericultura
Ontem comprei um livro.
Fui ao Mercado da Ribeira e por acaso até comprei vários (depois queixo-me de que o mês acaba cedo…) mas quero é falar deste.
É um daqueles livros que ainda se tem de abrir as folhas com uma faca. Que ainda são cosidos com uma linha forte na lombada. E que custavam 6$00, ou seja 50 vezes menos daquilo que me custou e que foi baratíssimo!
Já sabia que não ia aprender nada com ele. Minto. Quero dizer, não ia aprender com ele aquilo que o título dizia ” Como devo cuidar do meu filho” mas é claro que o comprei porque pensei, e bem, que ia aprender muito com ele. Este manualzinho tem a data de 1947 e o que em cerca de 60 anos se mudou em costumes, é uma maravilha. Não é grande, cerca de 150 páginas, mas vem lá tudo! Uma primeira parte com 8 capítulos “Cuidados pré-natais – higiene e alimentação na primeira infância” e uma segunda com 6 capítulos “Mortalidade Infantil, cuidados gerais em caso de doença”. Na primeira até traz desenhos a ensinar como se põe uma fralda e um cueiro. E explica como deve ser arejado o quarto, como deve ser o berço, e qual o enxoval necessário, o que deve comer. Ficamos a saber que a partir do ano se pode dar ovo, mas não deve ter sido posto há mais de 5 dias, pelo que aconselham a ter-se umas galinhas. A não ser isso, “comprar às vendedeiras de galinhas os ovos que encontram dentro das que matam”.
É claro que os termos que se usam, não bem rigorosos mas quem se importa com isso? Fala do sarampo e explica que o micróbio do sarampo é ainda desconhecido, mas depois os conselhos que dá são sensatos. E aconselha também a vigiar cuidadosamente as fezes da criança o barómetro que as mães devem consultar todos os dias”. (lol)
Mas um dos capítulos que mais admirei foi o dos banhos. Temos banho quente, banho frio, banho quente com mostarda, banho salgado, banho de tília, banho de malvas, sêmeas ou amido. E também banho de ar e de sol. Não deve ser preciso explicar porque no título vem tudo dito. No “salgado” deita-se mesmo sal na água do banho, bastante sal. No de tília devia ser assim a modos que tomar banho no chá, e no de mostarda devia-se dissolvê-la na água mas era muito bom para bronquites…
Passaram-se só 60 anos, já pensaram?...
( É este o livro, para se ver melhor podem ir clicando em cima)
Emiéle
Publicado por populo às março 18, 2006 12:35 PM
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Comentários
Uau!!!!!!
Espectacular, Emiéle!
Então o "barómetro das fezes" é o máximo dos máximos!!!! O cocó doirado no 'bom tempo' ou 'diarreia' na chuva!! LOLOLOLOL
Publicado por: Raphael às março 18, 2006 12:41 PM
Pois é, Raphael, também apreciei essa parte!
Publicado por: Emiéle às março 18, 2006 12:49 PM
Blhaaaaaaaaaaaaaac!
Publicado por: Miguel às março 18, 2006 01:19 PM
Emiéle, mesmo texto é formidável!!!! Olha só:
A criança empalidece, as carnes ficam moles, as fezes tornam-se líquidas e esverdeadas, o sono é inquieto, o menino torna-se triste e rabugento, chora e não medra.
Queres um paleio mais típico da época...?!!!!
o menino não medra! Quem é que hoje diz semelhante coisa?????
Publicado por: joaninha às março 18, 2006 02:07 PM
Formidável!
Também me derreto todo quando encontro um livro desses de "abrir as páginas" com faca de papel e as páginas cozidas na lombada ( e olham que duram muuuuito mais!) e ficamos a pensar quando se vê o preço...
Tem um piadão ouvir falar no "micróbio do sarampo" e nos "banhos de mostarda". Tiveste sorte em o encontrar.
Publicado por: king às março 18, 2006 02:39 PM
O texto é aquilo que já se disse, e repararam na capa!!!! Que maravilha de desenho de época! E quando se amplia ao máximo ainda fica melhor.
Adorei, Emiéle.
Publicado por: Tess às março 18, 2006 02:41 PM
Que post interessante. Por um lado aquela "feira do livro" do Mercado da Ribeira é óptima! Quem vive na zona da grande Lisboa devia aproveitar muito melhor porque se encontram coisas fabulosas e baratíssimas. se o teu livro custou 50 vezes deve ter sido aí um euro e meio, mais ou menos...lol
E quanto ao "manual" propriamente dito, como bem dizes, que grande evolução que sofremos no fundo em meia dúzia de anos... O tempo dos nossos avós, podemos dizer que é 'ontem'!
Publicado por: Francisco Carvalho às março 18, 2006 04:03 PM
LOLOL o barómetro das fezes! Isto é ciência! A ciência actual evoluiu destas pequenas atenções que se faziam antigamente, hoje já se sabe porque é que algumas dessas coisas acontecem, mas se hoje o sabemos é porque alguém em tempos teve um bom espírito de observação!... fez-me lembrar os médicos que antigamente cheiravam e provavam a urina dos doentes para encontrar vestígios de doença! (uuurrrrggghhhh!)
Publicado por: Farpas às março 18, 2006 10:58 PM
tem-se evoluido extraordináriamente! Bastam as vacianas e os antibióticos para ser uma revolução na saúde. Repara na mortalidade infantil, a diferença abissal de há 100 anos para agora! Um casal tinha 10 filhos para chegarem 3 a adultos...
Mas tens razão, Farpas, sem muita coisa que se foi estudando empíricamente, até, não se tinha tirado as conclusões que hoje nos parecem tão evidentes.
Publicado por: Emiéle às março 18, 2006 11:34 PM
Comecei a passear-me aqui pelo blog, nesta tarde de domingo, e a apetecer-me dizer várias coisas, porque estou a gostar muito deste estilo tão variado e focando tantos assuntos que a mim me interessam. Tenho mesmo muitos pntos em comum contigo, a nível de interesses.
Mas neste post não resisti a deixar um comentário. Está engraçadíssimo! Desde a descrição de um "livro dessa época" até ao conteúdo do mesmo, está um espanto esta história. Adorei, Emiéle.
E deves ter-te divertido à brava, com esses conselhos. Mas na altura era bem importante, repara que em Portugal não se usava o Dr. Spock, que chegou cá depois.
Publicado por: sem-nick às março 19, 2006 05:13 PM