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março 27, 2006
Pouco esforço, muito esforço...?
É curioso que quem vive hoje numa grande cidade, queixa-se de que anda sempre cansado, e até não deixa de ser verdade, mas também é um facto que os queixosos se mexem muito pouco!
Ainda no outro dia estive a reparar num casal meu amigo, que para se deslocar a uma distância ridiculamente perto, se meteu no carro “para ir mais depressa”. Metem-se no elevador até para um primeiro andar. Depois em casa, o telefone era sem fios para não terem de se levantar quando havia uma chamada, televisão e aparelhagem tinham comando, para a poderem controlar do sofá. O ar condicionado também tinha comando e as persianas das janelas eram eléctricas, fechavam sem qualquer esforço. Muitas refeições vêm pré-cozinhadas, o único “esforço” é abrir e fechar a porta do micro-ondas. As camas têm edredões com capa, que é só sacudir e puxar para cima.
Bem, vou parar por aqui a enumeração, mas todos entendem que isto apesar de parecer caricatura, reflecte a verdade. Andamos cansados mas porque se espera muito pelo transporte, ou porque há muitos engarrafamentos quando se anda de carro próprio, ou porque se espera na bicha do supermercado, ou que nos atendam uma chamada… É sobretudo um cansaço psicológico, não físico apesar de ser sentido como tal.
Porque afinal ‘mexemo-nos’ pouco. Quando há campanhas de prevenção que apelam para o exercício, o que nos ocorre... é um ginásio! E depois, vamos de carro para o ginásio onde gastamos uma hora na passadeira, sem sair do mesmo lugar..!
Oh, civilização!!!
Emiéle
Publicado por populo às março 27, 2006 01:00 PM
Comentários
«é um facto que os queixosos se mexem muito pouco!». É verdade! Faço parte deles. Eu que o diga!
Publicado por: Johnny às março 27, 2006 01:24 PM
É verdade que tens razão, mas há desculpas. É a pressão do tempo. Como se tem pouco tempo para tudo o que se quer fazer, e as distâncias são grandes para a maioria das coisas, habituamo-nos a "pouparmo-nos". E vai-se de carro mesmo em distâmcias curtas, por exemplo. Ou anda-se de elevador, porque "já agora" que existe... Pratica-se a lei do menor esforço, mas com alguma justificação.
Publicado por: Raphael às março 27, 2006 02:54 PM
Tdinho dele!
Aquilo não é um 1º andar!!!! Pelo menos um 6º!
Publicado por: Gui às março 27, 2006 02:56 PM
É mesmo Emiéle. Bingo?
Publicado por: Miguel às março 27, 2006 04:59 PM
Eu acho uma certa graça aquilo que disse e sei que é verdade - quem vá para um ginásio, de carro, para lá andar na passadeira... lol
Publicado por: Emiéle às março 27, 2006 09:13 PM
Já não há o ir.
O estar em viagem foi e é cada vez menos visto, para ver as vistas temos o canal Geographic...
Não se sente o caminho.
Querem-se os destinos à partida e esquece-se que só há uma chegada depois de se percorrer.
Como se fosse perda de tempo.
Ninguém consegue estar parado, nesse parar em que se consegue estar a andar. E andar, só por andar, mesmo sem destino definido, tem-me ajudado a resolver problemas, questões, dilemas, a encaminhar soluções, a ser surpreendido com ideias
a romper com o mal estar.
Vivemos a pressa de partir ao chegar como bem cantou o António Variações e nem vemos o que perdemos em já não querer ir.
Já na Roma Antiga alguém escreveu que no inicio da República os patricios, de trabalhar no campo não precisavam de se perder; em ginásios.
Publicado por: João Ribeiro às março 28, 2006 12:23 PM
O João Ribeiro escreveu muito bem o que também vinha dizer por outras palavras. E afinal o que tu disseste quando escreveste este post. Não tem a ver com um saudosismo piegas, é mesmo a realidade. Há valores que se perdem, com esta pressa de chegar a todo o lado rápido, rápido, mesmo que seja para depois lá esperar por outra coisa. O saborear um bom passeio a pé, que ainda por cima é barato, cada vez se faz menos. Ou então inventam-se excursões e "fazem-se caminhadas" mas não é a isso que me refiro. É muito simplesmente passear, ou só ou com um amigo, assim sem mais, à conversa...
Publicado por: zorro às março 28, 2006 12:32 PM
Afinal, mais uma vez ando bem acompanhada quando escrevo coisas que penso que podem ser controversas. Ainda bem!
Publicado por: Emiéle às março 28, 2006 06:09 PM