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março 07, 2006
O valor das emoções
António Damásio é um dos exemplo mais vivos de como se pode mostrar “lá fóra” que há portugueses de altíssima qualidade, que muitas vezes com as condições de trabalho que temos em Portugal nunca chegariam a mostrar o que valem. Como portuguesa tenho muito orgulho nele!
Falou agora na Conferência Mundial de Educação Artística, no CCB. E referiu-se a um ponto que também me inquieta muito e que é «as aptidões cognitivas das novas gerações se desenvolverem muito mais rapidamente do que as suas capacidades emocionais»
A verdade é que a emoção, o seu desenvolvimento, o seu controlo, mas também o seu correcto cultivo é essencial para um equilíbrio da personalidade. E, por muitas e variadas causas, esse cultivo da emoção tem sido muito descurado na relação pais-filhos. A criança é muito estimulada nas suas áreas cognitivas, ou seja a aprender coisas mas não a conhecer os seus sentimentos.
Diz Damásio, e ele sabe o que diz, "as crianças afectadas nos seus sistemas emocionais, nos primeiros anos de vida, não vão conseguir aprender as convenções sociais dos adultos e, como consequência disso, temos o facto de as patologias sociais, nomeadamente a dependência de drogas, estar a aumentar nas escolas". Não é só em Portugal, é certo, mas se não pomos as barbas de molho agora daqui a pouco pode ser tarde.
Pais, atenção: temos de voltar a repensar a educação.

Emiéle
Publicado por populo às março 7, 2006 07:21 AM
Comentários
É bem verdade! O ensino artístico pode ajudar e também o acho essencial. Mas mais uma vez vamos colocar na Escola essa responsabilidade? E em casa? As capacidades emocionais são desenvolvidas com os mais próximos os pais, avós, tios, e se por cada birra (que aprendem a fazer muito cedo) têm um "doce"... não há ensino artístico que chegue! (sei bem o quanto é difícil suportar as birras, mas são uma fase, "vem nos livros")
Publicado por: méri às março 7, 2006 08:14 AM
Mérizinha, olha lá a minha última frase:
Pais, atenção: temos de voltar a repensar a educação.
E então? A minha opinião é que tem de haver uma forte parceria pais/escola/pais. Uns têm de apoiar os outros!
Publicado por: Emiéle às março 7, 2006 08:31 AM
(Mérizinha??? Isso era o que as minhas irmãs mais velhas me chamavam quando queriam alguma coisa! Hoje em dia já sou inha só para duas primas bastante mais velhas que eu)
Quanto ao comentário: eu li, eu li! Foi mais para reforçar - estou mesmo a passar pela fase das birras dos 2/3 anos...(da neta, claro!)
Publicado por: méri às março 7, 2006 08:37 AM
E vamos a ver se não sou tua prima...? A net tem destas coisas)
A fase das birras é desgastante, mas implica muita firmeza. Desta vez estou a falar a sério. A aprendizagem da frustração é dolorosa mas indispensável!
Publicado por: Emiéle às março 7, 2006 08:40 AM
Fizeste muito bem em associar com o post dabaixo.
É mesmo o que também penso - a frieza do concetual versus o calor da emoção. E a desvalorização desse calor como coisa menor.
Afinal os dados da inteligência emocional dizem o contrário.
Publicado por: joaninha às março 7, 2006 10:48 AM
Este post levanta muitas questões para pensarmos. Quando te apetecer, devias desenvolver melhor este tema que me parece extremamente interessante.
Porque anda-se sempre a falar em «inteligência emocional» mas afinal não se sabe bem em que consiste. O que eu sei ( não é muito, mas é um bocadito) é que o Damásio revolucionou o que até então se sabia por ter descoberto uma relação biológica com o que chamamos emoções.
Publicado por: king às março 7, 2006 03:16 PM
Vinha dizer o mesmo que o King, mas já está dito...
O teu desenho "ilustrativo" é surprendente. E chama-se yesterday? Pretendes ilustrar o que é uma emoção??? Eu até gostei, mas fiquei baralhada.
(já sabes que sou de ideias fixas, quanto aos teus bonecos)
Publicado por: Tess às março 7, 2006 03:21 PM
Vocês têm razão, King e Tess.
Isto é tema demasiado vasto para um post só. E pequenino.
Publicado por: Emiéle às março 7, 2006 05:06 PM
Já viram aquele anúncio ao Leite que passa na televisão, o das percentagens? Lá pelo meio aparece "e se desse só 7% de afecto ao seu filho?" e vê-se um pai a cumprimentar a filha com um aperto de mão... aquilo é uma imagem que não me sai da cabeça, até porque acredito que figurativamente é algo do que se passa em muitos lares hoje em dia...
Publicado por: Farpas às março 7, 2006 10:01 PM
O importante, Farpas, é que se a parte cognitiva deve ser trabalhada e tem muita importância no desenvolvimento, hoje já se tem também a certeza que a área emocional não é menos importante. Repara que eu não estou a falar em exprimir os sentimentos (apesar de considerar que também seria bom) quero referir-me a conhecê-los. É que muita gente, não os conhece nem identifica. E é isso parte do estudo do Damásio.
Publicado por: Emiéle às março 7, 2006 10:40 PM