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março 30, 2006

Escolas ou ringues de luta?

Vai-se falando cada vez mais…
Aqui, tenho referido frequentemente a questão do 'bullying' que é assustador e preocupante. Mas a violência nas escolas vai para além desse fenómeno. Os jornais falam hoje de mais um caso de uma professora que foi agredida a soco por um aluno, dentro da sala de aula.
E segundo se lê, o ano passado foram anotadas mais de 1.200 agressões dentro das escolas, pelo Departamento de Segurança do Ministério da Educação.
É grave. Se a violência é tal que quase 200 pessoas tiveram de recorrer ao hospital isto entre alunos, professores e funcionários, é porque o clima anda um pouco descontrolado. Claro que se imagina que serão jovens já marginalizados, que não estão bem integrados na escola, criados ao Deus dará, revoltados contra tudo e todos. Mas que as escolas que deviam ser uns locais de segurança se tornem em focos de violência é algo que deve ser encarado a sério por toda a comunidade educativa.
É muito preocupante porque o modelo alastra e vê-se até já em jardins-de-infância que muitos meninos já só sabem ‘brincar’ à luta ou andando á pancada. Não se pode fechar os olhos e pensar que “isso vai passar por si”. Não só não passa como se agrava se não houver uma acção preventiva.

Emiéle

Publicado por populo às março 30, 2006 06:42 AM

Comentários

Giro que eu hoje postei uma coisa que vai em sentido contrário a isto.

São pontos de vista.

Publicado por: Daniel Arruda às março 30, 2006 09:48 AM

Daniel, respondi-te no Troll, mas venho só chamar também aqui a atenção ao que é o
http://www.bullying.com.br/
Aquilo que tu falas ´no Troll é o que um rapaz ou rapariga saudável, vivo, activo, com energia para gastar vulgarmente faz quando é criança ou adolescente. Mas não é disso que se trata. É bastante mais complicado e sério. É a ausência de regras de comportamento social, são jovens que não aprendem a viver em sociedade, que agridem em grupo e violentamente ( lembra-te do caso do sem-abrigo que morreu no Porto).
É um caso que se deve estudar, para ver como prevenir e o que fazer. Devemos prevenir para depois não nos queixarmos que as coisas nos ultrapassam...

Publicado por: Emiéle às março 30, 2006 01:33 PM

Eu continuo que neste casos a culpa não é das crianças. E estes estudos vão no sentido oposto do desejado. Já alguém questionou os pais super protectores que fomentam isto. Até o sistema de ensino deve ser posto em causa. Mas volto a dizer. São opiniões.

Publicado por: Daniel Arruda às março 30, 2006 02:02 PM

Eu conheço bem, ou pelo menos mais ou menos bem, este problema, e concordo com a Emiéle. Ela não diz que "a culpa" seja das crianças, mas sim que existem problemas e que se tem de os encarar. Fui ler o Troll, e o Daniel que desculpe, mas se negarmos a questão ( que no fundo é o que ele faz quando goza com o tema) nunca a vamos solucionar. Há violência sim, e transborda das escolas para o resto da vida dos miúdos. Encaram coma maior naturalidade as cenas mais crueis e arrepiantes. Não é normal, deixem que vos diga.

Publicado por: joaninha às março 30, 2006 06:47 PM

É engraçado que se calhar trabalhamos em áreas profissionais parecidas, Joaninha.
O certo é que o Daniel fala pela sua experiência e o que vê na escola do seu filho ( se um dia ele começar a vomitar antes de ir para a escola ou voltar a fazer chichi na cama não imagine que tem um problema intestinal, heim?) e eu falo por um conjunto muito maior. Seja pelo que fôr - e este ponto é que é importante entender - a verdade é que não apenas em Portugal mas em todo o mundo o problema do bulling é muito forte. O que se passou para se atingir este ponto ? O que falhou na educação dos miúdos e miúdas? que alteração se deu para se atingir este ponto?
São etemas muito importantes e que mereciam outro post talvez, Emiéle.

Publicado por: Gui às março 30, 2006 07:20 PM

Pois, desta vez eu e o Daniel não estamos a falar a mesma língua.
Não se está a falar em culpa, de ninguém, e essa dos pais superprotectores que é claro que também existem não explica a situação. Num certo sentido pode entender-se os meninos mimados e birrentos mas não estas situações de grupos. Também penso como a Gui que o Daniel conhece o que se lembra do seu tempo e o que vê na escola do filho. Mas há muito mais. E o que eu quero dizer é que é importante alguém ensinar a estes jovens o respeito pelo outro. Tão simples como isso. O respeito. Quer o outro use óculos, ou seja cigano, ou seja gordo, ou seja negro, ou tenha os olhos tortos, ou seja homosexual. Não agredir nem fazer troça do outro por ser diferente daquilo que ele aprecia. Isso são valores que deviam vir de pequeninos e a verdade é que não vêm.
(pois é Gui, se calhar ainda faço outro post, com tempo)

Publicado por: Emiéle às março 30, 2006 07:35 PM

Confesso a minha impotencia em me explicar. O que eu disse e repito é que não noto diferenças entre o "meu tempo" e "este tempo". Sempre houve diferenças. Não somos todos iguais, o que não quer dizer que haja melhores e piores. Há pessoas diferentes e sabemos viver com essa diferença. Se 10 miudos na escola me chamavam gordo eu não ia para o psicologo e tinha uma crise existencial que me levava à violencia. Na minha escola um professora ficou com o carro riscado e teve uma espera á porta de casa. À 20 anos. Hoje acho que com a mania da protecção e do políticamente correcto damos demasiada importancia a coisas que sempre existiram e que são normais.

Publicado por: Daniel Arruda às março 30, 2006 09:05 PM

É isso Daniel, creio que te explicas, o que parece é que não acreditas no que se diz do "tempo actual". Não é como o imaginas, embora possa ser em parte. É claro que há muitos sítios, onde tudo se passa como dizes há 20 anos, mas há muitos outros onde não é assim. Mas cada um tem a sua experiência. Uma vez também aqui censurei a dureza das praxes e o Farpas veio dizer-me que ele tinha gostado e não havia nada de mal. Contudo sabes que há também praxes violentas. Não será em todo o lado. Também nem todas as escolas são violentas, mas algumas são-no acima do tolerável.

Publicado por: Emiéle às março 30, 2006 09:50 PM

Pois, acho que o teu último comentário, Emiéle, resume bem a situação. A violência existe, é um facto, e sempre existiu, claro que nos dias que correm a comunicação social tem um papel muito grande na sua divulgação, tanto nos noticiários como em outros programas, talvez por isso se saibam coisas que antes ficavam pelas respectivas terras. O que eu acho é que continua a ser um problema de sociedade! E engloba não só a educação que os pais dão aos filhos como também a falta de estruturação da sociedade, como é exemplo os bairros sociais. É importante e urgente actuar, e que sejam actos abrangentes!

Publicado por: Farpas às março 30, 2006 10:26 PM

Muito bem, Farpas, é exactamente isso. A comunicação social tem não só o papel negativo de divulgar o que de mau se passa como de ao realçar quase sempre notícias muito violentas dá-las como normais e assim tornar situações erradas como habituais. A imaginação infantil muitas vezes banaliza coisas que são invulgares e não devem ser seguidas.
Por outro lado os pais têm pouca autoridade, e o modelo de sociedade que se vê não é nenhum «modelo a seguir». Tudo isso junto dá um cocktail desastroso.

Publicado por: Emiéle às março 30, 2006 11:09 PM