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março 30, 2006

Era uma casa…

…muito engraçada
não tinha tecto,
não tinha nada...

Desde ontem que ando com esta cantilena no ouvido. E com vontade de rir. Tudo isto por causa de uma conversa que tive com o Pedro, um adolescente crescido que me contou como era a vida na sua casa. Há a ideia-feita de que as famílias destruturadas ou desorganizadas se ligam a meios sócio-culturais baixos e a conflitos familiares (pais que se dão mal, discutem, não estão em casa…) Pois bem, a família do Pedro é uma família feliz! Os pais, pessoas bem dispostas, licenciados e com emprego estável, dois filhos – ele e o irmão mais novo – e sem conflitos nem entre os pais nem com os filhos.
Mas esta é uma casa onde existe a mais completa ausência de regras, onde reina o que parece um desmazelo completo, sem ninguém se ralar nada. Se uma coisa se avariava, assim ficava. Ele deu-me como exemplo o esquentador: não funciona há mais de 15 dias. O pai e a mãe tomavam duche no local de trabalho ele e o irmão têm tomado com água fria, mas já anda chateado! As portadas das janelas estão partidas há anos. Ele começou a pintar o quarto mas acabou a tinta e ficou em meio. Não há candeeiros, só um fio pendurado com a lâmpada. Quando se fala nestas coisas os pais riem-se e prometem que vão pensar… Claro que o Pedro “encravou” o 12º porque mudou 3 vezes de área, mas ninguém lhe pediu contas, contudo lá me confessou que se acabasse de arranjar o quarto talvez se sentisse mais motivado para estudar como deve ser.
Dei-lhe alguns conselhos, mas duvido do resultado – este modelo onde sempre viveu é muito forte e ele aprendeu a organizar-se dentro da desorganização, se calhar se mexer, estrago o equilíbrio. E se são felizes assim…

Emiéle

Publicado por populo às março 30, 2006 02:13 PM

Comentários

Durante quase vinte anos que andei com a «casa às costas», com mudanças anuais. Para a minha filha foram novas e várias escolas, amigos novos e diferentes, de várias as nacionalidades, religiões e raças. E isso deu-lhe uma estaleca danada para organizar a vida, encarar os problemas e sobretudo de relacionamento.
Um abraço

Publicado por: Balzakiana às março 30, 2006 04:40 PM

Lol. :) :) :)

Publicado por: Johnny às março 30, 2006 04:50 PM

Eheheheh!!!
Há mesmo gente assim, e como dizes, se são felizes...
Quanto à Balzakiana ( acho que a idade agora é bem mais do que no tempo do Balzac! 30 anos agora são umas pitinhas) está cheia de razão. Temos medo pelos filhos que não se habituem e afinal fazem é novos amigos e dá-lhes uma experiência de vida que é bem importante.

Publicado por: joaninha às março 30, 2006 06:38 PM

Olá Balzakiana, bem vinda aqui ao blog! Vou espreitar o teu.
A Joaninha já disse o que eu me preparava para dizer - muitas vezes temos receio que os miúdos não se adaptem e lhes custe as mudanças, e a verdade é que muitas vezes custa-nos mais a nós! e sempre conhecem coisas novas o que é engraçado.
Mas aqui na 'casa muito engraçada' não era uma questão de mudanças. Creio que já lá vivem há muitos anos, aquilo é mesmo um estilo de vida. São assim e pronto!

Publicado por: Emiéle às março 30, 2006 07:24 PM

Tem piada, Emiéle, não ia dizer nada mas não resisto a associar este post com aquele da violência nas escolas. Aqui está um caso de uma família "desorganizada" mas onde as coisas correm bem. Quer dizer, mais ou menos bem, se o rapaz já chumbou mais de uma vez...
Mas isto vem ao encontro do que dizes, que não é só uma coisa, ou só outra, que há boas famílias e más famílias e as "culpas" se têm de distribuir por muitos lados.

Publicado por: king às março 30, 2006 10:13 PM

No fundo será uma FAMILIA com um modo de vida muito personalizado, mas o azar que ele tem em levar com água fria logo de manhã, é recuperado (pelo que entendi) pela sorte em ter uma familia estável!

Publicado por: Farpas às março 30, 2006 10:32 PM

E bem disposta! Creio que seguiu o meu conselho e chamou o canalizador, pedindo um cheque ao pai para pagar o conserto. Quem sabe onde lhe aperta a bota é que se queixa, não é?

Publicado por: Emiéle às março 30, 2006 11:15 PM

Eu que não tenho a mania das arrumações nem nada, era incapaz de viver no meio do caos. E pelso vistos o Pedro também não gosta muito, mas tem de aguentar. Podiam continuar a ser uma família feliz e viverem mais arrumadinhos, não era? Tomar banho no emprego... haviam de ter a casa de banho que eu tenho no meu emprego a ver se lá tomavam banho!!

Publicado por: saltapocinhas às março 30, 2006 11:36 PM

eheheheh Emiéle. Esta história é uma delícia. Nunca imaginei que fosse possível...

Publicado por: Miguel às março 31, 2006 06:39 AM