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março 19, 2006
Dia do Pai / Dia da Mãe
É curioso que a celebração do Dia do Pai não só é mais recente, como não se faz em tantos países como o Dia da Mãe, e nem sequer é no mesmo dia em todo o lado – em Portugal é dia de S. José, mas em muitos sítios é 16 de Agosto, dia de S. Joaquim, ou no Domingo mais próximo – para além de ser um pouco polémico.
É evidente que um ser humano precisa de um pai e uma mãe, os dois foram necessários e há uma certa simetria dentro da família. Mas também é certo que os papeis eram diferentes e, se actualmente se estão a assemelhar mais, os costumes levam tempo a mudar. E com o aumento de separações e de novas famílias reconstruídas, o pai muitas vezes está ausente com o que isso pode representar de bom ou de mau.
De bom, porque na ausência pode ser idealizado e mais amado ainda. De mau, porque não estando presente não conhece bem o filho, e a idealização pode ter más consequências. No caso de casais separados, na enorme maioria dos casos os filhos ficam a cargo da mãe. Seria uma decisão pacífica, se a separação também o fosse, ou pelo menos se os adultos não usassem as crianças como “armas” na sua guerra. Infelizmente isso nem sempre acontece. Os tribunais decretam que a criança esteja com o pai um fim-de-semana de 15 em 15 dias e parte das férias. É uma discrepância grande, como o faz notar a Associação 26 - 4 que se chama exactamente assim para mostrar que os seus filhos estão, num mês, 26 dias com as mães e 4 dias com os pais!
As queixas destes pais são importantes. É certo que as mães, por seu lado, argumentam que também só gozam os seus filhos ao fim-de-semana, porque durante a semana é escola, jantar, cama. Enfim, questões de adultos onde as crianças não são ouvidas como devem ser.
Porque afinal, não seria difícil que um filho e o seu pai se encontrassem sempre que o tempo de ambos o permitisse, sem alterar as regras e disciplina escolar. Eu conheço muitos e muitos casos onde isso funciona com naturalidade independentemente das feridas que existem entre um casal desavindo. São casos onde os filhos foram mais respeitados. Esses foram os Bons Pais e Boas Mães, diria o Salomão.
Emiéle
Publicado por populo às março 19, 2006 09:45 AM
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Comentários
É complicado isto, Emiéle. Muuuito complicado.
Lendo o site dos pais 26/4 e ouvindo algumas coisas, parece que realmente estão cheios de razão. E conheço muitos casos onde é exactamente assim. Mas...
É que também há o outro lado. A luta pela luta e quando se consegue o que se quer, já não procuram tanto os filhos, já deixam passar tempo, já têm mais que fazer. Aliás num dos artigos que li, refere-se com indignação que são impedidos de ver os filhos se não pagarem a pensão de alimentos. Mas porque raio é que não pagam a pensão de alimentos???!!! Sei de pais, que realmente não pagam a pensão de alimentos com a justificação de não terem dinheiro mas quando estão com os filhos dão-lhes prendas caríssimas "comprando" assim a sua admiração, coisa que a mãe que tem de pagar a sopa, e os sapatos não poderá fazer.
é bom haver bom-senso nisto tudo!
Publicado por: joaninha às março 19, 2006 12:03 PM
Joaninha acho que o teu comentário dá para os dois lados não é? E também acho que se for assim: "É certo que as mães, por seu lado, argumentam que também só gozam os seus filhos ao fim-de-semana, porque durante a semana é escola, jantar, cama." é muito triste!
Certo é que existem pais bons e pais maus, mães boas e mães más, e que a sociedade actual nada tem a ver com a sociedade que tinhamos aqui à uns anos onde a função da mãe era cuidar da casa e dos filhos e a do pai era trabalhar...
Publicado por: Farpas às março 19, 2006 01:33 PM
Pois, Farpas, o complicado é isso mesmo - as mães que hoje chegam a casa quase sem tempo de estar com os filhos, durante toda a semana. Se olhares á volta é o que acontece em grande parte das casas. E não é por os pais estarem separados ou não, mesmo quando eram um casal era o mesmo - os locais de trabalho são incrivelmente longe de casa, e ainda há as compras e o jantar a fazer, e a casa a arrumar e a roupa a passar...Uma mãe disponível para os filhos, tal como os pais, só mesmo ao fim-de-semana.
Mas parece incrível e profundamente egoísta, se o pai tem tempo e disponibilidade não o poder fazer por a mãe ou o tribunal não o deixarem. Isso é que é uma incrível injustiça, para a própria criança.
Publicado por: Emiéle às março 19, 2006 02:32 PM
Conheço casos de separações impecáveis. Apesar de os filhos terem ficado com a mãe, o pai aparece sempre que quer e pode, a qualquer altura. Mas também sei de casos muito tristes, mães que nem sequer aquilo que o tribunal decidiu e já era pouco, cumprem. Sei de um caso onde a mãe nem chama o filho para falar ao telefone com o pai! Isso é o máximo de estupidez! Que mal é que fazia?!?!
Publicado por: Raphael às março 19, 2006 02:43 PM
As estatisticas provam o que dizemos. É uma descriminação aberrante . Não há outro lado . É uma desigualdade . NÃO HÁ IGUALDADE . PONTO FINAL . (dizer que há pais que não pagam e depois compram presentes, nem faz sentido . é o mesmo que dizer que há máes que só deixam ver os filhos, se os pais pagarem o triplo das pensóes ... nem vamos por ai . pagar é uma coisa, conviver é um direito dos filhos e dos pais ! ) É UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA . DE IGUALDADE . SIMPLES .
Publicado por: pai 26-4 às abril 5, 2006 03:01 PM
Pai 24-4, se reparar bem quer o sentido do post quer os comentários vão no sentido de vos apoiar. Mas o que a Joaninha diz também faz sentido e não «é o mesmo que dizer que há máes que só deixam ver os filhos, se os pais pagarem o triplo das pensóes».
A pensão é decidida pelo tribunal. Se uma mãe lhe passar pela cabeça esse disparate está a não cumprir uma ordem do tribunal, assim como o pai que não pagar a pensão também não está a cumprir a ordem do tribunal. O que a Joaninha chamou a atenção foi o não cumprir essa ordem com uma desculpa falsa, uma vez que pode comprar brinquedos caríssimos, segundo a frase dela. E aí mais uma vez a criança estava a ser usada na luta entre pais.
Publicado por: Emiéle às abril 6, 2006 08:43 PM