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março 27, 2006

A guerra civil no Iraque

Hoje não é surpresa para ninguém que a intervenção estrangeira no Iraque, se conseguiu terminar com uma ditadura sanguinária e que nenhum país democrático aprovava, pelo modo como foi conduzida abriu de par em par a porta da guerra civil. Se os iraquianos estavam obviamente mal, não se pode afirmar que hoje estejam melhor. E uma coisa que não pode deixar de chocar são os constantes “pequenos massacres” de que se vai tendo notícia dia após dia.
Com mais 30 cadáveres encontrados, só numa semana chegaram a 100 o número de pessoas executadas no Iraque.
Eu acredito que seja apenas uma questão cultural do meu lado, afinal morrer é morrer seja por que forma chegue a morte, mas arrepia-me especialmente estas mortes por decapitação. Pensando bem tão terrível é morrer com um tiro como com a cabeça cortada, mas no segundo caso ‘sinto-o’ como mais selvagem, mais espectacular, choca-me ainda mais.
Culturas diferentes, porque sou europeia? Talvez.

Emiéle

Publicado por populo às março 27, 2006 06:00 AM

Comentários

Também acho horrível e sinto alguns calafrios só de pensar nisso...! Se calhar, é isso, somos europeus.

Publicado por: Johnny às março 27, 2006 09:36 AM

Quando disse "nisso", queria dizer nas mortes por decapitação mas penso que ficou explícito.

Publicado por: Johnny às março 27, 2006 09:39 AM

Realmente, este triste caso do Iraque é daqueles em que se deitou o bebé fóra com a água do banho.
Mesmo que a intenção fosse tão generosa como se apregoou - acabar com uma ditadura - não se fez os "trabalhos de casa" que seria conhecer a fundo a política local. O resultado está à vista!

Publicado por: Tess às março 27, 2006 12:27 PM

Tens razão Johnny, faz calafrios. POrque é sempre horrivel uma matança dessas, 10 pessoas assim sem mais nem menos, mas acrescenta mais o horror o modo como as matam.

Publicado por: joaninha às março 27, 2006 12:40 PM

Emiéle, para mim não é, de todo, uma questão cultural já que tal não pode ser invocado quando da barbárie se trata. Uma coisa é romancear o hara-kari levando a prática ao extremo, como o fez Mishima, outra coisa é o homicídio puro e duro, cobarde. Cobarde! Praticado por psicopatas assassinos que encontram naquele contexto terreno fértil para saciarem a sua sede - não foi assim também na ex-jugoslávia? - materializando os propósitos dos (alguns) políticos. Porque apenas de peões se trata, onde o contar dos mortos nada mais é do que meras estatísticas.

Quanto ao morrer por morrer, antes a bordo do space shuttle a atomizar-se na atmosfera do que degolado por um qualquer filho-da-p... (desculpa lá).

Publicado por: Miguel às março 27, 2006 06:54 PM

Tens toda a razão. Quando falei em questão "cultural" estava admitir que certos "hábitos" ( ? ) podem explicar que para eles não faça tanta impressão como nos faz a nós. A verdade é que há umas centenas de anos os criminosos eram decapitados em público e o povo ia assistir todo bem disposto... era a tal "cultura" da época medieval.
De qualquer modo, nestas coisas matar-se gente anónima não é guerra é assassínio puro e simples. E esta forma de assassínio impressiona muito. Também 'preferia! essa desintegração no espaço. :)

Publicado por: Emiéle às março 27, 2006 08:43 PM