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fevereiro 23, 2006
Poesia
Balada Apócrifa
Olhai os lírios do campo
Meninas de saia rodada
Íris de teias de aranha
Desvendam o mar nas searas
Olhai os lírios de pedra
Em copos de madrugada
Os soldados em manobras
Enterram a sombra caiada
(Bebei os lírios de água
Com grandes bicos de aves)
Sofreram sempre derrota
Deixaram mãos enforcadas
Sem lençóis com clarins
Grades de pernas doadas
Olhais os lírios do tempo
Meninas virgens por dentro
Os soldados em manobras
Têm noite por espingarda
Colhei os lírios do corpo
Meninas de saia travada
Luiza Neto Jorge
(Lisboa, 1939 - Lisboa, 1989]
Publicado por populo às fevereiro 23, 2006 07:32 AM
Comentários
Luiza Neto Jorge!!
De quem te foste lembrar... E muito bem.
Também resistente, também forte, e também desaparecida tão cedo.
Aqui temos um exemplo muito claro da "poesia com muitas leituras", de como se podia dizer tudo, mas...
Publicado por: Joaninha às fevereiro 23, 2006 11:48 AM
Primeiro gosto muito dos versos da Luisa. Segundo estes têm grande significado.
E terceiro, como dizes, é um bom exemplo do que se pode dizer não dizendo.
Publicado por: Emiéle às fevereiro 23, 2006 08:32 PM