« janeiro 2006 | Entrada | março 2006 »
fevereiro 28, 2006
Mulheres
Na sequência do que disse mais abaixo, vejam que interessante:
Um em cada cinco parlamentares eleitos em 2005 é mulher e a zona do mundo que mais avançou em matéria de representatividade política feminina foi a América Latina
Parece poucochinho, não é?
Pois se o mundo é povoado por metade mulheres metade homens, a responsabilidade pela sua gestão também devia estar dividida.
Certo. Agora lembremo-nos que ainda há cem anos as sufragistas lutavam por ter direito a votar! Nem era ser eleita, nisso nem se pensava, era simplesmente ter o direito de dar a sua opinião. E isso foi uma revolução nos costumes.
Hoje em dia, já um quinto dos parlamentares são mulheres. Que passo em frente! E, para mim o movimento avança em progressão geométrica, é imparável, tipo avalanche.

Emiéle
Publicado por populo às 11:30 AM | Comentários (11)
O meu post número 1.000
…foi o que escrevi antes deste, logo ali em baixo.
Foi de propósito que desejei deixar ali uma mensagem optimista, e em que eu acredito.
Mas foi uma espécie de celebração também.
Comecei a escrever no Pópulo em fins de Setembro, há aí uns cinco meses. Hoje escrevi o post número mil ( não os ando a contar! É a própria weblog que mo diz…) e sinto-me satisfeita. Este blog tem sido um prazer para mim. Quando me aventurei num blog individual estava receosa, tinha tido uma boa experiência de um colectivo e pensava que seria muita areia para a minha camioneta.
Mas a gente só sabe quanta areia leva a camioneta se a começar a encher…
E afinal consegui dar conta do recado. Como escrevo com muito prazer, e a vida em meu redor me sugere imensos temas de conversa convosco, o blog tem-se escrito sozinho. Só na semana passada reparei que estava a chegar a este número redondo – é claro que é igual a outro qualquer, mas tem um sabor especial. Sempre foram mil vezes que carreguei no "published" e no “save” e vi aparecer o que tinha acabado de escrever…
Hoje estou satisfeita!
Iuupiii!!!

(cliquem para conseguirem ler..)
Emiéle
Publicado por populo às 10:11 AM | Comentários (22)
“No meu tempo” ( um post optimista )
É muito vulgar ouvir pessoas de meia-idade, arreliadas com a vida actual, pintarem um tempo passado todo em cor-de-rosa.
Quando os oiço, lembro-me muitas vezes de um filme muito antigo, creio que do realizador francês René Clair, interpretado pelo actor Gérard Philipe, filme chamado “Les belles-de-nuit” ( em português tinha o título de “O vagabundo dos sonhos” se não estou em erro) . Era uma comédia levezinha, sobre um jovem músico apaixonado. Aconteciam-lhe alguns azares na vida real e à noite sonhava com isso. Aparecia lá uma figura um pouco cómica - um velhote muito crítico, que censurava tudo e repetia constantemente: “Ah, no meu tempo é que era! Não havia nada disto!!!”O interessante é que o ‘sonhador’, no seu sonho ia parar “ao tempo” do velhote rezingão, e afinal a vida não era nada melhor, aparecendo no próprio sonho, o mesmo velhote a repetir “Ah, no meu tempo, é que era…!”. A graça da história é que ‘o sonhador’ ia, em cada noite, caminhando para trás na História, à procura desse tempo tão bom, e pelos séculos atrás ia sempre aparecendo o tal velhote abanando a cabeça e clamando: “Bah! No meu tempo…”
Era um filme optimista. René Clair, como Kapra, foram realizadores que talvez para se libertarem do peso da guerra, escolhiam histórias alegres e ingenuamente optimistas. Mas esta mensagem não é tola. Temos a tendência para ver as dificuldades reais por que se está a passar como as piores de sempre. Calma. Não será bem assim. O mundo
está mal, é indiscutível, mas se regressássemos a um passado longínquo íamos descobrir que já esteve bem pior.
Sabemos que nos falta imenso para o que desejamos de justiça, de bem estar, de respeito pelos valores que desejamos partilhados por todos. Se olharmos para cima, vemos o céu, e o céu parece-nos muito, muito longe. Mas se olharmos para trás vemos que já se percorreu um enorme caminho na direcção certa.
Força, e em frente!
Emiéle
Publicado por populo às 09:45 AM | Comentários (10)
Primavera na Ribeira
Esta é uma boa notícia mas para as gentes de Lisboa. Vem aí mais uma Feira do Livro da Primavera
Há muitos anos que por esta altura marchamos para o Mercado da Ribeira. É uma “feira do livro” diferente da tradicional, aquela que todos conhecemos ao ar livre na zona do Parque Eduardo VII. Esta é uma Feira mais modesta, mas com preços baratíssimos, e atenção! Vai estar aberta até 2 de Abril.
Este ano como novidade vai ter também uma zona de artes plásticas, serigrafias e pinturas.
É de aproveitar, quem gosta de ler e tenha pouco dinheiro.

Emiéle
Publicado por populo às 09:32 AM | Comentários (3)
Questões que nunca se acabam
Um costume enervante cá na nossa terra, é que ciclicamente se voltam aos mesmos problemas que nunca se chegam a resolver. Às vezes, trata-se de coisas menores, que a comunicação social volta a pôr na berlinda por falta de assunto, ou para “refrescar” os temas. Mas outras vezes são de facto temas importantes que ficam uns tempos na gaveta e de vez em quando voltam a levantar a cabecinha.
Hoje a imprensa faz primeira página com o problema da co-incineração
Já há tantos anos que se houve falar nisto que é incompreensível como ainda estamos neste ponto. Têm-se feito estudos, avançado com soluções diversas, e não se chega a acordo. Aparentemente é um braço de ferro de parte a parte, e sabendo que esta questão surgiu quando Sócrates estava ligado ao ambiente é fácil imaginar que seja um ponto onde ele não queira ceder. Tanto quanto nos é dado saber, o ‘argumento’ é que se funciona noutros países porque não há-de funcionar em Portugal? O ‘contra-argumento’ é que se há outras soluções que parecem melhores porque não as implementar?
E entretanto o tempo vai passando. E entretanto vão surgindo outros temas de discussão diferentes. E entretanto os resíduos continuam a andar para aí…

Emiéle
Publicado por populo às 09:20 AM | Comentários (4)
fevereiro 27, 2006
Doutor tradicional
(recebido por email)
Sem mais palavras, porque já tem que chegue!

:)
Emiéle
Publicado por populo às 05:22 PM | Comentários (6)
“Importâncias”
Eu costumo ver a TV muito selectivamente. A informação, um ou outro programa que imagino ser de melhor qualidade, uma ou outra série ou filme que me chame a atenção, mas não sou uma consumidora ‘normal’ do produto. Claro que se estou em momentos de puro lazer, acontece deixar aquela coisa ligada e ir ouvindo e vendo de um modo mais ou menos distraído.
Ontem, domingo, foi dia de futebol e houve um jogo importante. OK. Também me interessou o jogo e o resultado,
portanto estive mais ou menos atenta. Quando acabou “desliguei” daquilo, já sabia o que me interessava. Mas pouco depois reparo num debate entre uns senhores, que não sei quem sejam e debitaram umas opiniões com um ar muito douto. E eu, que nessa altura já tinha um livro na mão e portanto não estava a prestar grande atenção ouvi uns termos tão polissilábicos, tão esdrúxulos, tão …pomposos, que fixei a atenção imaginando que se devia estar a discutir o desemprego, o défice, os grandes problemas sociais do país.
Nã, senhor! Aquela gravidade toda era ainda pelo futebol! Eu creio que deviam imaginar que se falassem daquele modo arrevesado e pseudo-erudito davam mais valor às questões ali tratadas. Mas tenho de dizer que só me davam vontade de rir. É como dizer “esférico” em vez de “bola”.
Na minha casa contava-se a história de um senhor que adorava ‘falar difícil’ e uma vez num hotel disse a um empregado:”Oh rapaz, traz-me o produto genético da deliciosa esposa do trovador matutino!” e após uma pausa “mas estrelado!”.
É o que me lembra, quando oiço alguns deste comentadores desportivos. Tenham tino, criaturas. Estão apenas a falar de jogos, de distracções, é interessante mas não são os grandes problemas mundiais. Isso é outra coisa.
Emiéle
Publicado por populo às 04:59 PM | Comentários (3)
Há 11 mil anos
Imaginem, há 11.000 anos!
No tempo das cavernas, os homens procuravam a sua caça mais para o norte da Europa e descobriram as loiras… Outro tipo de caça. Mas o que este estudo tão científico não nos diz é porque é que eles preferiam essas mulheres mais exóticas às suas companheiras de tribo. Em princípio até se costuma apreciar melhor aquilo que entra nos padrões habituais nos nossos gostos, ou seja aquilo que desde pequenos nos foi familiar. Por algum motivo há agora campanhas contra a discriminação do que é “diferente” mas parece que no caso das loiras foi tiro e queda!
Huuummm…
Os senhores cientistas desculpem, mas aqui há qualquer coisa que anda mal contada!?!
Não que eu tenha nada contra as loiras, é claro!

(desculpem aparecer só o cabelo, mas as fotos de loiras que encontrei na net não foram de molde a apetecer-me pespegá-las aqui; e o que interessa é o cabelo, né?)
Emiéle
Publicado por populo às 10:47 AM | Comentários (11)
Escolas ricas e escolas pobres
A reportagem é interessante. Mais do que interessante, quase fascinante! Por mim nunca tinha ouvido falar nessa coisa de um quadro interactivo.
Dantes chamava-se “quadro preto” quando era feito de pedra, de ardósia. Depois vieram outros materiais, mais sofisticados para a época, e ele rapidamente deixou de ser preto, sendo de preferência verde. Mas ninguém dizia “fui ao quadro verde” e passou a ser apenas “o quadro”.
Mas agora pelo que vou aprendendo há "quadros interactivos” ligados a computadores, que fazem maravilhas - pelo menos eu fiquei tão fascinada como imagino que fiquem os alunos. E, não me levem a mal, mas acho que os professores também ficam muito motivados por poder brincar com este brinquedo novo. E já há muitas escolas que os vão tendo, apesar de como também se diz para a maioria não passar de um sonho.
Porque estamos a falar das “escolas ricas”. Temos também na nossa rede escolar, as “escolas pobres”. Aquelas escolas onde não há aquecimentos de jeito, as instalações estão degradadas, e os laboratórios têm equipamento obsoleto. Aí, as prioridades têm de ser outras.
Para não falar agora noutras necessidades, como as dos alunos com um certo tipo de dificuldades de aprendizagem .
Mas não estou a censurar, de modo nenhum, a existência de boas condições nas “escolas ricas”. Ainda bem! Fazia era votos para que rapidamente em todas as escolas existissem boas condições de trabalho. Por exemplo esta de fornecer portáteis aos professores que tenham projectos que justifiquem esta necessidade. De aplaudir.
Apesar de eu continuar a pensar que não se pode esquecer o aquecimentozinho…

Emiéle
.
Publicado por populo às 10:24 AM | Comentários (11)
Não sei se é um bom princípio
Devo ser muito antiquada mas isto fez-me alguma impressão. Uma discoteca (foi em Espanha, ainda não há o sistema por cá) fornece aos seus frequentadores um chip que se implanta sob a pele com anestesia local e que só deixa uma pequena cicatriz, e depois dá direito à pessoa a «aceder ao local sem apresentar documentação e sem ter de pagar o consumo». Assim como se fosse um cartão de crédito já implantado em nós…
Eu fiquei toda arrepiada com a ideia! Mas que raio … Tá bem que já andamos aqui a passear pelo século vinte e um, mas ainda há limites! Um chip dentro de mim, para frequentar um bar?!?!
Por mim prefiro entrar apresentando identificação, se for preciso, e pagar a minha conta no fim. Antiquada, deve ser isso… É que começo aqui a pensar que isto é uma brincadeira, mas a pouco e pouco por um motivo ou outro daqui a uns anos andamos todos “chipados” e debaixo do controlo do big brother. Vade retro!

Emiéle
Publicado por populo às 10:21 AM | Comentários (6)
fevereiro 26, 2006
Estrela no horizonte
Esquecemo-nos muitas vezes que também na nossa vida muitas coisas não são com parecem. É quase tudo relativo e uma questão de distância...
Afinal o Sol é também uma estrela, não é?

Emiéle
Publicado por populo às 09:15 PM | Comentários (2)
Um vestido de Carnaval
Há muitos anos, eu era pequenina. Naquele tempo, e onde vivíamos, não havia ainda a ideia de se “comprar” um fato para mascarar uma criança. Era tudo feito ou improvisado em casa. Até essa altura eu tinha-me vestido ou com fatos emprestados regionais, “minhota”, “mulher da Nazaré”, “ceifeira”, ou umas trapalhices para fazer de “cigana”. Mas nunca um fato como-deve-ser e que fosse mesmo meu. Também não o pedia, porque lá em casa não havia o costume de pedir – os pais adivinhavam! E adoravam fazer surpresas.
Nesse Carnaval, eu não sabia de que é que me iria mascarar. Uma amiga da família que tinha jeito para costura um dia tirou-me umas medidas o que me deixou intrigada, mas esclareceu-me logo que era para fazer uma surpresa à sua filha que era do meu tamanho, coisa que me pareceu lógica. Mas entretanto via os meus pais a cochichar divertidos, calando-se quando eu me aproximava.
E … tátátátá!!!! Na noite de sexta para sábado magro, a minha mãe pôs-me uma venda nos olhos, despiu-me e senti
que me vestiam, me punham qualquer coisa na cabeça, me calçavam uns sapatos e enfiavam um objecto na mão. Levaram-me para frente do espelho do guarda-fatos e tiraram a venda: estava ali a Fada Azul!!!! Faltou-me a respiração. Um vestido até aos pés de cetim azul, um carapuço em bico todo em purpurina com um véu de tule azul, uns sapatos também pintados de purpurina, e uma varinha mágica com um funcionamento especial que o meu pai me explicou: era uma vara de metal com uma estrela na ponta; atrás da estrela havia uma lâmpada minúscula, e no punho da vara um interruptor, quando eu queria “fadar” alguém tocava no interruptor e a luz acendia. Essa engenhoca tinha sido imaginada e feita pelo meu pai ( homem de letras, atenção!) e as pinturas do chapéu e sapatos pela minha mãe.
Senti-me uma verdadeira fada. Nesse Carnaval custou-me não andar durante 15 dias sempre vestida de fada azul. Nunca me senti tão feliz!
Hoje, tanto tempo depois, tenho a certeza que para além do prazer de me ver tão bonita foi o sentimento do amor fortíssimo dos meus pais, ali materializado, que me aqueceu por dentro, que me levou às nuvens. O vestido era bonito, mas a surpresa e o tempo que levaram a pensar em mim, senti-o ainda mais bonito.
Foram momentos de felicidade pura.
Emiéle
Publicado por populo às 06:38 PM | Comentários (5)
Diz o roto ao nu

A tal epidemia da gripe das aves vai alastrando como se previa. Chegou a França. Normal.
Mas vejam o interessante:
Na China proíbe-se a importação de frangos franceses o que parece natural. Se há por lá indícios de epidemia vale mais precaverem-se…
Contudo é na própria China que já o ano passado se abateram cerca de 22.571.000 aves e há indícios de que a coisa está cada vez preta.
Que de ponham as barbas de molho, é um costume saudável se as do vizinho estão a arder, mas mais saudável ainda quando o tal incêndio é nas nossas próprias barbas...
"Diz o roto ao nu", não é assim?
Emiéle
Publicado por populo às 11:46 AM | Comentários (3)
Esperança de vida ou qualidade de vida?
A expressão é muito bonita: “a esperança de vida”.
Significa, dito de um modo simplificado, a média de anos que as pessoas vivem, em certas sociedades ou em certas épocas. Como a medicina tem feito uns notáveis avanços a tal “esperança de vida” nas sociedades mais evoluídas tem aumentado espectacularmente. Muito bom. Muito bom porque é normal gostar-se de viver, é normal gostar-se de termos connosco os nossos familiares. A tal esperança, noção muito bonita.
Depois para complementar este quadro lindo devia estar no outro prato da balança a chamada “qualidade de vida”. E aqui é que tudo se estraga! Porque se para viver "basta" tratar as doenças e ter cuidado em não sofrer acidentes, mas para que a vida mereça ser vivida são necessários outros factores muito mais difíceis de se obter.
E encontramos este paradoxo: as pessoas recebem uma bela prenda (viverem mais anos ) que não desejam.
O DN traz duas reportagens sobre velhice, profundamente tocantes. Numa refere-se o problema da mobilidade, das pessoas muito velhinhas que vivem em andares altos e passam anos sem sair de casa. Imagina-se o que isto é?!
Em prisão domiciliária sem culpa formada chama-lhe a reportagem. Fala de uma senhora de 82 anos que há cinco que não sai de casa. A senhora tem uma frase que nos aperta o coração ao contar uma queda que deu «…. pensei que tinha morrido. Mas não. Tive azar. Não só não morri como fui condenada a prisão perpétua». Esta frase quase podia ser repetida pelas outras pessoas que a jornalista entrevistou, tudo mulheres porque… a “esperança de vida” é maior nas mulheres do que nos homens!
E a situação é tão triste, a “qualidade de vida” é tão má, que 45% dos suicídios em Portugal ocorrem depois dos 65 anos e 30% em indivíduos com mais de 70 anos como aqui nos dizem
Vários casos aqui contados, de solidão, de desespero. Uma frase duríssima "A minha vida é muito triste mas para morrer é preciso coragem”. E rezam pedindo a Deus a morte…
Esperança de vida?!
Que ironia!

Emiéle
Publicado por populo às 11:22 AM | Comentários (3)
fevereiro 25, 2006
Que frio…
Acabo de ver na televisão no final do jogo Sporting-Académica, os jogadores a despirem as camisolas para darem aos miúdos que lhas pedem.
Muito bonito, mas não era eu que o fazia!
Cinco graus, ou lá o que disseram no início do jogo! Só de os ver de tronco nu já comecei a espirrar.
Brrrrr…
Emiéle
Publicado por populo às 11:20 PM | Comentários (1)
Ora batatas!
Na casa onde estou a passar este fim-de-semana mais prolongado, tenho também TVCabo. Porque sim. Porque quando para cá venho é para estar distraída e a TV é uma fonte de distracção, é claro. Mas como isto tem uma ocupação só de fins-de-semana e férias, tem a TVCabo mínima. Achei que não era necessário ter todos os canais extras.
Ora bem, por diversos motivos estive algum tempo sem cá vir e quando ontem à noite chegámos não havia TV. Aparecia uma mensagem a dizer “canal não atribuído” o que era estranho porque só tinha tentado ligar a RTP e vi logo que havia alguma coisa estranha. Entre as cartas por abrir que aqui tinha vinha uma da TVCabo, com um cartão e instruções para proceder à troca do cartão da “power box” coisa que fiz. Depois dessa mudança apareceu outra mensagem a dizer que o “cartão não estava pareado” palavra estranha mas afinal existente ( fui ver ao dicionário e tudo!) e com essa mensagem se manteve toda a noite.
Hoje liguei para a assistência do serviço, expus o problema e lá mo resolveram ( poupo-vos à aventura que foi ligar para lá e as voltas por onde andei ) Segui as instruções e finalmente consegui ter imagem no ecrã. Uff…
E agora a segunda parte da aventura. Eu tinha o pacote mínimo como disse. Quando comecei a ver se vinha tudo pela mesma ordem, comecei a ver que me tinham “gratificado” com todos os canais ( excepto o playboy ou coisa assim ) e divertidíssima fui carregando no comando e reparando que aquilo ia até aos 90 canais ou coisa que o valha. Ena pai! Espero bem que na conta não me cobrem isso, porque não os pedi. Mas foi engraçado ver tanta coisa nova que nem mesmo em Lisboa tenho.
Terceira parte desta história: saí da sala para fazer qualquer coisa deixando o meu filho de comando na mão indeciso sobre o que iria ver. Tanta abundância tornava a escolha difícil. Quando um bocado depois voltei a entrar ( tinha-me afastado a custo do meu romance de chocolate ) escangalhei-me a rir. Daqueles noventa canais versando tudo e mais alguma coisa, ele estava a ouvir atentamente um canal regional que falava na cultura da batata.
Balhamedeus! É o que faz o excesso. Acabamos por ficar… na cultura da batata!

Emiéle
Publicado por populo às 08:03 PM | Comentários (5)
De que raio me fui lembrar!
Ora bolas!
Neste últimos dias tenho andado a ler um romance agradável. Nunca foi best-seller que eu saiba, mas fez-se um filme sobre ele bastante interessante, com o mesmo nome:
«Chocolate». Uma história meio fantástica de uma também “meio feiticeira” que vai morar numa aldeia francesa super conservadora e tradicional e montando uma lojinha especializada em chocolate acaba por subverter os valores conservadores daquelas pessoas. Um bom romance para se ler descontraidamente num fim-de-semana prolongado.
Só que…
Eu sou viciada em chocolate. Adoro chocolate. E o chocolate é como qualquer vício, só o é em quantidade – um cigarro não é vício, quem não consegue parar de fumar está “agarrado” e viciado. Um quadradinho de chocolate não é vício, quando marcha a tablete toda e nos apetece mais, estamos viciadas.
E eu achava que tinha ultrapassado a fase crítica. Agora só ia um de vez em quando e com critério. Achava! Antes de começar a ler esta história malvada de um livro que assim que se abre cheira a chocolate!!! É chocolate para beber com pepitazinhas que se trincam, é bolos de chocolate, é bolachas com várias camadas, é suspiros de chocolate, é frutas cristalizadas em chocolate, é amargo, é doce, é líquido, sólido, fofo…Eu sei que ando a salivar assim que abro o raio do livro.
Pronto. Achava que tinha tudo sob controlo e estou a ressacar. E o pior é que não consigo fechar esta coisa e ainda me faltam uns 3 capítulos.
É cá uma dependência!

Emiéle
Publicado por populo às 07:16 PM | Comentários (5)
Efeitos secundários
Quando se trata de problemas de saúde e ainda por cima graves, qualquer tentativa de fazer humor é no mínimo de mau gosto. Mas arrisco-me!
Porque a notícia até é uma boa notícia e fez-me sorrir.
A doença de Crohn, doença intestinal grave, pode ser tratada com Viagra.
Se, para além de melhorarem do Crohn, aparecerem alguns “efeitos secundários” duvido muito que apareçam queixas e reclamações.
É que nem sempre os efeitos secundários dos medicamentos são maus!
:)
Emiéle
Publicado por populo às 01:35 PM | Comentários (3)
O ridículo não mata
O ridículo não mata mas não sei se engorda...
É conhecido o gosto que existe em Portugal por títulos. Nós, que gostamos tanto de copiar os usos de outros países que consideramos como modelos, lá nisso de se chamar apenas Mister ou Monsieur a uma pessoa tenha ela que formação tiver, sempre nos confunde um pouco. Mas enfim, são hábitos e como correspondem a uma cortesia, também não me incomoda nada desde que não se exagere.
Já considero um pouco pateta quando é o próprio que se auto-designa como O Dr. X, o eng. Y, o Prof. Z. Não consigo reprimir um sorriso quando oiço ao telefone “daqui fala o Professor Fulano” ou “diga-lhe que ligou o Dr. Beltrano”. É um novo-riquismo cultural, divertido e cómico.
Mais engraçado ainda, hoje encontrei um artigo de opinião ou coisa que o valha que era assinado por um Dom Qualquer-coisa. Que o senhor seja monárquico está no seu pleno direito, que goste de dar a saber do seu sangue azul também é lá com ele, e portanto que assine assim não o posso criticar.
Mas posso rir-me do Dom, isso também é um direito meu.
Quando li aquilo só me lembrou uma marca, de vinhos ou coisa que o valha…
Oh Dom!!! :)

Emiéle
Publicado por populo às 10:34 AM | Comentários (8)
Sábado gordo
É certo que ao pensar em Carnaval recuo sempre uma quantidade de anos e volto à infância. Para mim associo de imediato a lembrança aos anos onde me mascarava, atirava serpentinas, saquinhos, papelinhos ( porque será que era tudo em diminutivo...?) para não falar nas sinistras bisnagas com esguichos de água. Contudo era realmente uma paródia e divertíamo-nos imenso. Hoje, sigo a moda do tempo e a festa em si não me diz muito. Aliás quase todos os meus amigos, com poucas excepções, protestam que é uma parvoíce haver uma época para estarem divertidos e até caem no estremo oposto, e arranjam uma carranca especial de mau humor para estes dias.
Mas se digo que “sigo a moda do tempo” é porque este tom blasé que nós usamos é de agora. Basta ler uns romances de há cem anos para se notar a importância do Carnaval, para os adultos: bailes, “assaltos”, fatos de dominó para os mais sóbrios ou fantasias sofisticadas para os outros. O tempo de Carnaval não era apenas estes
3 ou 4 diazinhos que são hoje, durava no mínimo uma semana e meia, porque começava na sexta, sábado e domingo magros, continuava a brincadeira durante essa semana, e tinha o apogeu no sábado, domingo gordos e 3ª feira para encerrar na 4ª feira de cinzas! Imagino que haveria muito menos alturas de diversão durante o ano, portanto aquele momento de plena descontracção era mesmo para se aproveitar! E o engraçado é que afinal na província ainda a coisa é hoje vivida com algum saborzinho desses anos de antigamente.
Tenho uma amiga açoriana que se lembra que os festejos de Carnaval eram quase um mês inteiro. Começava com a '5ª feira de amigas', na semana seguinte, '5ª feira de amigos', de pois vinha a '5ª feira de compadres', e no fim '5ª feira de comadres'! Só no fim era o famoso fim-de-semana gordo…
Bem, agora é “mais moda” dizer-se que o Carnaval é quando o Homem quiser e outras piadinhas do tipo. A verdade é que hoje a vida dá-nos muito mais ocasiões de descontrair durante todo o ano. Ainda me lembro, contudo, dos tais “assaltos”, e de que quase sempre o “assaltado” era prevenido por voz amiga, para não ser apanhado completamente de surpresa. Uma vez que me preveniram que me “iam assaltar” tive ainda tempo para descobrir uma campainha igualzinha à da porta da casa da minha avó (onde ia decorrer o assalto ) mas que era uma bisnaga. Quando se carregava no botão para tocar apanhava-se com uma esguichadela no olho! Aquilo foi um fartote de risadas porque todos os que eram apanhados ficavam lá dentro à coca esperando pelos que iam chegando a ver se “caíam”… E depois arredava-se os moveis, enrolavam-se tapetes e toca a dançar.
Tenho algumas saudades, sim.
Emiéle
Publicado por populo às 10:16 AM | Comentários (7)
fevereiro 24, 2006
“Lua Nova” “Quarto Crescente”
Não sei bem se a vida me anda a correr melhor.
Lembro-me daquela velha história do tipo que se batia com um martelo e quando lhe perguntaram que maluquice era aquela ele respondeu todo consolado “é que quando deixo de bater é tão bom!” e imagino se será esse caso. Quando há muita coisa a correr mal, e depois isso pára, mesmo que ainda não corra MUITO bem, já me sinto como o ‘outro’, toda consolada porque ao menos o azar parou…!
E devo reconhecer que, depois de uns tempos sinistros onde os amigos me diziam meio a rir que eu devia era ir à bruxa, agora, lá muito no horizonte posso imaginar com o meu eterno optimismo que vêm aí umas novas menos más. Um alívio! Pelo menos a suspensão do chorrilho de azares parece estar a abrandar. ( ou fui eu que me habituei…?)
E para início da boa disposição, pedi a segunda-feira de férias e vou quatro dias inteirinhos para o campo. A tal coisa, dos passarinhos, cães ao longe, umas rãs aqui no ribeiro, mas isto é silêncio – nada de carros, nada de ouvir os vizinhos através das paredes fininhas, nada de aviões que parece quererem aterrar em cima do meu prédio, uma verdadeira 'cura de calma'.
Mas vou com o PC a tiracolo, para manter o contacto com o “mundo” - quero eu dizer com vocês.
Até já!

Emiéle
Publicado por populo às 07:55 PM | Comentários (10)
Viva o dinheiro de plástico!

Por acaso sou a favor.
Gosto do dinheiro de plástico.
Diz a banca que se deve desincentivar o uso de dinheiro e cheques, segundo eles, pelos custos e insegurança.
Cá para mim, tenho a ideia de que o “desincentivamento” começou logo quando se aumento o custo dos cheques que são realmente bem caros. Aquele rectangulozinho de papel é bem caro!!!
Mas por outro lado terão de existir terminais de pagamento por Multibanco em muito mais locais do que existem agora. É certo que em muitas repartições, lojas do cidadão, muitos serviços públicos aceitam esse sistema. Contudo há comerciantes que se queixam de que cada pagamento no terminal tem custos para eles, e muitas vezes pedem-me se posso antes pagar a dinheiro ou cheque. Leio que se pensa que «aumentar o preço nos meios de pagamento com base no papel (cheques e moeda/dinheiro)» é uma medida a ser tomada. OK. E já agora, porque não o inverso? Diminuir os custos dos terminais de modo a aumentar o desejo de quem recebe de os ter em funcionamento.
Publicado por populo às 02:20 PM | Comentários (5)
Laranja Mecânica?
Não gosto de falar de assuntos quando reconheço que tenho poucas informações e as que tenho são pouco seguras. Mas os noticiários têm falado de um caso tão horrível que, pelo menos em Portugal, não me lembro de ouvir nada semelhante. Parece uma história retirada do filme Laranja Mecânica: “um sem abrigo foi espancado até à morte por um grupo de adolescentes”. Isto parece ser um facto. Surgem depois as diversas roupagens para o vestir, os pormenores, as explicações, as dúvidas.
Aceito que nesta história haja várias vítimas, mas impressionou-me ouvir, de passagem, uma psicóloga afirmar “a vida destes miúdos nunca mais vai ser a mesma”. Ouvi a frase fora do contexto, e na altura pensei “a deles não vai ser a mesma, mas a da vítima, acabou!”. Pelo que ouvi, o infeliz que morreu era toxicodependente, sem-abrigo e travesti. Posso estar enganada e este último ponto não ser tão relevante como julgo, mas creio que o é. A rejeição/agressão do que se mostra como diferente é um sentimento reconhecido na sociologia e na psicologia. Um dos motivos pode ter estado aí. Contudo, o paradoxo é que o grupo dos agressores também era “diferente”, eram miúdos desintegrados, sem família organizada, vivendo em instituições. O serem vistos como “vítimas sociais” deve ancorar nesse ponto. E esse ponto, sendo sério e grave, não desculpabiliza nem justifica nada. O acto é gravíssimo, repugna e impressiona pela sua gratuitidade. Pelo que sei não foi uma resposta violenta a uma provocação também violenta, não foi uma rixa mal sucedida, foi um ataque deliberado que, mesmo que não tivesse sido fatal, era igualmente grave na sua intenção.
O que move estes jovens a tão grandes explosões de violência? E, sobretudo, o que pode e deve fazer a sociedade?
Emiéle
Publicado por populo às 01:50 PM | Comentários (7)
De cara nova
Olá amigos!
As obras aqui no Pópulo continuaram agora acabaram.
Como vocês, que me acompanham desde há quase cinco meses, sabem, este blog nasceu de alguém que o criou carinhosamente mas como uma experiência. Nunca o ocupou a sério e numa bela manhã em que eu andava por aí sem abrigo, cederam-mo com generosidade. Eu, na altura, aceitei a oferta pensando que seria uma ocupação provisória. Mas entretanto como fui ficando, fui ficando, fui ficando, este “provisório” foi-se tornando “definitivo”.
Quando entendi que afinal “estava para ficar” comecei a fazer obras na casa. Ela tinha tudo o que era essencial, mas faltavam pequenas coisas que dariam mais comodidade e gosto pessoal. E então, instalei a Caixa do Correio, coloquei links para os blogs que visitava mais, realcei os “últimos comentários feitos", e mudei a cor aqui do “cabeçalho” para uma mais vistosa.
Fiquei sempre a pensar de que para além de mudar a cor, gostaria de lhe dar um ar mais personalizado, gostaria que quem abrisse este blog ficasse desde logo com uma ideia daquilo que ele pretende ser.
E cá está!
A cor mantém-se, porque a acho alegre e quente. Gosto dela. Depois, como este pretende ser um ponto de encontro para trocarmos ideias, pensei que todos nós ( eu e vocês que me lêem) de mãos dadas, seria um bom símbolo. Portanto as figurinhas que nos espreitam aqui da barra somos todos nós, eu e os meus leitores, que fazemos este blog. Para além disso pensei que ficaria bem estaremos todos ligados de mão dada porque, a velha expressão “as conversas são como as cerejas” num blog deste tipo aplica-se completamente, e aquela ligação é um pouco como os pezinhos das cerejas, puxa-se uma e as outras vêm atrás!
Depois, têm um ar infantil também um pouco propositado. Não gostaria nada de me dar ares. Isto é mesmo uma brincadeira. Escrevo este blog para me distrair, para comunicar, mas também não o levo assim muito a sério. Para levar a sério tenho o resto das coisas que faço no dia-a-dia.
E, finalmente, as letras que formam o seu nome tomaram um ar arredondado para lembrar que tento abraçar o mundo e tocar em todos os problemas que são humanos e me interessam.
E, só para que saibam, quem me ofereceu este vestido novo foi o meu generoso amigo Farpas que o meu ‘corte e costura’ não chegava a tanto…
Emiéle de vestido novo
Publicado por populo às 07:12 AM | Comentários (21)
“É assim:”
Olhem, hoje vou alterar o formato habitual do que costumo fazer.
Como o Pópulo aparece com um visual diferente, vou deixar parte do dia para vocês se habituarem a ele e guardar as conversas que costumo ter para mais tarde. Também os motivos de conversa não acabam nem perdem a oportunidade, de modo que apesar de os mais madrugadores poderem ficar desapontados, queria deixar todo o realce para a explicação que aqui deixei. E vão dizendo o que pensam da mudança, combinado?
Emiéle
Publicado por populo às 07:00 AM | Comentários (1)
fevereiro 23, 2006
Que beleza
Chego a casa, abro o PC, dou um saltinho aqui como sempre e depois começo a fazer uma ronda por aí.
E fui andando sempre acompanhada de música. Da que eu mais gosto. Da “mais importante” para mim. Bastava abrir um blog amigo e ouvia uma nova canção do Zeca, parecia um momento mágico qualquer coisa que nos deixava suspensos…
E fiquei também encantada por ver a variedade de escolhas que por aí apareceram, a verdade é que com uma grande surpresa minha até nem houve muitas músicas repetidas. Trinta e tal músicas, lindas e sem repetições só nos prova não apenas a riqueza da obra do nosso Zeca como a diversidade aqui da malta da blogosfera. Que maravilha!
Um grande abraço Isabel, por teres segurado na varinha de condão que conseguiu esta magia.
E outro abraço solidário e forte a todos aqueles que a acompanharam.
Estou satisfeitíssima, acredito que esta era uma homenagem de que ele gostaria!
Emiéle
Publicado por populo às 07:20 PM | Comentários (3)
Zeca Afonso

À procura da manhã clara - queria ele que fôssemos.
Eu sei que esta não é nenhuma das canções emblemáticas do Zeca Afonso. Mas hoje, quando faz anos que ficámos sem a sua presença física, eu preferi deixar uma canção que é um hino de esperança e confiança. Ele atravessou períodos muito sombrios e muito duros. Lutou em muitas frentes, até na da doença e nessa frente não conseguiu vencer. Mas ganhou nas outras, que a vitória é não se vergar nem aceitar facilitismos.
Homem de uma enorme integridade, de imensa coerência, nem sequer aceitou a Ordem da Liberdade que lhe foi oferecida após o 25 de Abril, porque não eram medalhas que desejava mas um mundo diferente e melhor.
Vamos cantar com ele «Para não se apagar a chama que dá vida na noite inteira»
Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flôr no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara
Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha
Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca
Emiéle
Publicado por populo às 07:46 AM | Comentários (6)
Recordações a preto e branco
Muitas vezes o passado aparece-nos como certos sonhos: a preto e branco. Isto sem desprimor nem para o passado nem para os sonhos. É assim, muito simplesmente. Tal como os filmes antigos, antes de ter surgido a cor. Como se a nostalgia fosse mais forte assim, sem a distracção das cores.
E hoje estou um pouco “nessa onda”. Talvez seja culpa deste "um dia com o Zeca”, vêm-me à memória tanta recordação sem qualquer ordem cronológica, nem talvez ordem de importância, mas chegam assim mesmo numa invasão de afectos e recordações.
Muitos momentos fortes, de surpresa, de indignação, de raiva, de camaradagem, de alegria, de cumplicidade. Éramos muito jovens ( nas minhas recordações, é claro ) e a vida parecia ser eterna.
E em certa medida assim era. Cada momento é único. Cada momento é também eterno.

Emiéle
Publicado por populo às 07:38 AM | Comentários (3)
Flores

Assim desenhava Picasso...
Emiéle
Publicado por populo às 07:35 AM | Comentários (3)
Poesia
Balada Apócrifa
Olhai os lírios do campo
Meninas de saia rodada
Íris de teias de aranha
Desvendam o mar nas searas
Olhai os lírios de pedra
Em copos de madrugada
Os soldados em manobras
Enterram a sombra caiada
(Bebei os lírios de água
Com grandes bicos de aves)
Sofreram sempre derrota
Deixaram mãos enforcadas
Sem lençóis com clarins
Grades de pernas doadas
Olhais os lírios do tempo
Meninas virgens por dentro
Os soldados em manobras
Têm noite por espingarda
Colhei os lírios do corpo
Meninas de saia travada
Luiza Neto Jorge
(Lisboa, 1939 - Lisboa, 1989]
Publicado por populo às 07:32 AM | Comentários (2)
Uma explicação
O dia de hoje, reservei-o.
Este Pópulo vai estar um pouco diferente. Não vou comentar a actualidade, não vou dizer umas graças, não vou aplaudir ou criticar coisas que soube ou vi.
Hoje, é o Dia do Zeca Afonso e vou voltar atrás no ‘meu tempo’. Escolhi aspectos de arte onde na altura se podia dizer de um modo diferente o que não se diria às claras.
Não só o Zeca, que era um símbolo, mas todos nós e mesmo noutros locais/países.
A mordaça pode ser forte, mas há sempre forma de dizermos o que queremos, do rio contornar os obstáculos.
Hoje vai ser apenas um dia de recordações.
Emiéle
Publicado por populo às 07:30 AM | Comentários (2)
A voz de muitos
Hoje é o Dia do Zeca Afonso.
Para quem “é do tempo dele” é uma obrigação relembrá-lo.
Para quem nasceu depois, é importante conhecê-lo.
Uma figura que marcou várias gerações, por aquela voz linda e pelas palavras que cantava. É certo que é também um símbolo, um símbolo da resistência, de saber dizer NÃO com firmeza e coragem, mas o que me encanta muito são as suas diferentes facetas. Porque temos o Zeca, cantor resistente, mas temos também o cantor de baladas, a voz que fez renascer tantas canções populares e que cantou tantas canções doces e suaves. É o mesmo Zeca que canta “O meu menino é d’Oiro” e canta “Os Vampiros”, são essas facetas complementares, diversas mas todas elas importantes que constroem a figura que recordamos.
É curioso, que sendo a figura que é, com o significado que todos reconhecemos na música portuguesa, o seu feitio tímido e a completa ausência de desejo de protagonismo, faz com que nos seja difícil encontrar fotos dele na net. São sempre as mesmas 3 ou 4 que vamos buscar…
Mas fica-nos o mais importante que é a sua voz. E essa, podemos ouvi-la sempre que se queira.
Hoje, aqui no Pópulo vamos ouvi-lo o dia todo.
Emiéle
Publicado por populo às 12:10 AM | Comentários (9)
fevereiro 22, 2006
FRASES E AUTORES (podia ter sido...)
Vamos por partes.
(Jack "O Estripador")
Nunca pude estudar Direito.
(O Corcunda de Notre Dame)
Ser cego não é grave, pior seria ser negro.
(Stevie Wonder)
Hás-de pagar-me.
(Fundo Monetário Internacional)
Basta de realidades... Queremos promessas!
(Os pobres)
O automóvel nunca substituirá o cavalo.
(Uma égua)
Mamã, eu sei tudo!
(O Pequeno Larrousse Ilustrado)
A nossa mãe é uma loba...
(Rómulo e Remo)
Disseram-me para jogar junto à linha branca.
(Diego A. Maradona)
Tenho um nó na garganta.
(Um enforcado)
Gosto da humanidade.
(Um canibal)
Basta de humor negro!
(Ku Klux Klan)
Levantarei os caídos e oprimirei os grandes!
(O soutien)
(recebido por email)
Emiéle
Publicado por populo às 08:51 PM | Comentários (3)
Sorrisos e publicidade
Aí uns dois posts abaixo estive a falar a sério, sobre a medicina dentária.
Mas já agora não queria ir-me embora sem deixar aqui um sorriso publicitário:

Ora viva a alegria, não é?
Emiéle
Publicado por populo às 07:51 AM | Comentários (5)
Isto é muito documento
Então parece que são 55 mil páginas de documentos secretos ???
Normal.
Aquela gente tem um trabalhão, não era para depois o partilhar com os outros, né?

Emiéle
Publicado por populo às 07:25 AM | Comentários (4)
Os dentes dos portugueses
É uma espécie de cartão de visita de um país. Porque quando se fala seja com quem for, salta aos olhos o estado dos seus dentes. Mas a saúde oral tem custos elevadíssimos. Ah tem, tem.
O Estado sabe isso, uma vez que o afirma, e o doente sabe isso porque o sente no bolso. O que acontece é que quem tem menos capacidade procura um dentista quase exclusivamente para tirar o dente, porque os cuidados preventivos são um luxo, e quanto a próteses 'um pouco mais cuidadas', isso nem se fala. Incomportável!
O assunto está agora em discussão no parlamento, mas não acredito que haja solução à vista.
Talvez os meus netos, tenham uns dentinhos como se vê nos anúncios…?
Tenho essa esperança.
Emiéle
Publicado por populo às 07:01 AM | Comentários (6)
“Dia Europeu da Vítima de Crime”

A vantagem dos “dias de“ é que ao menos nesse dia se fala do assunto em questão… Porque de resto como há um dia de qualquer coisa todos os dias do ano ( já uma vez investiguei isso, e há mesmo um para cada dia do calendário) já se liga pouco a isso, e tirando o Dia do Trabalhador ou o Dia da Mãe, a maioria dos outros são “invenções modernas”.
Mas terá alguma importância de vez em quando parar-se para se pensar em determinados assuntos. Hoje, quarta-feira, o tema de reflexão será a vítima de crime e reconhece-se o que já se sabia, a Violência Doméstica é onde se encontram mais crimes.
O que é lamentável, apesar de também se “saber” é a falta de confiança que estas vítimas têm em quem tinha a obrigação de as proteger. A APAV afirma que seis em cada dez pessoas que no ano passado lhe pediram ajuda, acabaram por não avançar com uma queixa na polícia. Ora isto refere-se a pessoas que, apesar de tudo, se dirigiram à APAV, ou seja que conseguiram ir desabafar com alguém de fora e estranho. Para se avaliar o iceberg, devemos pensar em todas as pessoas que foram, sofridamente, aceitando a sua situação sem sequer ter coragem de se ir queixar a uma associação. Contudo acredito que esses casos comecem a ser cada vez menos, e que o papel de uma associação como a APAV é fundamental numa área tão delicada, onde é necessário uma enorme sensibilidade e saber-se “ouvir” como deve ser.
O problema é ainda muito grave.
O que leva uma pessoa a agredir, quer física quer psicologicamente, os que lhe estão mais próximos e que deveria amar? Ou, no caso do os deixar de amar, então porque não se vai embora? A velha ideia da relação amor-ódio pode existir decerto mas é patológica, não devia ser aceite como inevitável, é caso para tratamento…
Emiéle
Publicado por populo às 06:39 AM | Comentários (5)
Madrugadas
Gosto de acordar cedo.
É como se acordasse ao mesmo tempo que a natureza, é revigorante para mim.
Mas "acordar cedo" é com o nascer do sol. Porque embirro um pouco com esta coisa de me levantar com o escuro...
Quando é que os dias começam a crescer que se veja...?!
Ando desejosa disso.
Vá lá, sol! Despacha-te.

Emiéle
Publicado por populo às 06:24 AM | Comentários (7)
fevereiro 21, 2006
Mas que raiva!
Não há paciência que aguente...
Estou há perto de uma hora a querer aceder a um site ( que já conheço, nem sequer é a primeira vez!) e a resposta que recebo é esta:

Um pontapé no pobre do PC não ajuda com certeza, mas lá que me apetece bater em qualquer coisa, isso não tenham dúvidas.
Oh, que neeeeervooooos!
(desculpem o desabafo, mas isto sempre alivia)
da vossa super-irritada
Emiéle
Publicado por populo às 09:43 PM | Comentários (11)
O ridículo dos outros
Durante muitos anos trabalhei num certo Serviço. Fiz lá muitos amigos porque o ambiente de camaradagem era magnífico. Por razões que aqui não interessam, durante um outro espaço de tempo alargado, fui trabalhar para outro local mas regressei “a casa” o ano passado. Muitos colegas tinham desaparecido e encontrei outros novos. O normal. Um dia, em conversa, quis saber se ainda lá estava a “nossa biblioteca”. Ninguém entendia de que é que eu estava a falar, e lá expliquei:
No “antigamente” tínhamos pensado que havia livros que se liam uma vez e estavam lidos, mas tinham interesse para outras pessoas. Para não se estar sempre a trocar pessoalmente, reservámos um canto de um armário e criou-se uma “biblioteca de reserva”. Depois de se ler um policial, um best-seller fracote, um “ficção científica”, deixava-se ficar no canto do armário para quem quisesse aproveitar lê-lo numa tarde de chuva, ou durante as férias.
O curioso é que já ninguém sabia disso. Nos anos em que lá não estive a ideia morreu. Contudo, fui ao tal armário, e – imagine-se! – os livros ainda lá estavam. Houve alguma risota, e como isto foi pouco antes de férias, açambarquei uma meia dúzia de policiais manhosos.
E estou a chegar ao ponto que queria. Dentro de um desses livros ( « On ne badine pas avec la mort », de sua graça..) estava um postal a servir de marcador. Velhito, bastante mais de 30 anos, desconhecia por completo a quem seria enviado, mas era a alguém a quem chamavam Gigi, estava assinado por um/uma Dudu, e lá diziam que a Quiqui já estava boa.
Um diminutivo é qualquer coisa de muito carinhoso. Chama-se às crianças. E é vulgar e natural que se continue a chamar em família ou entre namorados. Mas o pior é quando cai no “domínio público” como era o caso. O Dudu, Quiqui, Gigi, pelo que se entendia do postal, pareciam ser já na altura pessoas respeitáveis e bem crescidinhas. Foi difícil reprimir uma risada…
Emiéle
Publicado por populo às 08:43 PM | Comentários (9)
Que emprego?
O Daniel do Troll, escreveu o post que eu tinha esboçado esta manhã, e por falta de tempo ficou em rascunho para “ser trabalhado”. Começa a ser um hábito, chegar ao Troll e encontrar o que tinha pensado escrever…
: ) Mas é muito bom sinal, sinal de que não estamos sozinhos naquilo que pensamos.
A verdade é que a questão do desemprego é gravíssima, eu não me canso de falar nisso aqui, mas não considero que seja falar demais.
Porque, como se entende, não há o desemprego, há muitos desempregos.
É tão sério e grave a pessoa que tinha uma especialidade e porque a sua empresa faliu não encontra que fazer, como aquela a quem exigem a especialidade que não tem e para a qual possivelmente nem tem capacidades.
É gravíssimo a pessoa de meia-idade, com compromissos familiares que fica sem ganha-pão, mas também não podemos esquecer o jovem à procura do primeiro emprego, que vai adiando anos e anos o início da sua vida própria mantendo-se a cargo dos pais, com tudo o que isso significa.
O desemprego feminino mais elevado do que o dos homens, como se sabe.
O desemprego da pessoa à beira da reforma e que a vê adiada e se calhar a desaparecer. E, como acentua o Daniel, o aspecto perverso de não ser considerado “desemprego” ( e não é!) mas também não dar nenhuma segurança, o problema dos empregos precários, o emprego a prazo, os “recibos verdes”, os contratos a termo certo, todas essas situações em que vive grande parte das pessoas que até “têm trabalho”. Mas que trabalho…?
E os jovens que fazem estágios a seguir a estágios, não remunerados, anos a fio. Ficam bem preparados, lá isso… mas a sua vida activa, é para quando?
Não é por nós termos um emprego que nos deixa de angustiar. O problema é de todos.

Emiéle
Publicado por populo às 01:00 PM | Comentários (11)
Curiosidade
Crianças

Emiéle
Publicado por populo às 08:31 AM | Comentários (12)
“Oh mãe, a culpa é dele!”
Quando somos crianças é uma frase que se ouve muitas vezes. “A culpa é dele”, ou perante uma crítica “não fui eu!”. Entende-se. Perante uma autoridade que nos chama à pedra, tentamos descartar as responsabilidades.
Na minha família conta-se uma história bastante cómica, passada já há muitos anos: um meu familiar afastado andava no colégio com a sua prima, que era a minha mãe. Um dia, o bom do rapaz 'descuidou-se' a brincar e fez um grande “presente” mal-cheiroso nas calças. A minha mãe, como mais velha e familiar próxima, foi chamada pela professora para levar o menino à casa de banho e tratar do seu asseio.
Imagina-se o que uma miúda chateada, terá dito a esse primo, todo sujo. E ele choramingava, enquanto era lavado: “Oh Maria, não fui eu! Não fui eu!” o que ainda enfurecia mais a priminha “Então quem foi, seu porco?! Quem é que veio fazer cocó nas suas calças?!!!”
A frase do “Oh-Maria-não-fui-eu!” usa-se na minha família quando se quer satirizar certas situações óbvias.
Passando a coisas de outro nível ( será?) os senhores dos nossos governos têm sucessivamente dito que o mal que se está a passar vem daqueles a quem substituíram. Sempre. Estou cansada de o ouvir. E ainda por cima, lembro-me perfeitamente que há um ano, antes das eleições, o “candidato a 1º ministro” disse que com ele ia ser diferente. Ele não era 'desses' que se desculpava com o estado em que encontraria a nação.
Vê-se
É que a culpa é sempre do outro menino.
E o povo é cá uma destas mãezinhas tolerantes como se vê pouco!
Emiéle
Publicado por populo às 07:34 AM | Comentários (8)
Este nosso estranho país

Por vezes, quando releio o que escrevo por aqui, até parece que ando sempre “do contra”! E nada mais longe da verdade. Fico toda contente quando vejo qualquer coisa que possa gabar, o que se passa é que não é tão frequente como isso, ou por vezes são situações onde se dá um passo para um lado e outro no sentido oposto.
Uma das coisas de que aqui ando sempre a falar, é da burocratização e papelada inútil da nossa administração. E isso é um facto. Daqueles factos duros como o ferro, que não se podem negar! Vou muitas vezes a um serviço público onde entro em elevadores juntamente com pessoas que empurram carrinhos de supermercado empilhados até acima com aqueles grandes envelopes castanhos com furos que nós conhecemos. Esses envelopes servem para ir passando de mão em mão, e são assinados nas costas por cada pessoa que o abre e volta a fechar. Para se encher um carrinho com eles dá uma ideia de quantos são, tantos que nem se conseguem transportar de outro modo! E lá anda, elevador acima, elevador abaixo…
Por outro lado, tenho uma amiga a trabalhar numa empresa, que me diz que lá quase não existem dossiers no seu gabinete, porque os documentos só passam a papel, quando se torna indispensável a assinatura do chefe máximo. É no gabinete dele que se encontram alguns dossiers, tudo o resto circula em formato informático. Portanto PODE FAZER-SE.
Esta conversa vem a propósito de ter lido que um processo nascido em Portugal que permite eliminar o uso do papel no registo dos procedimentos clínicos foi aplaudido nos Estados Unidos e provavelmente irá ser implementado.
Fico muito satisfeita, mas como se diz em linguagem popular “não joga a bota com a perdigota”. Andamos a trabalhar cá, num processo inovador e pelo que se vê muito bom, e por outro lado ainda se funciona com toneladas de envelopes a passar de mão em mão para um rabisco e seguirem para “a consideração superior”…? É o mesmo país?
Seja como for, fico contente que exista também este país que ganha concursos “lá fora”. Já agora, se não fosse pedir muito, gostaria de ver isso, “cá dentro”.
Publicado por populo às 07:21 AM | Comentários (8)
fevereiro 20, 2006
Não sou eu!
Quando procurava um boneco para ilustrar o post debaixo, encontrei uma ainda pior do que eu!
Distraída mas não tanto.
Até gosto de peixinhos vermelhos...

PS- Vai acabar bem. Ela olha já para baixo, que os distraídos são assim...
Emiéle
Publicado por populo às 01:18 PM | Comentários (7)
Distracções

[ Reconheço que sou distraída. Sempre o fui e provavelmente sempre o irei ser. E quando ando mais preocupada ou apressada essa característica acentua-se como é normal ]
Hoje, como em qualquer dia útil, cumpri o meu ritual da manhã: acordar, tomar banho, vestir-me, pentear-me, tomar o pequeno-almoço, procurar carteira, chaves, telemóvel, e abalar para o trabalho. Claro que tudo isto entremeado com umas paragens no PC para “dar o biberon” ao blog, que tadinho precisa de algum alimento para se aguentar até ao meu regresso.
Chego ao local de trabalho, arrumo o casaco e vou à secretaria levar uns papéis. A menina, olha para mim muito séria e aconselha: “Oh, doutora, se calhar quer ir mudar de camisola”. Tive um momento de surpresa, como é que me teria sujado de casa até ali?! Mas fui ver-me ao espelho da casa de banho e larguei a rir. Tinha-me vestido completamente do avesso! Tudo ao contrário, de dentro para fora e detrás para diante. O que se via à frente, como um enfeite, era a etiqueta com as instruções de lavagem. Que figura! Ainda me ria, quando já composta vim agradecer à menina a delicadeza da frase: “Se calhar, é melhor mudar a camisola”. Vejam só - se calhar...
Ehehehehe!
Emiéle
Publicado por populo às 01:16 PM | Comentários (5)
"Traz Outro Amigo Também" (passem palavra)

A Isabel, fez uma proposta aos amigos da blogosfera:
Um dia com o Zeca
E é o seguinte, segundo as suas palavras:
Deixo-vos, portanto, aqui uma proposta. Uma proposta que a ser concretizada colocará o Zeca pertinho de todos nós e fará com que todos os que, nesse dia, entrarem num dos nossos Blogs, ouçam a sua música e se encantem com as sua palavras e a sua voz. Um dia com o Zeca, será o mote.
Uma foto, um texto, o que cada um quiser, mas sempre com a canção que cada um escolher a correr no Blog. Mas a correr mesmo. Não como uma entrada, mas como um fundo, que ao fim do dia, se assim entendermos, retiraremos.
Saber que, ao abrir um Blog, vou encontrar o Zeca é, para mim, uma forma de viver as saudades e a falta que ele me faz. Quando se está perto, a falta custa muito menos a sentir. Quinta-Feira, proponho-vos e convido-vos a estarmos perto dele.
Gostaria que este convite fosse aberto a todos. Pensei em colocar aqui links para os Blogs que esperava ver com o Troll, nesse dia. Mas achei que isso seria desvirtuar a ideia. Nesse dia, não será com o Troll que vos espero ver. Seria todos nós com o Zeca que gostaria que estivéssemos.
Espero que a ideia vos agrade. De qualquer forma, está aberta, como é lógico, a melhoramentos ou outras propostas. Fico à espera da opinião de todos
Bóra aí!
Vamos fazer uma festa. Dia 23 temos música nos blogs.
Emiéle
Publicado por populo às 08:10 AM | Comentários (19)
Notícias através da blogosfera
Somos uma comunidade. Nem seria preciso provas mas elas aparecem a todo o momento. Passo muitas vezes pelo blog “Sem Com Destino” ( de seu nome completo ”Agora com destino porque mesmo os nómadas têm de parar pelo caminho”) e dei conta de uma espécie de notícia de última hora: epidemia de cólera em Luanda”
É caso para preocupações, sim senhor. É claro que a crise pode ser travada e não interessa entrar em alarmes precipitados, mas se as autoridades sanitárias lançam o alarme, é porque o perigo é real.
O que se poderá fazer a nível de solidariedade?
Emiéle
Publicado por populo às 07:48 AM | Comentários (7)
Viver a crédito
O DN de hoje ( para além de comemorar 50.000 edições o que é obra!) fala-nos dos problemas do crédito a particulares. É um assunto que me interessa muito, porque basta andar neste mundo de olhos abertos para ficar sensível a ele mesmo que, como é o caso, não se entenda nada de economia. Só que há aspectos sociológicos que entram pelos olhos dentro!
Os créditos muito “fáceis”, que nos são oferecidos por todo o lado, nos anúncios das carruagens de metro, em tarjetas distribuídas na rua, em anúncios de TV muito bem imaginados, esse dinheiro que “é p’ra já!” é uma armadilha muito bem montada. Eu conheço pessoalmente vários casos de pessoas que aceitaram essa oportunidade e ficaram completamente presos na máquina.
Porque se o crédito é “fácil”, naturalmente que essa facilidade se tem de pagar caro. Com juros de 27 ou 28 %. É fácil imaginar onde isto leva… muitas vezes faz-se um segundo empréstimo para pagar o primeiro, e por aí fora. Conheço casos de pessoas que ao receberem o ordenado este segue de imediato para pagar os diversos juros dos empréstimos que fizeram! Estão habituados e conformados mas, para mim, isso seria viver no inferno. Feitios…
A verdade é que, apesar de tudo, não me parece que as pessoas estejam a tomar juízo porque os pedidos de crédito continuam muito elevados.
É assim tão importante a compra de carro? Ou aquela viagem? Ou uma cirurgia plástica ? (isto pelos exemplos que nos dão)
É claro que cada um está no seu papel. Quem empresta e vive dos juros que recebe, deve promulgar o sistema, é natural. Mas não será também natural que o consumidor resista?
Emiéle
Publicado por populo às 07:15 AM | Comentários (10)
Uma boa explicação é meio caminho andado

Li ontem um artigo de opinião de uma jornalista da SIC e o que ela disse veio trazer à superfície uma ideia com que ando. E é ela: mais importante do que a razão que possamos ter é o modo como a demonstramos.
Ela fala do Instituto da Conservação da Natureza e do facto de ser um organismo que se torna antipático às populações. Ora isso é um absurdo. O dito organismo só pode querer o bem das ditas populações, e conservar a natureza devia ser um valor a defender por todos.
Devia. Mas segundo esta jornalista conta, e não é difícil acreditar, a população vê esse organismo como um obstáculo ao progresso e isso porque «O ICN proíbe, mas não explica; impõe, sem dialogar com os cidadãos».
Nem é necessário mais! E este exemplo pode servir para milhentas coisas. Encontramos este modelo de actuação por todo o lado. Muitas vezes as pessoas estão ‘contra’ e fazem bem em estar. O que é proposto é errado, está mal. Mas há muitas outras vezes onde até a ideia é boa e a proposta teria vantagens em ser aceite, mas do modo como é exposta fica-se logo de pé atrás.
Atenção, não quero dizer que avance a publicidade, como se os projectos fossem produtos de consumo. O que quero dizer, é que muitas vezes não se explica coisíssima nenhuma, como se os cidadãos só devessem comer e calar. O que acontece é que tem o efeito exactamente oposto – nem se tenta entender se o peixe que nos querem vender é fresco, conclui-se logo que não presta, por não ter sido bem explicado o projecto em questão. E muitas vezes é uma pena.
Emiéle
Publicado por populo às 06:38 AM | Comentários (6)
Só uma questão de dinheiro…?
Eu sou das pessoas que bastante tem falado neste caso. Não vale a pena ir buscar links para o provar, mas desde a primeira vez que soube que Portugal tinha um inventor que tinha criado um sistema para permitir evitar que pudessem circular carros em contra-mão nas auto-estradas que tenho repetidamente falado no assunto.
Sempre me pareceu inacreditável como não se utilizava o sistema!
Andava-se à espera de quê?
Leio hoje que o inventor, Fernando Gonçalves, acaba por decidir :"Se o problema é o dinheiro, eu ofereço a invenção"
O gesto é de louvar é claro, mas o ter-se chegado a este ponto é impressionante. Ser possível, existir há anos e anos um sistema que pode poupar vidas humanas e andarmos a regatear o custo dessa invenção é de uma mesquinhez que, apesar de acreditar em muita coisa incrível, esta custa-me acreditar.
Possivelmente as seguradoras ainda devem pagar pouco neste tipo de acidentes…

Emiéle
Publicado por populo às 06:21 AM | Comentários (8)
fevereiro 19, 2006
Vaidade
É um pecado, penso eu, que nisto de catecismos não sou lá muito boa.
Bom, mas fui confirmar e é verdade são 7 os tais pecados mortais, Preguiça, Ira, Avareza, Luxúria, Gula, Soberba, Inveja. Ora a Vaidade é capaz de ser uma espécie de Soberba…? Mas também não me parece. É que o som da palavra So-ber-ba, perece mais importante do que a simples Vaidade!
Bem mas passemos ao que interessa.
Vinha aqui para dizer que me sentia vaidosa, e pronto!
Porque fui espreitar aquela coisa que dá os nossos números, a “webstats” e que tem uma quantidade de dados de que não entendo patavina. Sei lá o que são as colunazinhas azuis, verdes e encarnadas a dizerem Hits, e Files e Pages (devem ser páginas, mas de quê…?) e KBytes e mais montes de coisas esquisitas ….
Mas uma dá para entender. A coluna amarela das visitas!
Enfim, visitas são visitas, não é?! Até eu entendo. E tenho-as visto a crescer, toda contente até que finalmente ultrapassei as 1.000.
Tátátátátá!!! Mil visitas para uma fulaninha desconhecida que tem um blog individual é caso para ficar contente.
E pronto, cá estou eu mesmo contente. Obrigada aos meus visitantes e hoje o vinho é por conta da casa!

Emiéle
Publicado por populo às 06:36 PM | Comentários (14)
Cuspir...para onde???
Apesar de em momentos de irritação haver quem pense que se está a andar para trás, ou que a vida “dantes” era melhor do que hoje, creio que a maioria das pessoas sabe que não é assim. Eu sou das que acha que a vida hoje é bem mais cómoda e fácil do que nos séculos anteriores! E, de um modo geral, as regras de civilidade caminham nesse sentido. Vem isto a propósito, de ter ouvido agora a conhecida expressão cuspir para o ar ( idêntica a “quem semeia ventos” ) e achar que quanto mais civilizado se é menos se cospe. É uma 'coisa cultural' e educativa. Eu não cuspo. E o meu filho não cospe. E acredito que os meus netos não cuspirão. Mas... há uns séculos era tão normal e necessário que até havia uns objectos chamados “escarradores” – creio que ainda se encontram em antiquários. Um pouco como os actuais cinzeiros, eram umas tigelinhas de loiça ou de metal, e usavam-se para cuspir lá para dentro uma vez que para o chão de um estabelecimento, escritório, etc, era feio. Isto na Europa, lá para o oriente, particularmente no que conheço menos mal – a China – ainda toda a gente cospe que é um regalo!
E hoje, dentro da nossa casa realmente já não se faz, mas na rua, é constantemente. Já repararam no nojo que são os corredores do metro? E nunca viram num sinal vermelho o condutor – por vezes de um carrão de marca – abrir o vidro e mandar uma forte cuspinhadela cá para fóra? E os nossos jogadores de futebol? Jogo sem cuspir nem é jogo nem é nada!
Enfim, vamos ter esperança e acreditar que com o passar do tempo o controlo vai aumentar e as nossas ruas ficam mais limpas. Que, por enquanto...

Emiéle
Publicado por populo às 06:00 PM | Comentários (9)
"Papás Multibanco"
Os temas de educação interessam-me muito. Creio que educar uma criança é a tarefa mais fascinante que pode existir. E reparei que, por coincidência, um dos temas em foco na imprensa de hoje e um post ( com referência a outro ) de um blog das minhas preferências, falava nas dificuldades que os pais de hoje sentem em impor limites aos seus filhos.
Como ponto prévio gostava de deixar claro que conheço excelentes pais. Pais que têm tudo o que devem ter: a firmeza, a tolerância, a ternura, a compreensão, a disciplina, nas quantidades certas. Existem e eu conheço-os. E mesmo esses por vezes têm dúvidas, o que não lhes fica nada mal, é um ponto de partida para reflectirem sobre suas actuações.
Mas é um facto, e isso não se passa só em Portugal, que depois da educação vitoriana de grande repressão nos inícios do século passado, se atingiu muitas vezes o extremo oposto no que trata à educação. Os pais não querem causar desgostos aos filhos, e esperam da escola para além das naturais funções pedagógicas que também assuma toda educação na sua globalidade. Ou, no caso de a escola o não fazer, recorrem a um técnico de psicologia para receberem orientações a respeito das atitudes mais banais.
É certo que um casal que trabalha longe de casa todo o dia terá dificuldade em acompanhar de perto os seus filhos. Muitas vezes, entre horários de trabalho e transportes, pode-se estar ausente 12 horas o que conduz a que quase não se “conheça” os seus próprios filhos. E quando finalmente se reúnem, é triste ser para ralhar ou para os frustrar nos seus desejos. Nasce então a já famosa ‘bola-de-neve’: para confirmar o amor que se sente, dá-se presentes, ou corresponde-se aos pedidos feitos. Isso abre um precedente. Quer para o filho quer para os pais, a prova de amor está naquilo que se dá. Se não se dá, é porque não se gosta e isso é doloroso. Portanto cada vez se pede mais e se vai dando mais. É um ciclo vicioso infernal e que quase sempre acaba mal.
Vemos notícias de adolescentes com comportamentos perversos. Não é de hoje, lembram-se do “Laranja Mecânica”? O complicado é que quando se atinge essa idade já a autoridade familiar foi completamente ao ar.
O momento de mostrar firmeza é na primeira de todas as birras. Mesmo que seja uma amostra de gente de ano e meio. Se experimenta bater com o pé e querer já ali seja o que for, é a altura de os pais lhe ensinarem a esperar e como se controla a frustração.
Sob pena de mais tarde perderem eles completamente o controlo da situação.
Emiéle
Publicado por populo às 01:12 PM | Comentários (9)
Grão a grão…
Conhecem a história da Lebre e da Tartaruga?
La Fontaine contou-a, mas não tenho a certeza se vem do tempo de Esopo…
Às vezes os animais das fábulas mudam, e não serão já tartarugas ou lebres mas sim leões ou águias, mas, enfim é tudo bicharada e a moral da fábula mantém-se.
Calminha, sem triunfalismos...
Emiéle
Publicado por populo às 10:20 AM | Comentários (5)
Um bebé desaparecido
Nos últimos dias tenho andado “desligada do mundo” e portanto não tinha ouvido falar do desaparecimento de um bebé da maternidade de um hospital. Isto pode ser uma história dramática, como muitas outras que enchem os telejornais e fazem as parangonas dos jornais de sensação. Mas tocou-me bastante.
Por motivos de amizade de famílias, segui de perto uma história semelhante, passada há muitos anos. Houve diferenças, sem dúvida. Era o primeiro filho de um casal, a mãe nem chegou a ver a sua filha porque o parto foi difícil e ficaram a cuidar dela enquanto limpavam e vestiam a recém-nascida que só foi vista pela avó materna antes de ir para o berçário. Quando pouco tempo depois a iam buscar para a levar à mãe, a menina tinha desaparecido! E isto num Hospital privado bem caro à época!
Como disse, acompanhei de perto o caso. A família viveu um pesadelo. Nem a mãe nem o pai tinham chegado a ver o seu bebé, só a avó e por poucos minutos. E o certo é que essa criança, a respeito da qual se fantasiaram as hipóteses mais sinistras, esteve “desaparecida” durante dois anos.
A raptora, simulou uma gravidez durante 9 meses, foi àquela clínica de onde roubou um recém-nascido, voltou para
casa e chamou um pediatra para observar o bebé que ela tinha acabado de “dar à luz” em casa!!! A história parece-vos mal contada? A mim também, mas funcionou. Quando o “pai” chegou a casa encontrou a mulher com a sua nova filha e, todo contente, aceitou o facto. Dá para acreditar que durante 9 meses vivendo com a mulher, aceitou a sua falsa gravidez?! Porque não tentaram uma adopção normal, nunca se soube. Que a menina foi muito bem tratada durante esse tempo parece ter sido, mas quanto ao sofrimento porque passou a sua família verdadeira posso eu testemunhar!
Agora, lá em Penafiel, alguns abutres da comunicação social consideram que a mãe demonstra ‘muita calma’. E isso joga contra ela. Eu não sei nada, não conheço a história, que é muito diferente uma vez que esta senhora já tem seis filhos, mas não reconheço autoridade a uma repórter para avaliar as emoções seja de quem for. E espero, sinceramente, que o desfecho seja muito mais rápido e com menor sofrimento.
Emiéle
Publicado por populo às 10:14 AM | Comentários (9)
fevereiro 18, 2006
Post ideográfico
Amigos:
Estou tão cansada, mas tão cansada, que esta 'noite-de-sábado' vai ser
Assim

e assim

e assim

e mais assim

só amanhã volto ao aqui ao

Boa noite
Emiéle
Publicado por populo às 08:16 PM | Comentários (6)
Como é? Marido é marido!
Já me tinham falado nestes serviços.
Mas da primeira vez que ouvi falar, disseram-me que se tratava de “homem-a-dias” o que me parecia muito natural, seria o correspondente a “mulher-a-dias”. Porque não?
Logo na altura deu-me vontade de rir, porque aquilo que se propunham fazer [ e com paga, o que é justo ] é o que milhões de mulheres fazem:
Fazer o jantar, lavar a loiça e arrumar a cozinha. Preparar almoços, jantares com amigos ou festas de anos. Mudar móveis em casa. Ir buscar as crianças à escola e levá-las aos ATL’s. Pendurar quadros, arranjar fichas de candeeiros. Levar o carro à garagem ou à inspecção. Acompanhar familiares a consultas médicas.
Bom. Fico por aqui, porque nesta lista não encontrei nada que eu não me farte de fazer milhentas vezes, nasci mulher e nunca me pagaram…
Por isso é que quando ouvi falar, creio que na TV e depois li por aí o anúncio, achei muito bem, mas nada de extraordinário. Estava inteiramente na linha da tradicional 'mulher-a-dias' apenas um pouco mais sofisticado porque era uma empresa e até tinham site na net.
Mas porque raio se hão-de chamar MARIDOS ???? Até porque vem lá que os elementos da equipe Marido-a-Dias não são seleccionados pela sua beleza física.
Entããããão? Devo ser um bocado esquisita, mas eu se quisesse um marido não era para levar o cão à rua, pôr a loiça na máquina ou aparafusar-me um toalheiro. Teria outros predicados.
Nã senhor. A empresa assim não me convence…
Para essas coisas desembaraço-me sozinha, não preciso de pagar a marido nenhum.

Emiéle
Publicado por populo às 07:42 PM | Comentários (8)
Modos de falar
Sempre achei que a “menina do guichet” é a public relation de qualquer local, empresa ou seja lá o que for. O modo como ela atende quem a procura diz muito do que está por detrás. Também é sabido que de uma forma geral em repartições do estado, esse atendimento é de má qualidade. As pessoas que lá estão devem ter formação no modo de procurar os dados no computador ou de os introduzir, mas não lhes devem ter dado 'formação humana' quanto ao atendimento.
Assisti hoje a respostas incríveis de uma dessas senhoras que deve ter acordado mal disposta. A fila que estava em frente do seu guichet era para informações da urgência de um hospital. É fácil imaginar que quem lá se dirigia estaria nervoso, inquieto, perturbado. O tom desabrido com que ela respondia a todos, não se consegue reproduzir aqui. Parecia que quem se lhe dirigia eram delinquentes que a iam aborrecer. E reparei num senhor, muito idoso que lhe estava a fazer uma pergunta que não ouvi. Mas ouvi bem a resposta, porque foi repetida e aos berros:
“ - O qué que quer que lhe faça ?”
Como disse desconheço o problema, mas fosse o que fosse aquela frase naquele tom, era um autêntico bofetão. Mesmo que ela não pudesse “fazer nada”, seria muito mais humano, explicar: - “Eu compreendo-o, mas aqui não posso resolver o problema. Procure acolá, ou vá ao lugar X” qualquer frase que orientasse o senhor, idoso e perdido.
E a uma outra senhora, também aflita e nervosa, não só não lhe resolveu nada, como até se levantou para gritar bem junto ao vidro no mesmo tom agressivo.
É das tais vezes que por estar com pressa não se pede Livro Amarelo, mas uma queixa era bem merecida!
Emiéle
Publicado por populo às 06:00 PM | Comentários (11)
Outra publicidade
Se a ideia é promover um produto que faça perder peso ("slim fast") acho que a mensagem chega lá!!!

E temos ainda outra variante e ainda mais outra !
Emiéle
Publicado por populo às 10:14 AM | Comentários (8)
Casas vazias

Este problema das rendas não só não é de solução fácil, como até pelo contrário quanto mais se pensa e mais elementos recolhemos mais difícil se torna.
Há umas dezenas de anos, o habitual na nossa terra era quem precisasse de habitação alugava uma casa. As rendas de casa, não eram tão baratas como olhando agora para elas se imagina. Se há 40 anos se pagava 1.110 escudos por um andar de 3 divisões, isso era mais de metade de um ordenado razoável, corresponderia a uns 400 euros da actualidade. Mas não se construíam tantas casas, a oferta correspondia mais ou menos à procura, e as pessoas mais pobres alugavam o que se chamava uma “parte de casa”, ou seja um subaluguer ao verdadeiro inquilino, que muitas vezes usava esse sistema e o dos quartos alugados para fazer frente à renda.
Mas as rendas ficaram congeladas, enquanto o custo de tudo o mais subiu. Os senhorios portanto deixaram de fazer obras e só recebiam o valor das rendas que proporcionalmente deixaram de corresponder ao que valiam inicialmente. Isto veio gerar todo um mecanismo perverso. Os senhorios quando agora têm uma casa para alugar pedem um preço que equivale à amortização de um empréstimo bancário de uma casa própria. Fazendo contas, todos preferem a segunda alternativa. Este sistema não é normal natural. Há qualquer coisa de errado.
Por outro lado, vemos muitas situações, em que existem casas que podem ser alugadas, mas permanecem desocupadas. Os donos, ficam à espera que as rendas compensem e não as alugam.
Agora andam a pensar em alterar a ideia de prédio devoluto para efeitos fiscais e essas casas vão passar a pagar o dobro da taxa Contribuição Autárquica O índice que fará avaliar se a casa está devoluta ou não é o consumo de água e electricidade. Com este acto vai tentar colocar-se de novo no mercado o cerca de meio milhão de casas devolutas no País, e voltar a povoar certas zonas de Lisboa e Porto. Huuuummm...
Emiéle
Publicado por populo às 10:03 AM | Comentários (10)
A Saúde
As questões da Saúde são daquelas que preocupam todos nós. Em todas as outras grandes áreas da política social, pode haver pessoas a que, os temas não digam directamente respeito. O tema da educação por exemplo, para quem já esteja a trabalhar há vários anos e não tenha filhos pode ter um interesse meramente académico. O dos transportes, se trabalhar ao lado da sua casa, e não gostar de viajar também pode não se sentir muito incomodado com isso.
Mas a Saúde não. Todo o ser humano precisa mais cedo ou mais tarde dos serviços de saúde, ou directamente
para si ou para alguém que lhe está próximo. E a “nossa saúde” está muito longe de ser o que devia. Pelo que percebi hoje ( ontem não vi nem ouvi notícias de nenhuma qualidade ) o Ministro da Saúde meteu os pés pelas mãos fazendo uma declaração, no mínimo ambígua, de manhã e “esclarecendo-a” à noite. Pelo que se percebeu do que disse por último não haveria motivos para alarmes porque as coisas iam ficar como estão.
Na minha perspectiva, em muitos casos (claro que com excepções!) o “como está” quer dizer um serviço de 2ª para o maralhal, e um de 1ª para quem tem um muito bom seguro de saúde. Porque o “como está” que o ministro de manhã considerava que se calhar teria de passar a ser mais financiado pelo utente, é mau.
Nesta última semana tenho passado muitas horas em serviços hospitalares públicos e estou muito mal impressionada. Não. O atendimento não é bom, e vêem pouquíssimos técnicos para o número desmesurado de doentes.
Contudo há factores que têm a ver com algo que não é o custo económico. Ao arrepio do que acabei agora mesmo de escrever: fui atendida ontem, primeiro por um especialista num serviço público, e horas depois por outro especialista numa consulta privada ( e caríssima!). Enquanto o primeiro médico ouviu as nossas dúvidas, empatizou connosco, procurou soluções e respostas, e nos ajudou verdadeiramente, no segundo caso, depois de um atendimento desabrido porque a doente não ia connosco ( antes de ter entendido que ela estava hospitalizada ) respondeu secamente e por monossílabos, foi desagradável nos comentários acerca do colega que a estava a tratar, e não ajudou de qualquer forma a família a preparar-se para a doença da sua familiar. Como se a doente em causa fosse um ratinho de laboratório.
O que quero dizer é que afinal técnicos humanos podem existir em qualquer sistema de saúde, mesmo quando as dificuldades são grandes.
Émiéle
Publicado por populo às 09:46 AM | Comentários (4)
fevereiro 17, 2006
É mesmo vocação!

Assim é que é!
Irresistível. Um gatuno, na Alemanha, depois de ter sido preso saiu da esquadra onde estava e com naturalidade sentou-se ao volante de um carro da polícia e arrancou.
Tinha-lhes fanado as chaves, durante o interrogatório.
: )
«Não é apenas insólito, é embaraçoso» diziam os zelosos membros das forças da ordem.
Mas, afinal parece que ele não era nada filho do James Bond , ou desses aventureiros a quem tudo lhes corre bem.
Não é que foi de novo detido..?
Afinal não valeu a pena!
Emiéle
Publicado por populo às 08:37 AM | Comentários (8)
Lei da Nacionalidade
Pode não ser o ideal, mas creio que avançámos.
O Parlamento aprovou ontem medidas importantes e justas. Começou pelos netos, pela 3ª geração mas é alguma coisa para começar. Quer os netos de portugueses nascidos no estrangeiro, quer a netos de imigrantes, se um dos pais já nasceu em Portugal, são portugueses. E também os filhos de imigrantes se um dos pais estiver legalizado há cinco anos ou se a criança tiver concluído o primeiro ciclo do Ensino Básico.
Com estas medidas talvez se contrabalance a descida de natalidade
É curioso que o PP desejava que candidatos fizessem um teste escrito e falado de Português.
Só não entendi se se referia aos imigrantes que vinham de fora para cá, se aos netos dos portugueses no estrangeiro. Devia ser o segundo caso, uma vez que os que para cá vêm, não só nasceram cá e vivem entre portugueses, como se devem ter o primeiro ciclo do Ensino Básico é porque sabem ler e escrever.
Já quanto aos outros...
Emiéle
Publicado por populo às 08:13 AM | Comentários (9)
Privatizar, privatizar, privatizar…
Escaparam algumas coisitas, mas..
Pelos vistos o Estado é cada vez dono de menos coisas. Quem diz o Estado pode dizer todos nós, já que o Estado nos representa. Vão-se vendendo os anéis todos, que faziam peso e incomodavam.
Parece que ainda faltam os Correios, as Águas e a Caixa Geral dos Depósitos
Devem ficar guardados para a próxima aflição.
O economista João Ferreira do Amaral considera que as "Privatizações não animam economia"
Depende de qual economia. Com maiúscula ou com minúscula? Se calhar a economia privada fica toda animadinha.
Emiéle
Publicado por populo às 08:02 AM | Comentários (5)
ONU versus EUA, ou EUA versus ONU ?
Ping-pong, ou guerra de siglas? Nem uma coisa nem outra é uma "guerra" de concepções.
Conhecendo o modo de pensar e agir da administração norte americana, não espanta nada. Contudo é interessante a atitude de arrogância de “sós-contra-o-mundo-e-não-nos-importa”.
O certo é que as Nações Unidas e ainda a União Europeia, criticam o modo como a América trata o problema da prisão de Guantanamo.
"A confusão dos últimos dois anos entre o que são técnicas de interrogatório autorizadas e não autorizadas é particularmente alarmante" e os Estados Unidos assumem os papéis de "juiz, acusação e defesa", "violando dessa forma as garantias de direito a um processo justo". afirmam os relatórios sobre o caso.
Como não é de estanhar, os visados declaram que, ao contrário, este relatório é que desacredita a ONU! Isto, porque estes peritos não visitaram Guantánamo. Ora, dizem estes que rejeitaram deslocar-se à base, depois dos militares norte-americanos terem recusado a realização de entrevistas a sós com os detidos
Normal, não?
Sempre ouvi dizer que não deve não teme, e creio que a inversa deve ser verdadeira.
Estes senhores, que apreciam tanto ser polícias das práticas dos outros, como reagiriam se fossem eles que estivessem impedidos de falar a sós com reclusos que desejassem ouvir?

Emiéle
Publicado por populo às 07:38 AM | Comentários (7)
Fim-de-semana à vista?
Há muito tempo que não tinha este sentimento, e desejo profundamente não o voltar a ter tão cedo.
Desta vez não me está a sorrir o fim-de-semana.
Se 2ª a 6ª, tive uma semana “para esquecer” e não prevejo que este sábado e domingo venham melhorar em nada o panorama. É certo que não vou ter trabalho, mas as dificuldades que tive/tenho não se situam no campo do trabalho… Problemas familiares muito intrincados e que até possivelmente terão o seu apogeu no fim-de-semana.
Vou pensando com muita força “tudo se resolve”!
Às vezes o pensamento tem poderes mágicos, não é?
Emiéle
Publicado por populo às 07:30 AM | Comentários (9)
fevereiro 16, 2006
Roncopatia? Vai ter de se arranjar outra desculpa
Cá pela minha “sondagem pessoal”, há para aí vários casais que justificam dormirem separados pelo ressonar do companheiro/a.
É uma chatice. Eles até se amam muito e tudo isso, mas um deles ressona e aqueles terríveis roncos impedem o ‘convívio de leito’ ( está bem dito, não está?)
Pelo menos esta é a razão que apresentam “para fóra”, à senhora que lá trabalha a dias por exemplo, ou a quem quer que saiba dessa separação de camas mas não tenha nada com isso.
Mas agora dizem que a apneia do sono vai ter cura!
Só faltava essa!!!
Nem sequer poderemos ressonar tranquilos ? ! Agora querem curar-nos?
Quando li isto lembrei-me logo de uma cena a que assisti:
Aqui há uns anos trabalhei com uma senhora, pessoa importante mas que andava sempre muito cansada e adormecia em qualquer lado sem grandes cerimónias. Claro que era constrangedor mas de um modo geral, lá o seu staff conseguia disfarçar esse desastre. Certo dia, ela fazia parte da mesa de um seminário, por sinal um pouco chato e nós estávamos na “plateia” quando a vimos começar a cabecear. Trocámos olhares e sorrisos. Lá ia ela! E ainda por cima com os olhares da sala todos postos naquele grupo. Situação difícil. Mas que atingiu o auge, obrigando um dos elementos do dito staff a correr acima do palco em grande velocidade, quando ela começou a roncar em frente do microfone ligado!!!
Nem foi preciso abaná-la, porque ela acordou logo com o ruído da gargalhada que a sala em peso soltou!
Emiéle
Publicado por populo às 02:03 PM | Comentários (12)
Mania das grandezas
Agora com aproximação do Carnaval, vamos lá pensar naquilo de que gostaríamos de nos mascarar:

Emiéle
Publicado por populo às 09:02 AM | Comentários (14)
As mulheres não são notícia
É interessante porque há dois modos de ver este assunto.
Se pensarmos que grande parte das notícias que se lêm ou vêm, dizem respeito a crimes, violências várias, que os nossos telejornais têm o costume de “abrir” com história de sensação mas conteúdo negativo, aí, as mulheres ficarem ignoradas não é nada mau sinal…
Mas a “representação do mundo composto por 80% de homens e 20% de mulheres” é de facto estranha. Porque as mulheres são hoje em Portugal metade do mundo do trabalho. São as mais afectadas pelo desemprego. São as que têm sistematicamente um ‘duplo emprego’ - só que o segundo não é remunerado porque é suposto ser das suas atribuições tudo o que se refere a casa…
Por outro lado, havendo boas condições, estamos a ver que há tantas ou mais universitárias do que universitários. Em grande parte dos cursos superiores as mulheres entraram por pleno direito.
E o interessante é que se em Portugal estas notícias de que estamos a falar foram tratadas por 57% de mulheres a verdade é que "De acordo com a Federação Internacional de Jornalistas, na Europa 40% dos jornalistas são mulheres, mas não ocupam lugares de direcção. Os lugares com capacidade de decisão continuam a ser dos homens".
Será por isso?
Emiéle
Publicado por populo às 08:48 AM | Comentários (8)
Ainda as “eleições” no Haiti
Estava-se mesmo a ver. Quando lá para baixo me mostrei interessada no que iam dar essas “eleições” num país como o Havai era porque previa situações destas: votos no lixo
Normal. Pois se estamos no Haiti!
Apesar de tudo, creio que aqui o que foi importante foi as imagens dessas urnas estragadas e votos misturados no lixo terem passado na TV. Toda a gente passou a ter visto e a saber. A comunicação social tem muita força, quanto a este tipo de denúncias.
Mas acho interessante o modo delicado e cauteloso como presidente do Conselho Eleitoral Provisório diz «Isso pode desacreditar as eleições»
O verbo não é esse.
Não é "PODE", porque já desacreditou completamente!

Emiéle
Publicado por populo às 08:31 AM | Comentários (5)
Era o mínimo
Parece que Freitas chamou o embaixador do Irão à pedra, ou dito de outro modo «O Governo português repudiou hoje as declarações do embaixador iraniano em Lisboa». Com toda a franqueza era o mínimo que se podia fazer, ao menos garantir que as afirmações alucinadas daquele senhor « reflectem um posicionamento que o Governo Português repudia inteiramente e considera uma inaceitável deturpação da História »
Eu estava à espera de uma tomada de posição, porque aqueles disparates foram numa entrevista de rádio de uma estação muito ouvida, não foi uma piada de muito mau gosto numa roda de amigos depois de beber uns copos.
Ah, espera aí, eles nem bebem álcool, nem havia a desculpa de não estar sóbrio quando afirmava que «para se incinerar seis milhões de pessoas são precisos 15 anos».
A desculpa justificação é só a cegueira ideológica.

Emiéle
Publicado por populo às 08:13 AM | Comentários (7)
fevereiro 15, 2006
Separador

Os meus últimos posts têm sido muito pesados. É certo que eu me sentia também muito pesada e um blog pessoal é muito o reflexo dos sentimentos do seu autor.
Mas vou pôr um ponto.
Este é um “separador”.
Uma ilha num mar azul. Estou neste barco, vou para lá.
(psicologicamente, queria eu dizer; de resto vou continuar por cá!)
Respirar fundo e apreciar o lado bom da vida.
Emiéle
Publicado por populo às 08:20 PM | Comentários (13)
Viagem
Sonhou que ia conduzindo um comboio. Sabia de um modo misterioso, como se sabe nos sonhos, que o comboio era a sua vida.
A locomotiva era o momento actual, e arrastava consigo várias carruagens. Este comboio deslizava pelos carris indo ela a conduzir e a marcha variava, mais ou menos veloz conforme o traçado da linha: subidas, curvas, rectas, ou variações do clima, tudo influenciava o andamento. O passado arrumava-se nas várias carruagens. Tinha a recordação do tempo em que elas eram muito poucas, mas o número tinha aumentado com o passar dos anos. Tinha carruagens com o letreiro “trabalho”, outras dizendo “família”, ou “amigos”, ou “paixões”, ou “desgostos”… Mas no seu sonho, essa arrumação desfazia-se constantemente como as imagens de um caleidoscópio – os desgostos iam para a carruagem da família, o trabalho extravasava para a carruagem dos amigos, desgostos e paixões misturavam-se, uma confusão! Por outro lado avistava a aparecer à janela as cabecinhas de emoções que imaginava estarem há muito a dormir.
Sentia que estava a perder o controlo do comboio.
Acordou mesmo antes de ele descarrilar.

Emiéle
Publicado por populo às 12:45 PM | Comentários (8)
Brasil e pragmatismo
Brasil terá eleições presidenciais em Outubro.
É muito interessante observar as oscilações da opinião pública brasileira. Contra o que se esperava, ainda há pouco Lula parece estar a recuperar da queda de popularidade que o escândalo do mensalão provocou.
Pelo que se entende os brasileiros, reconhecem a existência de corrupção na administração pública. Aliás isso é público e notório. Portanto o interessante é que para os brasileiros, esse aspecto de corrupção é quase que aceite como algo de inevitável e decidem passar a outros pontos. Consideram que há coisas também importantes, para além da ética, e põem-nas em primeiro plano. O caso é que «eles revelam-se mais preocupados com as questões de educação e de segurança do que com o problema da moralidade/imoralidade dos políticos.»
Para nós faz alguma impressão porque temos ideia de que as coisas estão intimamente ligadas. Será que eles pensam que corruptos são todos, e simplesmente põem esse ponto de lado?
Estranho mas possível.
Emiéle
Publicado por populo às 12:35 PM | Comentários (6)
Os filhos dos presos

Duas notícias completamente diferentes mas com um elo comum – filhos de prisioneiros.
Li num lado, que muitos e muitos anos depois, um bebé que tinha nascido quando os seus pais estavam na prisão e sob tortura, tinha reencontrado a sua família de origem. A história passou-se na Argentina, e mostra que a persistência de pais / avós desesperados com o desaparecimento dos seus filhos, pode dar frutos muitos anos depois. Apesar de adoptado e bem tratado pela sua família adoptiva, um jovem recupera as suas raízes e vem a conhecer o modo como os seus pais desapareceram. A violência exercida sobre uma mulher grávida de 5 meses por uma culpa de delito de opinião, vem à luz. Vinte e oito anos depois, mas valeu a pena !
A outra é muito recente, e o regime não era de ditadura como o argentino. Em Abu Ghraib provou-se que se maltratavam os filhos em frente dos pais para os obrigar a confessar. Para os "amolecer", mas sem resultado, que alguns pais enlouqueciam de dor.
O que é que nos faltará ainda saber sobre Abu Ghraib???
Emiéle
Publicado por populo às 12:25 PM | Comentários (6)
Sem mais palavras

Emiéle
Publicado por populo às 12:16 PM | Comentários (4)
Um inferno pessoal revisitado
Ontem, contra o meu hábito, não dei nenhuma assistência aqui ao blog. A verdade é que isto é um hobby. Hobby especial, é certo, e que me tem sido importante. Por isso cá volto hoje.
Quando ontem, no final da tarde, me preparava para tratar de um entorse que fiz no tornozelo, que estava inchadíssimo e me doía imenso, tocou o telefone. Diziam-me de uma familiar que tinha seguido de ambulância para uma urgência hospitalar. Não era familiar muito próxima, mas não havia mais ninguém a quem recorrer. A primeira tentativa, dado ser-me difícil pôr o pé no chão, foi experimentar o telefone. Depois de muitas dificuldades lá consegui entrar em linha com as informações das urgências, mas a minha ideia não servia. Queriam-me lá. Ela estava num estado de grande confusão mental e precisava-se de alguém que prestasse informações. Tinha mesmo de ir ao Amadora/Sintra. Portanto o primeiro degrau do inferno: meter-me na IC19 em hora de ponta e numa missão de urgência! Sem palavras.
Ao chegar, vendo que havia uma cancela à entrada concluí que não poderia entrar de carro ( burra!), estacionei e, a coxear, lá procurei a urgência, que fica exactamente nas traseiras do hospital… Muito cansada e nervosa, subi o segundo degrau do inferno: estabelecer contacto e 'entrar' nos serviços de urgência. As conversas que fui tendo com os diversos seguranças que tinham ordens para não deixar entrar ninguém, eram surrealistas. Mas, com muita insistência, esclarecendo que tinha sido o próprio hospital que me tinha chamado, lá passei essa barreira.
Terceiro degrau: orientar-me “dentro” dos corredores dos serviços de urgência. E aí o inferno tomava um aspecto menos pessoal e mais grave. O que se pode ver, entre macas, cadeiras de rodas, gente a gemer, outros a chorar, expressões apavoradas, pessoas protestando, dava para me tirar o sono por muitas noites. E por esse “inferno” ainda errei durante bastante tempo porque ninguém me dava nenhuma informação que me orientasse.
Quarto degrau: lá ouvi chamar pelos microfones “familiares de fulana”. No gabinete onde fui recebida, as coisas pareceram bem melhores. Um jovem médico atencioso, recolheu as minhas informações que nem eram muitas porque, como disse, não se tratava de familiar próxima. Mas foi um oásis, uma pessoa que me recebeu bem e tentou entender a situação. Só que o caso implicava a observação de outros especialistas e mais exames, portanto eu devia esperar.
E pronto. Quatro horas de espera por mais uma informação, rodeada de macas, de dezenas de pessoas em sofrimento, de gente que parecia moribunda ( passou mesmo uma maca com um vulto tapado por um lençol o que leva a pensar que o doente tinha falecido ) e mais sangue, vómitos, gemidos, queixas, lágrimas, parecia que todo o sofrimento do mundo se tinha reunido ali.
Quando escrevi o título deste post, é porque o que senti ontem foi muito forte e duro, mas o mais difícil de tudo foi ter vindo trazer à superfície da minha memória, outras cenas passadas em sítios iguais aquele, mas com pessoas muito perto do meu coração. Esse sofrimento foi muito difícil de reviver, mas completamente inevitável. A nossa memória não se desliga como um interruptor. E afinal, nem nós gostaríamos…

Emiéle
Publicado por populo às 09:15 AM | Comentários (13)
fevereiro 14, 2006
Sant’António e São Valentim
Nós tínhamos por cá um Santo que era dado aos amores.
Nunca entendi bem porquê, porque até parecia santinho austero e de vida impecável, mas lá o representavam de menino ao colo e era conhecido por ajudar aos casamentos. O nosso Santo António.
Mas nunca teve grande saída comercial. Não passava pela cabeça de ninguém, há umas boas dezenas de anos, festejar essa faceta "casamenteira" de um modo particular. Era um santo popular, ao mesmo nível do São Pedro e do São João. Os miúdos faziam “altarezinhos” na rua e pediam “um tostãozinho p’ró Sant’António” com que depois compravam guloseimas. Era a única “faceta comercial”
Mas desde há uns anos para cá, com grande aparato, importou-se um novo Santo que veio do mundo anglo-saxónico mas conquistou todo o resto mundo num ápice. Porque é uma festa engraçada, simpática, e “de tristezas andamos todos fartos”.
Bom. Tenho de esclarecer que não será bem o mesmo: o Santo António era mais para os casamentos, coisa séria, definitiva, este São Valentim é para os namoros, mais leve, mais eventual.
Mas terrivelmente comercial, não haja dúvida! Dos cartões, às prendas, aos bonecos de peluche ( não sei porquê mas é fatal dar-se ou receber-se um ) aos jantares de namorados, é todo um ritual que se tem desenvolvido e que acaba por apanhar nas suas redes, todas a gente. Vejo muito derretidos neste dia, desde os miúdos mais miúdos a gente com idade para ter mais juízo. É uma onda. Mas, enfim, apesar de comercial é uma onda alegre…

Emiéle
Publicado por populo às 07:23 AM | Comentários (13)
O IRS e o valor dos ordenados

Do valor do ordenado que cada cidadão por conta de outrem recebe, é descontado “na fonte” uma parcela para pagar o seu imposto. Em vez de se pagar na altura do pagamento de impostos, vai-se pagando “a prestações” para a coisa ser mais suave. Não está mal. Se assim não fosse imagino a força de vontade que teríamos de ter para “não mexer” em quase um terço do nosso ordenado, quando tantas vezes estamos mesmo aflitos com falta de dinheiro. E se o gastássemos, ao chegar ao momento do pagamento era o descalabro! Portanto a ideia é boa – fica já lá, apesar de ser um empréstimo que se faz ao estado, porque pagamos adiantado. Mas essa avaliação era feita por cima, e ao chegar ao momento do ajuste de contas lá tinha o Estado que devolver o que tinha recebido a mais. Tínhamos feito uma espécie de “poupança forçada”. Mas essa devolução se calhar também era desagradável para o Estado, que via ali o seu dinheirinho, já arrumado nos seus cofres e afinal tinha de ir para trás.
E vem uma ideia nova: diminui-se esse valor no que é cobrado à cabeça. Para quem recebe parece que recebe mais, o que é um sentimento muito agradável! Quanto ao Estado não vai precisar de devolver coisa nenhuma e, se calhar na altura da cobrança de impostos ainda vai, pelo contrário, arrecadar um pouco mais. Se as contas forem deitas por baixo…
Vamos lá ver no que isto resulta. Será mesmo possível agradar a todos?
Emiéle
Publicado por populo às 07:20 AM | Comentários (6)
Agências casamenteiras
Não é de hoje, é claro. Há muito tempo que existem agências matrimoniais. Imagino que hoje se deva utilizar umas técnicas mais actualizadas e sofisticadas para se fazer a selecção dos candidatos e o seu “emparelhamento”, já deve estar tudo informatizado.
E com certeza que deve haver casos de sucesso ou este sistema falia mal alguém se tivesse lembrado de o montar.
Mas faz-me bastante impressão.
Parece-me tão triste, tão triste… É muita coisa junta: o reconhecimento da maior timidez, ou de uma enorme insegurança, ou de uma solidão completa e infinita, de medo de arriscar numa experiência por sua conta. Já temos visto, em cinema, situações de blind-date, dito à americana, onde tudo se pode passar do mais caricato ao mais ternurento. Mas…
Enfim, hoje é dia de S. Valentim! Se calhar foi por isso que me apeteceu escrever este post.

Emiéle
Publicado por populo às 07:15 AM | Comentários (5)
fevereiro 13, 2006
Será por ter sido dia 13…?
Mas nem sequer foi 6ª feira!...
Não houve nada de azar que não me sucedesse hoje. Palavra!
Desde receber uma multa de mau estacionamento já inflacionada com a respectiva coima ( mas isso vai ser motivo de um post, que não posso deixar passar), a ficar presa num elevador entre dois andares, ( ai, ai, ai ) a me ter esquecido de almoçar ( verdadeiramente esquecido!), a confirmar que ainda faltam 7 dias para o dia 20, a problemas profissionais e familiares que ninguém ia acreditar, a ter dado um trambolhão que me deixou toda empenada, ( com um joelho esfolado e um tornozelo inchado como quando tinha de 8 anos ), acho que percorri toda a série de desgraças possíveis num dia só !
Para me deixar um sorriso tenho os bonitos e simpáticos comentários que agora estive a ler. Vale a pena ter um blog. Sempre é o tal arco-íris que encontro aqui ao fim do dia. o tal que vem depois da chuva...
E espero que agora, aqui em casa, possa sossegar e não me acontecer mais nada.
Até amanhã!

Emiéle
Publicado por populo às 09:20 PM | Comentários (10)
"Acorda, amor !"
Este post vem em adenda ao que está já aqui mesmo, mesmo em baixo.
Esta canção do Chico Buarque tem um grande significado. E podia servir para ilustrar o que acabei de escrever. Mas o interessante, e reforçando que a névoa do esquecimento vai avançando sem pausas, é a seguinte história: Eu estava a ouvi-la e um jovem, nascido bem depois do 25 de Abril mas numa família onde os valores sempre foram de esquerda e se fala bastante desses tempos antigos, achou-a engraçada. Mas, pelo tom que usou, fiquei com a ideia de que não tinha “apanhado” bem o sentido da letra e quis saber porque seria engraçada…? Era o refrão, o “chame o ladrão” que tinha piada. OK. Mas porque é que o cantor pedia para “chamar o ladrão”? Quem é que vinha a subir a escada, que carro preto era aquele, porque é que ele se despedia da mulher sem saber o tempo que ia estar longe?
Este jovem da actualidade, ficou a pensar… Aquilo era uma charada. Tinha pensado primeiro que “chame o ladrão” era um jogo de palavras como o Chico Buarque às vezes faz, mas o resto já o ultrapassava. Aí, contei-lhe a história do post debaixo, e mostrei-lhe que a História do Brasil e de Portugal em muitos pontos não são assim tão diferentes. Houve ditaduras grande e feias, e afinal há poucos anos.
Emiéle
Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão
Se eu demorar uns meses
Convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo
E pode me esquecer
Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discura à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)
Publicado por populo às 09:00 AM | Comentários (15)
Tão perto e já tão longe
O esquecimento é um nevoeiro que vai invadindo tudo… Tal como o verdadeiro nevoeiro, têm pontos mais densos e outros mais ténues mas, contrariamente ao verdadeiro, não tem tendência a se dissipar. É curioso como se pode esquecer ou nem conhecer situações passadas há tão pouco tempo, espaço de pouco mais de uma geração.
Sei de um casamento que se realizou há 41 anos. Casamento por procuração, o que agora quase nunca deve acontecer porque raramente há uma necessidade tão urgente de se casar que não possa esperar que os dois noivos estejam presentes. Naquele caso o noivo não podia estar presente e era por isso que o casamento era muito urgente – e tudo se tratou em 10 dias.
Este noivo era um estudante. Empenhado em causas sociais, para além de estudar lutava por um mundo melhor e contra o governo de Salazar. Não sozinho, ele, a namorada e muitos, muitos companheiros. Uma madrugada em fins de Janeiro, a polícia levou-o. Adivinhava-se uns tempos muito sombrios, anos de cadeia, agravados pelas medidas de prevenção, sempre discricionárias. Quando ela o quis visitar na prisão a porta foi-lhe fechada na cara – só pais ou familiares próximos.
O caminho só podia ser um. Depressa, depressa, licenças, depressa, procurações, papeis, assinaturas, um rodopio. Mas, a 13 de Fevereiro, à tarde, voltou a bater à porta da cadeia com a aliança que lhe brilhava no dedo desde manhã:
– “Estou aqui. Sou parente em primeiro grau. Venho ver o meu marido.”
Eles ainda se lembram bem, mas para a sociedade de hoje isto é apenas História.


Emiéle
Publicado por populo às 08:59 AM | Comentários (21)
Sempre resulta
Este post até parece uma continuação do primeiro que hoje escrevi
Afinal o tal cruzamento de dados sempre resulta, porque a Segurança Social desta vez
recebeu 400 milhões acima do previsto
Ora bem.
Afinal não é assim tão difícil acertar as contas e fazer que quem deve, pague.
Porque 400 milhões é mesmo muito dinheiro...!
Emiéle
Publicado por populo às 08:52 AM | Comentários (4)
Chocolate
E esta, heim…? diria o Fernando Pessa.
É sabido que o rapaz é atrente. E também sabemos que fazer imagens de pessoas famosas ( por algum motivo ) em cera, é coisa antiquíssima. Há museus muito famosos, com tudo o que teve alguma importância por aí retratados em cera, de um modo tão realista que até parece que estão mesmo ali.
Agora, em chocolate?! !
Um "bom-bom" em forma do Brad Pitt?! E tudo em chocolate de leite?
Nham, nham…
Emiéle
Publicado por populo às 08:31 AM | Comentários (6)
O queijo da serra acabar?! Nunca!

Começou um ciclo de feiras do queijo e ouvimos esta notícia de assustar: o queijo Serra da Estrela poderá deixar de existir dentro de dez anos, se não forem tomadas medidas de apoio à produção
COMO ? Até tive um baque! Se há coisa boa em Portugal é o queijo da Serra. É a catástrofe.
Não acredito!
Por mim, inicio já um abaixo-assinado a nível nacional. Ou europeu. Ou mundial. O que quer que seja, mas não se pode deixar acabar um símbolo da nossa gastronomia!
Viva o queijo da serra!
Emiéle
Publicado por populo às 07:46 AM | Comentários (10)
Utopia ?
A Suécia pretende ser o primeiro país do Mundo a não depender do petróleo e a converter a sua economia a energias não poluentes diz-nos The Guardian Será possível?
Um plano fascinante previsto para, num prazo de 15 anos, ter a sua economia renovada e sem construir centrais nucleares! Para esse objectivo reuniu um grupo de cientistas, agricultores, funcionários e até fabricantes de automóveis.
Parece que este objectivo não é tão louco, como isso porque nos explicam que hoje a gasolina quase só serve para os carros. A electricidade é produzida por turbinas hidráulicas, e usam energia geotérmica para aquecer as casas. Dizem-nos que já há 3 anos 26% da energia consumida vinha de fontes renováveis.
Só imagino quando os Volvos ou os Saabs não andarem a gasolina, o interessante que vai ser. Cá por mim, vou já para a bicha para comprar um!

Emiéle
Publicado por populo às 07:17 AM | Comentários (11)
Modernização e cruzamento de dados
Num artigo muito claro, a que chamou “Limpeza Geral”, mas que me parece que seria mais “A Grande Arrumação“, António Perez Metelo fez-me entender bem, como tem sido possível o jogo da fuga ao fisco de tanta empresa, atingindo as verbas espantosas de que se tem falado.
Uma espécie de jogo dos 5 cantinhos”, aproveitando o facto de os vinte Centros Regionais de Segurança Social terem bases de dados independentes. Até existir uma rede única, que parece começar a funcionar agora, era um jogo de tapar num local e destapar noutro. O trabalho que isto dava compensava pelo resultado. Será que não podem brincar mais…?
Emiéle
Publicado por populo às 07:10 AM | Comentários (6)
fevereiro 12, 2006
Mais publicidade
Para acabar o fim-de-semana com chave de oiro, deixo mais umas imagens de publicidade:
Eficaz, não? É melhor deixar de fumar.

e esta curiosidade...?

Emiéle
Publicado por populo às 09:30 PM | Comentários (9)
Feira de Emprego
Acompanhei hoje um amigo à “Feira de Emprego” ali na Estufa Fria.
A conclusão é que onde há trabalho é no exército, força aérea e no tele-marketing. Aí sim, vimos gente a preencher fichas e, aparentemente, a conseguirem ficar. Quanto ao resto…
Uma das conclusões é que esta coisa é uma “pescadinha-de-rabo-na-boca”, porque em muitas das fichas que ele preencheu, uma das condições era ter experiência nesse trabalho, e até mesmo por vezes experiência de 2 anos!!! Ora uma pessoa antes de começar a trabalhar, é lógico que não tem experiência ou será que é como a pescada ( que antes de ser já o era?).
De resto estava bem organizada, o espaço era agradável, as pessoas que prestavam informações simpáticas e claras no que diziam, boa nota nesse aspecto.
Quanto às perspectivas, isso acho que saímos como tínhamos entrado à excepção de um saquinho de plástico com um jornal que nos foi oferecido.
Enfim… fomos "passear" à feira. Também não se pensava que fosse fácil, né?

Emiéle
Publicado por populo às 05:16 PM | Comentários (4)
«Queremos voltar a ser governo»

É natural.
Qualquer força política, deve desejar isso. Mas não deixa de ser interessante, que um partido que parece tão apagadito, que desde que saiu do governo não se tem quase notado a sua existência, sinta assim tão forte essa sua vocação governativa.
Mas enfim, a meta é a longo prazo as legislativas de 2009. Daqui até lá há milagres, devem eles pensar. Até porque são um partido crente, religioso, que decerto acredita no sobrenatural.
E mais do que isso tudo, para quem esteja esquecido, para além desta última passagem pelo governo que ainda está na nossa memória, já por lá andou diversas vezes. O CDS nunca poderá dizer que nunca lhe deram hipótese de mostrar o que vale. Se calhar não vale é o que ele julga.
Emiéle
Publicado por populo às 12:48 PM | Comentários (14)
A mentira consentida e esperada
Não é nenhuma novidade. Estamos fartinhos de o saber, mas o que me incomoda é a naturalidade com que se aceita o facto como se fosse inevitável.
«Os preços de boa parte das obras públicas em Portugal são feitos com base numa sucessão de mentiras»
Se se sabe que entre o começo da obra e a sua conclusão os preços vão subir de certeza não pode haver um cálculo baseado já nessa alteração? Em todo o mundo é assim?! Não acredito, e se o é, então é mal!
A nível pessoal, imagino como seria, mandar pintar uma sala, o pintor dizer-me que seriam 250 euros e portanto eu fazer as minhas contas para lhe pagar, nessa base. Quando ele chegava, com as trinchas e escadote, dizia-me “Olhe, afinal, a tinta foi mais cara, o preço vai ser de 300 euros”. Eu refazia as minhas contas já preocupada. A meio do dia, ia almoçar e na volta explicava-me “Sabe, o nosso almoço foi mais caro do que tinha pensado, a pintura vai ser de 400 euros”. Eu ficaria mesmo aflita! No fim da pintura ia dizer-me “É pena, mas o meu ajudante precisa de ganhar mais, e isto vai ficar por 500 euros”. E, se calhar, quando lhe fosse passar o cheque, ele diria, “Ah, olhe que com a inflação, o custo da pintura tem de ser de 600 euros”.
Não sei como isto se pode fazer, mas antigamente havia o que se chamava uma empreitada. Pagava-se a totalidade e, quanto mais depressa a coisa se despachasse, maior seria o lucro do empreiteiro. O que vejo, é que não só não há nenhuma penalização pelos atrasos ( como se isso já fosse coisa normal ) como até o que dá ideia é que esses atrasos dão lucro, porque com o tempo a inflação sobe e o valor final aumenta.
Não pode ser, pois não? Imagino que para ganhar a obra, os candidatos façam uns orçamentos muito abaixo do custo, pensando que depois de terem a obra na mão logo “acertam as contas”. Com os transtornos que se notam e a noção de que ninguém fala verdade.
Emiéle
Publicado por populo às 12:36 PM | Comentários (7)
O poder que se sente com uma arma na mão
Vimos ontem na TV e li hoje nos jornais:
Soldados ingleses espancaram quatro adolescentes iranianos e isto no meio do gozo. Quem tinha a câmara de filmar na mão ia fazendo comentários trocista e rindo-se.
Já quando foi o escândalo das imagens de Abu Ghraib, para além do grave que foi fazerem-se as torturas que se fizeram, o que mais nos chocou ( falo agora por mim ) foi a inconsciência moral, o ridicularizar-se o sofrimento alheio. A tortura e o maltrato físico é sempre revoltante mas, se possível, agrava-se ainda mais quando quem o pratica se diverte com isso…
Chama-se simplesmente, RESPEITO pelo outro ser humano. Parece simples de entender, não é?
Ou, assim que uma pessoa tem uma arma na mão sente que tudo lhe é permitido?
Nota- Vão ao Ai Camandro! e vejam o vídeo de que estamos a falar! Impressionante.
Emiéle
Publicado por populo às 12:32 PM | Comentários (6)
Olá, Bom Dia!
Bom Dia a todos!!!
Está um dia lindo, apesar do frio, a o certo é que não dá para me sentar aqui feita parva em vez de ir apanhar um pouco de sol ( e frio ) lá fora.
De maneira que, apesar de ter já aqui umas notas sobre umas notícias que gostaria de trocar ideias com vocês, vai ficar tudo adiado até daqui a bocadinho.
Vou lá fora apanhar sol, cor e luz!

Emiéle
Publicado por populo às 10:45 AM | Comentários (4)
fevereiro 11, 2006
"Quero um cavalo de várias cores"
Quero um cavalo de várias cores
Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa, que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.
Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva - nimbos e cerros -
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.
Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.
Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sozinho
Sem um cavalo de várias cores?
Reynaldo Ferreira
1922/1959

Emiéle
Publicado por populo às 10:15 PM | Comentários (3)
Música
Nem acredito que seja desta.
Ando há séculos a aprender a pôr música no blog e isto a engatar sempre no final.
Agora pareceu-me que tinha entrado, mas nem acredito...
Fica um dos meus cantores de referência, com uma daquelas vozes que me tocam fundo, fundo..

Emiéle
Publicado por populo às 08:23 PM | Comentários (10)
Olhem que é a última!
Eu não sou muito fã desta história das cadeias. Se são por email, apago-as num minuto! Desta vez, tive uma enviada por uma amiga blogger e fiquei sem jeito de recusar e, como abri o precedente, apanhei logo com outra! O “amigo da onça” do Miguel lá me cravou. Mas esta é mesmo a última!!!
Ainda por cima, este caso é complicado porque como já uma vez aqui disse, eu por feitio não sou capaz de fazer escolhas deste tipo. Nunca escolho “a música” de que mais gosto, ou “o filme” inesquecível. São aos magotes! Obrigar-me a escolher é uma dificuldade tremenda e o que vai aqui em baixo, é mentira. Acho que escolhi estes 4 porque só podiam ser 4 e mais ou menos ao acaso de uma lista de enorme…
Mas cá vai a cadeia para onde o Miguel me empurrou:
Quatro empregos que já tive na vida:( por acaso não tive, mas gostaria de ter)
Exploradora
Aviadora
Realizadora
Psicóloga
Quatro filmes que posso ver vezes sem conta:(só 4…? Aqui é mesmo impossível)
Orlando
Hiroshima, mon amour
A vida é bela
Breve Encontro (versão de 45 com Celia Johnson, Trevor Howard)
Quatro sítios onde vivi:
Lisboa
Paris
Macau
África
Quatro séries televisivas que não perco (ou não perdia):
X- Files
Polícias
Major Alvega
Seinfeld
(também Espaço 1999, etc, etc, …)
Quatro sítios onde estive de férias:
Itália
Malásia
Tailândia
Moçambique
Quatro dos meus pratos preferidos: (só 4?!)
De cozinha portuguesa:
Ensopado de cabrito
Migas
Bacalhau no forno com batata a murro
Jaquizinhos fritos
(falta a outra cozinha…)
Quatro Websites que visito diariamente
O meu blog ( !)
Jornais portugueses ( Público, JN, DN, Lusa)
Jornais estrangeiros
Blogs amigos
Quatro sítios onde gostaria de estar agora:
Na minha vida aos 16 anos
Brasil ( nunca lá fui !)
Uma ilha qualquer na Oceânia, pouco turística
Em casa da minha avó
Bloggers a quem convido a fazer este questionário:(isto é difícil porque já mandei um, agora mesmo!)
Isabel
Bin
Gibel
Soslayo
E já está!!!
Publicado por populo às 12:40 PM | Comentários (15)
Sharon e Arafat
Realmente estes dois estão condenados a serem vistos em parceria.
Quando foi da morte de Arafat, o seu estado de “pré-morte” foi tão prolongado que havia muito quem por aí dissesse que o homem já tinha partido, mas não se dava a notícia a dar tempo a preparar as opiniões públicas.
Agora é o Sharon, que anda em coma, natural, induzida, e mais isto e mais aquilo, operações e mais operações…
Será que ainda anda por cá?
Não estará já a negociar com Arafat?
Emiéle
Publicado por populo às 11:32 AM | Comentários (4)
Apetece roubar o post inteiro

A nossa Saltapocinhas é uma blogger de uma enorme simpatia e que dá gosto ler. Vê-se que escreve quando quer e lhe apetece e o blog é uma fonte de prazer para ela o que naturalmente contamina quem lá vai. Todos temos gosto em visitar o Fábulas.
Os temas que vai escolhendo são do mais variado que é possível, assim como os seus interesses. Não será tão obsessiva como eu sou ( o que só lhe fica bem ) e muitas vezes há dias onde não lhe apetece escrever e não o faz. Mas quando o faz, vale a pena lê-la.
Desta vez ela, que diz que não gosta de escrever sobre política, escreveu isto:
«1 -Quando era pequenita, perto de mim, numa bela casa, morava uma família muito rica mas em que ninguém trabalhava.
Aquilo fazia-me espécie até que um dia a minha mãe me explicou que viviam de rendimentos.
Eu fiquei então a pensar que faziam renda (crochet, para os mouros entenderem) que vendiam e assim.
Mas como sou (já nessa altura era) teimosa e nunca tinha visto ninguém por lá de agulha na mão a fazer a tal renda, lá ia chagando a minha mãe sobre o que era "viver de rendimentos" e ela lá me ia explicando conforme sabia.
2 - Agora já compreendi: sei que só ontem, à conta das acções da PT houve pelo menos dois senhores que ficaram (ainda mais ) ricos!
E sem fazerem a ponta dum corno!
3 - Desde que comecei a entender as coisas (uns poucos anos depois do capítulo I, que eu sou uma rapariga precoce) que sempre abominei quem vive dos rendimentos.
Acho que um dos maiores motivos porque o nosso país não avança é porque há gente a mais a viver dos rendimentos e não da riqueza que produz com o seu trabalho.
Admiro quem é rico porque sabe produzir riqueza para si e para quem ajuda nessa produção.
Não admiro quem é rico porque compra uns apartamentos hoje para vender depois de amanhã pelo dobro do preço, ou quem vive dos negócios da bolsa...
Que produz de útil esta gente?»
O post é maior e mais completo. Reproduzi uns pontos que pensei não se poder dizer melhor!
Vocês vão ler lá tudo.
Parabéns Saltapocinhas!
Emiéle
Publicado por populo às 11:20 AM | Comentários (10)
Urgências hospitalares em contentores

O mais estranho até nem é isso.
Enfim, "urgências em contentores"... bah!
O estranho é um responsável acrescentar que nos contentores «as condições, serão bem melhores do que as actuais» (sic)
??????????????????????
Como?
Emiéle
Publicado por populo às 11:11 AM | Comentários (2)
Nepal
O Nepal é uma das zonas do Mundo que faz sonhar os ocidentais ingénuos. Só falar em Katmandu é logo uma magia que nasce. Depois vimos os “Sete anos no Tibet” e o sonho foi-se solidificando. Só que a realidade não é sonho nenhum.Houve ( ou está a haver, nem sei como o diga?) eleições no Nepal. Eleições estranhíssimas, menos livres do que aquilo seria difícil conceber. A Amnistia Internacional considera que a situação dos direitos humanos no Nepal é “uma das piores do mundo” e se nos lembrarmos o que é “o Mundo”…
Ali funciona uma monarquia, onde o Rei é também o Chefe do estado. Este actual rei, chegou ao trono de uma forma que nos parece tirada de um drama de Shakespeare – há uns 4 anos o “príncipe herdeiro irrompeu numa fúria assassina pelo palácio real. Matou os seus pais, o rei e a rainha e vários primos reais, antes de disparar contra si próprio. A sua tentativa de suicido falhou e, embora em estado de coma foi proclamado rei na sua cama de hospital. Morreu horas depois. E o seu tio foi proclamado rei”
Este rei, com poderes absolutos, o ano passado dissolveu o governo e declarou estado de emergência isolando o país e decretando censura à imprensa. Durante o período destas “eleições” ( ? ) foram presas 1.500 pessoas.
Não. Não coincide a imagem idílica que por vezes se tem, com a realidade dura e crua.
a única bandeira nacional do mundo que não é rectangular :)
Emiéle
Publicado por populo às 11:04 AM | Comentários (8)
Morte súbita.
Estou muito impressionada.
Quando começamos a andar pela blogosfera, sabemos que atrás de cada blogger e cada nick, existe uma pessoa. Por vezes simpatizamos muito com o que lemos dessa pessoa e com o que adivinhamos, outras isso é-nos indiferente, e muitas vezes até não gostamos do que lemos/vemos e não se frequenta esses blogs. Normal. Tal como na vida, ou até melhor do que a vida porque as relações são mais fáceis – ninguém tem necessidade de frequentar coisa nenhuma por cerimónia.
De vez em quando, assim como surgem blogs novos, há outros que acabam. Faz parte desta vida, blogosférica. Umas vezes acabam realmente, outras “transmutam-se”, mas nunca nada de grave.
Há um blog que eu nunca frequentei. Fui lá uma ou duas vezes atraída por ser um recordista de comentários. Os seus posts atingiam muitas vezes dezenas e dezenas de comentários, ultrapassando com frequência a centena. Das vezes que lá entrei senti que aquelas caixas de comentários eram pequenos “fóruns” e como isso não é o meu estilo nunca me demorei. Além disso, o blog era pouco atraente, esteticamente era muito cinzento, não tinha ilustrações e a minha sensação era de que aquilo era uma espécie de um suplemento de um jornal, mas cruzado com um fórum. Isto para vos explicar porque nunca lá me detive.
Ontem alguém me deu uma notícia: o blog tinha parado pela morte súbita da sua autora. Fiquei aparvalhada. São coisas que se tem a impressão que não acontecem na blogosfera! Fui ver o último post e é muito interessante ir lendo os cento e muitos comentários, como estudo das reacções que se podem ter perante uma notícia destas. Os primeiros, como é natural dizem respeito ao tema do post. Depois, às tantas, alguém se admira que a autora não viesse avivar o diálogo. De repente, cai uma bomba: num comentário diz-se que a autora morreu. Ninguém leva a sério. Interpreta-se como uma imagem – ela quer fechar o blog. Outras pessoas insistem na informação, mas as brincadeiras continuam, porque a notícia custa a aceitar. E, muito lentamente, há quem faça perguntas, uns começam a pensar se será verdade, outros insistem na chacota, há mais informações, e gradualmente o tom vai mudando, até que se começa a aceitar essa notícia. A autora que ninguém sabia quem era, tinha morrido de morte súbita.
O blog era o Semiramis . A sua autora, não sei quem era apenas que assinava Joana. Mas a notícia deixa-me muito chocada. Um membro da nossa comunidade que a abandona do modo mais definitivo e mais grave.
Lamento imenso.
Emiéle
Publicado por populo às 10:31 AM | Comentários (12)
fevereiro 10, 2006
Outro joguinho
Mais um joguinho.
Inaugurei o costume de deixar aqui uma brincadeira para as noites de sexta.
(Quando digo “inaugurei” é um modo de falar - enquanto me apetecer; se calhar para a semana já não há jogo…)
Desta vez tentem acertar no velhinho pistoleiro, se conseguirem.
Cá eu destruí o bar todo, dos vidros da janela ao candeeiro, ao piano, aos copos, mas o dito continuou fresco e a saltar! Experimentem que

Emiéle
Publicado por populo às 06:03 PM | Comentários (4)
Fim de semana à porta
Post sem com poucas palavras:
mas amanhã vou ficar assim

e assim

Uff....
Emiéle
Publicado por populo às 08:14 AM | Comentários (10)
Agressões dentro da família
Não sei se consegue resultar, mas como ideia não me parece má. É tentar dar o seu a seu dono, e proteger quem deve ser protegido. A proposta é que no caso de violência doméstica, os agressores passem a ter uma pulseira electrónica que os denuncie quando se aproximarem das vítimas . E assim as coisas passariam a ser o que nos parece a ser normal: as vítimas continuariam a fazer a sua vida em casa e seriam os agressores a afastar-se.
Como sabemos não é assim que as coisas se passam.
Não me posso esquecer, uma menina que estava num Centro de Abrigo porque sofria de grandes violências por parte do pai, e me dizia de olhos rasos de lágrimas: “Isto é tudo muito injusto! Já penso que não acreditam em mim. Eu tenho de viver aqui mas o meu pai continua a viver lá em casa com a minha família. Até parece que fui eu que fiz algum mal!”
Estava cheia de razão, aquela menina. Quem realmente “tinha feito o mal” continuava a sua vida, se calhar tendo escolhido outro alvo para as suas brutalidades, já que a filha lhe tinha sido retirada, e a criança estava longe de tudo que lhe era querido e familiar – a casa, os amigos, a escola.
A verdade é que ainda hoje assim é. As pessoas agredidas escondem-se em Centros de Abrigos enquanto os agressores continuam instalados no conforto das suas casas. Não é preciso ser um Kalimero para dizer “É injusto….isso é”.
Não sei bem é qual o valor dissuasor dessas pulseiras, porque teria de haver uma vigilância policial muito pronta a acudir no caso do sinal de alarme tocar, ou então não servirá para nada.

Emiéle
Publicado por populo às 07:28 AM | Comentários (8)
Tubarões e sardinhas
A Segurança Social anda preocupada com as dívidas de que tem sido alvo, e só é de admirar que se tenha deixado chegar tudo isto tão longe. Se, pelo que parece, há dívidas que vêm de há 15 anos, dá uma ideia de desleixo… Quinze anos sem pagar? Quando qualquer outra dívida ao Estado é rapidamente detectada, no caso das empresas e da Segurança Social a tolerância tem sido a regra, pelos vistos.
Mas depois parece também haver empresas e… empresas. Com dívidas são 160.000, o que é um número impressionante, para começar! Mas depois faz-se a diferença do peixe miúdo e do outro:
«144 mil empresas são "pequenas devedoras", com dívidas até 25 mil euros, e 12 mil empresas são "devedoras médias", com saldo em dívida entre 25 mil e cem mil euros [….] e 4 mil são "grandes devedoras", com saldos em dívida que ascendem a 100 mil euros»
São tudo dívidas é claro, e são tudo verbas enormes comparadas com aquilo que um contribuinte individual vai pagando, mas a pirâmide é interessante – se as tais 4 mil se decidissem a pagar a onda que provocava iria naturalmente deixar a perder de vista as dívidas das 144 mil sardinhas que nadam nesse mesmo mar dos 4 mil tubarões.

Emiéle
Publicado por populo às 07:24 AM | Comentários (4)
fevereiro 09, 2006
Mas que confusão

Há certas cabeças que me parece que são assim lá por dentro.
Emiéle
Publicado por populo às 08:15 PM | Comentários (15)
Bandeiras
Ultimamente temos visto muito, em reportagens, multidões enfurecidas a queimar bandeiras. Uma bandeira é o símbolo mais fácil de identificar com um país e a analogia é óbvia – ao queimar a bandeira está a agredir-se o país. Muito fácil de entender.
E o oposto também é fácil – ao içar-se ou expor-se uma bandeira estamos a glorificar o país em questão, todos entendemos.
Vai fazer 2 anos, no euro 2004, Portugal encheu-se de bandeirinhas. Primeiro os táxis, em seguida saltaram para as janelas, e todo o país ficou muito colorido e exaltado de fervor patriótico. Até eu pertenci ao grupo que achou graça, e com alguma insistência da minha família, aceitei pôr bandeirinha à janela. Mas, se achei graça foi porque imaginei que aquilo seria um apoio para aqueles jogos – na noite da final, roemos as unhas mas no dia seguinte guardou-se a bandeira. Tinha cumprido o seu papel.
Com surpresa verifiquei que elas iam ficar até outro ano. Pareceu-me péssima ideia, até pela banalização. E hoje em dia, passo por algumas ruas onde reparo nuns farrapos, sujíssimos, encardidos, esfarrapados, uma espécie de esfregão onde se nota ainda um vago colorido que dá para adivinhar que “aquilo” foi uma bandeira.
Afinal, quanto mais nobre é o fogo!!! A ‘morte pelo fogo’ é nobre, combativa, limpa. Mas a morte pelo abandono e velhice, pelo “desfazer-se em pedaços” é do mais triste que há. Não há por aí uma alma caridosa que dê ordem para se recolher esses restos de bandeira que agonizam por aí?!

Emiéle
Publicado por populo às 08:38 AM | Comentários (11)
Mas o que são estes “serviços de informação” que não são secretos mas…
A Visão de hoje insiste.
Desmente o desmentido.
Afirmam que há uma secreta paralela, uma espécie de serviço privado do chefe de Governo coisa que não estaria prevista em lado nenhum.
Como o Governo disse que era uma falsidade grosseira e iria processar o jornal, ficamos interessados. Afinal o jornal insiste nessa “ falsidade grosseira”, deve andar a torná-la mais fina. E cá o pessoal anónimo espera. O que será o próximo episódio?
Como a Visão é semanal, só de 8 em 8 dias poderemos ter avanços nesta história.
Imagino que agora se siga um desmentido a este desmentido, mas só na próxima semana se vai ver como isto vai continuar.
A telenovela das 5ª feiras.
Emiéle
Publicado por populo às 07:55 AM | Comentários (7)
As famosas “férias judiciais”
Já me explicaram, mas foi mal explicado de certeza. Deram-me a entender que se chamavam férias mas não eram férias. Parecia mas não era. E tanto assim, que se não tivessem “essas férias” que o não são, o trabalho ficaria ainda mais acumulado.
Não entendi nada.
Tinha a ideia de que quando se trabalha as coisas avançam e quando se está de férias as coisas param. Ou então “aquilo” não era nenhuma paragem. Todos sabemos que lá por os Bancos fecharem as portas às 3 horas, os bancários continuam o seu trabalho por muitas horas mais. Aliás podem ver-se lá dentro, através dos vidros. Mas como é isso das férias judiciais? Se forem reduzidas a um mês os tribunais vão parar três meses?! Parece que é por causa dos turnos. Mas todas a profissões que têm turnos como fazem? Lembro-me de tantas, até bem qualificadas, médicos, controladores de tráfego aéreo, eu sei lá, que trabalham em equipa e cujos serviços não param nunca.
O que se passa com a estrutura dos tribunais? E se essas férias não são férias, então mudem-lhes o nome e expliquem bem explicadinho.
É cá por coisas, mas se há função que deveria estar acima destas suspeitas é exactamente a magistratura.
Emiéle
Publicado por populo às 07:25 AM | Comentários (5)
Valentim e Fátima
Dois dos casos mais polémicos quando foram as eleições autárquicas voltam às primeiras páginas dos jornais. Era previsível, evidentemente.
É certo que nada impede que uma pessoa que esteja a ser investigada pela Justiça concorra a um cargo público e eventualmente o ganhe. Foi o caso, que tanta admiração provocou, passado em algumas das nossas autarquias. Porque os indiciados acumulavam com as queixas que o Ministério Público tinha sobre eles, um grande carisma e excelente capacidade no jogo demagógico. Mesmo debaixo de críticas do resto do país, os seus munícipes viam neles umas vítimas de outros interesses e creio que lhes agradou a ideia de que os seus presidentes batiam o pé ao poder central portanto a imagem era de grande coragem.
Passou-se em Felgueiras e passou-se em Gondomar. Sempre interpretei aquelas votações como um brado de “aqui mandamos nós” muito para além de se interessarem sobre a acusação que pendia sobre os seus candidatos. Fossem acusados do que fossem, isso seriam mentiras, ou então “os outros também fazem” pensamento que tudo justifica.
Agora vemos que Fátima estava a perder algum protagonismo e inventou essa ideia peregrina (desculpem o trocadilho fácil ) de se dirigir à outra Fátima agradecer a sua eleição. Até a Igreja se sentiu embaraçada com esta ideia! Quanto ao senhor major (ainda é major?) vão transpirando informações confirmando os estranhos negócios entre aquele autarca e o mundo do futebol.
Eu ignoro como estas coisas se processam, mas no caso de os processos contra os autarcas reeleitos se concluírem comprovando a culpabilidade, qual é o passo a seguir? Espera-se pelo fim do mandato para cumprirem a pena? E não poderão concorrer de novo e ganharem de novo? Interrompem o mandato, cumprem a pena, e regressam?
Acredito em tudo. Isto afinal é um País das Maravilhas, mais extraordinário que o inventado por Lewis Carroll.
Emiéle
Publicado por populo às 07:10 AM | Comentários (8)
fevereiro 08, 2006
Corrente
Anda para aí, uma corrente entre bloguistas. Eu já tinha encalhado nela, mas sempre pensei que não me batesse á porta. Mas afinal, a Cecília, lembrou-se de mim, e nestas coisas a cortesia obriga a não a quebrar. São assim as regras que passo a citar:
Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.]
Tá difícil, que para ser franca eu acho que não me diferencio lá muito do comum dos mortais…E já agora convém ser sincera, né?
Uma - que é mesmo mania – Não sou capaz de adormecer sem ler um bocadinho. Pode ser uma página, um parágrafo, mas tem de ser. Uma vez estava numa casa onde realmente não havia uma palavra impressa ( !!! que susto!) e foi o diabo para adormecer.
Duas – Não gosto de mudar o corte de cabelo. Posso mudar de cor mas não de corte. Sempre que experimentei arrependi-me
Três – Gosto de me deitar e levantar cedo. Se durmo um bocadito a mais fico com dores de cabeça.
Quatro – Não gosto muito nada de falar ao telefone. Os meus amigos gozam-me por isso: prefiro ir a telefonar, ao contrário do anúncio antigo ( “não vá, telefone”)
Cinco – Gosto de dias de Festas. Gosto do Natal, gosto do meu dia de anos. Só uma vez ou duas não festejei os meus anos como deve ser e sempre por razões muito sérias. É sempre um dia especial para mim e fico toda contente quando os outros se lembram.
Agora a quem passo a corrente? ( tem de ser depressa antes que mais alguém se lembre!)
Bom vai ser ao Farpas e à Saltapocinhas e ao Charquinho e ao Cachucho e à Teacher
(pelo menos parece-me que estes ainda não responderam...)

Emiéle
Publicado por populo às 09:55 PM | Comentários (14)
Relatos desportivos
Já se sabe que não sou uma entendida em futebol.
Tenho cá o meu clube, vibro um pouco quando ele ganha ou perde, apesar de tudo não sinto essas oscilações como o fim-do-mundo. Percebo só um bocadinho do que se está a passar e nunca achei lá muita piada em ouvir os jogos através de um relato. Quero dizer, para ser sincera, simplesmente, NÃO OIÇO. Nada me obriga a isso, nem mesmo a solidariedade familiar. Quando os jogos acabam logo sou informada do resultado.
Mas é impossível, quando estou na mesma casa - e ainda por cima não é bem o palácio de Queluz - evitar ouvir o rádio da sala ao lado.
E uma coisa que sempre me faz espécie é a necessidade que os relatores têm de estar sempre a falar. Quero eu dizer, entendo que estejam a falar, uma vez que é rádio e o silêncio em rádio é um pecado, mas bastava que não falassem tão depressa, e já estavam sempre a falar…
Mas não. A técnica é falar-se que nem uma metralhadora a disparar, mas quando não há que dizer repetem as frases: “E vai. E vai. E vai. E vai. E vai. E vai. E vai. E vai.” Uff… ou “aí está a bola! aí está a bola! aí está a bola! aí está a bola!” como acabo agora de ouvir.
Não entendo. E não os levo a sério, só dá vontade de rir.
Emiéle
Publicado por populo às 06:40 PM | Comentários (7)
E se a moda pega?
Esta é espantosa.
Contaram-me como uma piada, fiquei na dúvida e ainda fui ver. É mesmo verdade.
O PSD da Madeira quer examinar as faculdades mentais de um deputado regional do PS
Não acho nada mal. Mas porque não..?, "quem não deve não teme". Poderia ser até toda a Assembleia de uma ponta à outra. Ficaria tudo sem dúvidas. E já agora, poderá pedir-se também que esse exame seja extensivo ao senhor Presidente do governo regional?
Valha-me Deus. ..
Por onde andará o bom-senso?
Emiéle
Publicado por populo às 06:22 PM | Comentários (5)
Pensamento mágico
Dizem que Janeiro é dos meses mais complicados do ano, no referente ao balanço das nossas economias ( parece até haver estudos que dizem que o dia 23 é o dia pior dos piores!) mas cá por mim, parece-me que Fevereiro não lhe fica muito atrás!
Faltam 12 dias [ sem contar com hoje ] para chegar ao dia 20 e na minha cabeça todas as noites faço uma cruzinha no calendário, e penso,”uff, falta menos um”!
E hoje senti-me completamente ridícula, quando depois de parar em frente de uma Caixa de Multibanco com a intenção de ver o saldo, tive uns momentos de hesitação e segui em frente. Era a ideia estúpida lá muito no fundo do consciente: se eu não vir não sei, e se não souber… não existe.
Pensamento mágico, sabem?
Tá bem, tá bem, sei que não funciona, mas …”Olhos que não vêm, coração que não sente”
Faltam 12 dias, dia 20 é uma segunda-feira, portanto falta só pouco mais de uma semana até ao próximo ordenado!
Emiéle
Publicado por populo às 01:10 PM | Comentários (9)
Tempo ( s )
Não sei bem se é ‘bom’ ou ‘mau’, mas é prático. Eu sou pontual. Sou mesmo pontual! Diria que visceralmente pontual!!!
Penso que sou um interessante produto de uma educação muito forte nesse sentido (ser-se pontual na minha casa era como a higiene matinal, de tão natural nem se pensava nisso, era um hábito ) com uma tendência instintiva. Como se o meu organismo tivesse um relógio com alarme incluído que apita quando são horas de qualquer coisa. E raramente se esquece… O que não quer dizer que não deite uma olhadela ao verdadeiro relógio, que também uso, para confirmar se tenho razão.
Mas, como sei que sou uma excepção, sou tolerante para com os atrasos dos outros… quero dizer, até um certo ponto! Para algumas coisas não tenho paciência como, por exemplo, a sistemática ausência de horários das nossas TVs que só têm horas para o telejornal e jogos de futebol. Isso irrita-me e considero que é falta de respeito, e “deixa andar”. Mas encontros com amigos, por exemplo, já sei que vou esperar e estou preparada para isso.
Quando disse que ‘é prático’ ser pontual é porque me parece assim. É muito menos stressante, porque não ando a correr com a desagradável sensação de que vou perder qualquer coisa ou ter de me desculpar. Instintivamente esse tal relógio interior avisa-me, e organizo-me com calma de modo ao puzle do meu dia se encaixar sem grande esforço. Tenho essa sorte.
No outro dia tive de aconselhar uma pessoa que sofre do mal do atraso sistemático. É certo que ela o
vive muito risonhamente e, em relação a encontros amigáveis, limita-se a encolher os ombros. O pior é o emprego. E é curioso porque se trata de uma mulher cuja profissão exige o maior dos rigores, que adora a matemática, e que noutros aspectos da sua vida é muito cuidadosa. Mas não quanto a horas! Aí é a anarquia. Chegámos as duas à conclusão que horários para ela são espartilhos, camisas de forças, bloqueadores da sua liberdade. Porque é que o tempo há-de mandar nela???
Enfim, o mais que consegui foi levá-la a aceitar que a pontualidade tem duas margens. É tão pouco pontual o que chega depois como o que chega antes. Então, para “rebentar com o espartilho” porque não chegar antes? Também mostra que se está nas tintas para as horas mas com menos custos sociais. Huuum…. Não me parece nada que a tenha convencido.
Emiéle
Publicado por populo às 08:25 AM | Comentários (12)
Contas feitas…
Primeiro: o valor médio da reforma em Portugal é de 590 euros o que não admira ninguém, ou admira muitos poucos creio, eu. Há reformas superiores, mas há medida que o valor sobre também a pirâmide vai estreitando. Os que mais ganham são muito menos do que os que ganham menos, óbvio!
Segundo: as despesas fixas estão avaliadas em 576 euros
Donde, para além das despesas fixas, cada reformado fica com 14 euros por mês.
Isto é matemática da mais elementar.
Política social precisa-se.

Emiéle
Publicado por populo às 08:12 AM | Comentários (6)
Afinal a voz do povo…

É voz corrente que aí por essa administração local há material para concorrer com a produção de várias fábricas de luvas. Agora a própria Judite não o nega - «A maior percentagem dos processos de corrupção em investigação no país diz respeito à administração local» e logo de seguida vinham… as Forças de Segurança!
É verdade que poderemos sempre pensar, que estes são os casos que “se deixam detectar” se calhar há outros muito piores mas mais habilidosos que fogem às investigações. Pode ser. Mas que estes existem, parece mesmo ser um facto.
Mas atenção a esta frase/conclusão: parte da culpa vem da " complacência da sociedade civil que vive afastada da coisa pública, como se ela não lhe dissesse respeito".
Emiéle
Publicado por populo às 07:52 AM | Comentários (7)
É p’ra lá que vou!
Há uns tempos tinha-me agradado a ideia de desaparecer deste mundo actual e olhei com alguns bons olhos a descoberta de um belo paneta novo com possibilidades de vida apesar de um pouco longe. Vinte mil milhões de anos-luz, era muito caminho a andar, e ainda por cima aquilo era frio para caraças! Mas enfim, tinha atmosfera, etc e tal, e diziam que era habitável. Talvez se pudesse lá começar tudo de novo.
Mas agora mudei de ideias.
Encontrou-se o que dizem ser o paraíso na terra . Cheínho de flores e bichinhos simpáticos e pelos vistos um excelente clima! E reina a confiança, os cientistas que lá foram conseguiram apanhar à mão animaizinhos completamente crentes de que os homens não lhes fariam mal.
Tá decidido.
Muito mais perto, bom clima, sossego, plantas e animais e com pouca gente, talvez ali se possa viver como deve ser.
É já a seguir! O tempo de fazer as malas e ponho-me a andar!

(este paraíso estica um pouco se lhe foram clicando; posso levar um grupinho de amigos...)
Emiéle
Publicado por populo às 07:04 AM | Comentários (9)
fevereiro 07, 2006
A mãozinha-coça-costas
É o símbolo da verdadeira autonomia.
Uma pessoa pode andar pelo seu pé, comer pela sua mão, vestir-se sozinho, lavar-se, e falar, cantar, assobiar, e estudar, aprender muito, trabalhar, … contudo pode não ser completamente autónomo. Todas estas coisas nós ensinamos aos nossos filhos e esperamos que eles as façam bem e completamente sozinhos. Mas…
Eu prezo muito a autonomia. Tenho uma posição extrema, quase maníaca. Quero saber fazer tudo, não ter de pedir que “me façam” nada. Quero dizer, claro que podem fazer e eu aceito isso, mas por simpatia não porque eu seja incapaz. São as “coisas de casa” – cozinhar, limpar, arrumar – são as “coisas do carro” – meter gasolina, ver o ar dos pneus, se há óleo – são as “coisas do trabalho” – conhecer as máquinas vulgares num escritório e não depender de uma secretária para as pôr a funcionar – e pequenas bricolages que gosto muito de fazer. Ou seja, uma verdadeira maníaca da independência.
E agora descobri numa loja chinesa, a única coisa que me faltava – uma mãozinha de madeira com um cabo para coçar as costas! É que não sei se pensaram que aí estamos completamente dependentes de uma mão amiga. Quando se tem comichão mesmo, mesmo no meio das costas? Quando, por exemplo, escorregou um cabelo pela abertura da camisola? E lá nos contorcemos, estica-se o braço direito, estica-se o braço esquerdo, mas é num ponto onde o braço não chega mesmo! Bolas! Lá pedimos à mão amiga mais próxima: “Não te importas de esfregar aqui? Não, mais para cima. Um pouquinho para o lado. Não tanto, era ali atrás.” Oh, que nervos. Mas agora já não. Com a famosa mãozinha, cheia de perícia, é dirigi-la para o ponto exacto e já está.
Emiéle
Publicado por populo às 08:45 AM | Comentários (10)
A espera em ‘urgências’
Proponho é que lhe mudem já o nome!
A notícia em si não tem nada de especial. Gostaria é que reparassem nos dois últimos parágrafos:
«… sistema de triagem dos doentes no atendimento em urgência, baseado numa escala de cores que evolui desde o azul (situação a menos grave), verde, amarelo e laranja, até ao vermelho (caso mais grave)….[..] depois da triagem, o tempo de espera mínimo para os doentes a quem é atribuída a cor amarela é de três horas.»
Deixa-me cá rever o meu português: Urgência = do Lat. urgentias. f., qualidade do que é urgente; pressa;
Bom, então quando há pressa, e nem sequer é uma situação muito leve ( verde ) sendo já amarela, o tempo de espera mínimo é 3 horas!
Sem comentários!
Emiéle
Publicado por populo às 08:17 AM | Comentários (10)
A Sonae e a PT

Então, segundo as últimas novidades, a sonae vai comprar a pt !
Bom proveito. As queixas quanto à pt são tantas, e por todo o lado, que seja o que for que aconteça não deve poder piorar. Nos últimos anos, a subida vertiginosa dos telemóveis tem sido equivalente à descida dos telefones fixos. A enorme maioria de casais novos que montam casa, nem querem telefone. Muitas vezes o fio é só para a ligação à net! E agora com os serviços que têm aparecido em que não se paga a assinatura e só se paga as chamadas, tudo isto anda em reboliço.
Contudo tem graça "as condições". É assim - quem pode, pode. Dizia o povo "quero, posso e mando"
O que é que Belmiro de Azevedo vai herdar? Que volta é que pode dar à PT?
Já o vamos saber.
Emiéle
Publicado por populo às 08:04 AM | Comentários (14)
Todos iguais mas uns mais iguais que outros
Por acaso sempre me fez impressão essa coisa de se “vender dívidas”. Não digo que tenha algum mal, só que me faz impressão. Ainda a nível particular, com algum esforço consigo imaginar: a minha vizinha de baixo pediu-me que já que ia pagar o telefone pagasse também o dela. Depois nunca mais fez contas comigo e, aborrecida, um dia eu disse à vizinha de cima “olhe, pague-me você esse dinheiro e fique com o talão; se conseguir que ela lhe pague…” Enfim, é um suponhamos.
Mas quando é o Estado, não imagino bem. Porque ele tem todos os poderes. Polícias, tribunais. Como é que “vende dívidas”? Mas aconteceu, sim senhor.
Em 2003 houve dívidas fiscais que foram cedidas a uma empresa do banco Citigroup
Entendi que essa habilidade serviu para tapar o défice. (ai o défice!)
Só que agora parece começarem a surgir divergências nas quantias em jogo nesta manobra. Não me espanta, que isto tudo é uma confusão tremenda mas já agora gostaria de entender quem é que foi beneficiado nisto tudo. Não parece ter sido o cidadão comum. A esse, quando tem uma dívida ao estado, penhoram-lhe o ordenado e até os bens. Mas é claro que não é filho do mesmo pai. Quero eu dizer, não é, é filho da mesma mãe!
Emiéle
Publicado por populo às 07:36 AM | Comentários (8)
Alzheimer
Todas as doenças mentais são um pouco assustadoras, mas o Alzheimer tem aspectos particulares porque vai apanhar a pessoa quando está “desprevenida” digamos assim. Depois de toda uma vida sem nada de especial, pessoas simpáticas, afáveis, inteligentes, trabalhadoras, e até muitas vezes donas de uma excelente memória até então, começam a mudar de personalidade e a serem invadidas pelo nevoeiro do esquecimento.
É terrível para elas. É terrível para os familiares.
Dizem-nos agora que pode ser hereditária. Se por um lado é um susto para quem teve um pai ou uma mãe com esse problema, é verdade que pode ajudar a prevenir.
Os números que acabei de ler dizem que «dois terços dos adultos com mais de 65 anos, com demência, sofre de Alzheimer» porque se há o tal risco genético os outros riscos também têm bastante peso.
Espero, espero muito sinceramente, que se consiga avançar bastante no estudo e prevenção desta doença. Assusta-me muito.

( imagem roubada à Teacher)
Emiéle
Publicado por populo às 07:30 AM | Comentários (5)
fevereiro 06, 2006
Mudança de testemunho na Weblog

Primeiro vi a comunicação no blog do Paulo Querido que costumo visitar…mas não todos os dias, se não já tinha dado por isso.
E depois, de seguida, vi o comunicado oficial
Fez-me um bocadinho de impressão. É certo que também me fazia impressão pensar como é que o Paulo Querido tinha uma profissão própria e para além disso geria toda esta confusão! Sempre me pareceu uma coisa estranha, assim a modos que sobrenatural. Se a mim, para além da profissão, escrever no blog já é o que é, como seria estar à frente de uma coisa como a Weblog. Sempre o imaginei um pouco como um capitão, à frente de uma série de monitores cheios de luzinhas como na série “Espaço 1999” a enfrentar aquelas chuvas de coisas misteriosas com nomes estranhíssimos que nunca entendi o que era mas que paralisavam aqui o funcionamento dos blogs! Que trabalheira terrível.
Mas agora vai fazer-me saudades. Quando estávamos atrapalhados, dizia-se: “Fala para o Paulo Querido”, assim com um ar familiar. Agora não é bem o mesmo. Claro que pode ser muito profissional, mas aquele arzinho caseiro sabia-me bem.
Paciência, e boa sorte Paulo Querido!
Emiéle
Publicado por populo às 07:46 PM | Comentários (13)
Brrrr....
Hoje tive de novo pena de não ter uma máquina fotográfica boa ( para além de saber tirar fotos, e deixarem-me fotografar a criança em causa )
É que no rés-do-chão do meu prédio funciona um infantário. Todos os dias quando eu saio estão a chegar pais com criancinhas e aquilo é sempre um espectáculo.
Hoje fui eu que abri a porta da rua a um conjunto mãe-filho.
Quando os vi cumprimentei – “Olá esquimó”!
É que se a mãe vinha bem agasalhada, trazia ao colo um verdadeiro esquimozinho. Era uma perfeita bolinha onde se viam dois olhos espantados e a pontinha do nariz. Lá fora estava frio, eu verifiquei-o de imediato, mas dentro daquele casulo só podia estar-se bem.
Como vem aí o Carnaval, imagino que aquele menino ficará a primor mascarado de urso polar.
Emiéle
Publicado por populo às 02:50 PM | Comentários (5)
Discriminação positiva
Já devem ter percebido que tenho poucas certezas. Tenho a tendência para procurar quase sempre os vários lados de um problema o que muitas vezes me faz mudar de opinião. E, ainda por cima, a vida tem-se encarregado por conta própria de me provar que muitas vezes acabamos por beber daquela água que tínhamos jurado rejeitar. Mas, se tenho poucas certezas, tenho convicções. Há valores em que acredito profundamente e podem explicar o meu comportamento e modo de pensar.
Acredito que “os outros” são meus iguais e os devo respeitar.
Isto parece muito simples e fácil, mas talvez não o seja tanto como parece. E quando por vezes troco opiniões com amigos que se situam numa perspectiva de valores de esquerda muitas vezes não estamos de acordo. Porque eles dizem-me, e bem, que “os outros” devem ser meus iguais mas muitas vezes não o são. Que num mundo melhor isso seria assim mas neste mundo, à partida, há já quem beneficie de estatutos e condições de vida que outros não têm, e portanto as cartas estão viciadas. O nosso papel – nós, os beneficiados - será de os proteger para que possam ter as mesmas oportunidades que nós temos. Como num jogo de cartas, se há quem tenha mais trunfos, deixar que os que têm as cartas piores partam com um avanço de pontuação de modo a equilibrar o jogo. Discriminação positiva, chama-se isso.
Nunca me convenceram. Aceito que a intenção é das melhores, mas esta base de ‘paternalismo’ não me agrada. Quando há diferença, a igualdade tem de ser conquistada. Imagino que me diziam: “Olha, tu nem és lá muito competente, mas como és mulher vais ser promovida”. Que é lá isso?!
Uma coisa é aceitar-se as diferenças e integrar quem está em minoria, seja ela qual for, na mesma situação de quem pertence à maioria; outra é, artificialmente e de um modo protector e tolerante, dar-lhe uns passos de avanço. Não acredito que se esteja a ajudar verdadeiramente a integração, estamos a sossegar a nossa consciência.
Emiéle
Publicado por populo às 12:15 PM | Comentários (11)
Ora faz favor, esteja à vontade
Entrevista de emprego no YKEA:

Emiéle
Publicado por populo às 08:09 AM | Comentários (13)
E o Haiti?

As próximas eleições no continente americano, são no Haiti. Há tendência para se “esquecer” este país americano onde se fala francês e sobre o qual se contam histórias que parece saírem directamente da imaginação de um escritor de romances da série B.
Um país onde um dos mais importantes candidatos presidenciais cancelou a presença num comício eleitoral por recear pela sua segurança…
E afirma, como facto de realçar que “Vai eliminar os gangs, não controlá-los” donde se infere que seria natural ou possível que o Presidente “controlasse” os gangs armados que infestam aquela terra! Por outro lado, este candidato, Préval, parece ser aliado de Jean-Bertrand Aristide, ex-presidente que foi destituído há ano e meio.
Enfim, nada parece ter mudado lá muito na terra dos ditadores Papa Doc e Baby Doc e dos Tonton Macoute.
Emiéle
Publicado por populo às 08:04 AM | Comentários (8)
Tenho de começar a gastar muito mais!
Eu sou mas é tonta, porque afinal dava-me tanto jeito…
Quando não pago o telefone, zaz, fico sem ele.
Se me atraso no pagamento da electricidade, vem um senhor e desliga-a.
Se por acaso me esqueci de pagar a água, cortam-ma.
Mas deve ser por as minhas contas serem muito pequenitas e mixurucas. Umas dezenas de euros, pfff…
Se tivesse de telefone 446 mil euros, correios: 13 mil euros, electricidade: 164 mil euros, TV Cabo: 27 mil euros a coisa fiava mais fino. A tolerância tinha de ser outra, porque sempre era um bom cliente, não é?
Emiéle
Publicado por populo às 07:35 AM | Comentários (7)
Protecção de menores
Tenho seguido com o maior interesse o que se tem dito e escrito ultimamente sobre as CPCJ. A minha opinião, que penso já a ter dito, é que este é um dos exemplos mais claros de um mal que se enferma muito por cá: uma boa lei mal regulada e implementada. Criada em 1999, desde então não houve tempo ( ? ) vontade de criar condições para a promover como deve ser.
O trabalho destas Comissões só vem a público quando há falhas, como quase tudo. E nesses momentos, com as emoções muito à flor da pele porque os casos que provocam o “falar-se” são sempre de situações gravíssimas, parece encontrar-se um culpado para todos os males. Essas famigeradas Comissões.
Tomou-se agora uma decisão: depois do seu trabalho, as comissões devolvem os processos aos serviços de origem que podem ser hospitais, escolas, Segurança Social, autarquias. Parece-me interessante porque assim talvez esses serviços não deleguem para as Comissões muitas das acções que eles próprios poderiam fazer, e por outro lado também com esta decisão não fujam tanto à presença dos seus técnicos nas Comissões alargadas. Porque como se sabe nas reuniões das Comissões alargadas devem estar presentes representantes da Saúde, da Segurança Social, do Município, da Educação, IPSS, Forças de Segurança, Associações de Pais, e especialistas em serviço social, psicologia, saúde ou direito. Deviam. Mas os seus serviços de origem, que consideram necessitar deles onde estão, demasiado frequentemente conseguem justificar a sua ausência.
E estas Comissões que deviam funcionar cruzando informações e saberes especializados, muitas vezes trabalham exclusivamente na sua Comissão Restrita sem a qualidade de informação que poderia ter.
Esta recente decisão não me parece má, como forma de confrontar todos os serviços com as suas obrigações e evitar as queixas de que « há carros das autarquias que não comparecem sem qualquer explicação, depois de marcados com uma semana de antecedência para fazer visitas domiciliárias urgentes; polícias e hospitais que dificultam pedidos de informação e colaboração; escolas que delegam nas CPCJ problemas de que se poderiam ocupar, como o absentismo e insucesso escolar sem problemas familiares associados.»
Estas são as queixas das Comissões Restritas, essas que, muitas vezes, trabalham com a maioria dos técnicos em tempo parcial.
Vamos ver se assim as coisas melhoram.
Emiéle
Publicado por populo às 06:25 AM | Comentários (9)
fevereiro 05, 2006
Sinceridade
Já se calculava que precisassem de clientes, mas não se costuma anunciar.
A crise tá má!

Emiéle
Publicado por populo às 07:31 PM | Comentários (9)
Ainda há disto!
Conserva escutada na rua, há momentos:
Duas senhoras iam à minha frente a conversar. Coisas banais. Uma delas contava qualquer coisa da neta bebé, e sobre o biberon, mamadas, bom feitio e entretanto diz:
- “Depois, o meu marido foi lá”. ( e noutro tom de voz, mais baixo e confidencial) - “ele deve andar doente, que anda muito chato” e em tom normal “e então combinou-se que… “etc.
O que me encantou, foi ouvir naquele tom de sinceridade:
Ele deve andar doente, que anda muito chato!
Que maravilha de casamento! E tudo indicava que era de há muitos anos, havia netos. Fiquei, confesso-o com alguma inveja da mulher daquele marido que para estar chato era porque estaria doente.
Que bom!
Emiéle
Publicado por populo às 05:30 PM | Comentários (4)
Tudo arrumado!
Hoje tenho dado aqui pouca assistência ao bloguezinho, porque ando numa de arrumações.
Dá-me pouco mas dá-me forte!
Deve ser genético porque me lembro em pequenita do meu pai ir deixando a secretária atingir um grau de confusão nunca visto mas, de tantos em tantos meses, avançar cheio de decisão para ela e no final do dia “aquilo” estar irreconhecível, até se ver a cor do tampo! Já o meu avô ultrapassava os limites porque sempre ouvi a minha avó contar que um dia, saía lá debaixo um cheiro pestilento e foram encontrar, soterrado em papeis, um prato com um ovo estrelado que ele se esquecera de comer…
Mas hoje foi a minha vez de arregaçar as mangas! Comecei por uma ponta da casa, deitei vários sacos de coisas fora (aquelas que se pensa que “podem vir a servir” mas só enchem espaço ) e arrumei tudo, do frigorífico, às gavetas e, obviamente, aos papeis uma parte dos papeis. Tá uma beleza! Pastas novas. Pastas com separadores e tudo. Etiquetas nas lombadas. E, claro, muitos outros sacos com papeis rasgados…
Agora chegou a vez do PC. Sim, que é que imaginam? Também arrumei aqui tudo em pastinhas novas e deitei fora coisas que já não fazia sentido guardar. Também foi muito bom, tipo “catártico”, estão a ver…? Zás, lixo!
E tenho aqui tantas pastinhas que me parece bem que tenho ainda que acrescentar uma última pastinha-índice, para ver o que cada uma contém.
: )
( e agora, até daqui a uns meses)

Emiéle
Publicado por populo às 04:50 PM | Comentários (10)
Redistribuição de riqueza

Esta coisa do totomilhões tem um aspecto simpático. Pelo que tenho percebido, de um modo geral aquele dinheirão todo tem saído bastante a pessoas que não têm nenhum.
Em França, pelo menos um dos apostadores era “empregado de mesa”, e foi o pai que foi ao quiosque ver se era verdade, porque ele foi trabalhar na mesma, ainda assim não fosse a sério e lá perdia o dia…
E por cá também parece que não foi parar às mãos de nenhum ricaço.
Uma espécie de “justiça caseira”. Valha-nos isso, enquanto a justiça social anda atrasadita .
Emiéle
Publicado por populo às 12:06 PM | Comentários (7)
Valores esquecidos ( ou nunca aprendidos?)
Um naufrágio, durante a noite, de um barco cheio de passageiros ficou para sempre associado ao Titanic. Era uma espécie de símbolo de como, apesar do luxo, algo considerado o melhor do mundo , podia desaparecer. Muita gente sabia essa história, e com o recente filme não há quem não a conheça.
Vemos agora a versão pobre da história, o naufrágio do navio ‘Al Salam 98’, Contrariamente ao Titanic, não era a sua viagem inaugural, muito pelo contrário. Ele tinha sido construído em 1970, na Itália, tinha já os seus 36 anos.
E a história que vamos sabendo a pouco e pouco é assustadora. Dizem-nos que o capitão abandonou o navio, deixando os passageiros entregues à sua sorte. Mais grave ainda que «a tripulação havia lhes dito para não se preocuparem com um incêndio abaixo do convés e até pediram que os passageiros tirassem os coletes salva-vidas que vestiam»
Não consigo entender. Qual seria a ideia que norteou esta gente?! Evitar pânico pela mentira? Mas aquilo não era uma situação onde se justificava o uso de todos os esforços para se aguentar até à chegada de socorro? E como é que o socorro levou tanto tempo a chegar? O Mar Vermelho não é o Atlântico e as técnicas de detecção evoluíram muito neste século. Como é que aquilo pôde acontecer?!
É um mundo estranho, este, onde muitas vezes vemos grandes movimentos de solidariedade e pessoas de grande generosidade que dedicam a sua vida a ajudar quem precisa, mas no outro lado da balança se encontra gente para quem a vida humana não tem qualquer valor. É difícil de entender.

Emiéle
Publicado por populo às 10:43 AM | Comentários (10)
fevereiro 04, 2006
Aos meus comentadores
Num post aqui em baixo, dizia o Farpas meu colega blogger e um dos meus visitantes mais assíduos, que apreciava muito os comentários do Pópulo, por os achar de boa qualidade. O elogio não era para mim, era para vocês todos que passam por aqui e vão deixando a opinião, portanto faço eco do que ele disse. Mas se estou a escrever a esta hora este post, é também porque me sinto contente e vaidosa. Fui espreitar as listas da weblog, e no Top 25 mais comentados da semana, cá o Pópulo aparece em 3º lugar! ( a habilidade que vou aprender a fazer a seguir é o “PrintScreen” à séria; já me ensinaram mas não me saiu bem á primeira…)
Gandas comentadores!
Ainda por cima porque o número um foi o “Terceiro Anel”, blog de futebol que naturalmente alimenta muita conversa…
Sinto-me mesmo satisfeita. Obrigada a todos!!!!

Emiéle
Publicado por populo às 09:36 PM | Comentários (8)
Brincadeira
Dizem que é o mais recente screen saver dos Estados Unidos.
Se segurares o rato sobre boneco, podes apertar com ele e conduzir o movimento como preferires...
mas também podes vê-lo seguir em queda livre!
Ora cliquem lá no
Aquele povo, actualmente, tem mesmo liberdade de expressão!
Emiéle
Publicado por populo às 12:20 PM | Comentários (7)
Mau perder ou vingança?
Há pouco tempo a Venezuela acusou um adido naval americano de andar a fazer espionagem e mandou-o de volta para a sua terra.
Agora os Estados Unidos, respondem expulsando uma diplomata venezuelana, mas sem grandes conversas.
É só "persona non grata" e toca a andar….
Temos um ping-pong diplomático.
Emiéle
Publicado por populo às 11:56 AM | Comentários (6)
Yoga
Em conversa com duas amigas, falava-se ontem que o filho de uma de nós tinha ido para o Yoga e a mãe dele, trocista, explica que ele aprecia muito a “modalidade” porque não é tipo para grandes esforços e aquilo tem a calma que ele aprecia.
E, acrescenta logo a outra:
- Pois é. Pois é. Eu ainda ontem pensei nisso. Também sou muito preguiçosa e disse de mim para mim: E o yoga? É o ideal, fazer ginástica sentada!

Nota: Uuups! Acabo de fazer um mundo de inimigos.Não me batam, praticantes de yoga. Eu sei bem que não é assim, mas confessem que tem graça!
Publicado por populo às 11:20 AM | Comentários (6)
O Medo

As notícias das últimas horas contam-nos dois terríveis desastres, com muitíssimos mortos. Um caso deu-se com o afundamento de um barco que levava cerca de 1.300 passageiros ( e eu nem consigo imaginar o horror de morrer afogado numa noite escura ) e o outro foi o pânico que surgiu entre os espectadores que assistiam numa bancada a um espectáculo, nas Filipinas.
Se os dois casos são terríveis e igualmente evitáveis, chocam-me de modo diferente. O barco que se afundou, como disse, parece-me um pesadelo - possivelmente não avaliaram bem os riscos da travessia, o barco iria lotado demais, para além do mau tempo terá havido algum erro humano – mas as causas maiores podem estar na natureza.
O desastre de Manila é de um tipo diferente, porque a causa está no medo que temos dentro das nossas cabeças. Diz-se que alguém falou em “bomba” e de repente gerou-se uma onda de pânico. E o pânico é um medo colectivo, e portanto incontrolável. Sem pretender fazer um jogo de palavras, é um caso onde o próprio medo é que é o verdadeiro perigo. Aquelas dezenas de pessoas morreram devido ao seu medo e dos outros.
O ser humano é assustador! E muito perigoso.
Emiéle
Publicado por populo às 11:15 AM | Comentários (10)
Hábitos antigos
Desde criança que me lembro ver aproveitar-se duas coisas: garrafas e jornais. Toda a vida vi isso. As garrafas ou frascos eram coisas úteis. Mesmo ainda antes das firmas recuperarem as garrafas que tinham as estrelinhas à volta do gargalo ( aos anos que isso se faz!) nas famílias usavam-se garrafas para guardar produtos que havia em maiores quantidades – por exemplo o azeite ou o vinho que vinham em garrafões, da terra. E claro que os frascos eram bons para guardar imensas coisas quando se cozinhava tudo em casa. O mesmo se passava com o papel. A não ser pedacinhos pequenos, o papel era guardado. Embrulhava-se coisas em papel de jornal, até se vendiam os jornais a peso, e na lida da casa o papel servia para dar brilho aos areados, para se pisar e não sujar o chão encerado, ou para acender o lume do fogão ou da lareira.
Portanto, nas cabeças de muitos portugueses, faz todo o sentido que vidros e papeis se aproveitem. OK, avancem com as reciclagens.
Mas as embalagens de plástico?
O plástico é uma coisa moderna. Não tem as mesmas tradições. E parece um material insignificante, para quê aproveitá-lo? É mais complicado entender para que é que pode servir… Aqui temos de fazer todo uma aprendizagem para admitir que é importante reciclá-lo ao mesmo nível do papel e do vidro. Porque não tem a mesma”nobreza” e mais facilmente se deita fora.
Contudo temos “ordens” da U.E. para fazer essa reciclagem . Uuups! E agora? Recolha porta a porta?
Só uma ideia – se as nossas ruas fossem limpas como deve ser, que enorme quantidade de plástico se recuperava! Só no Largo perto da minha casa, em caixas de iogurte, pacotes de batatas fritas e sacos de plástico vazios, arranjava-se aí uma tonelada!
Publicado por populo às 11:04 AM | Comentários (6)
fevereiro 03, 2006
E como estamos já a entrar no final de sexta feira
Aos meus queridos amigos, leitores deste blog, desejo um excelente fim-de-semana.
A começar hoje, como deve ser.
Ando para aqui em estudos, a ver se nas melhorias do blog entram uns sons musicais, e tive já mais do que um auxílio de visitantes extremamente simpáticos que me ensinaram quase tudo. Agora estou “por minha conta” a ver se passo da teoria à prática, o que está a demorar um niquinha mais.
Artolas, eu !
Seja como for, para vos entreter deixo aqui uma aproximação ao que vai ser este blog quando tudo estiver nos trinques. Ponham o som e
![]()
Emiéle
Publicado por populo às 07:48 PM | Comentários (12)
Função Pública
Daqui a meia hora começa uma manifestação da Função Pública.
Há muita inquietação, muitos boatos, muitas ameaças.
Fala-se em despedimentos, as avaliações são pesadas ao milímetro, há colegas que começam a olhar de lado para outros colegas.
Têm-me contado histórias bem tristes. De chefes que dão ordem aos seguranças para denunciar quem pica o ponto e vai tomar uma bica. De colegas que inventam calúnias sobre outros colegas para evitar irem para aos excedentes.
Ambientes de cortar à faca…
Dá muita tristeza. Como é possível isto acontecer…?
Mas o que é que nos fizeram?!

( em anexo segue um FW que recebi ainda ontem)
Emiéle
«ESTOU FARTO
Sou funcionário público. Ainda não vi a minha fotografia numa esquina anunciando que se procura "vivo ou morto, um criminoso perigoso". Mas graças à incompetência dos políticos, já evito dizer a profissão em público e começa a ser frequente ouvir os conhecidos mandarem-me piropos desagradáveis, para não falar daquilo que se ouve no café ou na mercearia.
Entrei para a Função Pública por mero acidente conjuntural. Mas entrei. Num tempo em que o funcionário era tratado com um mínimo de dignidade. Os políticos referiam-se a eles com o mínimo de consideração e não apenas com uma educação contida por receio da perda de votos. Naquele tempo sentia-me socialmente útil. Os incentivos não eram muitos, mas trabalhava com prazer. Sentia-me empenhado naquilo que fazia. Nem pensava na reforma. E só as dificuldades do dia-a-dia me levavam a questionar o que ganhava ou os aumentos que poderia ter. Passados alguns anos, e porque os portugueses têm o mau gosto de escolher os políticos com menos cuidado com que votam em quem vai ganhar a Primeira Companhia, passei a ser bode expiatório de todos os males do país. Agora sou um parasita. Não produzo nada. O que ganho equipara-me a qualquer proxeneta. Sou um "gandulo" que não justifica o ordenado. Agora estou a mais no meu país. Ainda antes de haver quadros de excedentários, sinto-me um excedente social. Ganhe muito ou ganhe pouco, trabalhe muito ou trabalhe pouco, ganho demais. O que faço não serve de nada. O empresário que gasta o dinheiro da empresa em luxos desnecessários e fúteis e não a moderniza não tem culpa. O político que ganha por fora (é para financiar o partido, diz ele aos seus corruptores) não é responsável. Os governantes que compram frotas imensas de automóveis novos, estão a zelar pelo património do Estado, ou se arrendam prédios aos amigos por valores milionários, como 15.000,00 EUR por mês por um apartamento. O "boy" incompetente não faz parte do problema. O único problema sou mesmo eu.
Acontece que estou a ficar farto de ser o problema...»
Publicado por populo às 02:31 PM | Comentários (11)
As caricaturas de Maomé
Para um europeu de 2006 não é nada fácil entender.
Mesmo respeitando a religião dos outros, a verdade é que o ‘gene religioso’ está muito apagadito entre nós, e não se consegue vislumbrar bem este insulto considerado tão grande e feroz. Até porque não foi feito directamente à divindade e sim a alguém que privando de perto com ela, foi um simples mortal…
Contudo para os árabes esta história das caricaturas não foi uma graça de mau gosto, foi um insulto de morte!
Para me colocar no ângulo certo vou imaginar que entro numa máquina do tempo, recuo uns 500 ou 600 anos e, como cidadã de uma Europa medieval, sou informada de que um povo qualquer, herege, tinha feito uns bonecos que ridicularizavam a Virgem Maria, ou um santo - Francisco, Benedito, Domingos…
Não gostava. Mesmo nada.
E será que me apeteceria reagir como estes árabes exaltados? Talvez.
É difícil e complicado. O bom-senso de 2006 diz-me uma coisa, a tentativa de entender certas atitudes diz-me outra coisa. Parece que o boneco mais contestado é o que mostra Mahomé com uma bomba na cabeça e, sinceramente, isso associa de facto a religião-base a uma ideologia bombista e de violência. Foi uma provocação. Que em países com regimes teocráticos não se entenda que nos outros pode haver liberdade de expressão e um país no seu todo não é responsável por aquilo que um seu cidadão, a nível individual faz ou diz, percebo isso.
Vamos esperar pelos próximos episódios.
Com calma, e respeito por todos.

Emiéle
Publicado por populo às 07:24 AM | Comentários (16)
E mais Euromilhões

É uma febre.
Entende-se. Quem não entende? Uma semana de sonhos por 2 euros é barato…
Eu sou uma estúpida, porque se apostar é hoje é já não tenho a semana para sonhar.
É melhor apostar só para a semana, logo na segunda feira.
Sempre tenho mais lucro pelos meus 2 euros.
Emiéle
Publicado por populo às 07:18 AM | Comentários (15)
As maiorias absolutas têm destas coisas…
Quando se tem uma maioria absoluta pode decidir-se o que se quiser, mesmo com a oposição de todos os outros.
Este é um caso que me deixa perplexa:
Maioria rejeita eliminação de barreiras arquitectónicas
É verdade que a notícia não nos explica porque é que foi essa rejeição. Será que pretendem fazer melhor do que aquilo que foi proposto? Porque a verdade é que sabemos que a nível europeu, o nosso
Apoio à Pessoa com Deficiência é fraquíssimo. As normas existem sim senhor, mas sabemos não passam do papel muitas vezes, até mesmo em edifícios públicos. Estamos constantemente a ver isso.
Se agora existiu uma proposta com a aprovação da generalidade da A.R. qual o motivo da oposição do PS?
Como eu disse, devem é ter uma proposta bem melhor e estão a aperfeiçoá-la.
Emiéle
Publicado por populo às 06:47 AM | Comentários (8)
Ainda mais FMI?
É uma verdadeira vocação policial, daqueles EUA.
«Os Estados Unidos desejam um Fundo Monetário Internacional (FMI) mais activo e modernizado para que se torne num verdadeiro polícia da estabilidade económica mundial» considera o sub-secretário do Tesouro para os assuntos internacionais, Sr. Tim Adams.
Esta notícia, li-a na Lusa que no final do artigo mostra onde estão apontadas as baterias: note-se que pretendem « obter, de Pequim, uma flexibilização da sua politica de câmbios, qualificada como "manipulada" pelos industriais norte-americanos, que criticam a vantagem que os chineses daí retiram pelo facto dos seus produtos serem mais baratos.»
Ah!!!
Emiéle
Publicado por populo às 06:39 AM | Comentários (6)
fevereiro 02, 2006
Redoma de vidro
No outro dia quando falei em quartos de adolescentes, arrumados ou desarrumados, recebi alguns comentários de leitores que ‘enfiavam a carapuça’ e promulgavam alegremente a lei da desarrumação!
Teve muita graça, porque me vi colocada num estatuto de “certinha” coisa que não sou de modo nenhum. Os locais onde vivo têm a sua natural dose de confusão a mostrar bem que ali vive alguém. É como gosto, e lembro-me de um amigo meu depois de ter visitado a casa de uns nossos conhecidos criticá-la, opinando que estava incompleta. Perguntei o que faltava e ele esclareceu que faltavam os cordões à frente dos móveis como nos palácios abertos ao público… Era tal e qual!
Ainda por cima eu venho de uma família onde se prezava o conforto acima das aparências. Um motivo de risota era que em casa dos meus avós, numa época onde as casas eram grandes e existia sempre uma divisão chamada “sala de visitas”, essa sala era a pior lá de casa . Isso era completamente ao arrepio dos ‘costumes’ da época porque o normal era a “sala de visitas” ser uma ‘montra’ das coisas mais bonitas, que se deixavam para as visitas. Mas lá não. Deixavam as coisas mais desconfortáveis, porque se achava que ou eram amigos e então entravam para a sala onde estavam todos, ou eram as tais ‘visitas de cerimónia’ e então quanto menos tempo lá estivessem, melhor.
Resumindo, essa sala no calão familiar chamava-se o “corre-com-eles”! E no resto da casa reinava uma saudável desarrumação.

Emiéle
Publicado por populo às 06:45 PM | Comentários (8)
A lei do menor esforço
Eu não tenho nada contra.
Até pode ser uma medida inteligente – se se pode fazer uma coisa de um modo mais fácil porquê ir complicá-la? Mas quando referimos, a brincar, esta “lei-do-menor-esforço” não estamos a pensar em simplificações inteligentes, ou no modo mais eficiente de realizar uma tarefa, mas sim em fazê-lo de um modo fácil e …mal!
Andamos sempre a tropeçar em exemplos. ( E já agora, é claro que também nós entramos muitas vezes nesse conjunto, mas nota-se mais quando são os outros a fazê-lo. )
Esta manhã, de caminho para o meu trabalho, procurava uma passadeira para atravessar uma avenida bastante larga. Havia duas que me podiam servir, tinham alguma distância entre elas mas não era nenhuma distância exagerada. Quando ia pelo passeio avançando para aquela que tinha escolhido, reparo ( e reparava-se mal porque esta manhã, na minha zona, estava um nevoeiro cerrado ) numa mulher que se preparava para atravessar exactamente entre as passadeiras e, muito mais grave, mesmo à frente da saída de um túnel! Aceitando até que os carros devem abrandar quando saem, o certo é que vêm quase sempre um pouco lançados, e não lhes passa pela cabeça que podem encontrar um peão pela frente.
Abri a boca para avisar: “Oh criatura, tenha juízo! Não passe aí que é perigosíssimo!” mas tive receio da reacção e limitei-me a aconselhar em voz calma “é melhor ir pela passadeira” enquanto seguia o meu caminho. Ainda a ouvi dizer “é muito longe” e lá ficou. Esse ‘muito longe’ deu-me para chegar lá, passar, ir até à esquina e quando olhei para trás ainda ela estava à espera de uma pausa nos carros que saíam disparados do túnel, para então passar. O menor esforço?…
Tudo isto no meio do nevoeiro.
Emiéle
Publicado por populo às 06:43 PM | Comentários (5)
A len…ti…dão…
Um dos graves defeitos da Administração Pública é o peso da engrenagem burocrática. Uma hierarquia complicada e muito pesada. Uma história entre muitas:
Tenho uma colega sub-aproveitada e que tem competências muito para além do trabalho que está a fazer. Pediu há muito tempo para ser mudada de serviço para outro onde possa render mais. Finalmente, no início do ano disseram-lhe que tinha sido despachado favoravelmente o seu pedido. Ela ficou radiante, disse-nos que tinha sido o seu melhor presente de Natal. Começou a arrumar as coisas, a passar os seus trabalhos a outros colegas, até porque foi informada que passaria para o outro local a 1 de Fevereiro. O.K. Quando ontem me ia despedir dela, riu-se: Ah, não! Afinal só posso ir em Março, porque o ‘serviço do pessoal’ ainda não tem o processo em ordem.
Nem mais. Olhem que nem sequer muda de Ministério, é só de serviço, mas tem os seus rituais, não pode ser assim de qualquer maneira…!
Quando o governo muda, não se faz tudo aí em 8 dias, mais coisa menos coisa?! Então porque raio é que uma técnica para mudar de serviço leva mais de dois meses???

Emiéle
Publicado por populo às 08:29 AM | Comentários (8)
Sonhar é fácil
Pelo menos chamava-se assim um filme muito antigo: Sonhar é fácil.
Concretizar os sonhos é que já não é. O JN trás hoje para a primeira página o sonho de muitos portugueses -
uma casa espaçosa com quatro divisões e duas casas de banho. Afinal nem sequer é um sonho por aí além… E os 164 mil euros, também não serão bem um sonho que ainda é muito dinheiro. Isto levando em conta a média dos salários em Portugal, porque tudo é relativo. claro está.
Afinal sonhamos baixinho.
Emiéle
Publicado por populo às 07:54 AM | Comentários (7)
O escândalo das funerárias
Depois do “apito doirado” virá aí “o carro funerário platinado”? De um modo geral a nossa ‘Judite’ tem tido imaginação nos nomes que dá às operações que desencadeia…
Esta história passa-se no Algarve, se calhar para nos demonstrar que em matéria de aproveitamentos económicos a onda varre o país de norte a sul. Os factos que se andam a provar mostram um conluio entre uma funerária e um hospital para conseguirem mais funerais para a dita funerária.
Parece um filme, daqueles que pretendem ter graça. Dizem que uns médicos passam uns cheques em branco, quero dizer umas certidões de óbito sem o nome do falecido, ( porque quanto a cheques deviam estar bem preenchidos…) e com esses documentos assim que se dá um falecimento, a funerária é avisada e, como uma flecha, corre a casa da família, e de uma penada dá-lhe a notícia e prepara o funeral.
Rápido, fácil e dá milhões.

Emiéle
Publicado por populo às 07:21 AM | Comentários (7)
Braço de ferro em Israel
As televisões ontem mostraram umas imagens impressionantes de lutas entre civis e polícias. Tratava-se de polícias que defendiam os condutores de bulldozers de avançar para demolir umas casas e os habitantes que as defendiam.
É curioso que ainda há muito poucos dias vimos umas imagens semelhantes mas “em ponto pequenino” e com todo um antecedente diferente. O que se viu em “ponto pequenino” tinha sido os habitantes de um bairro clandestino na Amadora a serem desalojados, em “ponto grande” eram os colonos do colonato de Amona, na Cisjordânia no que parecia ser uma guerra.
Parece que o governo de Israel decidiu fazer cumprir a lei. Os colonos andavam mal habituados porque desde há 50 anos que se consideram acima da lei. Surpresa.
Apesar das imagens que se viam serem chocantes, porque impressiona sempre ver uma pessoa ser expulsa de uma casa, o certo é que aquela terra tinha sido ocupada ilegitimamente e aquelas pessoas estavam avisadas há bastante tempo de que teriam de mudar mas «utilizaram o período de espera para se organizarem de forma a poderem impedir a evacuação do colonato»
E devemos reconhecer que se organizaram bem! Com aquele espírito de organização já podiam estar instalados nas casas novas há muito tempo.
Emiéle
Publicado por populo às 07:12 AM | Comentários (11)
fevereiro 01, 2006
As desgraçadinhas
Também podia dizer “os desgraçadinhos” mas tenho de reconhecer que esta raça de pessoas se encontra com mais frequência no género feminino. E a verdade é que não tenho a menor paciência para as ouvir. São ‘vítimas profissionais’ pessoas que consideram que todo o mundo está contra elas, mas não levantam o dedo mindinho para alterar esse estado de coisas. A ‘culpa’ do que lhes acontece é sempre de alguém, e chamam-nos em seu apoio para nos juntarmos a elas, tipo carpideiras, em grandes lamentos.
Eu já não caio na armadilha de lhes sugerir uma solução alternativa, porque nesse caso sou olhada com ar feroz, como se me ‘tivesse passado’ para o lado inimigo! Tenho, por pouca sorte, um exemplar desses na minha família e quando o telefone toca e vejo que é ela recorro às reservas de pachorra que ainda tenha guardadas, e do lado de cá vou dizendo: Ah! Pois… Imagina! Sim. Coitada! Pois é… Calcula! Enquanto vou pensando noutras coisas.É certo que ela tem tido uma vida infeliz. Mas também é certo que tem escolhido as piores opções, e é incapaz de “fazer agulha” noutra direcção ao ver que por ali é mau caminho. Tem variados ‘carrascos’ desde os pais de quem nunca se desligou, aos companheiros que tem arranjado, aos colegas de trabalho - para não falar nos chefes -, a amigos que a desiludiram, etc. Até a filha, mocinha formidável que se tem desenvolvido muito bem “apesar” daquela mãe, é para ela uma fonte de problemas não se entende porquê ! Nem vê o copo “meio vazio”, vê-o completamente despejado porque a porção de líquido que lá esteja é completamente desvalorizada. Meio é o mesmo que nada! Desta minha prima é difícil fugir porque é da minha família ( será que tenho aqueles mesmos genes????) mas quando se trata de colegas ou conhecidas fujo a sete pés. Porque são perfeitas conversas circulares:
“- Engordei imenso, não tenho que vestir!” “- Compra uma coisa ou duas e tenta emagrecer”, “- Mas tu achas que tenho dinheiro para compras?!”, “- Vai ver nas lojas dos chineses, há coisas muito em conta”, “- Pois, tu andas toda bem arranjada, mas eu posso ir vestir-me aos chineses!”, ”- Foste tu que disseste que não tens dinheiro…Faz uma dieta”, “- Não sou capaz de fazer dietas. Tudo o que como me engorda”, “- Tens de insistir um bocadinho. Eu consegui”, “- É porque tu tens muita sorte, havias de ser como eu!”, “- É uma questão de vontade. Queres passar a almoçar comigo, e comemos juntas?”, “- Nem penses, eu tenho lá tempo!”…. e isto pode continuar indefinidamente.
É bastante pior quando são queixas pessoais: “Imagina o que o F… me fez” e qualquer resposta nossa é má. Se aconselhamos a falar com ele, nem sabemos o que estamos a dizer, ele não a ouve. Se se tenta ver o que terá causado essa atitude, estamos “do lado dele”. Se dizemos para não ligar, é porque somos insensíveis, mas se formos de opinião que deve acabar a relação queremos a desgraça dela…
Não. Não há paciência. É mesmo fugir delas.
Emiéle
Publicado por populo às 05:08 PM | Comentários (8)
Dupont e Dupond ?
Mais dia menos dia tinha de acontecer.
Eu e a minha amiga Isabel somos de signos diferentes, nascemos em terras diferentes, temos famílias diferentes e percursos de vidas diferentes, mas partilhamos um modo extremamente parecido de encarar não direi a vida, mas aquilo que nos rodeia. E, assim, de vez em quando damos por nós a escrever sobre as mesmas coisas e quase ao mesmo tempo! Lógico. E umas vezes ela, outras vezes eu, quando vemos que a parceira já abordou o tema mudamos de assunto ou fazemos um comentário mais extenso no post da outra.
Esta manhã, eu tinha já escrito uma coisa sobre “um certo tipo de feitios” e antes de o retirar da forma de “rascunho” e passar a post dei uma olhadela ao Troll , e lá estava ele! Não igual é claro, que a escrita da Isabel é inconfundível, mas a essência era a mesma – a crítica a um modo negativo e queixoso de encarar o mundo. Primeiro ri-me, e deixei-o ficar em rascunho. Agora, mais tarde, releio-o e vejo que não é bem igual, e então pronto, decidi puxá-lo para ficar à vista. Cá vem ele aqui em cima. Mas é engraçada tanta semelhança entre nós. Será que, noutra encarnação…? Mas até nisso somos parecidas, nenhuma de nós acredita lá muito nessas transcendências !
Emiéle
Publicado por populo às 04:58 PM | Comentários (5)
Realmente, é verdade...
E agora, a pedido de várias famílias, tenho de roubar um boneco a outro dos blogs incontornáveis pelo seu humor.
Do famoso Webecedário temos a sua visão dos hieroglifos:

:)
Emiéle
Publicado por populo às 07:56 AM | Comentários (6)
Loja do Cidadão
As Lojas do Cidadão foi dos passos mais correctos que se tem dado no sentido de facilitar a vida ao pobre do cidadão que precisa de tratar dos mil e um problemas que surgem no relacionamento com nossa administração pública. Não estarão isentos de erros, nem tudo funciona nas nuvens, mas na generalidade funcionam bem, ou pelo menos muito melhor do que os serviços de origem.
Se, de facto, o governo levar as Lojas do Cidadão a todos os concelhos é uma excelente medida “desburocratizante”.
Clap, clap, clap.
Oxalá se concretize e passe a fase da promessa. Acredito ( quero acreditar, pelo menos ) que sim, e será muito bom, sobretudo para concelhos do interior.
Emiéle
Publicado por populo às 07:40 AM | Comentários (5)
Medicamentos pela Internet

Faz-se por todo o lado. Aliás podemos mandar vir medicamentos de todo o mundo, se nos fizerem falta, menos de… Portugal. Engraçado, não é?
Parece que agora alguém* se deu conta deste absurdo e está a preparar-se a legislação que permita às nossas farmácias vender através da net
Haja Deus!
Não era sem tempo…
(* Autoridade da Concorrência)
Emiéle
Publicado por populo às 07:24 AM | Comentários (4)
Mau, mau…
Ainda ontem aqui falei aplaudindo, o desenvolvimento de energias alternativas por cá.
Afinal vem-se a saber hoje que apesar de Portugal poder aumentar até 27 % as emissões de gases com efeito de estufa esse limite já foi ultrapassado agora e ainda faltam dois anos !
Assim vamos mal.
Emiéle
Publicado por populo às 07:13 AM | Comentários (2)
"Brokeback Mountain"
Os Óscares começam a mexer… Apesar de se saber os interesses comerciais que fazem mover as entregas daqueles prémios, a verdade é que é difícil ficar-se indiferente – são mesmo os prémios de cinema mais conhecidos do mundo. Os entendidos em cinema podem valorizar mais os prémios de outros Festivais mas, para o público em geral, o importante são os Óscares.
Soubemos ontem alguns dos filmes que concorrem. "Brokeback Mountain", "Good Night, Good Luck", "Munique", "Crash" e "Capote"
Como se prevê está a lançar alguma polémica a escolha do filme "Brokeback Mountain" pela sua temática. É interessante que o realizador é um chinês o que vem baralhar ainda mais as cartas! Mas esse badalado filme, que já ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza do ano passado, foi nomeado em sete outras categorias , ( melhor realizador, melhor filme, melhor actor, e melhores actor e actriz secundários, etc. ) pelo que, não só não pode passar desapercebido, como alguma coisa tem de ganhar pela certa!!!
Mas a verdade é que nos Estados Unidos em várias localidades existiram salas de cinema que não quiseram exibir o filme que trata do tema da homosexualidade . Num momento onde em vários países se torna legal o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, e desaparecem a grande velocidade os preconceitos que durante séculos foram autênticos tabus quando se abordava o tema da opção sexual, este filme vem aproveitar esta onda gigante. Tenho curiosidade em seguir as reacções da sociedade norte-americana.
Daqui até 5 de Março ainda muita tinta vai correr…

Emiéle
Publicado por populo às 06:45 AM | Comentários (12)