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janeiro 03, 2006
Uma história extraordinária
Existe no Kenya uma aldeia parecida com qualquer outra, na aparência. É circular, e as casas são feitas com “tijolos” de lama e bosta seca de vaca. Uma aldeia tradicional.
Chama-se Umoja, e está longe, muito longe de ser uma aldeia normal. Os seus habitantes são só mulheres. Mulheres duplamente vítimas mas que souberam organizar-se e sobreviver.
A aldeia formou-se com um conjunto de mulheres que depois de terem sido violadas tinham sido expulsas pelos maridos que consideravam que elas tinham trazido a vergonha à comunidade e família.
Com energia, refugiaram-se num terreno abandonado e essas corajosas mulheres construíram a sua aldeia Umoja, que significa Unidade. Essas quarenta mulheres iniciais, saíram-se tão bem, que foram recebendo outras mulheres, fizeram um acampamento para turistas, um centro cultural, e a aldeia ganhou fama. Mas não tem lá homens!
De tal modo que, ironia máxima, os homens despeitados, foram construir outra aldeia em frente desta, para captarem os turistas mas sem nenhum sucesso. Estes preferem a aldeia feminina, que vai de vento em poupa. Com o dinheiro que têm ganho já conseguiram enviar os filhos à escola, comprar roupas novas, melhorar a alimentação, e sobretudo recusar às suas filhas os casamentos precoces e a excisão.
Estas mulheres vão dizendo que até apreciam a presença de homens… mas como amigos.
Uma história bonita, de coragem, para o início do ano.
ML
Publicado por populo às janeiro 3, 2006 08:04 AM
Comentários
Uma história de coragem. Desistir é morrer e estas mulheres recusaram-se a morrer.
Publicado por: João Norte às janeiro 3, 2006 08:38 AM
Certo, João. Boa história. Uma lição de vida e coragem, porque realmente "desistir é morrer", também concordo.
Publicado por: zorro às janeiro 3, 2006 12:46 PM
A necessidade aguçando o engenho.
Publicado por: galeria de inventores às janeiro 3, 2006 01:22 PM
Impressionante.
Como de uma situação horrorosa, se pode arrajar forças para "dar a volta" à vida!
( custa a entender como é que uma desgraçada é violada e ainda é acusada de ofender a família...)
Publicado por: Gui às janeiro 3, 2006 01:49 PM
:)
Publicado por: johnny às janeiro 3, 2006 04:52 PM
Este post merecia mais comentários. Não sei bem porque é que as pessoas não param um pouco aqui.
É tão sério e grave o que se passa numa sociedade onde um género, por ser tradicionalmente importante se arroga o direito de "vida ou de morte" sobre o outro género.
Que uma mulher seja violada é um crime horrível. Que seja punida por "se ter deixado" violar, ultrapassa o que se pode imaginar. Acho espantoso que consigam, não apenas sobreviver, mas vencer!
Que grande lição. Para todos.
Ainda bem que nos contaste esta história, ML
Publicado por: Joaninha às janeiro 3, 2006 10:01 PM
é isso aí, belo exemplo, um refugio de mulheres,
cada pessoa, tem que mudar da maneira que achar melhor, quando o calo aperta é chegada a hora de trocar o sapato.
Publicado por: erasmo santos às outubro 19, 2008 02:32 PM