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janeiro 28, 2006

Não percebi

E odeio esta sensação. Quando uma coisa é, teoricamente, para ser entendida por toda a gente e eu não compreendo, sinto-me mal. Mesmo mal. É uma sensação muito desagradável.
Eu, como creio que toda a gente, detesto a burocracia. E um dos tenebrosos símbolos da burocracia é a famosa declaração do IRS, coisa complicada, que obriga a bichas enormes porque a malta tem o costume de deixar a coisa para os últimos dias. Digo que é complicado mesmo para mim que sei ler e escrever razoavelmente bem, mas para os analfabetos funcionais que para aí proliferam, chamar-lhe complicado é um eufemismo.
Leio hoje que a entrega da declaração de IRS vai deixar de ser obrigatória notícia que parece logo excelente. Nos últimos anos a melhoria foi poder enviar-se por Internet, quem a tinha e sabia fazê-lo, e agora anunciam que essa declaração deixa de ser obrigatória.
Então como é que vai ser?
E aqui é que vem a parte que não percebo: «o contribuinte passa a receber a sua declaração de IRS via Internet, já preenchida». Vou só expor as minhas dúvidas.
a) O que se vai receber é a parte com nome, morada, BI e NC, estado civil, entidade patronal, o que se recebeu e as deduções feitas, imagino eu.
b) Se for baseado no ano anterior, exige um grande cruzamento de dados, para se saber se não nasceu nenhum filho, se não houve nenhum casamento ou separação, se o filho já não está a cargo, e outros “pormenores” destes.
c) As deduções que quase toda a gente tem com saúde e educação (pelo menos) terão de ser preenchidas pelo contribuinte, calculo eu. Ou desaparecem as deduções?
d) Não entendi se, quando se fala em receber “via Internet”, é a Internet do serviço onde se trabalha. Porque decerto não se imagina que todos os funcionários tenham Internet em casa. Seguindo via local de trabalho, vai ficar acessível a outras pessoas que passam a conhecer os nossos dados pessoais.
e) Apesar de aqui se dizer que «a experiência será alargada a todos os trabalhadores do Estado» deduzindo-se daqui que não abrange ainda os privados, devem ter decerto consciência da grande quantidade de locais "do estado" que ainda não estão ligados por net.
Enfim, aplaudindo o que seja desburocratizar, esta medida tal como está apresentada resalvo, parece-me ainda muito tosca e de difícil aplicação.

(clique para ver melhor)

Emiéle

Publicado por populo às janeiro 28, 2006 10:43 AM

Comentários

Espera aí EMIÉLE, eles querem implementar os modelos que já existem nos países nórdicos, por exemplo a Noruega. Neste País já fazem isto há muito, mas tudo entra na Declaração até o raio do carro te dão um valor por ele e, todos os anos tens que dizer se concordas ou não com o valor que te dão ao mesmo. Agora repara numa coisa: o nosso nível de vida tem alguma coisa a ver com o da Noruega? Pagas pela Europa mais evoluida socialmente e recebes por Portugal atrazadíssimo socialmente... o Sócrates não mete prego sem estopa! E mais uma coisa quem comprou casa como é que vai fazer a dedução à colecta, as doenças e suas despesas, eles vão fazer como a EDP vão fazer uma média? Neste país começa-se a construir a casa do telhado para baixo.

Publicado por: soslayo às janeiro 28, 2006 11:10 AM

Soslayo, apaguei o comentário repetido para isto ficar mais arrumadinho.
Então, pelos vistos, pensas como eu.
É que era isso mesmo que eu pensava. Estamos a querer dar um passo muito grande, que no limite estará certo, mas falta-nos a base. eu lembrei-me dos descontos de saúde e educação que por cá são grandinhos, e a minha casa é do senhorio... mas tens toda a razão em falar nisso que é uma preocupação para muita gente. Sou franca o meu receio é que, como acontece muitas vezes com o Estado, primeiro recebem aquilo que devem. OK. E depois o processo para fazer a devolução daquilo que nos é devido vai levar séculos...
Este esquema, em países com uma política social decente, possivelmente facilita muito. Mas por cá, ou se 'esquecem' de que está combinado algumas devoluções, ou não sei muito bem como se vai receber a tempo e horas.
Mas posso estar enganada.

Publicado por: Emiéle às janeiro 28, 2006 11:38 AM

Meus amigos, cá por mim é tal e qual o que penso.
Posso estar enganada, e revelar-se um grande sucesso, mas não me cheira nada. Imagino tudo a protestar, e chegarem tantas reclamações que mais uma vez vai entupir o sistema o que acontece sempre que cá se põe uma coisa destas no ar.
Claro que com o sistema entupido, pára tudo e a malta que deveria receber os famosos "retornos" vai esperar mais uns meses fazendo. mesmo contra a sua vontade. um "empréstimo" ao Estado.

Publicado por: Tess às janeiro 28, 2006 01:12 PM

"O Estado pode optar por criar uma média de deduções com base em anos anteriores, que depois podem ser sujeitas a correcções, ou proceder, à priori, ao pedido das declarações de despesas dedutíveis."

Isto parece-me que vai dar-lhes muito mais trabalho! porque as correcções vão ser mais que muitas! Seria importante se fosse feito a trabalhadores liberais que serão os que mais fogem ao IRS, porque os funcionários públicos recebem os seus ordenados já descontados, por isso a fugirem seria por ninharias... As correcções serão uma dor de cabeça para eles, porque TODA a gente vai fazer correcções! Ninguém tem as mesmas doenças todos os anos, ninguém faz as mesmas despesas de educação todos os anos, etc... Só não vão fazer correcções aqueles que porventura receberem mais do que o que teriam direito nesse ano!... não me parece grande ideia... principamente porque os grandes "fugitivos" vão ficar de fora...

Publicado por: Farpas às janeiro 28, 2006 02:56 PM

Já estava com medo de além do meu sentido de humor me terem fugido também os meus dois únicos neurónios, porque quando ouvi a notícia a 1ª vez também não a percebi. No entanto parece-me que para nos vermos livres desses benditos papéis não seja má ideia serem "eles" a preenchê-los: afinal têm lá os nossos dados todos. Só ficam as alterações que acontecem durante o ano,que serão depois acrescentadas por cada um, penso eu. Eu acho esta uma boa medida. E se nos outros países são capazes porque não o seremos nós? É preciso que alguém se atire às coisas para que elas avancem! Talvez por causa do "não somos capazes" é que nunca fazemos aquilo que os outros fazem. Ultimamente tenho andado mesmo muito zangada com algumas medidas deste governo, mas não o podemos culpar de falta de coragem e iniciativa...
(sabem aquela história do papá que dizia "o meu filho só entra na piscina quando souber nadar")?
Às vezes parecemos assim! Finalmente parece que temos um governo que nos deixa entrar na piscina... Talvez engulamos uns pirolitos, mas isso é o preço a pagar para aprendermos a nadar!
Émièle, eu jamais me sentiria constrangida de comentar no teu blog! Nos blogs que me constrangem só lá entro uma vez que é a 1ª e a última!

Publicado por: saltapocinhas às janeiro 28, 2006 05:46 PM

korea uoyaipcni

Publicado por: Alexander às março 3, 2006 03:19 AM