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janeiro 28, 2006
A Compreensão
Um grupinho de educadoras encontra-se para reflexão sobre os seus métodos de trabalho, modos de agir, e troca de experiências. Uma delas conta:
O ano passado o Ruca tinha uma atitude sempre muito agressiva comigo.
Era uma criança pouco simpática, de expressão carregada, muito pouco risonho, quase não conversava, e o relacionamento era difícil. Uma certa semana, depois de ele me ter atirado com um brinquedo e me ter magoado, fechado uma porta quando eu ia entrar por um triz não me entalando, e depois de ter ido lavar as mãos à casa de banho desviando a água encharcando-me de propósito achei que devia ter uma conversa com ele. Sentei-me numa cadeirinha perto dele e disse:
- Ruca, tu achas que eu não gosto de ti? Resposta fulminante:
- Tenho a certeza!
E era este o modo como exprimia a sua “devolução” dessa ‘certeza’.
Quis contar esta história por me parecer importante quanto ao modo de ver as questões quando as pessoas se esforçam por empatizar com as outras. Claro que se tratava de um adulto e uma criança de 5 anos, mas os sentimentos não são assim tão diferentes. Esta história poderia ir aumentando em espiral – a cada provocação do Ruca a educadora respondia com severidade o que ia reforçar a certeza de que ela não gostava dele, etc, etc. Foi travada aqui, pelo bom-senso e sensibilidade de uma boa profissional. Quantas vezes não nos acontece o mesmo na nossa vida de todos os dias? Responder ao “olho por olho” sem para parar para pensar como-é-que-o-problema-começou.
Emiéle
Publicado por populo às janeiro 28, 2006 01:57 PM
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Comentários
Muitas vezes mesmo.... impulsividade.... a resposta na ponta da língua... por vezes temos de engolir esse tipo de coisas...
Publicado por: Farpas às janeiro 28, 2006 03:18 PM
( Ai, ai, Farpas acabei agora de deixar um post que é mais dirigido às meninas que frequentam este estaminé. Tenho de arranjar um para os meus leitores masculinos que também merecem.)
Quanto à compreensão e bom-senso que nos ajudam a viver em sociedade, a verdade é que se começa de pequenino e o papel desta educadora foi muito importante. Porque não é nada fácil "pormo-nos na pele dos outros" e entender porque é que se dizem e fazem algumas coisas. Nem sempre é o que pode parecer à primeira vista. Aquele menino podia ser um menino "mau", e afinal estava infeliz...
Publicado por: Emiéle às janeiro 28, 2006 03:39 PM
É uma boa história, Emiéle.
E de difícil aplicação porque, como muito bem dizes, o impulso natural é responder ao "olho por olho e dente por dente". Se nos sentimos agredidos, partimos para a luta sem pensar duas vezes.
Publicado por: Joaninha às janeiro 28, 2006 04:01 PM
Normalmente as crianças gostam dos adultos (pais, amas, educadoras, professoras). Uns são mais beijoqueiros e extrovertidos, quase nos partem o pescoço, outros mais reservados, mas felizmente nunca me aconteceu tal situação!
Publicado por: saltapocinhas às janeiro 28, 2006 05:55 PM