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dezembro 30, 2005
Vá para férias cá dentro
Ninguém pretende que um político, por o ser, modifique o seu estilo de vida e os seus hábitos. É natural que faça o que está habituado a fazer. Óptimo.
Por outro lado, há uma imagem que eu não consigo afastar. Quem lida com questões de educação, sabe a importância do modelo. Um verbo, que não sendo um neologismo entrou nos últimos anos em todos os livros de pedagogia, é “modelar”. Modelar-se um comportamento, uma atitude, é dá-la como modelo e assim fazer que a criança que pretendemos orientar o faça também.
Onde é que eu quero chegar?
Vamos já lá. Na opinião pública os “políticos” andam com má fama. É certo que em vários casos paga o justo pelo pecador, mas isso decerto acontece porque os pecadores são notórios. Sendo essa imagem pouco boa, talvez fosse de bom senso que “os políticos” evitassem dar nas vistas quanto à sua vida particular.
Ora o pobre do engenheiro Sócrates tem azar. O país arde com os maiores incêndios que temos visto, e sabe-se que ele está de férias a banhar-se em praias equatoriais. Temos um Natal de cinto muito apertado e com notícias de que a inflação vai bem à frente dos aumentos salariais, e sabe-se que ele anda a fazer sky lá para a Suiça .
Dizem-nos que era o seu costume, que já o fazia noutros anos. Que bom, para ele e família. Só que acontece que o que também “era costume”, para mim e para muita gente noutros anos, deixou de o ser ultimamente.
Quando se exigem sacrifícios, ( e de que tamanho!) era interessante que o fosse para todos.

ML
Publicado por populo às dezembro 30, 2005 10:49 AM
Comentários
Só um "senão", ML, a verdade é que o povo já não é criança. A imagem é boa mas um pouco paternalista.
De resto é mesmo isso. Acho que podias chamar ao teu post Frei Tomás o tal que queria que se fizesse o que ele dizia e não o que ele fazia.
Com exemplos destes não se admirem que a malta aceite mal as famosas restrições.
Publicado por: zorro às dezembro 30, 2005 01:06 PM
Tu rogaste uma praga ao homem! Não é que passou agora em rodapé nas noticias que ele se lesionou a esquiar??
Eu desta vez não concordo completamente contigo: o homem tem lá a o direito às férias dele... (só concordo na parte em que pode chocar quem tem tão pouco...) Mas, sabes o que me faz muito mais confusão? Aquelas pessoas que devem o carro, a casa, a playstation do menino e ainda pedem dinheiro ao banco para ir passar férias ao Brasil... Depois passam a vida a queixar-se que o dinheiro não chega até ao fim do mês que são uns desgraçados e blá blá blá...
E também aqueles que passam o ano de férias e são ricos sem nunca terem feito nada de util!
Publicado por: saltapocinhas às dezembro 30, 2005 02:32 PM
Pois é nesse ponto que eu quero tocar, saltapocinhas. É evidente que o senhor tem todo o direito a descansar, às suas férias e onde bem lhe apetecer. E ainda por cima acrescentam que já era costume dele e da família darem esta escapadinha. O que impressiona, é que enquanto os chamados RICOS, o fazem com a maior naturalidade, quem anda a pregar tanta contenção, quem exige dos outros tanta economia, quem detem o poder e, em certa medida, obriga os outros a não passarem as suas férias do costume, não se prive ele próprio daquilo de que gosta e está habituado. Por isso eu falei em "modelo", em "exemplo". Estou convencida que se o povo acreditasse que os seus governantes também se privavam, aceitariam melhor as suas próprias privações.
Publicado por: ML às dezembro 30, 2005 07:10 PM
Ainda volto cá porque me esqueci de referir as pessoas que vivem no "Planeta do Crédito". Confesso que não compreendo como é poss+ivel. Viver em permanente défice, receber e o que se recebe é para tapar a conta-ordenado, para mim seria um pesadelo. Umas férias de luxo, pagas a crédito, não me sabiam a nada. Também tenho ouvido essa frase "se não fosse assim, não fazia"; pois bem, é exactamente não fazer aquilo que aconselho!
Precisamos de um teto, água, luz, roupa decente, e comida saudável. Daí para a frente, gastamos se temos, não gastamos se não temos.
Tenho vivido assim, e não me tenho dado mal.
Publicado por: ML às dezembro 30, 2005 08:07 PM