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dezembro 02, 2005
"Técnicas" de entrevista
Tenho ouvido todas as entrevistas de Judith de Sousa aos candidatos à Presidência da República ( excepto talvez esta noite, não especialmente por ser o Cavaco, mais por força do futebol…como não vou estar em casa, e onde vou os meus companheiros vão estar interessados noutros combates, creio que o C.S. vai escapar) e reparado no modo como a entrevistadora conduz as coisas. Claro que quanto menos traquejo o entrevistado tem deste tipo de manobras, mais facilmente se deixa enredar por elas. Com Manuel Alegre foi tipo interrogatório policial, ele repetindo não querer falar em certos pontos e ela a insistir até à náusea, já Soares foi quase malcriado mas conseguiu pô-la na ordem, e Louçã foi tão determinado que a conseguiu calar. Mas não gosto, definitivamente não gosto, deste tipo de jornalismo! Aceito que uma entrevista não seja usada como tribuna onde as pessoas aproveitem um tempo de antena para só proclamarem o seu discurso eleitoral. Imagino esse cenário com um candidato com que não simpatize e não aprovo. Mas, tentar encurralar as pessoas para “se descaírem” com afirmações que depois se podem virar contra si próprias, é profundamente desleal.
Ontem gostei de ouvir Francisco Louçã. Foi claríssimo a afirmar que o seu adversário era Cavaco. E a quem tenho ouvido, ironicamente, dizer que afinal todo o discurso da esquerda é apenas “anti-cavaco” ou não percebem ou não querem perceber porque é que isso é assim. Muito simplesmente porque a direita não podia ter achado um melhor símbolo das suas piores facetas. O homem de Boliqueime não é uma pessoa (em si, ele é-me indiferente ), é sim a representação de um conjunto de atitudes, de posições, de ideias, que me custa imaginar vir encarnar “o representante de Portugal” que um Presidente da República deve ser.
E também gostei de ouvir Louçã esclarecer a senhora jornalista, que conhece o que são os poderes presidenciais, mas por isso mesmo considera que um bom presidente deve alertar o país quando se avizinham perigos reais. Falou em dois, haverá mais ainda. E esta posição não é assim uma coisa tão extraordinária como isso – quando os últimos presidentes fizeram “presidências abertas” ou “presidências temáticas” afinal o que era? Não entra no modelo de “chamar a atenção para o que está a funcionar pior”?
Também é irritante a preocupação de Judith de Sousa com a dispersão dos votos da esquerda. Nunca a imaginei uma mulher de esquerda, mas se calhar…para estar tão ralada… Mas fique descansada que na segunda volta, esses votos vão-se unir. Contudo, exactamente para que o único candidato do centro-direita não atinja os 50% dos votos expressos, será importante que muitos votos cheguem às urnas. E o facto de se dividirem os ovos por vários cestos, ao contrário daquilo que ela diz, fará que haja mais pessoas a votar e portanto mais votos expressos o que pode abalar o tal “absolutismo” cavaquista. A esquerda sempre foi plural e não se dá mal com isso.
ML
Publicado por populo às dezembro 2, 2005 04:44 PM
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Comentários
ML, minha cara, reconheço que abomino esse tipo de entrevistas onde os entrevistados são "agredidos", quase! Fico tão furiosa que tem o efeito perverso de me pôr do lado do entrevistado, mesmo quando não gostava dele antes!!!
Mas a "chefe da claque" é a Margarida Marante.
Só à estalada!!!!
Publicado por: Joaninha às dezembro 2, 2005 05:02 PM
Por um lado também tenho essa dúvida quanto à dispersão dos votos, mas a verdade é que assim também se recolhem alguns que ficariam de facto perdidos.
Será que vou mais uma vez engolir o sapo/Soares???? Estou a fazer figas porque ele seja ultrapassado pelo Alegre!
Publicado por: Lua-Cheia às dezembro 2, 2005 05:07 PM
a lua cheia vai ficar ainda mais cheia porque com toda a certeza vai mesmo ter de engoilir o sapo (e que sapo, não vai ter fome durante um mês!!)
Quanto às entrevistas, não gosto, não vejo.
Quando chegarem os debates, aí sim, gosto de ver!
Publicado por: saltapocinhas às dezembro 2, 2005 07:26 PM
Não sei...com toda a franqueza, não sei...
Já se viu que sondagens são importantes mas podem enganar-se ( e enganar-nos )
Por outro lado ainda falta toda a campanha...
Claro que isto não vai ser como aquelas últimas ou até penúltimas eleições presidenciais. Para mim, creio que serão das mais renhidas desde há muito tempo, mas não acredito que as favas estejam já contadas.
Publicado por: ML às dezembro 3, 2005 12:37 AM
*suspiro*
Primeiros - esse tipo de entrevistas tou como a Saltapocinhas, o melhor é nem olhar! e não virmos também não nos cheteamos. Mas é verdade que gente como a Margarida Marante só apetece largar á chapada!!!
Quanto às eleições, olha, quem viver verá. É como o outro "prognósticos só depois dos resultados"
Publicado por: Tess às dezembro 3, 2005 11:09 AM
Achas que são técnicas de entrevista?!!! É má educação pura e simples, isso sim!!!
Já tens aqui muitos testemunhos de gente que não suporta o estilo, não si porque é que continuam a fazer.
E o grave é que aquelas senhoras são professoras em escolas de jornalismo. Portanto estão a ser modelos, veja-se só!!MODELOS!!!!!!!!!
:(
Publicado por: zorro às dezembro 3, 2005 11:35 AM