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novembro 21, 2005

Vítimas silenciosas

A semana que está a decorrer vai culminar na 6ª que vem, 25 de Novembro, com “Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres” e durante toda a semana vai falar-se deste tema, tão duro, tão grave, e tão actual.
Assim, os jornais começam desde já a dar números. E é de assustar!
A Lusa informa-nos que nos primeiros cinco anos deste milénio, na nossa terra de brandos costumes, se fizeram cerca de 45.000 queixas de crimes relacionados com violência doméstica. E isto é o que a polícia recebe!!! Creio não haver a menor dúvida de que se trata de um iceberg, o que não se vê é infinitamente maior.
Apesar de tudo, acredito que vá havendo menos medo ? vergonha ? dificuldade em “dar a cara”. Quero acreditar que o facto de ano para ano se registarem mais casos [ mais 9 % em 2001, mais 5 % em 2002 … ] não seja porque a violência tenha aumentado mas, sobretudo, porque as vítimas têm menos medo de se queixar.
A polícia parece estar a ficar mais sensibilizada por este tema, tendo sido criadas salas de atendimento especial. Boa medida. Mas, de qualquer modo, tudo isto é como na Saúde quando se investe no sector secundário e não no primário. É urgente e fundamental a prevenção, o que, neste caso, quer dizer a formação humana, social, pessoal, do cidadão. Desde criança que é essencial que se acredite, mas acredite profunda e visceralmente, que não se deve agredir o seu semelhante. Que o facto de se viver em família até agrava esse comportamento. Porque sabemos que há muita gente que seria incapaz de ferrar dois pares de estalos ao seu vizinho de patamar, e não se coíbe de o fazer em casa. Como é? Tem mais respeito pelo vizinho do que pela sua família?
É toda uma mudança de mentalidade que é necessário. Temos de mudar de uma ponta à outra. Nem o agressor deve agredir, nem a vítima se deve “deixar” agredir, nem os conhecidos devem fechar os olhos. São crimes semi-públicos, todos temos o dever de intervir. Temos de meter a colher, sim senhor! Sob pena de sermos coniventes de crimes que não impedimos.
Isto tem de parar!
ML

Publicado por populo às novembro 21, 2005 07:38 PM

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Comentários

O teu blog hoje, se não fosse o Bush para alegrar, estava pesado à brava! E, o raio é que são tudo verdade!
Vá lá, procura uma coisinha bonita para acabar o dia, vá...
Ainda cá venho ver à noite!

Publicado por: Joaninha às novembro 21, 2005 08:41 PM

Não vai ser fácil, sabes? Isso de mudar modos de pensar leva mais tempo do que se pode calcular. Já se tem dado passos importantes em frente, cada vez menos se considera que o pater familias seja o "dono" do seu clã. E é claro que a independência económica da mulher ajudou muito. Mas há hábitos ancestrais, com os quais a própria mulher colabora.

Publicado por: R.S. às novembro 21, 2005 10:33 PM

RS, não concordo com a expressão "colabora". Isso da vítima colaborar com o agressor, é conversa. Agora que a indepedência económica foi a chave que lhe abriu muitas portas é quase indiscutível. Quando a mulher não podia ter bens pessoais, como nos séculos passados, quisesse ou não tinha de se submeter ao macho da família - marido, ou pai, ou irmão.

Publicado por: Gui às novembro 21, 2005 10:37 PM

ML tomei a liberdade de te responder na minha casa! Espero que não te importes, mas como tinha links e imagens temi que se perde-se na caixa das "autorizações".

Publicado por: Farpas às novembro 22, 2005 01:11 AM

ups... *perdesse!

Publicado por: Farpas às novembro 22, 2005 01:12 AM

Importante este post, ML.
Fui ao Farpas ( quésed'zer ao seu blog!) e gostei imenso do que lá escreveu.
Excelente, Farpas! Muito importante as imagens, e ainda o testemunho.
Posso dizer que é de Homem. Para mim, um Homem só pode pensar assim, o resto são homenzinhos.

Publicado por: zorro às novembro 22, 2005 10:39 AM

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